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A Nova Aliança nas Bodas de Caná (20-01-2013)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 62
(1) Por amor a Sião, eu não me calarei, por amor de Jerusalém, não terei sossego, até que sua justiça brilhe como a aurora, e sua salvação como uma flama. (2) As nações verão então tua vitória, e todos os reis teu triunfo. Receberás então um novo nome, determinado pela boca do Senhor. (3) E tu serás uma esplêndida coroa na mão do Senhor, um diadema real entre as mãos do teu Deus, (4) não mais serás chamada a desamparada, nem tua terra, a abandonada, serás chamada: minha preferida, e tua terra: a desposada, porque o Senhor se comprazerá em ti e tua terra terá um esposo, (5) assim como um jovem desposa uma jovem, aquele que te tiver construído te desposará, e como a recém-casada faz a alegria de seu marido, tu farás a alegria de teu Deus.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 12
(4) Há diversidade de dons, mas um só Espírito. (5) Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. (6) Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. (7) A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. (8) A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria, a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito, (9) a outro, a fé, pelo mesmo Espírito, a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito, (10) a outro, o dom de milagres, a outro, a profecia, a outro, o discernimento dos espíritos, a outro, a variedade de línguas, a outro, por fim, a interpretação das línguas. (11) Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 2
(1) Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus.
(2) Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.
(3) Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho.
(4) Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.
(5) Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
(6) Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.
(7) Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima.
(8) Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.
(9) Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo
(10) e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.
(11) Este foi o primeiro milagre de Jesus, realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
Homilia do Padre Paulo Ricardo : PLAYER AQUI
Homilia do Padre José Ruy:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

Eles Não Tinham Vinho

Em nossas núpcias com Deus, a Virgem Santíssima percebe que o vinho do nosso amor por Deus está desaparecendo, ou até já se acabou de vez.

Para recebermos a graça de sair desta tibieza e de acolher em nosso coração a virtude infusa do amor-caridade, precisamos ouvir o que nos indica a Nossa Senhora: "Fazei tudo o que ele vos disser!"

A caridade é uma virtude teologal, por isto ninguém de nós pode merecê-la e devemos humildemente suplicá-la e recebe-la com dom gratuito de Deus. Mas este dom não virá, o vinho novo não virá, se não fizermos a nossa parte, se não enchermos as talhas de água.

A confissão e a comunhão devotas e frequentes são meios eficazes de abrirmos o coração para receber o vinho novo. Assim, poderemos nos unir a Jesus eucarístico não só nos "sinais", mas na "realidade".

"Dai-me que receba não só o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus Cristo, mas também seu efeito e sua força".

(Santo Tomás de Aquino, Oração de preparação para a Santa Missa).

Padre Paulo Ricardo

A Nova Aliança nas bodas de Caná

Em certo sentido, a liturgia da Palavra deste segundo Domingo comum, ainda está ligada ao Santo Natal, tempo da manifestação do Senhor. Na liturgia da Igreja antiga, a festa da Epifania, da Manifestação, celebrava, de uma só vez e num só dia, a visita dos Magos, o batismo de Jesus e as bodas da Caná. São três momentos da Manifestação do Senhor: aos Magos, ele se manifestou como Rei dos Judeus pelo brilho da Estrela; no batismo, o Pai o manifestou como Messias de Israel, ungindo-o com o Espírito Santo para a missão e, em Caná, Jesus manifestou a sua glória ao transformar a água em vinho, e os seus discípulos creram nele. Portanto, estamos ainda em clima de Manifestação, de Epifania daquele que veio do Pai para nossa salvação; e é neste contexto que as leituras da Missa de hoje devem ser interpretadas.

