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Eu Sou a Ressurreição! (10-11-2013)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Segundo Livro dos Macabeus (2Mc), capítulo 7
(1) Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco. (2) Um dentre eles tomou a palavra e falou assim em nome de todos. Que nos pretendes perguntar e saber de nós? Estamos prontos a morrer antes de violar as leis de nossos pais. (3) O rei, fora de si, ordenou que aquecessem até a brasa sertãs e caldeirões. (4) Logo que ficaram em brasa ordenou que cortassem a língua do que falara (por) primeiro e, depois que lhe arrancassem a pele da cabeça, que lhe cortassem também as extremidades, tudo isso à vista de seus irmãos e de sua mãe. (5) Em seguida, mandou conduzi-lo ao fogo inerte e mal respirando, para assá-lo na sertã. Enquanto o vapor da panela se espalhava em profusão, os outros com sua mãe, exortavam-se mutuamente a morrer com coragem. (6) O Senhor nos vê, diziam, e certamente terá compaixão de nós, como o diz claramente Moisés no seu cântico de admoestações: Ele terá compaixão de seus servos. (7) Morto desse modo o primeiro, conduziram o segundo ao suplício. Arrancaram-lhe a pele da cabeça com os cabelos e perguntaram-lhe depois: Comerás carne de porco, ou preferes que teu corpo seja torturado membro por membro? (8) Ele respondeu: Não, no idioma de seu país, e padeceu então os mesmos tormentos do primeiro. (9) Prestes a dar o último suspiro, disse ele: Maldito, tu nos arrebatas a vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitará para a vida eterna, se morrermos por fidelidade às suas leis. (10) Após este, torturaram o terceiro. Reclamada a língua, ele a apresentou logo, e estendeu as mãos corajosamente. (11) Pronunciou em seguida estas nobres palavras: Do céu recebi estes membros, mas eu os desprezo por amor às suas leis, e dele espero recebê-los um dia de novo. (12) O próprio rei e os que o rodeavam ficaram admirados com o heroísmo desse jovem, que reputava por nada os sofrimentos. (13) Morto este, aplicaram os mesmos suplícios ao quarto, (14) e este disse, quando estava a ponto de expirar: É uma sorte desejável perecer pela mão humana com a esperança de que Deus nos ressuscite, mas, para ti, certamente não haverá ressurreição para a vida.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Tessalonicenses (2Ts), capítulo 2
(16) Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu consolação eterna e boa esperança pela sua graça, consolem os vossos corações e os confirmem para toda boa obra e palavra!
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Tessalonicenses (2Ts), capítulo 3
(1) Por fim, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja estimada, tal como acontece entre vós, (2) e para que sejamos livres dos homens perversos e maus, porque nem todos possuem a fé. (3) Mas o Senhor é fiel, e ele há de vos dar forças e vos preservar do mal. (4) Quanto a vós, temos plena certeza no Senhor de que estareis cumprindo e continuareis a cumprir o que vos prescrevemos. (5) Que o Senhor dirija os vossos corações para o amor de Deus e a paciência de Cristo.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 20
(27) Alguns saduceus - que negam a ressurreição - aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe:
(28) Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filhos, case-se com ela o irmão dele, e dê descendência a seu irmão.
(29) Ora, havia sete irmãos, o primeiro dos quais tomou uma mulher, mas morreu sem filhos.
(30) Casou-se com ela o segundo, mas também ele morreu sem filhos.
(31) Casou-se depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete, que morreram sem deixar filhos.
(32) Por fim, morreu também a mulher.
(33) Na ressurreição, de qual deles será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.
(34) Jesus respondeu: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento,
(35) mas os que serão julgados dignos do século futuro e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido.
(36) Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados.
(37) Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó .
(38) Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, porque todos vivem para ele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Eu Sou a Ressurreição!

Estamos já próximos do final do Ano Litúrgico. De hoje a 15 dias, estaremos celebrando a Solenidade de Cristo-Rei, que marca o final do ano da Igreja. Pois bem, a Liturgia vai nos educando, irmãos amados, fazendo-nos pensar no fim de nossa vida – fim que nos obriga a nos perguntar pelo sentido da nossa existência e pelo que estamos fazendo dela. Neste sentido, tivemos a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis Defuntos… E hoje a Liturgia fala-nos da ressurreição.

O Evangelho nos apresenta uma disputa entre Jesus e os saduceus, que não acreditavam na ressurreição. O Senhor confirma: há, sim ressurreição! Os mortos ressurgirão, mas de um modo que nós não podemos descrever nem imaginar: “Os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e da vida futura, nem eles se casam nem elas dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram”. Em outras palavras: estaremos em tal comunhão com o Deus da vida, em tal proximidade dele – como os anjos – que, a morte nunca mais nos poderá atingir: nem a morte física, nem a morte da dor, nem a morte da tristeza, do medo, da saudade, nem a morte do pecado! Como diz o Salmista: “Eu verei, justificado, a vossa face e ao despertar me saciará vossa presença!”

