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A Palavra, o Amor e a Prática (02-09-2012)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Deuteronômio (Dt), capítulo 4
(1) E agora, ó Israel, ouve as leis e os preceitos que hoje vou ensinar-vos. Ponde-os em prática para que vivais e entreis na posse da terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos dá. (2) Não ajuntareis nada a tudo o que vos prescrevo, nem tirareis nada daí, mas guardareis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, exatamente como vos prescrevi. (3) Os vossos olhos viram o que o Senhor fez a Baal-Fogor, como exterminou todos aqueles dentre vós que tinham seguido o Baal de Fogor. (4) Mas vós, que estais unidos ao Senhor, vosso Deus, estais hoje todos vivos. (5) Vede: ensinei-vos leis e ordenações, conforme o Senhor, meu Deus, me ordenou, a fim de as praticardes na terra que ides possuir. (6) Observai-as, praticai-as, porque isto vos tornará sábios e inteligentes aos olhos dos povos, que, ouvindo todas essas prescrições, dirão: eis uma grande nação, um povo sábio e inteligente. _ (7) Haverá, com efeito, nação tão grande, cujos deuses estejam tão próximos de si como está de nós o Senhor, nosso Deus, cada vez que o invocamos? (8) Qual é a grande nação que tem mandamentos e preceitos tão justos como esta lei que vos apresento hoje?

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Epístola de São Tiago (Tg), capítulo 1
(17) Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. (18) Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas. (19) Já o sabeis, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar, (20) porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. (21) Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia e recebei com mansidão a palavra em vós semeada, que pode salvar as vossas almas. (22) Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. (23) Aquele que escuta a palavra sem a realizar assemelha-se a alguém que contempla num espelho a fisionomia que a natureza lhe deu: (24) contempla-se e, mal sai dali, esquece-se de como era. (25) Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder. (26) Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião. (27) A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 7
(1) Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham sereunido em torno dele.
(2) E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar.
(3) (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos,
(4) e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.)
(5) Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?
(6) Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
(7) Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (29,13).
(8) Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens.
(9) E Jesus acrescentou: Na realidade, invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição.
(10) Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe, e: Todo aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja morto.
(11) Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe: Qualquer coisa que de minha parte te pudesse ser útil é corban, isto é, oferta,
(12) e já não lhe deixais fazer coisa alguma a favor de seu pai ou de sua mãe,
(13) anulando a palavra de Deus por vossa tradição que vós vos transmitistes. E fazeis ainda muitas coisas semelhantes.
(14) Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei.
(15) Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar, mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
(16) Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.
(17) Quando deixou o povo e entrou em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe acerca da parábola.
(18) Respondeu-lhes: Sois também vós assim ignorantes? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro,
(19) porque não lhe entra no coração, mas vai ao ventre e dali segue sua lei natural? Assim ele declarava puros todos os alimentos. E acrescentava:
(20) Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem.
(21) Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos,
(22) adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez.
(23) Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem.
Homilia do Padre Paulo Ricardo : PLAYER AQUI
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Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
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Canção Nova: Homilia

 

Comentário: Rev. D. Frederic RÀFOLS i Vidal (Barcelona, Espanha)

Vós abandonais o mandamento de Deus e vos apegais à tradição humana

Hoje, a palavra do Senhor ajuda-nos a perceber que acima dos costumes humanos estão os Mandamentos de Deus. De facto, com o passar do tempo, é fácil nós distorcermos os conselhos evangélicos e, dando-nos ou não conta, substituir os Mandamentos ou então afogá-los com uma exagerada meticulosidade: «chegando da praça, eles não comem nada sem a lavação ritual. E seguem ainda outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras, vasilhas de metal?» (Mc 7,4). É por isso que a gente simples, com um sentimento popular comum, não fez caso dos doutores da lei nem dos fariseus, que sobrepunham especulações humanas à Palavra de Deus. Jesus aplica a denúncia profética de Isaías contra os religiosamente hipócritas («O profeta Isaías bem profetizou a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ?Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim»: (Mc 7,6)).

Nos últimos anos, João Paulo II, ao pedir perdão em nome da Igreja por todas as coisas negativas que os seus filhos tinham feito ao longo da história, manifestou-o no sentido de que «nos tínhamos separado do Evangelho».

«Nada que, de fora, entra na pessoa pode torná-la impura. O que sai da pessoa é que a torna impura» (Mc 7,15), diz-nos Jesus. Só o que sai do coração do homem, desde a interioridade consciente da pessoa humana, nos pode fazer mal. Esta malícia é que causa dano a toda a Humanidade e a cada um. A religiosidade não consiste precisamente em lavar as mãos (recordemos Pilatos que entrega Jesus Cristo à morte!), mas em manter puro o coração.

Dito de uma maneira positiva, é o que nos diz santa Teresa do Menino Jesus nos seus Manuscritos biográficos: «Quando contemplava o corpo místico de Cristo compreendi que a Igreja tem um coração entusiasmado de amor». De um coração que ama surgem as obras bem feitas que ajudam em concreto a quem precisa («Porque tive fome, e me destes de comer?»: Mt 25,35).