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A idolatria do dinheiro (04-08-2013)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiastes (Ecl), capítulo 1
(2) Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiastes (Ecl), capítulo 2
(21) Que um homem trabalhe com sabedoria, ciência e bom êxito para deixar o fruto de seu labor a outro que em nada colaborou, note-se bem, é uma vaidade e uma grande desgraça. (22) Com efeito, que resta ao homem de todo o seu labor, de todas as suas azáfamas a que se entregou debaixo do sol? (23) Todos os seus dias são apenas dores, seu trabalhos apenas tristezas, mesmo durante a noite ele não goza de descanso. Isto é ainda vaidade.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Colossenses (Cl), capítulo 3
(1) Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. (2) Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. (3) Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. (4) Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. (5) Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. (6) Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes. (7) Outrora também vós assim vivíeis, mergulhados como estáveis nesses vícios. (8) Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, (9) nem vos enganeis uns aos outros. Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, (10) e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem daquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento. (11) Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 12
(13) Disse-lhe então alguém do meio do povo: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
(14) Jesus respondeu-lhe: Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?
(15) E disse então ao povo: Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas.
(16) E propôs-lhe esta parábola: Havia um homem rico cujos campos produziam muito.
(17) E ele refletia consigo: Que farei? Porque não tenho onde recolher a minha colheita.
(18) Disse então ele: Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e construirei maiores, neles recolherei toda a minha colheita e os meus bens.
(19) E direi à minha alma: ó minha alma, tens muitos bens em depósito para muitíssimos anos, descansa, come, bebe e regala-te.
(20) Deus, porém, lhe disse: Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão?
(21) Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

A vida do homem não consiste na abundância de bens!

Em que consiste a vida do ser humano? O que faz realmente, de modo definitivo, uma existência humana valer a pena? Como o homem pode, de verdade, ganhar a vida? – eis algumas perguntas seríssimas para quem deseja viver de verdade e não fazer da existência um tempo perdido e uma paixão inútil.

O Senhor Jesus nos adverte: “A vida do homem não consiste na abundância de bens!” Esta frase recorda-nos uma outra: “O homem não vive somente de pão!” (Mt 4,4). Ao contrário do que o mundo nos quer colocar na cabeça e no coração, não se pode medir o valor de uma vida pelos bens materiais ou pelo sucesso de alguém.

Todos temos um desejo enorme de encontrar um porto seguro para nossa existência. Buscamos segurança: segurança econômica, segurança quanto à saúde, segurança afetiva, segurança profissional… sempre segurança. O problema é que nesta vida e neste mundo nada é seguro e toda segurança não passa de uma ilusão, que cedo ou tarde desaba. O Eclesiastes é de um realismo cortante: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. – Em outras palavras: pó do pó, tudo é pó; inconsistência da inconsistência, tudo é inconsistência, tudo passa, tudo é transitório e fugaz… E o Salmista hoje faz coro a essa tremenda realidade: “Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: ‘Voltai ao pó, filhos de Adão!’ Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos. De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca”. O Autor do Eclesiastes coloca a questão tão dramática: será que tudo quanto construímos, será que nossos amores e sonhos, será que tudo isso caminha para o nada? “Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração!” São palavras duríssimas e, à primeira vista, de um pessimismo sem remédio. Mas, não é assim: o Autor sagrado nos quer acordar do marasmo, nos quer fazer compreender que não podemos enterrar a cabeça e o coração no simples dia-a-dia, sem cuidar do sentido que estamos dando à nossa existência como um todo!

Então, onde apostar nossa vida, para que ela realmente tenha um sentido? Como fugir da angústia de uma vida que vai passando como o fio no tear – para usar um imagem da Escritura? É interessante observar como hoje se procura fazer a vida valer a pena… Preocupação com a estética, com a saúde, com a satisfação dos desejos… Preocupação em ser vip na sociedade, em ter prestígio e poder… em se esbaldar no divertimento, nos esportes, nos eventos, no turismo… Pois bem, a Palavra de Deus nos adverte de modo seco e solene: tudo passa, tudo é vaidade; não consiste nisso a vida de uma pessoa! Com tudo isso, podemos ser infelizes; com tudo isso, podemos danar para sempre nossa única existência.

