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Aborto Garantido
 Aborto Garantido
Entrevista com o Pe Bartolome Menchén sobre sua experiência nos países nórdicos da Europa (fevereiro 1991).

PAL.: "Vamos por partes. Que nos pode dizer V. R. sobre o respeito à vida?"

B.M.: "O Movimento Pró-Vida praticamente não existe nos países nórdicos. Na Finlândia alguns se apresentam para a batalha. Da Suécia lembro uma história muito significativa. Uma imigrante sul-americana, católica, esperava seu terceiro filho. Numa das entrevistas com a assistente social, que acompanhava a situação, esta lhe comunicou que já havia disposto todas as coisas para que fosse para o hospital. Com surpresa, já que estava passando muito bem, perguntou para que devia ir para o hospital. A resposta deixou-a emocionada: como já tivera dois filhos, supunha-se que queria abortar o terceiro e, por isto, já estava tudo preparado".

PAL.: "E a família?"

B.M.: "Logicamente sofre em cheio a crise que afeta o indivíduo. A família é constituída por pessoas e, se estas receberam educação individualista, transmitem as graves carências de que sofrem".

Assisti na TV sueca a cinco diálogos entre pais e filhos realmente lamentáveis. Na Suécia (trata-se de dados colhidos há poucos anos) uma entre quatro crianças precisa de atenção psiquiátrica antes dos quinze anos, e o número de suicídios infantis (127 por ano) é proporcionalmente o mais elevado do planeta.

Na Finlândia ouvi no ano passado uma série de programas de rádio que tratavam da conveniência de 'descansar' do cônjuge. Propunham que o marido e a mulher se separassem periodicamente um do outro e vivessem sem contatos durante um período mais ou menos longo, para evitar que chegassem a se entediar um do outro.

O número de divórcios, nesses países, triplicou nos últimos vinte anos. Na Suécia representa mais da metade dos casamentos. O sistema de subvenções encarrega-se de aumentá-lo, pois o Estado se obriga a pagar uma quantia conveniente à parte que fica com os filhos; mas, como os filhos podem viver alternativamente com o pai e com a mãe, ambos podem receber a subvenção.

A família separada encontra-se, portanto, em situação econômica mais favorável do que a unida. Há casos de pessoas divorciadas no papel, mas que continuam a viver juntas. Desta forma o orçamento é menos apertado. Pois a vida é muito cara e sustentar uma família numerosa supõe um desafio ao sistema e uma prova de valor.

Mas, mesmo quando não há uma família grande, a pressão social é tão forte que se torna muito difícil à mulher dedicar-se ao cuidado dos filhos e de sua casa. Na Suécia (em outros países nórdicos os índices são superiores) 90% das mulheres trabalham fora do lar. Não é estranho que Olof Palme tenha podido dizer: "A dona de casa morreu!" O que há de terrível, neste caso, é que não o tenha dito com preocupação, mas como quem proclama uma vitória.

Por conseguinte, a família está-se desintegrando há anos; e, dentro da família, especialmente a mulher, porque se trata de sociedades muito machistas".

A ironia é que, segundo pesquisas recentes, na Suécia, de 86% das mulheres que trabalham fora do lar, 70% desejariam ficar em casa e ocupar-se com os filhos; tal desejo, porém, é inexeqüível.

Ver artigo completo de Dom Estêvão Bettencourt intitulado 'O Bem-estar que Não Satisfaz'.