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Sede Perfeitos! (23-02-2014)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Levítico (Lv), capítulo 19
(1) O Senhor disse a Moisés: (2) “Dirás a toda a assembléia de Israel o seguinte: sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. (3) Cada um de vós respeite a sua mãe e o seu pai, e guarde os meus sábados. Eu sou o Senhor, vosso Deus. (4) Não vos volteis para os ídolos, e não façais para vós deuses de metal fundido. Eu sou o Senhor, vosso Deus. (5) Quando oferecerdes ao Senhor um sacrifício pacífico, oferecê-lo-eis de maneira que seja aceito. (6) Comer-se-á a vítima no mesmo dia ou no dia seguinte, o que sobrar no terceiro dia será queimado no fogo. (7) Se se comer dela no terceiro dia, será uma abominação: o sacrifício não será aceito. (8) Quem o comer levará sua iniqüidade, porque terá profanado o que é consagrado ao Senhor: esse será cortado do seu povo. (9) Quando fizerdes a ceifa em vossa terra, não cortareis as espigas até os limites de vosso campo, e não recolhereis o que resta a respigar de vossas colheitas. (10) Não respigareis tampouco a vossa vinha, nem colhereis os grãos caídos no campo, deixá-los-eis para o pobre e o estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus. (11) Não furtareis, não usareis de embustes nem de mentiras uns para com os outros. (12) Não jurareis falso em meu nome, porque profanaríeis o nome de vosso Deus. Eu sou o Senhor. (13) Não oprimirás o teu próximo, e não o despojarás. O salário do teu operário não ficará contigo até o dia seguinte. (14) Não amaldiçoarás um surdo, não porás algo como tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. (15) Não sereis injustos em vossos juízos: não favorecerás o pobre nem terás complacência com o grande, mas segundo a justiça julgarás o teu próximo. (16) Não semearás a difamação no meio de teu povo, nem te apresentarás como testemunha contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. (17) Não odiarás o teu irmão no teu coração. Repreenderás o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa. (18) Não te vingarás, não guardarás rancor contra os filhos de teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 3
(16) Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (17) Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós. (18) Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se julga sábio à maneira deste mundo, faça-se louco para tornar-se sábio, (19) porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus, pois (diz a Escritura) ele apanhará os sábios na sua própria astúcia (Jó 5,13). (20) E em outro lugar: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, e ele sabe que são vãos (Sl 93,11). (21) Portanto, ninguém ponha sua glória nos homens. Tudo é vosso: (22) Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro. Tudo é vosso! (23) Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 5
(38) Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
(39) Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
(40) Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.
(41) Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.
(42) Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.
(43) Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.
(44) Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.
(45) Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
(46) Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?
(47) Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?
(48) Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

7º Domingo do Tempo Comum - Sede perfeitos!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus
(Mt 5,38-48)

A meditação deste Sétimo Domingo do Tempo Comum apresenta-nos mais uma daquelas contradições entre o Antigo e o Novo Testamento, descritas por Jesus Cristo. Não são contradições, na verdade, mas progressos da Lei de Deus, em que o homem é convidado a amar de forma perfeita. O Evangelista, por sua vez, lembra-nos da famosa Lei de Talião – “olho por olho, dente por dente” –, esculpida pelas antigas civilizações, a fim de conter a barbárie entre os povos. Na Lei de Moisés, essa regra rudimentar se eleva à máxima do amor ao amigo e do ódio ao inimigo. Pela primeira vez, mesmo que de forma ainda imperfeita, o homem é chamado a amar o seu irmão. Jesus Cristo, porém, rompendo mais uma barreira, desenvolve um novo mandamento: amar também o inimigo.

Esse novo mandamento de Deus pode parecer algo bastante exigente, sobretudo num contexto em que vivemos a lógica do individualismo de maneira cada vez mais acirrada. Em todo caso, Deus insiste para que amemos o nosso inimigo, pois é assim que ele também nos ama: o amor de Deus é, sobre todas as coisas, o amor ao seu inimigo. Uma vez que, a partir do pecado original, nos tornamos antagonistas da graça divina, a misericórdia de Cristo – que também consiste na sua vingança – age por meio do homem-Deus que “carrega no seu corpo e na sua alma todo o peso do mal”[1], para que sejamos livres. Deus vinga-se do diabo e, por conseguinte, da nossa miséria desta maneira: “Ele mesmo, na pessoa do Filho, sofre por nós”[2].

Com efeito, a realidade do amor divino, que ama o próprio inimigo ao ponto de sacrificar-se por ele, suscita grandes perguntas: por que Deus age desse modo? Qual é o seu propósito? A essas perguntas, podemos responder com outras: o que é a inimizade? E qual é o sentido da amizade? Santo Tomás de Aquino, numa definição muito simples, define a amizade como a comunhão do pensar e do querer: “Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas”[3]. Isso supõe uma reciprocidade, a qual é desejada pelo próprio Cristo, quando nos fala: “Já não sois servos, mas amigos” (cf. Jo 15, 15). Diferentemente do que ensinavam os filósofos clássicos, Deus não só pode como anseia ser nosso amigo. Por outro lado, como atestamos, sobretudo, na figura de Judas, tendemos a corresponder a esse amor de maneira desastrosa: tendemos ao pecado. Todavia, Deus continua a amar-nos, entregando o Seu próprio Filho em nosso resgate. Amar, portanto, significa estar disposto a sofrer por alguém, como Jesus sofreu por nós. Significa carregar o peso da cruz. Seguindo essa lógica, conseguimos compreender o porquê de amar o nosso inimigo: devemos amar o nosso inimigo porque Deus nos ama. Diz São Paulo: “Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal (...) abençoai os que vos perseguem; abençoai-os, e não os praguejeis” (Cf. Rm. 12, 10-14).

Amar o inimigo é, portanto, comportar-se com os outros como Deus se comporta conosco. Amém!

Referências

  1. Homilia do Cardeal Joseph Ratzinger na Santa Missa “Pro eligendo Romano Pontifice” (18 de abril de 2005).
  2. Ibidem.
  3. Bento XVI, Homilia na Missa de imposição dos pálios aos novos arcebispos metropolitanos na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo (29 de junho de 2011).

Padre Paulo Ricardo