Então, em que consiste a vida? Que caminho seguir para repousar nosso coração naquilo que não passa? Como usar as coisas que passam de modo a abraçar as que não passam? Os cristãos têm uma resposta, que para o mundo é incompreensível. Escutemos o Apóstolo: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Palavras fortes; palavras que o mundo não poderá nunca compreender! Para o cristão, a vida verdadeira é Cristo, aquele que morreu e ressuscitou, aquele que se encontra à direita do Pai. Nós cremos que tudo quanto vivamos com ele e de modo coerente com o seu Evangelho, é vida e nos faz felizes, livres e maduros. Cremos que viver de verdade a vida é apostar nele a existência, pois somente nele, no Cristo Senhor, está a vida verdadeira. Cremos que viver é viver como ele viveu. Ora, como foi a vida do Cristo? Foi total doação ao Pai e aos outros, por amor do Pai. Total despojamento, numa total liberdade – foi assim que o Cristo passou entre nós. Pois bem, é nisso que consiste a vida verdadeira; é nisto que consiste o que Jesus chama no Evangelho de ser “rico diante de Deus” e não ajuntar tesouros para si apenas.

Pensemos bem: num mundo que já não mais sabe olhar para o alto, num mundo que desaprendeu a ouvir aquele que tem palavra de vida eterna, não é fácil viver este caminho de Jesus. E, no entanto, esta é a condição para ser cristão de verdade e para encontrar a verdadeira vida. Não queiramos, portanto, reduzir o Evangelho ao tamanho da nossa mediocridade; tenhamos a coragem de dilatar nosso coração, de ampliar nossos horizontes à medida do apelo do Cristo Jesus e de viver a vida de pessoas novas, ressuscitadas para uma vida nova.

Dom Henrique Soares da Costa


A idolatria ao dinheiro - 18º Domingo do Tempo Comum

“A cobiça de possuir (πλεονεξία) é uma idolatria” (Col 3, 5). Esta expressão de São Paulo resume de forma clara e lapidar a razão pela qual a Igreja católica sempre considerou com muita suspeita as “teologias da prosperidade”.

“Não podeis servir a Deus e a Mamona” (Lc 16, 13).

A palavra Mamona (μαμωνᾶς, do caldeu מָאמונָא) tem sua raiz no verbo confirmar, apoiar, sustentar (אָמַן), de onde vem a expressão “amém”, algo no qual eu posso confiar, a rocha firme de nossa vida. Aqui então se encontra a raiz mais terrível de nosso apego ao dinheiro: colocar a nossa fé no dinheiro e não em Deus.

São Máximo, o Confessor, (580-662) recorda:

    “Existem três causas para o amor ao dinheiro:
    a) o gosto pelo prazer (φιληδονία),
    b) a vaidade (κενοδοξία)
    c) e a falta de fé (ἀπιστία).
    Mas a mais grave é a falta de fé” (Centúrias sobre Caridade, III, 17).

O apego a este mundo é um grande empecilho para nosso encontro com Deus: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (Lc 18, 24).

Podemos até ser salvos, embora sejamos apegados. Mas só entrará no céu aqueles que, pelo menos no purgatório, se livrarem de amor desordenado.

A virtude da liberalidade é a que combate este tipo de miséria. O virtuosos se “liberou” dos tormentos da avareza.

A insensatez da avareza se revela em todas as fases da vida de quem é apegado aos bens materiais: sofrimento para adquirir, medo ao conserva e dor ao perder. Mas, como recorda Jesus na parábola do evangelho, esta loucura culmina no momento da morte quando, ao temor de uma possível condenação eterna, se acrescenta a dor de ver os seus bens queridos mudarem de dono.

Procuramos então a cura desta terrível doença numa séria meditação sobre a morte e sobre a transitoriedade desta vida e com o sério exercício da doação em favor dos mais necessitados.

Padre Paulo Ricardo