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Orai para não cairdes em tentação! (24-03-2013)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 50
(4) O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo, (5) (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. (6) Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba, não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. (7) Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado, enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 2
(6) Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, (7) mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. (8) E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (9) Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, (10) para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. (11) E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 23
(1) Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos,
(2) e puseram-se a acusá-lo: Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.
(3) Pilatos perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim.
(4) Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma.
(5) Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.
(6) A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu.
(7) E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.
(8) Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele.
(9) Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu.
(10) Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência.
(11) Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos.
(12) Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.
(13) Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes:
(14) Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais.
(15) Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte.
(16) Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.
(17) [Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso.]
(18) Todo o povo gritou a uma voz: À morte com este, e solta-nos Barrabás.
(19) (Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.)
(20) Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo,
(21) mas eles vociferavam: Crucifica-o! Crucifica-o!
(22) Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte, irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei.
(23) Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam.
(24) Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo.
(25) Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles.
(26) Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus.
(27) Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.
(28) Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.
(29) Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!
(30) Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!
(31) Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?
(32) Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus.
(33) Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.
(34) E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.
(35) A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
(36) Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
(37) Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
(38) Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus.
(39) Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!
(40) Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
(41) Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.
(42) E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
(43) Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.
(44) Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.
(45) Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.
(46) Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.
(47) Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo.
(48) E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito.
(49) Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas.
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Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
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Canção Nova: Homilia

Ao concluir a narrativa da tentação de Jesus no deserto, São Lucas acrescenta uma observação típica de seu evangelho: “Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno” (Lc 4, 13).

Assim, São Lucas nos apresenta a paixão de Jesus como o "tempo oportuno" (καιρός) da tentação (πειρασμός) de Jesus e dos discípulos.

No coração dramático da História da Salvação, Jesus é então apresentado como orante. No Horto das Oliveiras Jesus por duas vezes exorta à oração para que não sucumbamos à tentação (Lc 22, 40.46). A oração cristã não tem nada de passiva e de pacífica. É uma verdadeira luta (agonia) que pode nos fazer verter suor como gotas de sangue.

Mas não estamos sozinhos. Temos a certeza da oração do próprio Jesus que assegurou a Pedro na última ceia: "Eu orei por ti" (Lc 22, 32). E que intercede constantemente por nós: "Pai, perdoa, eles não sabem o que fazem" (Lc 23, 34)

Padre Paulo Ricardo


Para a procissão de Ramos:

Lc 19,28-40

Este Domingo sagrado celebra dois mistérios: (1) a Entrada solene do Senhor Jesus em Jerusalém para viver sua Passagem do mundo para o Pai e (2) o Mistério de sua Paixão, Morte e Sepultura. Daí o título deste dia: Domingo de Ramos e da Paixão. A procissão é de ramos; a missa é da paixão.

Que significa a entrada de Jesus em Jerusalém hoje? Ele é o descendente de Davi, o Filho de Davi e, portanto, o Messias prometido por Deus e esperado por Israel. Por isso o povo grita: “Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!” Jesus é saudado como o Rei de Israel, novo Davi, Messias que chega à Cidade de Davi! E Jesus, de fato, é Rei, é Messias! A festa de hoje é, em certo sentido, uma festa de Cristo Rei, Rei-Messias! É uma festa de exultação! Mas, estejamos atentos: ele entra na Cidade Santa montado não num cavalo, que simboliza poder e força, mas entra num jumentinho, usado pelos pobres nos serviços mais humildes e duros. Isto tem muito a nos dizer: Jesus é o Messias, mas um messias pobre, um messias servo, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). O seu serviço é um só: “dar a vida em resgate por muitos”. Ele é o Messias-Servo Sofredor, do qual fala o profeta Isaías na primeira leitura da missa de hoje:“Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas… Mas o senhor Deus é meu Auxiliador, por isso sei que não serei humilhado”. Ele é aquele que tomará sobre si as nossas faltas e será ferido pelas nossas feridas… Pois bem, é com este propósito que Jesus entra em Jerusalém hoje.

