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A Perseguição dos Justos e o Juízo de Deus (17-11-2013)

Primeira Leitura:
PROFETAS MENORES: Livro de Malaquias (Ml), capítulo 3
(19) Porque eis que vem o dia, ardente como uma fornalha. E todos os soberbos, todos os que cometem o mal serão como a palha, este dia que vai vir os queimará - diz o Senhor dos exércitos - e nada ficará: nem raiz, nem ramos. (20) Mas, sobre vós que temeis o meu nome, levantar-se-á o sol de justiça que traz a salvação em seus raios. Saireis e saltareis, livres como os bezerros ao saírem do estábulo.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Tessalonicenses (2Ts), capítulo 3
(7) Sabeis perfeitamente o que deveis fazer para nos imitar. Não temos vivido entre vós desregradamente, (8) nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. (9) Não porque não tivéssemos direito para isso, mas foi para vos oferecer em nós mesmos um exemplo a imitar. (10) Aliás, quando estávamos convosco, nós vos dizíamos formalmente: Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer. (11) Entretanto, soubemos que entre vós há alguns desordeiros, vadios, que só se preocupam em intrometer-se em assuntos alheios. (12) A esses indivíduos ordenamos e exortamos a que se dediquem tranqüilamente ao trabalho para merecerem ganhar o que comer.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 21
(5) Como lhe chamassem a atenção para a construção do templo feito de belas pedras e recamado de ricos donativos, Jesus disse:
(6) Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído.
(7) Então o interrogaram: Mestre, quando acontecerá isso? E que sinal haverá para saber-se que isso se vai cumprir?
(8) Jesus respondeu: Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu, e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles.
(9) Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis, porque é necessário que isso aconteça primeiro, mas não virá logo o fim.
(10) Disse-lhes também: Levantar-se-ão nação contra nação e reino contra reino.
(11) Haverá grandes terremotos por várias partes, fomes e pestes, e aparecerão fenômenos espantosos no céu.
(12) Mas, antes de tudo isso, vos lançarão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, levando-vos à presença dos reis e dos governadores, por causa de mim.
(13) Isto vos acontecerá para que vos sirva de testemunho.
(14) Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa,
(15) porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários.
(16) Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós.
(17) Sereis odiados por todos por causa do meu nome.
(18) Entretanto, não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.
(19) É pela vossa constância que alcançareis a vossa salvação.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

O Juízo de Deus

Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico. Domingo próximo celebraremos Cristo-Rei e, daqui a precisos quinze dias estaremos entrando no santo tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Pois bem, o final de um período sempre nos faz recordar que o tempo corre e a vida passa veloz. Isto deve fazer-nos pensar no fim de todas as coisas e da nossa vida. “Fim” não somente como final, mas “fim” também como finalidade… É diante desta realidade que a Palavra de Deus nos quer colocar nestes últimos dias do ano litúrgico de 2004.

No Evangelho, Jesus nos recorda que nossa existência é breve, tão fugaz. Àqueles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa. Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profissão, as pessoas às quais amamos, os projetos que temos, a nossa própria vida: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído!” Aqui, o Senhor não deseja ser um desmancha-prazer, não nos quer arrancar o gosto de viver; deseja tão somente recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectivada eternidade, daquilo que é definitivo. Haverá um momento final, haverá um juízo do Senhor sobre a história humana e sobre a história de cada um de nós, quando, então, ficará claro o que serviu e o que não serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que não passou de ilusão e falsidade. Nunca esqueçamos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho existencial. Haverá, sim, um juízo de Deus: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los… Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”. Este juízo, portanto, será discriminatório: pode significar vida ou morte, salvação ou condenação!

Ante esta realidade, os discípulos perguntam a Jesus: “Mestre, quando acontecerá isso? Qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” A curiosidade de ontem é a mesma de hoje… A resposta de Jesus contém dois significados. Primeiro: observemos que o Senhor dá sinais que se referem à natureza (“Haverá grandes terremotos… acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos nos céus.”), sinais que se referem à história humana (“Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país”) e sinais referentes à própria vida dos discípulos – vale dizer, à nossa vida (“Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ ou ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente”). Isto quer dizer que a manifestação final do Senhor vai marcar tudo: a história, a criação e a vida de cada um de nós; nada ficará fora do juízo de Deus que haverá de se manifestar em Cristo! Tudo será confrontado com o amor manifestado na cruz do Senhor. A história humana será passada a limpo e o que foi pecado, desamor, maldade será destruído; a criação será transfigurada: passará a figura deste mundo como é agora e, no Espírito do Cristo, haverá um novo céu e uma nova terra; os discípulos serão examinados pelo Senhor de acordo com sua perseverança na fé verdadeira, sem se deixarem levar pelas novidades religiosas, pura falsificação, como as que estamos vendo hoje em dia…

Há ainda um segundo significado: observemos que os sinais que Jesus dá, acontecem em todas as épocas: sempre houve e haverá convulsões na natureza, guerras e revoluções na história humana, hereges e falsos profetas, falsos pregadores e falsos pastores no caminho da Igreja. Tem sido assim desde o início… Então, por que o Senhor apontou esses sinais? Para deixar claro que cada geração deve estar vigilante, cada geração deve recordar sempre que haverá de estar, um dia, diante do Senhor e, portanto, deve levar a sério sua fé e sua adesão a Jesus. Sobretudo num mundo como o atual, que nos quer fazer perder de vista o essencial e nos quer fazer esquecer que caminhamos para o encontro com Cristo como um rio corre para o mar. Vale-nos, então, o conselho de São Paulo, a que vivamos decentemente, trabalhando pelo pão cotidiano, sem viver à toa, mas construindo a vida com a dignidade de cristãos. O Senhor nos previne que não é fácil: o mundo não nos amará, porque seus pensamentos não são os do Cristo – e isto mais que nunca é claro hoje, numa sociedade consumista, paganizada, amante do conforto e da imoralidade, onde cada um vive do seu modo, como se Deus não existisse… Ouçamos a advertência tão sincera e franca de Cristo: “Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão (= vos amarão menos, não vos terão entre seus amigos) por causa do meu nome… É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

Eis aqui! Vivamos fielmente a nossa vocação cristã, não tenhamos medo de ser fiéis e de dar o bom testemunho de Cristo, para que possamos ser aprovados ante o tribunal de Cristo. Nossa vida neste mundo é semente de eternidade; nossas escolhas e atitudes terão conseqüências eternas. Que o Senhor nos conceda a graça da perseverança que nos fará ganhar a vida. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa


33º Domingo do Tempo Comum - A perseguição dos justos

Estamos na reta final do Ano Litúrgico e as leituras deste domingo nos fazem voltar nossos olhos para a “perseguição dos justos”. O evangelista põe na boca de Jesus profecias sobre o fim dos tempos; diz que “não ficará pedra sobre pedra”, que “um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país”. E dito isso, prossegue: “Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão”.

A perseguição da Igreja é a marca registrada de sua fidelidade ao ensinamento de Cristo. Deus bem poderia fazer cessar os ataques a ela. Mas não o faz. Com essa atitude, o Senhor indica o caminho da cruz para seus filhos. É através do sofrimento, no qual também se encontra o mistério do amor, que se manifesta a virtude do justo. Por isso, o caminho para o reino dos céus é o caminho do calvário. Não há outro!

Com efeito, no vendaval da perseguição - diz São Josemaria Escrivá -, apenas caem os ramos secos… E esses, bom é que caiam”. Podemos amar de volta. O discípulo sabe em quem pôs a sua confiança: em Cristo Jesus.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”. (Cf. Mt 5, 10)

Padre Paulo Ricardo