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Onde está Deus? Epifania do Senhor (05-01-2014)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 60
(1) Levanta-te, sê radiosa, eis a tua luz! A glória do Senhor se levanta sobre ti. (2) Vê, a noite cobre a terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti levanta-se o Senhor, e sua glória te ilumina. (3) As nações se encaminharão à tua luz, e os reis, ao brilho de tua aurora. (4) Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti, teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. (5) Essa visão tornar-te-á radiante, teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações. (6) Serás invadida por uma multidão de camelos, pelos dromedários de Madiã e de Efá, virão todos de Sabá, trazendo ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 3
(2) Vós deveis ter aprendido o modo como Deus me concedeu esta graça que me foi feita a vosso respeito. (3) Foi por revelação que me foi manifestado o mistério que acabo de esboçar. (4) Lendo-me, podereis entender a compreensão que me foi concedida do mistério cristão, (5) que em outras gerações não foi manifestado aos homens da maneira como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas. (6) A saber: que os gentios são co-herdeiros conosco (que somos judeus), são membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Jesus Cristo pelo Evangelho.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 2
(1) Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
(2) Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
(3) A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
(4) Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
(5) Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:
(6) E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2).
(7) Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido.
(8) E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
(9) Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
(10) A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
(11) Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
(12) Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

 

173. Solenidade da Epifania do Senhor

Solenidade da Epifania, Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, Segundo Mateus (Mt 2,1-12)

Neste Domingo da Epifania, celebramos a manifestação de Cristo aos três reis magos. Guiado por "uma luz humilde, como faz parte do estilo do Deus verdadeiro" (01), o pequeno grupo bate à porta de Belém, avistando "o menino com Maria, sua mãe". Diz a leitura que "ajoelharam-se diante d’Ele, e O adoraram." A cena nos revela a face missionária de Deus. Mas, neste caso, trata-se de uma missão às avessas, uma vez que já não é o missionário quem leva Cristo ao homem, mas é o homem que, através da estrela, vai até Cristo para adorá-Lo na carne, em Sua humanidade.

Aqui, então, se apresenta aquela famosa citação d’As Confissões de Santo Agostinho: "Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso" (02). Deus nos chama. Todos nós, por mais pecadores que sejamos - cristãos e não-cristãos -, estamos naturalmente inclinados para o Criador. Desejamos a salvação eterna, mesmo que, muitas vezes, a procuremos no lugar errado.

O fato de serem pagãos, com efeito, não impede aqueles magos de reconhecerem no pequeno menino envolto em faixas o rei que lhes havia de nascer. Pelo contrário, prostam-se para adorá-Lo, dando-Lhe como presente "ouro, incenso e mirra". Eles adoram o Verbo Encarnado, o Deus que se fez homem para nos redimir de toda falta e toda culpa. A Solenidade da Epifania recorda-nos, por sua vez, que o único lugar onde, de fato, podemos encontrar Deus nesta Terra é na humanidade de Jesus. É algo de grande importância para a nossa fé, sobre o qual devemos insistir e meditar repetidas vezes - mormente nestes tempos em que a separação entre o Cristo histórico e o Jesus da fé é promovida a olhos vistos, mesmo dentro da Igreja. A troco de uma suposta paz duradoura, em que se haja um único governo mundial e, obviamente, uma única superreligião, não são poucos os que se propõem a jogar fora a verdade de nossa fé. À revelia do depósito Sagrado da Doutrina Cristã, esses novos patronos da razão esclarecida jogam toda sorte de dúvida sobre a natureza humana e divina de Cristo, ressuscitando nos dias de hoje o antigo fantasma da heresia gnóstica.

Durante séculos, a Igreja precisou se manifestar contra essa tentação perniciosa em que se concebe um fé cristã desencarnada - sem necessidade da Igreja e dos sacramentos -, e alimentada por supostas experiências místicas e "encontros pessoais". Nesta seara, lutou bravamente Santa Teresa de Jesus. Conforme relatos de seu Livro da Vida, a santa de Ávila teve de lidar com certos "entendidos e letrados" que, absurdamente, advogavam a devoção à humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo como coisa de iniciantes. Para estes, a espiritualidade das almas "evoluídas" deveria ir para Deus; a frequência aos sacramentos era posta de lado, julgava-se coisa obsoleta. Não obstante, contrariando aqueles ideais, Santa Teresa diz às claras que a devoção à humanidade de Jesus consiste em algo fundamental para qualquer cristão, de qualquer época e em qualquer lugar. E foi assim que ela introduziu entre os carmelitas a fé no Verbo Encarnado. É famoso o episódio em que, subindo as escadarias de seu carmelo, a santa encontra um menino e ele lhe pergunta: - "Quem é você?" - ao que ela responde: - "Eu sou Teresa de Jesus, e você?": - "Eu sou Jesus de Teresa".

