Católicos Online

     ||  Início  ->  O amor da pecadora

O amor da pecadora (16-06-2013)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Segundo Livro de Samuel (2Sm), capítulo 12
(7) Natã disse então a Davi: Tu és esse homem. Eis o que diz o Senhor Deus de Israel: ungi-te rei de Israel, salvei-te das mãos de Saul, (8) dei-te a casa do teu senhor e pus as suas mulheres nos teus braços. Entreguei-te a casa de Israel e de Judá e, se isso fosse ainda pouco, eu teria ajuntado outros favores. (9) Por que desprezaste o Senhor, fazendo o que é mau aos seus olhos? Feriste com a espada Urias, o hiteu, para fazer de sua mulher a tua esposa, e o fizeste perecer pela espada dos amonitas. (10) Por isso, jamais se afastará a espada de tua casa, porque me desprezaste, tomando a mulher de Urias, o hiteu, para fazer dela a tua esposa. (11) Eis o que diz o Senhor: vou fazer com que se levantem contra ti males vindos de tua própria casa. Sob os teus olhos, tomarei as tuas mulheres e dá-las-ei a um outro que dormirá com elas à luz do sol! (12) Porque agiste em segredo, mas eu o farei diante de todo o Israel e diante do sol. (13) Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. Natã respondeu-lhe: O Senhor perdoa o teu pecado, não morrerás.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Gálatas (Gl), capítulo 2
(16) sabemos, contudo, que ninguém se justifica pela prática da lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Também nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei. Pois, pela prática da lei, nenhum homem será justificado. (17) Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não! (18) Se torno a edificar o que destruí, confesso-me transgressor. (19) Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo. (20) Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. (21) Não menosprezo a graça de Deus, mas, em verdade, se a justiça se obtém pela lei, Cristo morreu em vão.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 7
(36) Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa.
(37) Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume,
(38) e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume.
(39) Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora.
(40) Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele.
(41) Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta.
(42) Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?
(43) Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem.
(44) E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés, mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos.
(45) Não me deste o ósculo, mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés.
(46) Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com perfume, ungiu-me os pés.
(47) Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama.
(48) E disse a ela: Perdoados te são os pecados.
(49) Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados?
(50) Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou, vai em paz.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 8
(1) Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus.
(2) Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios,
(3) Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

O amor da pecadora

O Evangelho (Lc 7, 36 – 8, 3) narra a história da mulher pecadora.

Jesus foi convidado a almoçar por um fariseu chamado Simão. Quando estavam à mesa, entra uma mulher e vai diretamente a Cristo. Era uma mulher pecadora que havia na cidade e que decidiu ter um encontro pessoal com o Senhor. E dá amplas mostras de arrependimento e de contrição: “Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume” (Lc 7, 37-38).  Sabemos o que se passava no seu íntimo pelas palavras posteriores do Senhor: Amou muito. Mostrou que professava por Jesus uma veneração sem limites. Esqueceu-se dos outros e de si mesma; só Cristo é que importava.

São-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou: esta e não outra foi a razão de tanto perdão. A cena termina com as consoladoras palavras do Senhor: “Tua fé te salvou. Vai em paz.” (Lc 7, 50). Recomeça a tua vida com uma nova esperança.

A fé e a humildade salvaram aquela mulher do desastre definitivo; com a contrição, iniciou uma nova vida. E diz São Gregório Magno que “aquela mulher nos representou a todos os que, depois de termos pecado, nos voltamos de todo o coração para o Senhor e a imitamos no pranto da penitência”.

Os nossos piores defeitos e faltas, ainda que sejam muitos e frequentes, não nos devem desanimar enquanto formos humildes e quisermos voltar arrependidos.

Simão não se apercebeu das suas faltas, como também não é consciente de que, se não cometeu mais pecados e mais graves, foi pela misericórdia divina, que o preservou do mal. “Ama pouco – comenta Santo Agostinho – aquele que é perdoado em pouco. Tu que dizes não ter cometido muitos pecados, por que não os cometeste? Sem dúvida porque Deus te conduziu pela mão. Não há nenhum pecado cometido por um homem que não possa ser cometido por outro, se Deus, que fez o homem, não o sustenta com a sua mão.

