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A Igreja é obra de Cristo! (28-04-2013)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 14
(21) Depois de ter pregado o Evangelho à cidade de Derbe, onde ganharam muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia (da Pisídia). (22) Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações. (23) Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado. (24) Atravessaram a Pisídia e chegaram a Panfília. (25) Depois de ter anunciado a palavra do Senhor em Perge, desceram a Atália. (26) Dali navegaram para Antioquia (da Síria), de onde tinham partido, encomendados à graça de Deus para a obra que estavam a completar. (27) Ali chegados, reuniram a igreja e contaram quão grandes coisas Deus fizera com eles, e como abrira a porta da fé aos gentios.

Segunda Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 21
(1) Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. (2) Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. (3) Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. (4) Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. (5) Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 13
(31) Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.
(32) Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve.
(33) Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.
(34) Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
(35) Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:PLAYER AQUI
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

A Nova Lei é o Espírito Santo

O que há de novo no mandamento de Jesus quando ele diz: “Eu vos dou um novo mandamento:amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34)?

A realidade é que este mandamento já existia no Antigo Testamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18b). A novidade então estaria no grau heroico do amor? Amar o próximo até o derramamento do próprio sangue, como Cristo, na cruz?

Não devemos excluir tal radicalidade, mas não está aqui a novidade. Recorda-nos Bento XVI que a novidade do cristianismo não é uma nova moral, mas uma pessoa! (Cf. Deus caritas est, 1). O próprio Jesus explica melhor esta sua novidade no capítulo 15 do Evangelho de São João, ao inserir o novo mandamento no contexto da parábola da videira e dos ramos (cf. Jo 15, 12.17). A novidade está, então na união com Cristo (videira) através do Dom do Espírito Santo (seiva de vida).

Por isto Santo Tomás, ao explicar a nova lei, recorda um texto fantástico de Santo Agostinho: “Assim como a lei das obras foi escrita em tábuas de pedra, assim a lei da fé foi escrita nos corações dos fieis” (De Spiritu et Littera, C. 24, n. 41: ML 44, 225). Assim, podemos concluir, que a nossa meta é alcançar este amor como o de Cristo, no grau máximo.

O mesmo amor que os Bem-Aventurados já possuem na Pátria do Céu. Mas desde já, mesmo em nosso estado de viandante, recebemos o Espírito Santo que nos faz dar passos nesta direção. Assim, “de graça em graça” vamos nos aperfeiçoando.

"Caritas Christi urget nos! – O amor de Cristo nos impele!" (2Cor 5,14). Ao ver ‘como’ ele nos amou, o Espírito Santo faz arder o nosso coração numa resposta de amor. Nesta resposta de amor vamos peregrinando de morada em morada até chegarmos à perfeição da Pátria.

Veja o comentário extraordinário que fez o Papa Bento XVI a respeito do Novo Mandamento:

Depois, segue-se este novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei". Não existe amor maior do que este: "Dar a vida pelos próprios amigos". Que significa? Também aqui, não se trata de um moralismo. Poder-se-ia dizer: "Não é um novo mandamento; o mandamento de amar o próximo como a nós mesmos já existe no Antigo Testamento". Alguns afirmam: "Este amor deve ser ainda mais radicalizado; este amar o outro deve imitar Cristo, que se entregou por nós; deve ser um amar heroico, até ao dom de si mesmo". Porém, neste caso o cristianismo seria um moralismo heroico. É verdade que temos de chegar até a esta radicalidade do amor, que Cristo nos manifestou e concedeu, mas também aqui a verdadeira novidade não é aquilo que nós levamos a cabo, a verdadeira novidade é o que Ele realizou: o Senhor entregou-se a si mesmo, o Senhor conferiu-nos a verdadeira novidade de sermos seus membros no seu corpo, de sermos ramos da videira, que é Ele. Por conseguinte, a novidade é a dádiva, o dom grandioso, e é do dom, da novidade do dom que provém inclusive, como eu disse, o novo agir.

S. Tomás de Aquino di-lo de maneira muito específica, quando escreve: "A nova lei é a graça do Espírito Santo" (Summa theologiae, I-IIae, q. 106, a. 1). A nova lei não é outro mandamento, mais difícil do que os demais: a nova lei é um dom, a nova lei é a presença do Espírito Santo que nos foi concedido no Sacramento do Baptismo, na Crisma, e que nos é oferecido cada dia na Santíssima Eucaristia. Aqui, os Padres distinguiram entre "sacramentum" e "exemplum". "Sacramentum" é o dom do novo ser, e este dom torna-se também exemplo para o nosso agir, mas o "sacramentum" vem antes, e nós vivemos a partir do sacramento. Aqui vemos a centralidade do sacramento, que é centralidade da dádiva.