No capítulo 26 de Caminho de perfeição (03), procurando explicitar através das imagens a necessidade dessa fé no Cristo encarnado, Santa Teresa D’Ávila diz:

[...] Assim, irmãs, não vos julgueis para tão grandes trabalhos, se não sois para coisas tão poucas; exercitando-vos nestas, podereis chegar a outras maiores. O que podeis fazer para ajuda disto é procurar trazer uma imagem ou retrato deste Senhor que seja a vosso gosto, não para trazê-lo no seio e nunca para ele olhar, mas para falar com Ele muitas vezes, que Ele mesmo vos ensinará o que Lhes haveis de dizer. Assim como falais com outras pessoas, por que hão-de faltar-vos mais as palavras para falardes com Deus?

De igual modo, nesta Solenidade da Epifania, em que Jesus apresenta-se como o Deus feito homem, outra Teresa vem nos ensinar a como adorar o pequeno grande Menino Deus. Imitando a ação dos três reis magos de dar presentes a Jesus, Teresa de Liseux, nos escritos de História de uma alma, apresenta-se também como presente ao menino, mas não como "ouro" ou "mirra"; como um brinquedo sobre o qual Jesus possa ter total domínio e autonomia. Nesta simplicidade, Santa Teresinha do Menino Jesus vem nos recordar que devemos nos entregar a Deus sem reservas e sem qualquer receio, como verdadeiros filhos que se submetem à vontade dos pais.

Rezemos a Deus para que, percorrendo os passos dessas duas grandes santas, possamos fazer-nos simples "brinquedos" em Suas mãos de pequeno e frágil menino.

Amém.

Referências

  1. Homilia de Bento XVI na Solenidade da Epifania de Nosso Senhor, de 2008
  2. As confissões, de Santo Agostinho
  3. Obras completas de Santa Teresa de Jesus. 2ª Edição. Porto: Edições "Carmelo" Aveiro - 1978

Padre Paulo Ricardo


Celebramos hoje a solene Manifestação, a sagrada Epifania do Senhor. Como dizia Santo Agostinho, “celebramos,

recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores o adoraram; hoje, é a vez dos magos”. A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo! Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn 12,3).

Na segunda leitura desta Missa, São Paulo nos falou de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não-judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judéia e os Magos do Oriente, a fim de formar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!

Hoje, cumpre-se o que o profeta Isaías falara na primeira leitura: “Levanta-te, Jerusalém, acende as luzes, porque chegou tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor! Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti! Levanta os olhos ao redor e vê: será uma inundação de camelos de Madiã e Efa; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor!” Mas, estejamos atentos, porque a festa de hoje esconde um drama: a Jerusalém segundo a carne não reconheceu o Salvador: “O rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém”. Ela conhecia a profecia, mas de nada lhe adiantou, pela dureza de coração. É na nova Jerusalém, na Igreja, que somos nós, na nossa Mãe católica, que esta profecia de Isaías se cumpre. É a Igreja que acolherá todos os povos, unidos não pelos laços da carne, mas pela mesma fé em Cristo e o mesmo batismo no seu Espírito.

Que contraste, no Evangelho de hoje! Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, vêem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante dele e o adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe o que têm: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos crêem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder… e tem medo do Menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos herodes, e canta assim: “Por que, Herodes, temes/ chegar o Rei que é Deus?/ Não rouba aos reis da terra/ quem reinos dá nos céus!”. Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, o encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para esta luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias… e termina matando e se matando!

Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores. Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles nada sabem, nada têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a Luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo! No século I, Santo Inácio de Antioquia já ensinava: “Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”. É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar! São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos: “Deixa que a luz do astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”. E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia: “Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos vêem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”

Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos…” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje são tão verdadeiras… “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”. Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, a perseguição à Igreja, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?

Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,13.12).

Terminemos com o pedido que a Igreja fará na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.

Dom Henrique Soares da Costa