Não podemos esquecer a realidade das nossas faltas, nem atribuí-las ao ambiente, às circunstâncias que rodeiam a nossa vida, ou admiti-las como algo inevitável, desculpando-nos e fugindo da responsabilidade. Se o fizéssemos, fecharíamos as portas ao perdão e ao reencontro verdadeiro com Deus, tal como aconteceu com o fariseu. “Mais que o próprio pecado – diz São João Crisóstomo-, o que irrita e ofende a Deus é que os pecadores não sintam dor alguma dos seus pecados.” E não pode haver dor se nos desculpamos das nossas fraquezas. Devemos, pelo contrário, examinar-nos em profundidade, sem nos limitarmos a aceitar genericamente que somos pecadores. “Não podemos ficar na superfície do mal – dizia o então Cardeal Wojtyla – ; é preciso chegar à sua raiz, às causas, à verdade mais profunda da consciência.” Jesus conhece bem o nosso coração e deseja limpá-lo e purificá-lo.

“Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora” (Lc 7, 39). A caridade e a humildade ensinam-nos a ver nas faltas e pecados dos outros a nossa própria condição fraca e desvalida, e ajudam-nos a unir-nos de coração à dor de todo o pecador que se arrepende, porque também nós cairíamos em faltas iguais ou piores, se a misericórdia de Deus não nos sustentasse.

Quem nos livra de nossa dívida é Deus. Só Ele, que criou nossa vida, é capaz de restaurá-la na sua integridade. Pedir perdão é dar a Deus uma chance para refazer em nós a obra de seu amor criador. Mas quem pouco ama, não lhe dá esta chance…

Peçamos à Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, que nos obtenha, do seu Filho, uma dor sincera dos nossos pecados e um amor maior que as nossas faltas.

Mons. José Maria Pereira


Quem é o pobre da Bíblia?

Convém iniciar a meditação sobre a Palavra do Senhor deste Domingo recordando a primeira e principal das Bem-aventuranças; aquela que resume todas as demais: “Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).

O Evangelho de hoje afirma que “Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus”. Que Boa-nova é esta, que Jesus pregava? Que nele, Deus se revelava como Pai cheio de amor e misericórdia, que se volta para o homem, inclina-se em direção a ele, para acolhê-lo, perdoá-lo, e caminhar com ele. Este anúncio requer uma decisão nossa: a conversão, isto é, um coração aberto à Boa-nova de Jesus; um coração capaz de acolher a presença salvífica de Deus e, cheio do amor do Senhor, abrir-se também para os outros, sobretudo para os pobres sejam de que pobrezas forem. E por que Jesus afirma que é dos pobres o Reino dos Céus? Esta pergunta é a chave para compreender as leituras de hoje. Vejamos.

Quem é o pobre na Bíblia? De que pobre Jesus está falando? Pobre é todo aquele que se encontra numa situação extrema, situação de fraqueza e impotência; pobre é todo aquele que se encontra numa situação limite na vida. O gravemente doente é um pobre, o que não tem casa e comida é um pobre, o discriminado e perseguido é um pobre, o que se sente só e sem amor é um pobre, o aidético, o que foi derrotado, o que foi incompreendido, o que foi pisado pelo peso da existência… Notemos que a pobreza em si não é um bem. E por que Jesus proclama os pobres bem-aventurados, dizendo ser deles o Reino dos Céus? Porque o pobre, na sua pobreza, toca o que a vida humana é realmente: precária, débil, incerta, dependente de Deus. Normalmente, nossa tendência é esquecer essa realidade, procurando mil muletas, mil apoios, mil ilusões: bens materiais, saúde, prestígio, amigos, ninho afetivo, poder… e julgamo-nos auto-suficientes, senhores de nós mesmos, perdendo a atitude de criança simples e confiante diante de Deus. Assim, auto-suficiente, ricos para nós mesmos, não nos achamos necessitados de um Salvador, fechamo-nos para o Reino que Jesus veio anunciar. Só o pobre pode, com toda verdade, tocar a debilidade da vida com toda crueza e verdade e, assim, os pobres têm muito mais possibilidades de abrir-se para o Reino.

As leituras deste Domingo ilustram-nos esta realidade. Primeiro, a pobreza de Davi que, apesar de forte militarmente e rei de Israel, não hesita em reconhecer seu pecado com toda humildade diante do profeta do Senhor: “Pequei contra o Senhor” – diz o rei. Davi não usa máscara, não procura justificar-se com desculpas esfarrapadas. Reconhece-se pequeno, frágil, limitado… humilha-se ante o Senhor. A resposta do Senhor é imediata: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás”. Depois, as duas figuras contrapostas do Evangelho: de um lado Simão, cheio de si, de sua própria justiça, seguro de si próprio, julgando-se em dia com Deus e com seus preceitos e, por isso mesmo, fechado para a misericórdia e a delicadeza para com os outros. Jesus o desmascara: “Quando entrei na tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés… Tu não me deste o beijo de saudação… Tu não derramaste óleo na minha cabeça”. Simão, cheio de si, nunca pensou de verdade que precisasse de um Salvador e, por isso, não foi aberto para Jesus e para o Reino. Recebeu Jesus exteriormente, mas não aderiu a ele interiormente, de todo coração! Por outro lado, a mulher pecadora, adúltera pública, derrama as lágrimas e o coração aos pés de Jesus, com toda simplicidade, com toda sinceridade, do fundo de sua miséria… Reconhece-se pecadora, quebrada, infiel; sem máscara nenhuma, mostra-se ao Senhor e suplica sua misericórdia. Por isso, pode ouvir: “Teus pecados estão perdoados. Vai e paz!”

