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Ânimo! Não tenhais medo! (15-12-2013)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 35
(1) O deserto e a terra árida regozijar-se-ão. A estepe vai alegrar-se e florir. Como o lírio (2) ela florirá, exultará de júbilo e gritará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, o esplendor do Carmelo e de Saron, será vista a glória do Senhor e a magnificência do nosso Deus. (3) Fortificai as mãos desfalecidas, robustecei os joelhos vacilantes. (4) Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos. (5) Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos, (6) então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe. (7) A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros. (8) E haverá uma vereda pura, que se chamará o caminho santo, nenhum ser impuro passará por ele, e os insensatos não rondarão por ali. (9) Nele não se encontrará leão, nenhum animal feroz transitará por ele, mas por ali caminharão os remidos, (10) por ali voltarão aqueles que o Senhor tiver libertado. Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma alegria eterna coroará sua cabeça, a alegria e o gozo possuí-los-ão, a tristeza e os queixumes fugirão.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Epístola de São Tiago (Tg), capítulo 5
(7) Tende, pois, paciência, meus irmãos, até a vinda do Senhor. Vede o lavrador: ele aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva do outono e a da primavera. (8) Tende também vós paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. (9) Não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta. (10) Tomai, irmãos, por modelo de paciência e de coragem os profetas, que falaram em nome do Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 11
(2) Tendo João, em sua prisão, ouvido falar das obras de Cristo, mandou-lhe dizer pelos seus discípulos:
(3) Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?
(4) Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes:
(5) os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres...
(6) Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!
(7) Tendo eles partido, disse Jesus à multidão a respeito de João: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
(8) Que fostes ver, então? Um homem vestido com roupas luxuosas? Mas os que estão revestidos de tais roupas vivem nos palácios dos reis.
(9) Então por que fostes para lá? Para ver um profeta? Sim, digo-vos eu, mais que um profeta.
(10) É dele que está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti para te preparar o caminho (Ml 3,1).
(11) Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

O Senhor Está Perto!

Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4s).

Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!

Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão… Não é dessa que falamos aqui…

Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! – gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos… E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos… Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido… Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão? Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante… E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo… Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel – Deus conosco!

Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos… um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!” Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!

As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana… A conseqüência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”

O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”

Dom Henrique Soares da Costa


3º Domingo do Advento: Criai ânimo, não tenhais medo!

Neste terceiro domingo do Advento, o domingo gaudete, da alegria, o Evangelho narra uma decepção. São João Batista está preso na fortaleza de Maqueronte, por ordem do rei Herodes, e, ali, anseia o cumprimento da profecia de Isaías: "O Senhor manifestará a seus servos seu poder, e aos seus inimigos sua cólera" (66, 14). Em seu exílio, João espera Aquele que "tem a pá na mão e limpará a sua eira", que "recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível" (Lc 3, 17).

Percebendo, no entanto, que Jesus vem com mansidão e que sua pregação está centrada na misericórdia, São João manda seus discípulos lhe perguntarem: "És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?" (Mt 11, 3). João Batista não sabia a novidade que Jesus vinha trazer. Ele não estava errado em recordar a profecia de Isaías 66, como se esta fosse uma visão retrógrada de um "deus" violento e justiceiro. O que ele ignorava era que o Messias profetizado por ele e pelo Antigo Testamento não viria apenas uma vez, mas duas vezes: uma, na humildade e na misericórdia; e outra, na glória, como o "Rex tremendae majestatis - Rei de tremenda majestade" cantado no Dies Irae.

É este o testemunho de São Bernardo: "Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que viram-no e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá a salvação de Deus (Lc 3, 6) e olharão para aquele que transpassaram (Zc 12, 10)"01. E também o testemunho de São Cirilo de Jerusalém: "Na primeira vinda, ele foi envolto em faixas e reclinado num presépio; na segunda, será revestido num manto de luz. Na primeira, ele suportou a cruz, sem recusar a sua ignomínia; na segunda, virá cheio de glória, cercado de uma multidão de anjos"02.

Para provar a João Batista que é "aquele que há de vir", Jesus recorda-o de outro trecho da profecia de Isaías, contindo na primeira leitura desta liturgia dominical: "Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos; cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto" (35, 5-6a.10). O Messias virá com sinais de alegria, para trazer conforto ao povo exilado e maltratado de Israel.

A situação de João é difícil. Ele está preso em uma fortaleza, sob o jugo de um rei injusto, que o prendeu para satisfazer os caprichos de uma mulher de má vida. Talvez ele esperasse que a justiça viesse ainda para ele, que ele seria libertado daquele lugar, e, no entanto, o que vem é um Juiz manso e humilde. João Batista experimenta, então, aquilo que São João da Cruz - cuja memória a Igreja celebra hoje - chamou de "noite escura": aquela alma que vivia até então reconfortada pelas consolações de Deus, experimenta uma espécie de silêncio.

É diante desta realidade que o cristão precisa cultivar a virtude da esperança, sem a qual a vida se assemelha, no dizer de Santo Agostinho, à superfície de um lago refletindo o céu escuro e cinzento. "Criai ânimo, não tenhais medo!", diz o Messias. "Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar" (Is 35, 3).

"Ele que vem para nos salvar": Ele verdadeiramente vem salvar o seu povo. A grande novidade cristã é que Deus irá salvar-nos fazendo-se pequeno, na Cruz. Por isso, Ele diz: "Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele" (Mt 11, 11). São João Batista é grande, mas maior é aquele que se fez pequeno e humilde para salvar-nos, isto é, o próprio Jesus.

É importante aguardar a segunda vinda de Cristo, na qual Ele "enxugará toda lágrima" e na qual "já não haverá morte" (Ap 21, 4), com o espírito de que fala São Pedro: "Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar" (2 Pd 3, 15). A paciência de Deus é fonte de salvação para nós! Quando clamamos justiça, devemos recordar que a justiça virá, mas não somente para os maus, como para todos, inclusive para nós. Jesus revelou uma vez a Santa Faustina Kowalska que terá a eternidade inteira para fazer justiça. Agora, porém, é o tempo da misericórdia.

Por fim, o Advento lembra à Igreja militante duas coisas importantes: a primeira é a ter esperança; a segunda, que nós podemos fazer grandes coisas com nossa penitência. Se realmente fizermos jejuns, vigílias e orações, estaremos trabalhando juntos com o Cristo na redenção da humanidade, que parece caminhar loucamente para o abismo e para a ruína. Com o coração verdadeiramente contrito, é possível repetir, então, com São Paulo: "Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo" (Cl 1, 24).

No duelo entre o bem e o mal, o bem vencerá, o amor vencerá. A pergunta é de que lado estaremos quando Deus vencer.

Referências

  1. Sermo 5 in Adventu Domini, 1-3: Opera omnia, Edit. cisterc. 4 [1966], 188-190
  2. Cat. 15, 1-3: PG 33, 870-874

Padre Paulo Ricardo