Caríssimos, quando a Escritura fala em ressurreição, não está pensando simplesmente em voltarmos a esta nossa vida, deste nosso modo atual, somente que habitando no céu… De modo algum! Nós seremos glorificados em corpo e alma! Ressuscitar é receber em todo o nosso ser a vida de Deus, que Cristo, o primogênito dentre os mortos, nos conquistou e já derramou em nós no batismo. Semente dessa vida é o Espírito Santo vivificador – o mesmo em quem o Pai ressuscitou o Filho Jesus! É Jesus quem nos ressuscita, ele que disse a Marta: “Eu sou a Ressurreição!” (Jo 11,25) É somente nele e por causa dele que esperamos vencer a morte! Na primeira leitura deste Domingo escutamos, impressionados, o testemunho dos sete irmãos, filho de uma corajosa mãe viúva, que incentiva seus filhos a entregarem a vida por amor da Lei de Deus. Donde lhes vinha tanta coragem? Donde, tanta disponibilidade para serem fiéis até o fim? Da certeza de que ressuscitariam: “Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará!” – disse um deles. E o outro, pensando na ressurreição da carne, afirmou sem medo: “Do céu recebi estes membros; por causa de suas leis os desprezo, pois do Céu espero recebê-los de novo!” Vede, meus caros, o quanto a certeza da vida eterna muda nosso modo de enfrentar os revezes da vida. A este propósito, poderíamos perguntar: Tanta frouxidão na nossa fé, tanto relaxamento nos nossos costumes, tão pouca seriedade na prática da religião, tanta condescendência com os vícios, a comodidade e a tibieza, não seriam causados por uma fraca e sem convicção fé na ressurreição, na vida eterna?

E, no entanto, a nossa esperança é firme: fomos criador para Deus, para Deus estamos a caminho… Um dia morreremos, terminará nosso caminho neste mundo tão incerto. E, imediatamente após a morte, em nossas almas, estaremos diante do Cristo, nossa Salvador e Juiz. Se tivermos sido abertos ao seu Espírito Santo, se lhe tivermos sido realmente fiéis, ele, nosso Senhor, no seu abraço eterno, glorificará do seu Espírito Santo a nossa alma e, então, estaremos para sempre com o Senhor, onde ninguém mais vai sofrer, ninguém mais chorar, ninguém vai ter saudade, ninguém mais vai ficar triste. No final dos tempos, quando Cristo nossa vida, glorificar todo o universo, também nossos pobres corpos ressuscitarão, pela força e ação do mesmo Espírito Santo vivificador, que o Senhor tem em plenitude. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos para sempre com o Senhor! Eis por que somos cristãos, eis por que temos esperança! Eis por que queremos viver com retidão, sobriedade, abertura de coração para os irmãos e santo temor em relação a Deus. É o que exprime São Paulo na segunda leitura: “Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou em sua graça e nos proporcionou uma consolação eterna e feliz esperança, animem os vossos corações e vos confirmem em toda boa ação e palavra. O Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo!”

Caríssimos, em Cristo, se fomos criados para Deus, para a comunhão com ele no céu, tenhamos, no entanto, o cuidado de não o perdermos para sempre no inferno. O inferno existe, é real e pode ser nossa miserável herança! Pode dar-se que, logo após a minha morte, não exista nenhum comunhão com o Cristo que é Vida, mas somente o “Apartai-vos de mim, malditos! Não vos conheço!” E nossa alma caia na eterna tristeza, na depressão sem fim, que devora, como verme e queima como fogo! Não aconteça que, no fim dos tempos, também nosso corpo tenha de padecer também este triste destino!

Eis, amados em Cristo, que o Senhor nos adverte! Procuremos, pois, viver de tal modo, que possamos ser considerados dignos de viver para sempre com ele. Para isso, pautemos nossa vida pelo amor e obediência ao Senhor. Assim poderemos dizer como o Salmista, tendo os olhos fixos em Cristo nosso Deus e nossa vida: “Os meus passos eu firmei na vossa estrada,/ e por isso os meus pés não vacilaram./ Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis,/ inclinai o vosso ouvido e escutai-me!/ Protegei-me qual dos olhos a pupila/ e guardei-me, à proteção de vossas asas./ Mas eu verei justificado a vossa face/ e ao despertar me saciará vossa presença!” Que o Senhor que tudo pode confirme a nossa esperança. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa


32º Domingo do Tempo Comum - O casamento entre Deus e a humanidade

O Sacramento do matrimônio é um símbolo da união de Cristo com a humanidade. Pede São Paulo aos maridos que amem suas esposas do mesmo modo que Cristo amou a sua Igreja, quer dizer, morrendo por ela. No matrimônio, homem e mulher formam uma só carne, prefigurando, assim, o encontro definitivo – e escatológico – do Noivo com a Noiva, quando todos estarão unidos perfeitamente a Deus Nosso Senhor.

O Evangelho deste domingo medita exatamente sobre isso. Confrontado pelos saduceus, os quais não criam na ressurreição, o Senhor os desconcerta, dizendo: “Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele”.

Padre Paulo Ricardo