Católicos Online

     ||  Início  ->  Vigiai!

Vigiai! (01-12-2013)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 2
(1) Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém. (2) No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, (3) e os povos virão em multidão: Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó: ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas. Porque de Sião deve sair a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. (4) Ele será o juiz das nações, o governador de muitos povos. De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se arrastarão mais para a guerra. (5) Casa de Jacó, vinde, caminhemos à luz do Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 13
(11) Isso é tanto mais importante porque sabeis em que tempo vivemos. Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé. (12) A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. (13) Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira, nada de desonestidades nem dissoluções, nada de contendas, nada de ciúmes. (14) Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 24
(37) Assim como foi nos tempos de Noé, assim acontecerá na vinda do Filho do Homem.
(38) Nos dias que precederam o dilúvio, comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.
(39) E os homens de nada sabiam, até o momento em que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também na volta do Filho do Homem.
(40) Dois homens estarão no campo: um será tomado, o outro será deixado.
(41) Duas mulheres estarão moendo no mesmo moinho: uma será tomada a outra será deixada.
(42) Vigiai, pois, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor.
(43) Sabei que se o pai de família soubesse em que hora da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria arrombar a sua casa.
(44) Por isso, estai também vós preparados porque o Filho do Homem virá numa hora em que menos pensardes.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Jesus, lembra-Te de mim!

Com esta santa Eucaristia, estamos iniciando o novo ano litúrgico de 2010. É este o primeiro Domingo do Advento, o tempo de quatro semanas que nos prepara para o Natal do Senhor. Tudo, na Liturgia nos ajudará nessa santa preparação, na santa espera, cheia de esperança: o roxo significa a vigilância de quem aguarda, a moderação das flores ajuda-nos a concentrar nossa atenção naquele que vem, o “Glória” não cantado prepara-nos para cantá-lo como novidade na Noite Santa do Natal. Os sentimentos do nosso coração devem ser a vigilância, a piedade humilde de Maria Virgem, de José, dos pastores, de Simeão, Zacarias e Isabel, o espírito de conversão anunciado por João Batista, o sonho de um mundo “cheio da sabedoria do Senhor como as águas enchem o mar” (Is 11,9), como Isaías profetizou… Aproveitemos essas quatro semanas tão doces, que recordam a espera de Israel e da humanidade pelo Messias!

Nos textos bíblicos que a Igreja hoje nos propõe, o Senhor sonda as angústias e saudades do coração humano e nos fala precisamente da esperança: ele é o Deus que vem ao encontro dos nossos anseios mais profundos… Mas também nos exorta a vigiar, a nos preparar para acolher o Dom esperado. Aliás, é esta a miséria do mundo atual: busca a paz, procura a vida, mas não busca naquele que é a saciedade do nosso coração e a salvação da nossa existência. O homem tem sede e Deus, misericordiosamente envia-lhe a água, que é o Messias… e o nosso mundo não o reconhece; antes, renega-o! Vejamos se não é assim; recordemos a palavra do Profeta: “Acontecerá nos últimos tempos que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão povos numerosos.. porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor”. Vejamos bem: de Israel, Deus prepara uma salvação, uma luz, uma direção para toda a humanidade. O homem sozinho não encontra o caminho, por mais que teime em se julgar grande e auto-suficiente. À nossa pobreza, o Senhor vem com uma promessa tão grande. E, se o coração da humanidade acolher a salvação que vem, a luz que brilha, então, encontrará a paz: “Ele há de julgar as nações e argüir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegaram em armas uns contra os outros em não mais travarão combate”.Eis a promessa de Deus: dá-nos a salvação; eis o sonho do Senhor: encontrar uma humanidade que acolha o Salvador, dele bebendo a paz!

No nosso mundo, ferido, cansado, incerto… mundo que já não mais crê de verdade em nada, a promessa do Senhor é como um alento. Acreditemos, irmãos! Quão triste o mundo se os cristãos viverem sem esperança, sem certeza, sem ânimo, como os pagãos… Este Tempo do sagrado Advento quer levantar nosso ânimo: o Senhor, cujo Natal celebraremos dentro de quatro semanas, é o mesmo que virá um dia, na sua manifestação gloriosa! Nossa vida tem rumo e sentido. Vigiemos: “Vós sabeis em que tempo estamos! Já é hora de despertas. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noitedeste mundo já vai adiantada, o Dia vem chegando” – o Dia é Cristo, Salvação que Deus nos prometeu e nos preparou! Então:“Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia” – como quem vive já agora, durante a noite deste mundo, no Dia, que é Cristo-Deus: “nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário: revesti-vos do Senhor Jesus”. Eis o modo de vigiar na noite deste mundo, eis o modo de testemunhar que esperamos, na vigilância, o Salvador que nos foi prometido e virá. É oportuno recordar que este texto da Carta aos Romanos, foi o que provocou a conversão de Santo Agostinho, lá no distante século V. A Palavra de Deus é sempre um apelo gritante e forte para nós! Que ela nos converta também agora!

A grande tentação para os discípulos de Cristo, hoje, é conformar-se com o marasmo do pecado do mundo, é viver burguesamente, uma vida cômoda e sem uma fé verdadeira e operante, sem aquela atitude de alegre expectativa por aquilo que o Senhor nos prometeu. Vamos nos ocupando e distraindo com uma vida fútil, dispersa em mil bobagens, esquecendo daquilo que realmente importa! Vale para nós a advertência seríssima do Senhor Jesus: “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé”: Naquele então, todos vivam tranquilamente: “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até que Noé entrou na arca e eles nada perceberam…” Como agora: vive-se na farra do paganismo, do consumismo, do relaxamento moral, de tantos absurdos contrários ao Evangelho… e não percebemos que haverá um juízo decisivo de Deus para nós e para o mundo, um juízo no qual o bem e o mal, o santo e o pecador, serão separados: “um será levado e o outro será deixado”… Triste de quem for deixado, triste de quem perder a companhia do Senhor, nossa paz! Pois bem: logo neste iniciozinho de Advento, a advertência do Senhor é dramática: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! Na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá!”

