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Viviai e Orai (11-08-2013)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro da Sabedoria (Sb), capítulo 18
(6) Esta mesma noite tinha sido conhecida de antemão por nossos pais, para que, conhecendo bem em que juramentos confiavam, ficassem cheios de coragem. (7) Assim vosso povo esperava tanto a salvação dos justos como a perdição dos ímpios, (8) e pelo mesmo fato de terdes destruído nossos inimigos, vós nos convidastes a ser vossos e nos honrastes. (9) Por isso, os santos filhos dos justos ofereciam secretamente um sacrifício, de comum acordo estabeleciam o pacto divino: que os santos participariam dos mesmos bens e correriam os mesmos perigos, e entoavam já os hinos de seus pais,

Segunda Leitura:
HEBREUS: Epístola aos Hebreus (Hb), capítulo 11
(1) A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. (2) Foi ela que fez a glória dos nossos, antepassados. (3) Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível. (4) Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício bem superior ao de Caim, e mereceu ser chamado justo, porque Deus aceitou as suas ofertas. Graças a ela é que, apesar de sua morte, ele ainda fala. (5) Pela fé Henoc foi arrebatado, sem ter conhecido a morte: e não foi achado, porquanto Deus o arrebatou, mas a Escritura diz que, antes de ser arrebatado, ele tinha agradado a Deus (Gn 5,24). (6) Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram. (7) Pela fé na palavra de Deus, Noé foi avisado a respeito de acontecimentos imprevisíveis, cheio de santo temor, construiu a arca para salvar a sua família. Pela fé ele condenou o mundo e se tornou o herdeiro da justificação mediante a fé. (8) Foi pela fé que Abraão, obedecendo ao apelo divino, partiu para uma terra que devia receber em herança. E partiu não sabendo para onde ia. (9) Foi pela fé que ele habitou na terra prometida, como em terra estrangeira, habitando aí em tendas com Isaac e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa. (10) Porque tinha a esperança fixa na cidade assentada sobre os fundamentos (eternos), cujo arquiteto e construtor é Deus. (11) Foi pela fé que a própria Sara cobrou o vigor de conceber, apesar de sua idade avançada, porque acreditou na fidelidade daquele que lhe havia prometido. (12) Assim, de um só homem quase morto nasceu uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia da praia do mar. (13) Foi na fé que todos (nossos pais) morreram. Embora sem atingir o que lhes tinha sido prometido, viram-no e o saudaram de longe, confessando que eram só estrangeiros e peregrinos sobre a terra (Gn 23,4). (14) Dizendo isto, declaravam que buscavam uma pátria. (15) E se se referissem àquela donde saíram, ocasião teriam de tornar a ela... (16) Mas não. Eles aspiravam a uma pátria melhor, isto é, à celestial. Por isso, Deus não se dedigna de ser chamado o seu Deus, de fato, ele lhes preparou uma cidade. (17) Foi pela sua fé que Abraão, submetido à prova, ofereceu Isaac, seu único filho, (18) depois de ter recebido a promessa e ouvido as palavras: Uma posteridade com o teu nome te será dada em Isaac (Gn 21,12). (19) Estava ciente de que Deus é poderoso até para ressuscitar alguém dentre os mortos. Assim, ele conseguiu que seu filho lhe fosse devolvido. E isso é um ensinamento para nós!
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 12
(32) Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.
(33) Vendei o que possuís e dai esmolas, fazei para vós bolsas que não se gastam, um tesouro inesgotável nos céus, aonde não chega o ladrão e a traça não o destrói.
(34) Pois onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.
(35) Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.
(36) Sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, ao voltar de uma festa, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram.
(37) Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier! Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á.
(38) Se vier na segunda ou se vier na terceira vigília e os achar vigilantes, felizes daqueles servos!
(39) Sabei, porém, isto: se o senhor soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria forçar a sua casa.
(40) Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.
(41) Disse-lhe Pedro: Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos?
(42) O Senhor replicou: Qual é o administrador sábio e fiel que o senhor estabelecerá sobre os seus operários para lhes dar a seu tempo a sua medida de trigo?
(43) Feliz daquele servo que o senhor achar procedendo assim, quando vier!
(44) Em verdade vos digo: confiar-lhe-á todos os seus bens.
(45) Mas, se o tal administrador imaginar consigo: Meu senhor tardará a vir, e começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se,
(46) o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar e na hora em que ele não pensar, e o despedirá e o mandará ao destino dos infiéis.
(47) O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes.
(48) Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes. Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, dele mais se há de exigir.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Mas, como é possível resistir? É tão grande o combate; é tão dramática a batalha!

