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Pescadores de Homens (10-02-2013)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 6
(1) No ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado, as franjas de seu manto enchiam o templo. (2) Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas, com um par (de asas) velavam a face, com outro cobriam os pés, e, com o terceiro, voavam. (3) Suas vozes se revezavam e diziam: Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória! (4) A este brado as portas estremeceram em seus gonzos e a casa, encheu-se de fumo. (5) Ai de mim, gritava eu. Estou perdido porque sou um homem de lábios impuros, e habito com um povo (também) de lábios impuros e, entretanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos! (6) Porém, um dos serafins voou em minha direção, trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. (7) Aplicou-a na minha boca e disse: Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta, apagada. (8) Ouvi então a voz do Senhor que dizia: Quem enviarei eu? E quem irá por nós? Eis-me aqui, disse eu, enviai-me.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 15
(3) Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, (4) foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras, (5) apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze. (6) Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos), (7) depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos. (8) E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. (9) Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. (10) Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que ele me deu não tem sido inútil. Ao contrário, tenho trabalhado mais do que todos eles, não eu, mas a graça de Deus que está comigo. (11) Portanto, seja eu ou sejam eles, assim pregamos, e assim crestes.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 5
(1) Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus.
(2) Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -,
(3) subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra, e sentado, ensinava da barca o povo.
(4) Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
(5) Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos, mas por causa de tua palavra, lançarei a rede.
(6) Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia.
(7) Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo.
(8) Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.
(9) É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito.
(10) O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas, doravante serás pescador de homens.
(11) E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.
Homilia do Padre Paulo Ricardo : PLAYER AQUI
Homilia do Padre Miguel:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Pescador de Homens

A vocação de São Pedro nos dá a ocasião de refletirmos sobre o como precisamos ser pescados por Deus e sobre qual o método que devemos usar para pescar os homens para Deus. A própria metáfora de “pescador” nos recorda que deve haver uma morte. Pescar é matar um peixe causando uma “ruptura” com o seu meio ambiente vital, a água. Assim, pescar uma pessoa e dar ocasião à sua ruptura com o mundo.

Há quem afirme que isto seria contrário ao método pastoral “aggiornato” proposto pelo concílio. Mas não é assim. O próprio servo de Deus, Papa Paulo VI nos recorda em seu testamento:

Sul mondo: non si creda di giovargli assumendone i pensieri, i costumi, i gusti, ma studiandolo, amandolo, servendolo. Sobre o mundo: não se creia de ajudá-lo assumindo os seus pensamentos, costumes e gostos, mas estudando-o, amando-o e servindo-o.

Como um pescador que estuda o mar e conhece o comportamento dos peixes, podemos investigar o espírito mundano, mas sem nos adaptarmos à mundanidade. Esta “morte para o mundo” só tem sentido se a considerarmos à luz do mistério pascal. Ao entrarmos nestes dias de quaresma, abracemos a morte para o pecado e recebamos a graça da ressurreição que vem no amor. É este o único caminho, pois não haverá aleluias pascais, para quem se recusar a chorar a Sexta-feira Santa.

Padre Paulo Ricardo


Comecemos nossa meditação pelo Evangelho. É comovente: Jesus apertado pela multidão sedenta da palavra de Deus. Ao terminar sua pregação, sentado à barca de Pedro, que é imagem da Igreja, ordena a Simão Pedro e à Igreja de todos os tempos: “Avança para as águas mais profundas!” É a missão que o Senhor nos confia. Confia aos ministros sagrados e confia a todo o povo de Deus, a toda a Igreja, barca de Pedro: “Avança para as águas do mar da vida; ide pelo mundo, em cada época, em cada tempo; pregai o Evangelho!” Atualmente, frente à drescristianização do nosso mundo, esta ordem do Senhor é um desafio acima de nossas forças; e um desafio que chega a amedrontar. A resposta de Pedro deve ser também a nossa: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes!” Bendito Pedro, que, na palavra do Senhor, lançou as redes! Bendita a Igreja se fizer o mesmo em cada época da história humana! Benditos nós se, no meio em que vivemos, tivermos a coragem de lançar as redes da pregação do Evangelho! Observemos que aqui são de pouca valia a inteligência e astúcia nossa: “Na tua palavra lançarei as redes!” Só na tua palavra, Senhor, a pregação pode ser realmente eficaz! O Evangelho será sempre pregado na fraqueza, na pobreza, na loucura. E, no entanto, ele será sempre força, riqueza e sabedoria de Deus!