O texto citado de Santo Tomás é o seguinte (Summa theologiae, I-IIae, q. 106, a. 1):

A lei nova é a lei do novo testamento. Ora, a lei do novo testamento é infusa no coração. O Apóstolo (Hb 8, 8-10), com efeito, diz, citando o texto que se tem no livro de Jeremias (31, 31-33): “Eis que virão dias, diz o Senhor, e consumarei sobre a casa de Israel e sobre a casa de Judá um novo testamento”; e expondo o que seja este testamento diz: “Porque este é o testamento que propiciarei à casa de Israel: dando minhas leis para a mente deles, e as sobrescreverei no seu coração”. Logo a lei nova é lei infusa.

“Toda coisa parece ser aquilo que nela é principal”, diz o Filósofo (IX Ethic. C. 8: 1169, a, 2-4). Aquilo que é principal na lei do novo testamento, e em que toda virtude dela consiste, é a graça do Espírito Santo, que é dada pela fé de Cristo. E assim a lei nova é a própria graça do Espírito Santo, que é dada aos fieis de Cristo. E isto aparece manifestamente pelo Apóstolo que diz (Rm 3, 27): “Onde está a tua glória? Foi excluída. Por qual lei? Das obras? Não: mas pela lei da fé”. E mais expressamente na carta aos Romanos se diz (Rm 8, 2): “A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus me libertou da lei do pecado e da morte”. Donde diz Agostinho que “assim como a lei das obras foi escrita em tábuas de pedra, assim a lei da fé foi escrita nos corações dos fieis” (De Spiritu et Littera, C. 24, n. 41: ML 44, 225). E em outro lugar do mesmo livro: “Quais são as leis de Deus escritas pelo mesmo Deus nos corações senão a própria presença do Espírito Santo?” (C. 21: ML 44, 222).

De fato, o Catecismo da Igreja Católica 2842 afirma:

“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros ‘como’ eu vos amei” (Lc 13,34). Observar o mandamento do Senhor é impossível se quisermos imitar, de fora, o modelo divino. Trata-se de participar, de forma vital e “do fundo do coração”, na Santidade, na Misericórdia, no Amor de nosso Deus. Só o Espírito que é “nossa Vida” (Gl 5,25) pode fazer “nossos” os mesmos sentimentos que teve Cristo Jesus (cf.Fl 2, 1.5).

Padre Paulo Ricardo


A Igreja é Obra de Cristo!

Durante todo o tempo pascal a Igreja nos faz contemplar o Ressuscitado e o fruto da sua obra: o dom do Espírito, a nossa santificação, os sacramentos que nascem do seu lado aberto, a Igreja, sua Esposa, desposada no leito da cruz…

Hoje, precisamente, é para a Igreja, comunidade nascida da morte e ressurreição de Cristo, que a Palavra de Deus orienta o nosso olhar.

Primeiramente, é necessário que se diga sem arrodeios: Cristo sonhou com a Igreja, a amou e fundou-a. A Igreja, portanto, é obra do Cristo, foi por ele fundada e a ele pertence! Ela não se pertence a si mesma, não se pode fundar a si própria, não pode estabelecer ela própria a sua verdade. Tudo nela deve referir-se a Cristo e a ele deve conduzir! Mas, há mais: não é muito preciso, não é muito correto dizer que Cristo “fundou” a Igreja. Não! A fundação da Igreja não terminou ainda: Cristo continua fundando, Cristo funda-a ainda hoje, ainda agora, nesta Eucaristia sagrada! Continuamente, o Cordeiro de pé como que imolado, Cabeça da Igreja que é o seu Corpo, funda, renova, sustenta, santifica, sua dileta Esposa pela Palavra e pelos sacramentos: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentá-la a si mesmo a Igreja, gloriosa, se mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível!” (Ef 5,25-27). São afirmações impressionantes, belas, profundas: (1) Cristo amou a sua Igreja e, por ela, morreu e ressuscitou; (2) pela sua morte e ressurreição, de amor infinito, ele purifica continuamente a sua Igreja, santifica-a totalmente, sem desfalecer. Por isso a Igreja é santa, será sempre santa e não poderá jamais perder tal santidade, apesar das infidelidades de seus membros! (3) Este processo de contínua fundação e santificação da Igreja em Cristo dá-se pelo “banho da água” – símbolo do Batismo e dos sacramentos em geral – e pela “Palavra” – símbolo da pregação do Evangelho. Então, Cristo continua edificando sua Igreja neste mundo pela Palavra e pelos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. A Igreja não se pertence: ela é de Cristo! E, como esposa de Cristo, é nossa Mãe: ela nos gerou para Cristo no Batismo, para Cristo ela nos alimenta na Eucaristia e de Cristo ela nos fala na sua pregação! Ela é a nossa Mãe católica, desposada pelo Cordeiro imolado na sua Páscoa, como diz o Apocalipse: “estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente!” (19,7s).

