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Pequei contrao Céu! (10-03-2013)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Livro de Josué (Js), capítulo 5
(9) O Senhor disse a Josué: Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito. E deu-se àquele lugar o nome de Gálgala, nome que subsiste ainda. (10) Os israelitas acamparam em Gálgala, e celebraram a Páscoa no décimo quarto dia do mês, pela tarde, na planície de Jericó. (11) No dia seguinte à Páscoa comeram os produtos da região, pães sem fermento e trigo tostado. (12) E o maná cessou (de cair) no dia seguinte àquele em que comeram os produtos da terra. Os israelitas não tiveram mais o maná. Naquele ano alimentaram-se da colheita da terra de Canaã.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 5
(17) Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho, eis que tudo se fez novo! (18) Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação. (19) Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. (20) Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! (21) Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 15
(1) Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.
(2) Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!
(3) Então lhes propôs a seguinte parábola:
(4) Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
(5) E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo,
(6) e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.
(7) Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
(8) Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?
(9) E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido.
(10) Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.
(11) Disse também: Um homem tinha dois filhos.
(12) O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.
(13) Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.
(14) Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.
(15) Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.
(16) Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
(17) Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome!
(18) Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti,
(19) já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.
(20) Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
(21) O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho.
(22) Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.
(23) Trazei também um novilho gordo e matai-o, comamos e façamos uma festa.
(24) Este meu filho estava morto, e reviveu, tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.
(25) O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
(26) Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.
(27) Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.
(28) Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.
(29) Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.
(30) E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!
(31) Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
(32) Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu, tinha se perdido, e foi achado.
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PEQUEI CONTRA O CÉU!

A parábola do filho pródigo nos dá a ocasião para meditarmos sobre o verdadeiro arrependimento (contrição perfeita).

Depois de sua aventura no mundo do pecado, o filho mais novo cai em si e resolve voltar para a casa do pai, não como filho, mas como servo. Trata-se da atrição (contrição imperfeita): o arrependimento que nasce no momento em que o pecador vê o quanto ele mesmo saiu prejudicado com sua vida no desvario.

Ao ver o pai que corre ao seu encontro, o filho pode iniciar o processo de verdadeira e perfeita contrição: um arrependimento que brota da dor de ter ofendido a Deus, de ter ferido o seu coração de Pai.

Para o aprofundamento, colocamos abaixo os textos do Catecismo da Igreja Católica, do Concílio de Trento e alguns atos de contrição.

Aconselha-se também a leitura do belo livro do Padre J. de Driesch, A contrição perfeita: uma chave de ouro para o céu. Clique aqui para baixar.

Catecismo da Igreja Católica

A Contrição

1451 – Entre os atos do penitente, a contrição vem em primeiro lugar. Consiste "numa dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar no futuro" (Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1676).

1452 – Quando brota do amor de Deus, amado acima de tudo, contrição é "perfeita" (contrição de caridade). Esta contrição perdoa as faltas veniais e obtém também o perdão dos pecado mortais, se incluir a firme resolução de recorrer, quando possível, à confissão sacramental (cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª, Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1677).

1453 – A contrição chamada "imperfeita" (ou "atrição") também é um dom de Deus, um impulso do Espírito Santo. Nasce da consideração do peso do pecado ou do temor da condenação eterna e de outras penas que ameaçam o pecador (contrição por temor). Este abalo da consciência pode ser o início de uma evolução interior que ser concluída sob a ação da graça, pela absolvição sacramental. Por si mesma, porém, a contrição imperfeita não obtém o perdão dos pecados graves, mas predispõe a obtê-lo no sacramento da penitência (cf. Concílio de Trento, Sess. 14ª. Doctrina de sacramento Paenitentiae, c. 4: DS 1678: ID., Sess. 14ª, Canones de sacramento Paenitentiae, can. 5: DS 1705).

Concílio de Trento

14a. sessão (penitência) Cap. 4 A Contrição

DS 1676 – A contrição, que tem o primeiro lugar entre os mencionados atos do penitente, é uma dor da alma e detestação do pecado cometido, com propósito de não tornar a pecar. Este movimento de contrição foi necessário em todo o tempo para se alcançar o perdão dos pecados. No momento que cai depois do batismo, ela é como que uma preparação para a remissão dos pecados, se estiver unida à confiança na divina misericórdia e ao propósito de executar tudo o mais que requer para receber devidamente este sacramento.

Declara, pois, o santo Sínodo que esta contrição encerra não só a cessação do pecado e o propósito e início de uma vida nova, mas também o ódio da vida passada, conforme as palavras: “Lançai longe de vós todas as vossas maldades em que prevaricastes e fazei-vos um coração novo e um espírito novo”(Ez 18, 31).

