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A Transfiguração do Senhor (16-03-2014)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 12
(1) O Senhor disse a Abrão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. (2) Farei de ti uma grande nação, eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. (3) Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem, todas as famílias da terra serão benditas em ti.” (4) Abrão partiu como o Senhor lhe tinha dito, e Lot foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos, quando partiu de Harã.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola a Timóteo (2Tm), capítulo 1
(8) Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. (9) Deus nos salvou e chamou para a santidade, não em atenção às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio, da graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus, (10) e agora nos manifestou mediante a aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, que destruiu a morte e suscitou a vida e a imortalidade, pelo Evangelho,
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 17
(1) Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha.
(2) Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura.
(3) E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.
(4) Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição, ouvi-o.
(6) Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.
(7) Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais.
(8) Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus.
(9) E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

2º Domingo da Quaresma - Oração, amizade com Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus
(Mt 17, 1-9)

Neste 2º Domingo da Quaresma, a Igreja propõe para a nossa meditação a passagem da Transfiguração de Jesus. Os discípulos de Jesus são levados "a um lugar à parte, sobre uma alta montanha", a fim de se encontrarem com Deus, por meio da oração.

Santa Teresa de Jesus diz:

"Que não é outra coisa a oração mental senão tratar de amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama" [1].

Então, a oração trata-se de amizade com Deus. E essa amizade brota do relacionamento intratrinitário, da amizade que o Pai tem pelo Filho, expressa nas palavras: "Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado". Para que também nós entremos nessa amizade e nos transfiguremos, por assim dizer, junto com Jesus, devemos atender ao apelo do Pai, que diz: "Escutai-o!". Da oração brota, então, um ato efetivo de amor a Deus: determinamo-nos a transformar a nossa vontade na vontade de Deus, como o próprio Jesus indica em outra passagem: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando" [2].

Mas Jesus também quer que o nosso amor a Deus se desdobre no amor ao próximo: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos" [3]. Jesus leva-nos para o monte, mas não para que fiquemos aí, isolados em tendas, como sugeriu São Pedro; mas, ao contrário, para que, descendo o monte, entreguemos nossa vida por Ele e pelos outros. Então, a oração, que é amizade com Deus, desabrocha, concretamente, na prática quaresmal da caridade.

Ainda sobre a oração, Santa Teresa dá-nos algumas indicações preciosas:

"[O iniciante] pode fazer muito para se determinar a servir bastante a Deus e despertar o amor. A pessoa pode imaginar que está diante de Cristo e acostumar-se a enamorar-se da Sua sagrada Humanidade, tendo-O sempre consigo, falando com Ele, pedindo-lhe auxílio em suas necessidades, queixando-se dos seus sofrimentos, alegrando-se com Ele em seus contentamentos e nunca esquecendo-se Dele por nenhum motivo, e sem procurar orações prontas, preferindo palavras que exprimam seus desejos e necessidades.

É excelente maneira de progredir, e com rapidez. E adianto que quem trabalhar para ter consigo essa preciosa companhia, aproveitando muito dela e adquirindo um verdadeiro amor por esse Senhor a quem tanto devemos, terá grande benefício.

3. Para isso, não façamos caso de não ter devoção sensível— como eu disse —, mas agradeçamos ao Senhor, que nos permite estar desejosos de contentá-Lo, embora as nossas obras sejam fracas. Esse modo de trazer Cristo conosco é útil em todos os estados, sendo um meio seguríssimo para tirar proveito do primeiro e breve chegar ao segundo grau de oração, bem como, nos últimos graus, para ficarmos livres dos perigos que o demônio pode pôr.

Quem quiser passar daqui e levantar o espírito a sentir gostos, que não lhe são dados, perde, a meu ver, tudo." [4]

A oração não consiste em "sentir gostos", mas em determinar-se no amor. Que, nesta Quaresma, lembremo-nos de cultivar a verdadeira oração, "que não é outra coisa (...) senão tratar de amizade (...) com quem sabemos que nos ama".

Referências

  1. Livro da Vida, cap. 8, 5
  2. Jo 15, 14
  3. Jo 15, 13
  4. Livro da Vida, cap. 12: 2-3

Padre Paulo Ricardo