É comovente também a atitude de Simão após a pesca: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador!” O Senhor é tão grande (não é Aquele que enchia a terra com a sua glória, na primeira leitura? Aquele que está envolto numa nuvem de fumaça? Aquele que faz o templo tremer?), seus desígnios nos são tão incompreensíveis… somos tão pequenos, tão estultos e frágeis diante dele: “Senhor, afasta-te de mim! Chama alguém melhor!” E, no entanto, este Senhor tão grande quer precisar exatamente de nós, pequenos, pobres, estultos, frágeis. Este Senhor tão imenso, pergunta na primeira leitura: ‘Quem enviarei? Quem irá por nós?” Que mistério tão grande! Como pode Deus querer realmente contar conosco? Como pode o Evangelho depender de verdade da nossa pregação, do nosso testemunho? E, no entanto, é assim! É realmente assim! “Não tenhas medo! De hoje em diante, tu serás pescador de homens!” Eis aqui um mistério que não compreenderemos nunca nessa vida! Creiamos, adoremos, e digamos “sim” ao Senhor que nos chama e nos envia! Envia-nos a todos nós batizados e crismados! Lavou-nos no Batismo, como purificou os lábios de Isaías, e ungiu-nos com o Espírito de força e testemunho na Crisma, para que sejamos mensageiros do seu Evangelho!

Vejamos, finalmente, a atitude de Pedro e de Tiago e João, diante do chamado do Senhor: “Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus”… Nunca mais barcas, nunca mais pescarias, nunca mais a vida de antes… “Deixaram tudo e seguiram Jesus…” É isso que é ser cristão: deixar-se a si, deixar uma vida voltada para si e dobrada sobre si mesmo, para seguir aquele que nos chamou e consagrou para a missão! Então, somos todos chamados e enviados como testemunhas do Senhor!

Mas, há ainda dois outros aspectos importantes na palavra que Deus nos dirigiu hoje. O primeiro: em que consiste o anúncio que devemos fazer ao mundo? São Paulo no-lo diz de modo maravilhoso na segunda leitura:“Transmiti-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras; que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras…”Vejamos bem que o anúncio do Evangelho não é simplesmente um anúncio sentimental e vazio sobre Jesus. Não é pregar curas, não é comentar a Bíblia, não é pregar preceitos morais! Isso não seria evangelização, mas charlatanismo, embromação! A pregação do Evangelho tem um conteúdo preciso, recebido da Tradição dos Apóstolos. Estejamos atentos como São Paulo diz: “Transmiti-vos aquilo que eu mesmo tinha recebido…” Paulo não inventa; não prega a si mesmo nem por si mesmo; prega o que recebera na Igreja, prega a fé da Igreja em Jesus. Por isso mesmo, mais tarde, ele vai a Jerusalém para ver Pedro. Vai conferir sua pregação com a de Pedro (Cefas), para ver se não havia corrido em vão! (cf. Gl 2,1-2) E pensemos que Paulo fora chamado diretamente pelo Senhor, de um modo absolutamente original e único! (cf. Gl 1,15-23). Então, para não corrermos em vão, o Evangelho vivido e pregado por nós não pode ser outro que Jesus morto e ressuscitado por nós, nosso único Salvador e Senhor. Mas, Jesus Cristo como é crido, vivido, celebrado e testemunhado pela Igreja. E quando dizemos “Igreja”, não tenham dúvida alguma: estamos nos referindo à Igreja católica, em comunhão com o Sucessor de Pedro e com os Bispos a ele unidos!

Mas, há ainda um segundo aspecto importante: este Jesus que pregamos não é um mito, uma lenda, um sonho! Ele é a mais profunda e verdadeira realidade: o que diz São Paulo sobre o Cristo ressuscitado? “Apareceu a Cefas e, depois aos Doze. Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez. Destes, a maioria ainda vive… Depois apareceu a Tiago e, depois, apareceu a mim, como a um abortivo”. É comovente o testemunho pessoal do Apóstolo! Ele viu o Senhor ressuscitado, ele é testemunha em primeira pessoa, juntamente com Pedro, em primeiro lugar, juntamente com os Doze e com toda a Igreja (os quinhentos irmãos)! O Evangelho que testemunhamos e anunciamos é uma realidade, é firme como uma rocha!

Que fiquem hoje no nosso coração estes santos e piedosos pensamentos: o Senhor nos chama e envia para a missão; nós realmente somos importantes para a pregação do Evangelho! Este Evangelho é uma Pessoa concreta: é Jesus morto e ressuscitado, nosso Deus e Salvador, tal como é crido e anunciado pela Igreja católica, dentro da legítima e contínua Tradição dos Apóstolos. Que nos resta dizer? Sejamos fiéis a tão grande e tão urgente missão que o Senhor nos confia nos tempos de hoje: “Avança para as águas mais profundas, e lançai as redes para a pesca!” Vem conosco, Senhor Jesus, porque o teu mar é tão vasto e nosso barco, tua Igreja, é tão pequena! Vem conosco e temos certeza que nossas redes não se romperão nem ficarão vazias! Na tua palavra, ensina-nos a lançar as redes! Amém.

D. Henrique Soares da Costa