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O Pastor e as Ovelhas (22-07-2012)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Jeremias (Jr), capítulo 23
(1) Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho miúdo de minha pastagem! - oráculo do Senhor. (2) Por isso, assim fala o Senhor, Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Dispersastes o meu rebanho e o afugentastes, sem dele vos ocupar. Eu, porém, vou ocupar-me à vossa custa da malícia de tal procedimento - oráculo do Senhor. (3) Reunirei o que restar das minhas ovelhas, espalhadas pelos países em que as exilei e as trarei para as pastagens em que se hão de multiplicar. (4) Escolherei para elas pastores que as apascentarão, de sorte que não tenham receios nem temores, e já nenhuma delas se extravie - oráculo do Senhor. (5) Dias virão - oráculo do Senhor - em que farei brotar de Davi um rebento justo que será rei e governará com sabedoria e exercerá na terra o direito e a eqüidade. (6) Sob seu reinado será salvo Judá, e viverá Israel em segurança. E eis o nome com que será chamado: Javé-nossa-justiça!

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 2
(13) Agora, porém, graças a Jesus Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo sangue de Cristo. (14) Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, (15) abolindo na própria carne a lei, os preceitos e as prescrições. Desse modo, ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz, (16) e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade. (17) Veio para anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz também àqueles que estavam perto, (18) porquanto é por ele que ambos temos acesso junto ao Pai num mesmo espírito.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 6
(30) Os apóstolos voltaram para junto de Jesus e contaram-lhe tudo o que haviam feito e ensinado.
(31) Ele disse-lhes: Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que iam e vinham e nem tinham tempo para comer.
(32) Partiram na barca para um lugar solitário, à parte.
(33) Mas viram-nos partir. Por isso, muitos deles perceberam para onde iam, e de todas as cidades acorreram a pé para o lugar aonde se dirigiam, e chegaram primeiro que eles.
(34) Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas.
Homilia do Padre Paulo Ricardo : PLAYER AQUI
Homilia do Padre José Ruy:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Sacerdote - O sacrifício de um homem

Constantin Virgil Gheorghiu, A Vigésima Quinta Hora, apud Daniel-Ange, Dans tes mains, le cosmos!: Lettre a un jeune pretre, Fayard (1986).

... O sacerdote não é um homem; mas a imolação de um homem unida àquela de Deus. É isto o sacerdócio.

Não se é sacerdote como se é trabalhador, funcionário ou artesão. Não se é sacerdote para fazer algumas horas de escritório, com intervalos e dias de férias. É-se padre permanentemente. Sem interrupção. Sem repouso. Sem trégua alguma. Dia e noite. E como as pessoas podem se dirigir a Deus não importa quando, por não importa que pedido, a não importa que hora do dia ou da noite, sem medo de o importunar, do mesmo jeito se pode ir ao sacerdote não importa quando e por não importa que razão. É claro que nós não conseguimos ter sacerdotes que não dormem, que não comem e que nunca têm dor nos pés. Mas é uma imperfeição que nós devemos aceitar tal e qual, porque o culto é apenas uma imagem, uma sombra das realidades celestes, assim como Moisés foi advertido por Deus quando teve que construir o tabernáculo.

O sacerdócio, imitação do sacerdócio de Cristo, não aceita interrupções. Ele é permanente e para a eternidade. Mesmo a morte física do sacerdote não o pode interromper. E já que o sacerdócio não pode ser interrompido pela morte, como queres que ele seja interrompido pela fome, pelo cansaço e pelo sono?

Não obstante a morte. Para a eternidade. É por isso que o sacerdote é colocado no túmulo e enterrado revestido de todas as vestes sacerdotais que ele traz quando celebra a Divina Liturgia. Porque o sacerdote morto irá celebrar na verdadeira Igreja, com seu bispo, o Cristo. Para todo padre, a morte física é uma promoção. Ele passa da pequena igreja terrestre para a catedral do céu, para celebrar a liturgia cósmica ao redor do Cristo. Não é necessário chorar a morte de um sacerdote. Porque ele não morre nunca. A morte é sua promoção.

Padre Paulo Ricardo


Catequese Bíblica

O Senhor é nossa justiça...

O profeta Jeremias viveu uma situação de confronto com as autoridades israelitas. Sua sensibilidade mostra que o comportamento das lideranças políticas e religiosas punha em risco a vida e a liberdade do povo.

Deus é o Senhor da vida...

Ao chamar a atenção das autoridades, Jeremias recupera a imagem de Deus como Senhor Absoluto da vida e das coisas. Esse princípio é a fundamental garantia da justiça. Nenhuma autoridade humana é absoluta! O poder verdadeiro é reservado a Deus cuja ação gera a vida e estabelece a justiça.

A imagem dos pastores que se desvirtuam de sua missão, revela a fragilidade da autoriade humana. Se esta autoridade não for limitada pelo poder de Deus e nem se submeter ao serviço da vida, corrompe-se e torna-se fonte de operessão e sofrimento.

Teve compaixão...

Com isso, já no Primeiro Testamento, precebe-se a necessidade de maior aproximação de Deus da humanidade, simbolizada na figura do descendente de Davi. Nós cristãos vemos essa profecia realizada em Jesus. Ele supera a parcialidade de Davi, que se vincula a um povo específico. Movido pela compaixão, Jesus revela a universalidade da salvação, manifestando-se como "servidor" de toda a humanidade.

O olhar compassivo de Jesus para a multidão reflete o zelo de Deus por cada ser humano. Deus permancece como Senhor da vida, por isso, os pastores do povo devem estar a serviço da vida. O rebanho não lhes pertence, porque é "propriedade de Deus"/ A autoridade dos pastores se dá no sentido de orientar o rebanho para o encontro com Aquele que pode oferecer a salvação.

Em Cristo brilha a unidade...

Na carta aos Efésios, Paulo afirma a pessoa de Jesus como o centro de unidade de toda a história humana. "Do que era dividido, ele faz uma unidade" (Ef 2,14). Assim, na Igreja, toda autoridade deve concorrer para a unidade. Discernindo os dons e colaborando para a fidelidade a Cristo, os ministérios na Igreja são servidores da unidade.

Se entre os patores houver divisão ou se os patores, por suas diferenças, provocarem divisão no meio do povo - negam a unidade em Cristo e pecam frontalmente contra aprópria vocação. Com isso, enfraquecem o testemunho e podem destruir a imagem da Igreja como sacramento de unidade e de salvação universal.

Pe. Marcelo C. Araújo, C.SS.R.