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Ascenção e Pentecostes, sejamos Testemunhas de Cristo! (12-05-2013)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 1
(1) Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, (2) desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). (3) E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. (4) E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca, (5) porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. (6) Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? (7) Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, (8) mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. (9) Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.. (10) Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: (11) Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 1
(17) Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele, (18) que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, (19) e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé. É o mesmo poder extraordinário que (20) ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, (21) acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro. (22) E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, (23) que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 24
(46) Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
(47) E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
(48) Vós sois as testemunhas de tudo isso.
(49) Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai, entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
(50) Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
(51) Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.
(52) Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.
(53) E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

Ascenção e Pentecostes

“Temos um Sumo Sacerdote que entrou nos céus” (Heb 4, 14).

Para compreender melhor o significado espiritual do Mistério da Ascensão é necessário recordar e sua íntima ligação com o Mistério de Pentecostes. Foi o próprio Jesus quem esclareceu esta ligação quando disse:

“Convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei” (Jo 16, 7).

Após a ressurreição, Jesus apareceu durante quarenta dias para suscitar a fé em seus apóstolos e discípulos. Uma vez que esta fé teve início, Jesus encerra o seu tempo aqui na terra e sobe aos céus para de lá enviar o Espírito Santo.

Ascensão e Pentecostes inauguram a ação de Deus pelos sacramentos. Nosso Senhor “ingressa de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna” (Hb 9, 12). É o exercício o seu poder sacerdotal! Por isto não é difícil perceber uma certa tonalidade litúrgica na narrativa evangélica que relata a subida de Jesus aos céus.

Como Sumo Sacerdote que entra no Santuário do céu, ele intercede por nós e envia o Espírito Santo, "a força do alto".

É próprio do sacerdote ser uma ponte (pontífice) entre Deus e os homens. Assim, compreende-se que, com sua a Ascensão, Jesus possibilita:

  • - a presença do redimido no céu (face a face);
  • - a presença do redentor na terra (sacramentos).

Esta nova presença de Jesus entre nós (a presença sacramental) se dá sobretudo na Eucaristia, onde a Igreja através de seus ministros, exerce o sacerdócio celeste de Cristo com a força do Espírito Santo.

Padre Paulo Ricardo


Sejamos Testemunhas de Cristo!

Celebramos hoje a Ascensão do Senhor: Cristo não somente foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito

Santo, Senhor que dá a vida, mas também, neste mesmo Espírito, recebeu do Pai, como verdadeiro homem, todo o poder no céu e na terra. É este o sentido da festa de hoje. Mas, vejamo-lo por partes.

Cristo Jesus, ao ressuscitar, saiu da morte e entrou na glória do Pai. A ressurreição e a ascensão são dois momentos, dois aspectos de um único acontecimento: a glorificação do Cristo feito homem e entregue à morte. Jesus não ressuscita, passa quarenta dias aqui na terra e, somente depois, vai para o Pai. Não. Ele já ressuscita no Pai, sua páscoa é passar deste mundo, atravessando o vale da morte, para entrar no Pai, saindo da morte. O que os Atos dos Apóstolos narram na primeira leitura de hoje, não é a ida de Jesus ao Pai, mas a despedida solene de Jesus, o fim daquele período de encontros do Ressuscitado, glorificado com o Pai, com os seus logo após a ressurreição.

Então, qual a diferença entre a ressurreição e a ascensão? Na ressurreição, contemplamos o Cristo totalmente glorificado pelo Pai na força do Espírito. Toda a sua natureza humana, corpo e alma, foi divinizada, impregnada pela vida divina, que é o Espírito Santo. Jesus, agora, é um homem totalmente novo, totalmente “espirituado”, totalmente glorificado, divinizado na sua humanidade. É este o mistério da ressurreição. Mas, há mais: ao ser glorificado, ele, que é uma pessoa divina, é entronizado com todo o poder no céu e na terra: ele, ressuscitado, é constituído Senhor do universo, Senhor da história, Senhor da nossa vida. É isto que a Escritura e a Tradição querem dizer ao afirmar que ele está “sentado à direita de Deus Pai”: ele tem o mesmo poder do Pai, ele recebeu o senhorio sobre tudo. Mas, não já o tinha antes? Não! Tinha como Verbo eterno e divino; mas, agora, é o Verbo como Filho feito homem que recebe tal poder! É este o significado da ascensão. Um de nossa raça está dentro da Trindade, um de nossa raça é Senhor do céu e da terra, um de nossa raça é Senhor dos anjos, um de nossa raça está no topo de todas as coisas. É o que dirá a oração após a comunhão da Missa de hoje: “Deus eterno e todo-poderoso… fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de vós a nossa humanidade”.

São Lucas exprime esta realidade, nos Atos dos Apóstolos, afirmando que Jesus “foi elevado ao céu” “uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo”. Não pensemos aqui numa subida espacial, como se o Senhor Jesus fosse fazer uma viagem pelo espaço sideral, de um lugar para o outro. O “subir”, aqui, tem um sentido qualitativo: subiu para uma vida superior, para uma plenitude que não é deste mundo. Ele, agora, está totalmente imerso no mundo de Deus. É este o significado da nuvem que o encobre. Ela é símbolo do Espírito que, divinizando-o completamente, coloca-o diretamente no âmbito de Deus Pai. Por isso já não podemos mais vê-lo com os olhos da carne.

Mas, a partida de Jesus não é um afastamento de nós. Ele estará, para sempre, interior e realmente, presente no coração da Igreja e de cada fiel através da potência do seu Espírito Santo. É o mistério que celebraremos no domingo próximo. Na glória, sentado à direita do Pai, ele agirá sempre como “Cabeça da Igreja, que é seu corpo”, vivificando-a, sustentando-a, e conduzindo-a sempre mais a ele, até que venha “do mesmo modo como o vistes partir”.

Para nós, a solenidade hodierna tem dois aspectos muito importantes. O primeiro, a certeza que, por mais incerta e sem sentido que muitas vezes a realidade e a nossa vida apareçam, há um Senhor no céu, há o Cristo, que tudo tem, amorosa e poderosamente, em suas mãos. Recordemos o que diz a segunda leitura: o Pai “manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro”. Não há o que temer, cristão: teu Senhor é aquele que tudo dirige, tudo conduz e tudo plenifica. Tu e o mundo em que vives, tu e a história em que caminhas, estão nas mãos daquele que se senta no trono, à direita do Pai. Finalmente, ao olhar para o céu, contemplamos, glorioso, aquele que é nossa Cabeça, aquele de cujo Corpo somos membros. Pois bem, a sua glória é antecipação e garantia da nossa, como dizia a oração inicial da Missa: “membros do seu Corpo, somos chamados a participar da sua glória”.

Caríssimos, não tenhamos medo! Ainda que com os olhos da carne não possamos contemplar aquele que é o nosso Senhor e reina sobre tudo, sustentados pelo Espírito Santo e com os olhos da fé, temos a certeza que este mundo e nossa vida têm um sentido e são conduzidos pelo Crucificado que foi glorificado à direita do Pai. Renovemos o nosso ânimo e recordemos que o Senhor nos convida a voltar cheios de alegria, como os apóstolos, e sermos testemunhas suas em toda a terra. Sejamos fiéis ao mandato do Senhor, fortalecidos pela esperança que a festa de hoje suscita em nós. É assim que glorificaremos o Cristo, bendito para sempre. Amém.

D. Henrique Soares da Costa