Quanto a nós, vamos com ele! Os ramos que trazemos nas mãos significam que reconhecemos Jesus como o Messias de Israel, prometido por Deus. Significam também que nos dispomos a segui-lo como o Servo que dá a vida na cruz. Levaremos estes ramos para casa. Devemos guardá-los num lugar visível durante todo o ano, para recordar nosso compromisso de seguir o Cristo num caminho de humildade e despojamento; segui-lo ainda quando não compreendermos bem os desígios de Deus para nós… Seguir o Cristo, que confia no Pai até a morte e não se cansa de fazer da vida um serviço de amor. Seguir hoje em procissão com os ramos na mão significa proclamar diante do mundo que cremos nesse Jesus fraco, humilde, silencioso, crucificado… loucura para o mundo, mas sabedoria de Deus; fraqueza para o mundo, mas força de Deus!

Rejeitemos, então, por amor de Cristo, toda visão de um cristianismo de procura de curas, milagres, solução de problemas… um cristianismo que trai o Evangelho e renega a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo… um cristianismo falso, que enche templos e esvazia o escândalo da cruz! Lembremo-nos de Jesus Cristo! “Fiel é esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. Se com ele sofremos, com ele reinaremos!” (2Tm 2,11s).

Que tenhamos a coragem de proclamar com a vida e as palavras esse Jesus, porque se nos calarmos “as pedras gritarão”…

Para a Missa da Paixão do Senhor

Com esta Santa Eucaristia, iniciamos a Grande Semana. Tomemos três frases da Paixão que acabamos de ouvir. Elas são suficientes para inspirar-nos hoje.

Primeira palavra: “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer”. Esta frase do Senhor, saída do seu coração, é dirigida também a nós; é um convite a celebrarmos sua Páscoa, participando na liturgia desta semana Santa e na vida da todo dia, de suas dores para também participarmos de sua vitória, de sua Ressurreição. Comer com Cristo a santa Páscoa é nos dispor a participar de sua sorte, de seu caminho rumo à cruz e à ressurreição. Nunca esqueçamos: “ele esvaziou-se de si mesmo… fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou acima de tudo”. Este é o caminho pascal de Jesus e nosso. Disponhamo-nos, portanto, a caminhar com ele. Aceitemos o seu convite para comer com ele esta Páscoa sagrada. Participemos ativa e piedosamente dos santos mistérios celebrados nestes dias e estejamos também dispostos a vivê-los na nossa vida.

Segunda palavra: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato”. Que afirmação tão dolorosa: um de nós, um que come com o Senhor, um que participa da sua Mesa, o entregou! Esta advertência de Jesus deve ser sempre recordada por cada um de nós, que participamos de sua Eucaristia! E que ninguém seja presunçoso como Pedro! Que humildemente nos perguntemos: “Mestre, serei eu?” Traímos Jesus como Judas quando buscamos nossos interesses, nossa lógica, nossas paixões, desprezando Aquele que nos convida a segui-lo.. deixamo-lo, fugimos, buscando as facilidades de uma vida mundana, de valores mundanos, de uma lógica mundana… Seguimo-lo de longe, como Pedro, quando pretendemos ser cristãos sem nos comprometermos com ele, sem por ele a nada renunciarmos, sem nele empenharmos nossa vida! Não o reneguemos como Pedro; não lhe demos o beijo de Judas! Que possamos escutar, um dia, a afirmação do Senhor: “Vós ficastes comigo em minhas provações!”

Terceira palavra: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. Nesta frase do Senhor está o sentido do que celebraremos durante esta santíssima Semana. Ele mesmo disse que veio para servir e dar a vida em resgate da multidão (cf. Mc 10,45). É assim que ele está em nosso meio: como aquele que dá a vida por nós, que se entrega por amor. Aquilo que ele realizou na sua existência toda, acolhendo, perdoando, curando, restaurando a esperança… isto é, entregando-se a nós e por nós, agora ele vai consumar até a morte e morte de cruz! Acolher esse serviço é reconhecer que Cristo morreu por nós, por nós entregou sua vida… e, assim, ser-lhe grato de todo o coração, como Paulo, que exclamava: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Sejamos-lhe gratos: vivamos também nós por ele!

Caríssimos, estejamos de coração atento para vivenciar, nestes dias sagrados, tão grande mistério! Não recebamos em vão a graça de Deus: que aprendendo os ensinamentos de sua paixão, ressuscitemos com ele em sua glória. Amém.

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

D. Henrique Soares da Costa