Somente quando experimentamos, de fato, esta pobreza, podemos verdadeiramente acolher Deus que nos vem em Jesus como Salvador. Caso contrário, diremos que cremos nele, mas somente creremos de fato em nós e em nossas mil riquezas econômicas, afetivas, sociais, psicológicas, espirituais… Assim, do alto da nossa auto-suficiência, tornamo-nos incapazes de acolher de verdade o Reino. Não é este o drama do mundo? Com nossa ciência, com nosso divertimento, com nossa liberação total, com nossos bens de consumo… quem precisa de um Salvador? Temos tudo, somos ricos, estamos bem assim e, sozinhos, nos bastamos!

Pois bem: faz parte do núcleo da convicção cristã que não nos bastamos, que somos pobres e, sozinhos, jamais nos realizaremos plenamente. É o que são Paulo exprime na segunda leitura da Missa: aos cristãos de origem judaica, ele recordava que a salvação não vem das obras da Lei de Moisés, de nossa própria bondade, mas unicamente da fé em Jesus, presente de Deus, misericórdia de Deus para nós. É esta, muitas vezes, a nossa dificuldade: compreender que somos todos pobres diante de Deus; precisamos dele, a ele devemos abrir nossa mente, nosso coração, nossa vida. Aí, sim, o Reino de Deus começará a acontecer e Deus em Cristo reinará de verdade na nossa vida e, através de nós, na vida do mundo.

Que nos perguntemos: sou pobre ou sou rico? Reconheço devedor e dependente de Deus, realmente? Tenho-o como meu Salvador e minha riqueza? Aposto nele a minha vida? Tenho consciência que a vida não é minha de modo absoluto, mas é um do qual deverei prestar contas ao doador? O Senhor nos ajude e ilumine nosso coração e nossa mente!

D. Henrique Soares da Costa


Comentário do dia Santo Ambrósio (c. 340-397)
Bispo de Milão, Doutor da Igreja
A Penitência, II, 8; SC 179

«A tua fé te salvou. Vai em paz»

«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes» (Mt 9,12). Mostra pois ao médico a tua ferida, para poderes ser curado. Mesmo que lha não mostres, ele conhece-a, mas exige que tu lhe faças ouvir a tua voz. Lava as tuas feridas com as tuas lágrimas. Foi assim que esta mulher de que nos fala o Evangelho se livrou do seu pecado e do mau odor do seu desvario; foi assim que ela se purificou das suas faltas: lavando os pés de Jesus com as suas lágrimas.

Reserva-me também, Jesus, o cuidado de Te lavar os pés, que sujaste ao caminhar em mim! [...] Mas onde poderei encontrar água viva para Te lavar os pés? Se não tenho água, tenho as minhas lágrimas. Faz com que, ao lavar-te os pés com elas, eu próprio fique purificado! E que hei-de fazer para que digas de mim: «São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou»? Confesso que a minha dívida é considerável e que me foi «dado mais», a mim que fui arrancado ao barulho das querelas da praça pública e das responsabilidades do governo para ser chamado ao sacerdócio. Temo, por conseguinte, ser considerado um ingrato se amar menos, quando me foi dado mais.

Não posso comparar a qualquer pessoa essa mulher que com justiça foi preferida ao fariseu Simeão, que recebia o Senhor para jantar. Mas a todos aqueles que querem merecer o perdão, ela dá um ensinamento beijando os pés de Cristo, lavando-os com as suas lágrimas, enxugando-os com os seus cabelos, ungindo-os com perfume. [...] Se não conseguirmos ser iguais a ela, o Senhor Jesus saberá vir ao encontro dos fracos. Quando não há ninguém que saiba preparar uma refeição, trazer perfume, trazer consigo uma fonte de água viva (cf Jo 4,10), é Ele próprio que vem.