Então, enquanto o mundo dorme no seu pecado, na sua auto-satisfação, elevemos, humildemente nosso olhar e nosso coração para Aquele que vem: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meu inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera!” – Marana thá! Vem, Senhor Jesus!

Dom Henrique Soares da Costa


1º Domingo do Advento - Vigiai!

A chegada do Advento introduz a Igreja em um novo ano litúrgico. Vivendo esse período com autêntico espírito evangélico, o cristão pode, certamente, experimentar os frutos desta escola de santidade, abrindo as portas de sua casa para "a luz dos povos" que é Cristo.

O Advento, assim como a Quaresma, também insiste na necessidade da penitência e da oração como vias de purificação da alma. Mas de uma maneira diferente. Enquanto que na Quaresma a Igreja tem como prática principal, por assim dizer, o jejum, no Advento, os fiéis são incentivados a fazer vigílias, preparando seus corações para a chegada da criança. Animada pelas palavras do Anjo aos três reis magos - "eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor" (Cf. Lc 2, 11) -, toda a Igreja põe-se de guarda à espera d’Aquele que "dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo".

As primeiras semanas do Advento, no entanto, não tratam diretamente da vinda do Cristo Menino, mas da parusia; quer dizer, da Segunda Vinda de Jesus. Com efeito, o Evangelho deste domingo fala em "vigília" e "atenção", "porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá" (Cf. Mt 24, 44). Com estas palavras, a liturgia quer suscitar entre os cristãos a consciência de que o retorno do "Filho do Homem" a este tempo e a esta história deve ser não somente esperado, como também preparado, pois como "nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam (...), até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem" (Cf. Mt 24, 38).

Todavia, viver essa fé, para os dias de hoje, pode soar um tanto quanto surreal, e mesmo dentro da Igreja. Criou-se a impressão de que a espiritualidade cristã - assim como qualquer outra religião - tratar-se-ia apenas de uma fantasia, um "faz de conta" que para ser alimentado, necessita dos ensinamentos da Igreja e de suas práticas devocionais. Realista seria, por outro lado, o estilo de vida mundano que, com suas filosofias e propagandas, rende-se às seduções da carne, do mundo e do diabo.

Um olhar atento sobre a realidade dos que não creem, no entanto, permite enxergar o quão equivocada está essa ideia e, ao mesmo tempo, identificar que o verdadeiro realista é precisamente aquele que crê.

Naturalmente, todo ser humano busca a felicidade. Por conseguinte, o marido que trai sua mulher repetidas vezes também deseja ser feliz; o jovem que se entrega ao vício da pornografia; a mulher vestida à guisa de uma prostituta para provocar os rapazes; o garoto viciado em crack e tutti quanti. Ora, não é preciso muito esforço para perceber o vazio no qual se encontra a vida dessas pessoas. Elas buscam a felicidade, mas terminam tristes, pois se tornaram escravas do pecado.

As palavras de Cristo no Evangelho deste domingo vêm a calhar justamente por isso. O homem é chamado a vigiar para não cair no engodo diabólico de que a felicidade se encontra fora do redil do Senhor. Uma vez que foste criado para Deus, diz Santo Agostinho, o coração do homem "está inquieto enquanto não encontrar em Ti descanso". Mas para manter essa fé, o homem deve, necessariamente, lutar, combater o bom combate. E esse combate se dá por meio das normas de piedade: a frequência aos sacramentos, a recitação do rosário e demais jaculatórias, a doação de esmolas e outros atos de caridade e etc. Mas por que essas coisas são necessárias?

Antecipando o ensinamento da Igreja acerca do pecado original, Platão já havia identificado, em sua época, que o ser humano padece de uma enfermidade. O filósofo descreve essa condição do homem por meio de uma analogia: uma carruajem sendo guiada por dois cavalos. A carruajem seria a razão, e os dois cavalos, as potências da carne: as faculdades irascível e concupiscente. Se orientadas pela razão, as duas faculdades podem conduzir o passageiro desta carruajem para o bem, mas se a razão se deixar dominar por ambas, o caminho será, certamente, desastroso.

Assim também observa São Paulo na sua carta aos Romanos: "despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz" (Cf. Rm 13, 12). O apóstolo está exortando a comunidade, a fim de conduzi-la à atitude do sentinela. Sabendo que "agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé", diz ao rebanho que "já é hora de despertar". É um convite a uma fé mais madura que, não por acaso, também se encontra na homilia do Cardeal Joseph Ratzinger feita na abertura do Conclave de 2005 e que, ainda hoje, vale como um alerta para o mundo e, sobretudo, para a Igreja: "Devemos amadurecer esta fé adulta, a esta fé devemos conduzir o rebanho de Cristo. E é esta fé – só a fé – que cria unidade e se realiza na caridade."

Não obstante, esta fé mais madura só é possível se auxiliada pela graça de Deus. Os cristãos devem fugir da tentação pelagiana de querer alcançar o céu pelos próprios esforços. Como tanto tem insistido o Papa Francisco, cada batizado deve se entregar nos braços de Deus, revestindo-se - como pede São Paulo na segunda leitura - "do Senhor Jesus Cristo". Este é o único e verdadeiro caminho para a glória e a felicidade eternas.

O cristão nasceu para o combate; e o primeiro combate a ser travado é aquele contra as próprias inclinações, orando e vigiando. Ficai vigilantes, porque o Senhor está próximo.

Padre Paulo Ricardo