Quando o Evangelho não nos é exigente? Quando a Palavra de Deus não nos questiona? A Escritura diz que “a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ele julga as disposições e intenções do coração” (Hb 4,12). A cada Domingo, fazemos experiência dessa exigência viva e eficaz da Palavra do Senhor em nossa vida. É o caso também deste hoje.

Comecemos com a advertência consoladora e carinhosa do Senhor Jesus: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino”. Tão atual e necessária esta palavra! A fé cristã e a Igreja são tão combatidas atualmente, tão incompreendidas! Cada vez mais nossa sociedade se paganiza, cada vez mais rejeita o cristianismo, cada vez mais fortemente apostata da fé na qual foi plasmada e cada vez menos compreende o Evangelho e suas exigências. Com quanta força se contesta a moral cristã; com quanta ênfase se ressalta e propaga a fraqueza desse ou daquele membro da Igreja, sobretudo do clero… O interesse é um só: desmoralizar a Igreja como porta-voz do Evangelho. Desmoraliza-se a Igreja para calar-se e desmoralizar-se a moral cristã e suas exigências. Olhem o Crucificado, pensem nas suas exigências e recordem o que o mundo pensa e diz: “Não queremos que ele reine sobre nós!” Pois a nós, pequeno rebanho – rebanho cada vez menor -, o Senhor exorta: “Não tenhais medo, pequenino rebanho!” Não temais o mundo pagão, não temais os escândalos, não temais vossas próprias infidelidades e fraquezas, não temais os sábios da sabedoria deste mundo, que não podem compreender as coisas de Deus (cf. 1Cor 1,21) e crucificaram e crucificam ainda o Senhor da Glória (cf. 1Cor 2,8). Não temais ante as dificuldades da vida!

Mas, como é possível resistir? É tão grande o combate; é tão dramática a batalha! As leituras da Missa de hoje dão-nos uma resposta emocionante. O Livro da Sabedoria nos recorda a noite da saída do Egito. Israel era um povinho, um bando de escravos, menos que nada, menos que ninguém… Como suportou o sofrimento? Como se conservou fiel a Deus? Como resistiu? Como não se dispersou? Resistiu porque colocou somente em Deu sua esperança: “A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos”. O povo de Deus, escravo no Egito, não duvidou da promessa que Deus fizera a Abraão; o povo esperou contra toda esperança e esperou no julgamento de Deus:“Os piedosos filhos dos bons fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos”. Um povo unido pela esperança e pela fé na Palavra de Deus.

A segunda leitura, da Carta aos Hebreus, também nos responde: a fé, mãe da esperança, foi a forçados amigos de Deus. “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem”. Na fé, já possuímos; na fé, já tocamos com as mãos aquilo que o Senhor nos prometeu e nos preparou. Foi pela fé que nossos antepassados partiram, deixaram tudo; pela fé tiveram a coragem de viver errantes, morando em tendas, daqui para ali… Pela fé, viveram como estrangeiros nesse mundo, colocando toda esperança em Deus, que nos prepara uma Pátria melhor no céu; pela fé, Abraão, nosso pai, foi capaz de sacrificar seu filho único… Pela fé deles “Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus”.

Vejam, irmãos: o caminho que o Senhor nos propõe nunca foi fácil… Somente aqueles que tiveram a coragem de se deixar, de se abandonar, de se entregar, perseveraram até o fim. É o que o Senhor nosso, Jesus Cristo, nos propõe hoje: “Vendei vossos bens e dai esmola… Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu… Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas, como homens esperando seu senhor voltar. Ficai preparados!” Todas essas palavras nos convidam ao desapego, à vigilância, à atitude de disponibilidade, de entrega e esperança diante de Deus. E como tudo isso é difícil, num mundo que propõe como ideal de vida o conforto, a fartura de bens, o individualismo, a confiança somente no que se vê, a dispersão interior e exterior! Digam: como as crianças podem ter amor a Deus passando horas e horas diante dos filmes e desenhos animados pagãos? Como os adultos podem prender o coração às coisas de Deus, empanturrando-se de dispersão, de novelas e de futilidades mundanas? Como rezar bem se nos apegamos ao conforto desmesurado? Como manteremos nosso fervor dispersos em mil bobagens? Como seremos realmente fortes na fé sem combater nossos vícios? Como estaremos prontos para levar cruz na doença, nas dificuldades da vida conjugal, no desafio da educação dos filhos, na luta do combate aos vícios, na busca sincera de sermos retos, decentes e honestos por amor de Cristo? Como viver tudo isso sem a vigilância? Como permanecer firmes na fé católica sem a oração e a procura das coisas de Deus? O Senhor virá na noite desse mundo: “E caso chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão” se nos encontrar vigilantes! Vigiemos, portanto!