E, por certo, quem tiver considerado aqueles clamores dos Santos: “Só contra vós pequei e fiz o mal diante de ti” (Sl 51, 6); “Estou esgotado à força de tanto gemer, rego o meu leito com lágrimas todas as noites” (Sl 6,7); “Passarei em revista todos os meus anos em tua presença entre amarguras de minha alma”(Is 38, 15) e outros deste gênero, facilmente entenderá que eles procediam de um ódio veemente da vida passada e de grande detestação dos pecados.

DS 1677 – Ensina ainda que, embora algumas vezes suceda que esta contrição seja perfeita em virtude da caridade e reconcilie com Deus antes que seja realmente recebido este sacramento, contudo não se deve atribuir esta reconciliação à contrição somente, independente do desejo de receber o sacramento, que aliás está contido nela.

Quanto à contrição imperfeita (cân. 5), chamada atrição, porque nasce ordinariamente da consideração da torpeza do pecado ou do temor do inferno e dos castigos, se com esperança do perdão excluir a vontade de pecar, [o santo Sínodo] declara que ela não somente não torna o homem hipócrita e mais pecador [cf. *1456], mas também que é dom de Deus e moção do Espírito Santo, que na realidade ainda não habita em quem está arrependido, mas somente o move, de modo que, ajudado por ele, prepara para si o caminho da justiça. E, embora por si mesma seja incapaz de conduzir o pecador à justiça sem o sacramento da penitência, [ a atrição] dispõe-no para impetrar a graça de Deus no sacramento da penitência. Foi abalados por este temor salutar que os ninivitas fizeram penitência ante a aterradora pregação de Jonas e impetraram a misericórdia do Senhor ( cf. Jn 3).

Por isso, é falsamente que alguns caluniam os autores católicos como ensinassem que o sacramento da penitência confere a graça sem nenhum movimento bom por parte daqueles que o recebem: isso, a Igreja de Deus jamais ensinou nem creu. Mas também ensinam falsamente que a contrição é extorquida e forçada, não livre e voluntária (cân. 5).

Ato de contrição

Senhor meu Jesus Cristo,
Deus e homem verdadeiro,
Criador e Redentor meu,
por serdes Vós quem sois,
sumamente bom e digno de ser amado,
e porque Vos amo e estimo sobre todas as coisas:
pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos ter ofendido;
pesa-me, também, por ter perdido o Céu e merecido o inferno;
e proponho firmemente,
ajudado com os auxílios de vossa divina graça,
emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender.
Espero alcançar o perdão de minhas culpas
pela vossa infinita misericórdia.
Amém.

Resumo do ato de Contrição que usava o Bem-aventurado Marcos de Aviano (1631-1699), religioso capuchinho, beatificado em 2003

Eu, ruim e indigna criatura, me lanço a vossos pés, Deus meu, e, com o coração contrito e aflito, reconheço e confesso diante de Vós, Redentor de minha alma, que, desde o instante em que nasci até agora, tenho cometido inumeráveis negligências e pecados.

Tenho-Vos ofendido, Deus meu! Pequei, Senhor! Porém, detesto os meus pecados e me arrependo do íntimo do coração. Por isso, prometo solenemente não mais pecar. Porém, se Vós, em vossa altíssima sabedoria, preveis que posso novamente ofender-Vos e cair outra vez no vosso desagrado, de todo o coração Vos peço que me leveis agora desta vida, em vossa graça.

Oxalá a minha dor fosse tão grande que o propósito de não mais Vos ofender permanecesse sempre imutável! Porque Vos devo infinito agradecimento pela vossa divina bondade e porque mereceis que Vos ame sobre todas as coisas, arrependo-me de meus pecados, não tanto para livrar- me dos tormentos eternos que por eles mereci, nem para gozar das delicias do Céu, que tão inconsideradamente desprezei, como porque vos desagradam a Vós, Deus meu, que, por vossa bondade e infinitas perfeições, sois digno de infinito amor.

Oxalá todas as criaturas vos mostrem sem interrupção, amor, reverência e agradecimento. Amém.

Soneto a Cristo Crucificado

Esta poesia é uma das joias da poesia mística espanhola. Composto por autor desconhecido do século XVI, expressa de forma lapidar a atitude de perfeita contrição. Publicamos abaixo a tradução portuguesa de Manuel Bandeira (Alguns poemas traduzidos, Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 2007).

No me mueve, mi Dios, para quererte,
el cielo que me tienes prometido,
ni me mueve el infierno tan temido
para dejar por eso de ofenderte.

Tú me mueves, Señor; muéveme el verte
clavado en una cruz y escarnecido;
muéveme ver tu cuerpo tan herido;
muéveme tus ofrentas y tu muerte.

Muéveme, al fin, tu amor, y en tal manera,
que aunque no hubiera cielo yo te amara,
y aunque no hubiera infierno, te temiera.

No me tienes que dar porque te quiera;
pues aunque lo que espero no esperara,
lo mismo que te quiero te quisiera.