Comecemos por observar que o evangelho narra uma festa de casamento e não informa nada sobre o nome dos noivos… É de caso pensado! O Evangelista tomou um fato histórico e deu-lhe um sentido espiritual e teológico: o verdadeiro noivo é o Cristo, Deus em pessoa que vêm desposar sua esposa, o povo de Israel e, mais precisamente, o novo Israel, a Igreja, representada pela Mulher – a Virgem Maria! Tudo, na perícope do evangelho, fala disso: porque o Messias-Esposo chegou, a água da Antiga Aliança (água da purificação segundo os ritos judaicos da Lei de Moisés) é transformada no vinho da Nova Aliança (o vinho, símbolo da alegria e da exultação do Espírito Santo, que é fruto da morte e ressurreição do Senhor). É esta a glória que Jesus manifestou, é este o sinal! “Sinal” não é um simples milagre; “sinal” é um gesto do Senhor Jesus, carregado de sentido profundo, que revela sua pessoa, sua missão e sua obra de salvação. “Este foi o princípio dos sinais de Jesus… e seus discípulos creram nele”. Na verdade, o sinal da Caná, é uma preparação uma antecipação da Páscoa, quando o Cristo, Esposo ressuscitado, desposará para sempre a Igreja, dando-lhe como dote eterno, o dom do Espírito: “Alegremo-nos e exultemos, demos glória a Deus, porque estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro, e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente” (Ap 19,7s). Por isso, a exultação da primeira leitura de hoje. Saudando o povo de Deus, o novo Israel, a Igreja-Esposa, o profeta afirma: “As nações verão a tua justiça; serás chamada por um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão de teu Deus. Não mais te chamarão abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria do teu Deus”. Maria, a Virgem-Mulher do evangelho de hoje é, pois, imagem viva da Igreja-Esposa, desposada na Nova e Eterna Aliança!

Esta Aliança não é mais aquela de Moisés. A Antiga Lei passou; passaram os antigos preceitos, as antigas observâncias, as coisas antigas! Não esqueçamos o Prólogo de João, tantas vezes ouvido no Natal: “A Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,17). Esta Nova Aliança não se funda em uma lei de preceitos escritos, mas na Nova Lei, que é o Espírito de amor, derramado nos nossos corações. O Espírito que o Cristo derramou sobre nós com a sua morte e ressurreição é a alma, a lei, a vida da Igreja-Esposa, novo Israel, novo povo de Deus. Por isso, a segunda leitura da Missa de hoje nos apresenta toda a vida da Igreja, tão rica e dinâmica, como sendo fruto da ação animadora e sustentadora do Espírito Santo: “A cada um de nós é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum”, isto é, em vista da edificação da Igreja, Corpo e Esposa de Cristo!

O que nos fica da Liturgia da Palavra de hoje? A gratidão ao Cristo por ter vindo, por ter manifestado sua glória em nosso mundo tão pobre e na nossa vida tão ameaçada pelas trevas. Fica também essa consciência que somos o povo de Deus da Nova Aliança, povo nascido da encarnação, da morte e da ressurreição de Cristo; povo nascido na força do Espírito Santo que ele nos concedeu. Fica ainda a certeza que ele permanece conosco, alimentando e construindo sua Igreja-Esposa na força do Espírito Santo. Esta Igreja é a una e santa nossa mãe católica. Ela foi eternamente desejada, escolhida, amada pelo Esposo Jesus; ela foi desposada quando ele se fez homem e por ela morreu e ressuscitou! Lembremo-nos das palavras do Apóstolo: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la, com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,25-27). Por isso a Igreja será sempre Esposa, será sempre bela, sem mancha nem ruga, será sempre santa, apesar dos pecados de seus membros! Ela é a Amada, a Escolhida… a ornada com o a jóia do Espírito Santo! Se formos fiéis a esse Espírito, vinho novo do Reino de Deus, seremos pessoas novas na nossa vida: novos sentimentos, novo modo de ver e de agir, de sentir e de enfrentar as situações da vida. Nem os fracassos, nem as tristezas, nem as lágrimas, nem mesmo a morte poderão nos tirar a alegria e a certeza de viver! Fica também a certeza certíssima, de que como Igreja, como Comunidade dos discípulos de Cristo, o Espírito nos vivifica, nos guia, nos une e nos conduz sempre. Não temamos, não sejamos frios, não sejamos frouxos! O Cristo que habitou entre nós, conosco continua na potência do seu Espírito Santo. Se formos fiéis à sua ação, nossa Comunidade será viva, os carismas e ministérios serão abundantes, a alegria de ser e viver como Comunidade não faltará, o nosso testemunho de Jesus Cristo será entusiasmado e convincente e a nossa esperança será inabalável, mesmo diante das dificuldades do mundo e da vida… mesmo diante da morte!

O Senhor manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele! O Senhor se manifesta agora, pela sua Palavra e pela sua Eucaristia, e nos reúne na força amorosa do Espírito Santo! Creiamos! E que nossa Eucaristia seja toda ungida, toda doçura, toda renovação da nossa vida em Cristo: “Felizes aqueles que foram convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro” (Ap 19,9). Felizes somos nós, que vivemos em Cristo, ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares da Costa