Caríssimos, esta advertência é para todos, e de modo especial, para nós, pastores do rebanho, a quem o Senhor constituiu “administrador fiel e prudente”. Que não caiamos na ilusão de pensar: “Meu patrão está demorando” e nos entreguemos à infidelidade! Não temamos; vigiemos, sejamos fiéis até o fim! Não reneguemos o Evangelho! – Eis o apelo do Senhor hoje!

Esta palavra vale também para os pais, servos que o Senhor colocou à frente de sua família. Que sejam conscientes da missão que receberam e transmitam aos seus filhos o testemunho de uma fé robusta e dos verdadeiros valores humanos e cristãos. E possam receber a recompensa dos servos bons e fiéis, aqui e por toda a eternidade. Amém

Dom Henrique Soares da Costa


Vigiai e orai

Nosso Senhor nos presenteia neste domingo com três parábolas sobre a vigilância.

A primeira (12, 36-38) tem um desfecho feliz. Os servos vigilantes, que simbolizam os discípulos, encontrarão a felicidade eterna quando o Senhor nos introduzir no banquete celeste servindo-nos à mesa, como fizera na última ceia (cf. Jo 13, 4s).

A segunda, brevíssima (12, 39), recorda o ladrão inesperado, o demônio, que pode invadir a casa a qualquer momento.

E a terceira, mais elaborada (12, 42-48), fala dos administradores, dos eclesiásticos, que podem se deixar seduzir e se transformar em malfeitores.

Podemos notar, assim, dois aspectos complementares da vigilância, que nosso Senhor manifesta naquela feliz exortação: "Vigiai e orai" (Mt 26, 41).

a) Negativo: o ataque do ladrão, o demônio. A vigilância propriamente dita.

O demônio não renuncia à posse de nossa alma. Se às vezes parece que nos deixa em paz e não nos tenta, é somente para voltar ao assalto no momento em que menos se espera. Nas épocas de calma e de sossego temos que estar convencidos de que ele voltará ao ataque até mesmo com mais intensidade do que antes. É preciso estarmos alerta para não sermos pegos de surpresa. (Antonio Royo Marín, Teología de la Perfección Cristiana, BAC, n. 169).

b) Positivo: a esperança do Senhor. A oração confiante de quem suplica como um mendigo da graça a visita do Senhor.

Não bastam nossa vigilância e nossos esforços. A permanência no estado de graça [...] requer uma graça eficaz de Deus, que só pode ser alcançada por meio da oração. A mais primorosa vigilância e o esforço mais obstinado se demonstrariam absolutamente ineficazes sem a ajuda da graça de Deus. Com a graça, ao contrário, o triunfo é infalível.

Esta graça eficaz vai além do mérito da justiça e no, sentido estrito, não é devida a ninguém, nem mesmo aos maiores santos. Porém Deus se comprometeu com sua palavra e irá concedê-la de forma infalível se nós a pedirmos com a oração que esteja acompanhada com as devidas condições. Isto coloca em evidência a importância da oração de súplica.

Com razão dizia Santo Afonso de Ligório, ao falar da necessidade absoluta da graça eficaz, a qual só pode ser alcançada pela oração: "Quem ora se salva. E quem não ora se condena". E para decidir diante da dúvida de uma alma se havia ou não caído na tentação, ele costumava perguntar a ela com simplicidade: "Você rezou pedindo a Deus a graça de não cair?" Isto é de grande profundidade teológica. Foi por isto que Cristo nos ensinou no Pai nosso a pedir a Deus que "não nos deixeis cair em tentação".

E é muito bom e razoável que nesta oração preventiva também invoquemos Maria, nossa Mãe bondosa, que pisoteou com seus pés virginais a cabeça da serpente infernal, e a nosso anjo da guarda, que tem como uma de suas funções principais exatamente nos defender contra os assaltos do inimigo infernal. (Ibidem).

Padre Paulo Ricardo