Tradução de Manuel Bandeira:

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu ainda te amara
E a não haver inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

 

Padre Paulo Ricardo


A QUARESMA CONDUZ À PÁSCOA!

Este Domingo hodierno, caríssimos, marca como que o início de uma segunda parte da Santa Quaresma. Primeiramente é chamado “Domingo Laetare”, isto é “Domingo Alegra-te”, porque, no Missal, a antífona de entrada traz as palavras do Profeta Isaías: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” Um tom de júbilo na sobriedade quaresmal! É que já estamos às portas “das festas que se aproximam”. A Igreja é essa Jerusalém, convidada a reunir seus filhos na alegria, pela abundância das consolações que a Páscoa nos traz! Este tom de júbilo aparece nas flores que são colocadas hoje na igreja e na cor rosa dos paramentos do celebrante.

Depois deste Domingo, o tom da Quaresma muda. A partir de amanhã, até a Semana Santa, todos os evangelhos da Missa serão de São João. Isto porque o Quarto Evangelho é, todo ele, como um processo entre os judeus e Jesus: os judeus levarão Jesus ao tribunal de Pilatos. Este condena-lo-á, mas Deus haverá de absolvê-lo e ressuscitá-lo! A partir de amanhã também, a ênfase da Palavra de Deus que ouviremos na Missa da cada dia, deixa de ser a conversão, a penitência, a oração e a esmola, para ser o Cristo no mistério de sua entrega de amor, de sua angústia, ante a paixão e morte que se aproximam.

Em todo caso, não esqueçamos: a Quaresma conduz à Páscoa. A primeira leitura da Missa no-lo recorda ao nos falar da chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de sua Páscoa!

Quanto à liturgia da Palavra, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente a Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus!

Quem é o Pai da parábola? É o Deus de Israel, o Pai de Jesus. Quem é o filho mais novo? São os pecadores e publicanos. Este filho sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão. Como ele termina? Longe do Pai, sozinho, humilhado e maltrapilho, sem poder nem mesmo comer lavagem de porcos – recordemos que, para os judeus, os porcos são animais impuros! Mas, no seu pecado, na sua loucura e na sua miséria, esse jovem é sincero e generoso: caiu em si, reconheceu que o Pai é bom (como ele nunca tinha parado para perceber), reconheceu também que era culpado, que fora ingrato… e teve coragem de voltar: confiou no amor do Pai. Cheio de humildade, ele queria ser tratado ao menos como um empregado! Esse moço tem muito a nos ensinar: a capacidade de reconhecer as próprias culpas, a maturidade de não jogar a responsabilidade nos outros, a coragem de arrepender-se, a disposição de voltar, confiando no amor do Pai! Para cada filho que volta assim, o Pai prepara uma festa (a Páscoa) e o novilho cevado (o próprio Cristo, cordeiro de Deus) e um banquete (a Eucaristia) e a melhor veste (a veste alva do Batismo, cuja graça é renovada na Reconciliação).

E o filho mais velho, quem é? São os escribas e fariseus, são os que pensam que estão em ordem com o Pai e não lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores que os demais e, por isso, merecem a salvação. O filho mais velho nunca amou de verdade o Pai: trabalhou com ele, nunca saiu do lado dele, mas fazendo conta de tudo, jamais se sentindo íntimo do Pai, de tudo foi fazendo conta para, um dia, cobrar a fatura: “Eu trabalho para ti a tantos anos, jamais desobedeci qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos” O filho nunca compreendera que tudo quanto era do Pai era seu… porque nunca amara o Pai de verdade: agia de modo legalista, exterior, fazendo conta de tudo… E, agora, rancoroso, não aceitava entrar na festa do Pai, no coração do Pai, no amor do Pai, para festejar com o Pai a vida do irmão! O Pai insiste para que entre… mas, os escribas e os fariseus não quiseram entrar na festa do Pai, que Jesus veio celebrar neste mundo…

Quem somos nós, nesta parábola? Somos o filho mais novo e somos também o mais velho! Somos, às vezes, loucos, como o mais jovem, e duros e egoístas, como o mais velho. Pedimos perdão como o mais novo, e negamos a misericórdia, como o mais velho. Queremos entrar na festa do Pai como o mais novo, e, às vezes, temos raiva da bondade de Deus para com os pecadores, como o mais velho! Convertamo-nos!

São Paulo nos ensinou na Epístola que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com ele e fez de nós, criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo pediu – e eu vos suplico também: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus!”

Alegremo-nos, pois! Cuidemos de entrar na festa do Pai, que Cristo veio trazer: peçamos perdão a Deus, demos perdão aos irmãos! “Como o Senhor vos perdoou e acolheu, perdoai e acolhei vossos irmãos!” Deixemos que Cristo nos renove, ele que é Deus bendito pelos séculos. Amém.

D. Henrique Soares da Costa