Pois bem, esta Igreja, tão amada por Cristo, tão nossa Mãe, deve caminhar neste mundo nas dores de parto. Temos um exemplo disso na primeira leitura da Missa de hoje. Paulo e Barnabé vão animando as comunidades,“encorajando os discípulos … a permaneceram firmes na fé”, pois “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus”. Assim caminha o Povo de Deus, Comunidade fundada por Cristo e vivificada pelo seu Espírito: entre as tribulações do mundo e as consolações de Deus. Muitas vezes, a Igreja enfrentará dificuldades por parte de seus inimigos externos – aqueles que a perseguem direta ou veladamente, aqueles que desejam o seu fim e, vendo-a com antipatia, trabalham para difamá-la. Mas, também, muitas vezes, a provação vem de dentro da própria Igreja: das fraquezas de seus membros, dos escândalos provocados pela humana fraqueza daqueles que deveriam dar exemplo de uma vida nova em Cristo Jesus. Se é verdade que isto não fere a santidade da Igreja – porque essa santidade vem de Cristo e não de nós -, por outro lado, é verdade também que nossos escândalos e maus exemplos atrapalham e muito a credibilidade do nosso anúncio do Evangelho e a credibilidade do próprio Evangelho como força que renova a humanidade! Infelizmente, enquanto o mundo for mundo, enquanto a Igreja estiver a caminho, experimentará em si a debilidade de seus membros. Assim, foi no grupo dos Doze, assim, nas comunidades do Novo Testamento, assim é hoje. É interessante que o Evangelho de hoje começa com Judas, o nosso irmão, que traiu o Senhor, saindo do Cenáculo, saindo do grupo dos Doze, saindo da Comunidade: “Depois que Judas saiu do cenáculo”… – são as primeiras palavras do Evangelho… E, no entanto, apesar da fraqueza de Judas e dos Doze, apesar da nossa fraqueza, Jesus continua nos amando e crendo em nós: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”. Não tenhamos medo, não desanimemos, não nos escandalizemos: o Senhor está conosco, ama-nos, porque somos o seu rebanho, as suas ovelhas, a sua Igreja. Ama-nos e derramou sobre nós o seu amor e sua força que é o Espírito Santo!

Se agora vivemos entre tribulações e desafios, nossa esperança é firmemente alicerçada em Cristo; nele, venceremos, nele, a Mãe católica, um dia, triunfará, totalmente glorificada e tendo em seu regaço materno toda a humanidade. Ouçamos – é comovente: “Vi um n ovo céu e uma nova terra… O primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe” – o Senhor nos promete um mundo renovado, sem a marca do pecado, simbolizado pelo mar. “Vi a Cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido”. – É a Igreja, totalmente renovada pela graça de Cristo, totalmente Esposa, numa eterna aliança de amor, realizada na Páscoa e consumada no fim dos tempos! “Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles”. – A Igreja é o “lugar”, o “espaço” onde o Reino acontece visivelmente: Deus, em Cristo, habita no nosso meio e será sempre “Deus-com-eles”, Deus-conosco, Emanuel! “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, nem morte, porque passou o que havia antes. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que eu faço novas todas as coisas’”.

Caríssimos, olhem para mim, olhem-se uns para os outros! Somos a cara da Igreja, o cheiro da Igreja, a fisionomia da Igreja, a fraqueza e a força, a fidelidade e a infidelidade, a glória e a vergonha da Igreja! Tão pobre, tão frágil, tão deste mundo… mas também tão destinada à glória, tão divina, tão santa, tão católica, tão de Cristo! Coragem! Vivamos profundamente nossa vida de Igreja; é o único modo de ser cristão como Cristo sonhou! Soframos as dores e desafios da Igreja agora, para sermos partícipes da vitória que Cristo dará a Igreja na glória! Como diz o Apocalipse, “estas palavras são dignas de fé e verdadeiras”. Amém.

D. Henrique Soares da Costa