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A Água da Vida (23-03-2014)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 17
(3) Entretanto, o povo que ali estava privado de água e devorado pela sede, murmurava contra Moisés: “Por que nos fizeste sair do Egito? Para nos fazer morrer de sede com nossos filhinhos e nossos rebanhos?” (4) Então dirigiu Moisés esta prece ao Senhor: “Que farei a este povo? Mais um pouco e irão apedrejar-me.” (5) O Senhor respondeu a Moisés: “Passa adiante do povo, e leva contigo alguns dos anciãos de Israel, toma na mão tua vara, com que feriste o Nilo, e vai. (6) Eis que estarei ali diante de ti, sobre o rochedo do monte Horeb ferirás o rochedo e a água jorrará dele: assim o povo poderá beber.” Isso fez Moisés em presença dos anciãos de Israel. (7) Chamaram esse lugar Massá e Meribá, por causa da contenda que os israelitas tiveram com ele, e porque tinham provocado o Senhor, dizendo: “O Senhor está ou não no meio de nós?”

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 5
(1) Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. (2) Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus. (3) Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, (4) a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. (5) E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (6) Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. (7) Em rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá se consentiria em morrer. (8) Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 4
(5) Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José.
(6) Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia.
(7) Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber.
(8) (Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.)
(9) Aquela samaritana lhe disse: Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.)
(10) Respondeu-lhe Jesus: Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva.
(11) A mulher lhe replicou: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva?
(12) És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos?
(13) Respondeu-lhe Jesus: Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede,
(14) mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna.
(15) A mulher suplicou: Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!
(16) Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e volta cá.
(17) A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse Jesus: Tens razão em dizer que não tens marido.
(18) Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade.
(19) Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!...
(20) Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar.
(21) Jesus respondeu: Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém.
(22) Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
(23) Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja.
(24) Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade.
(25) Respondeu a mulher: Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo), quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas.
(26) Disse-lhe Jesus: Sou eu, quem fala contigo.
(27) Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela?
(28) A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens:
(29) Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?
(30) Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus.
(31) Entretanto, os discípulos lhe pediam: Mestre, come.
(32) Mas ele lhes disse: Tenho um alimento para comer que vós não conheceis.
(33) Os discípulos perguntavam uns aos outros: Alguém lhe teria trazido de comer?
(34) Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra.
(35) Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa.
(36) O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna, assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão.
(37) Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa.
(38) Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado, outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos.
(39) Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito.
(40) Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias.
(41) Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras.
(42) E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

3º Domingo da Quaresma - Chamados para amar a Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João
(Jo 4, 5-15.19b-26.39a.40-42)

O Evangelho deste domingo oferece-nos a passagem da samaritana. São João relata que, “cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço [de Jacó]”, “por volta de meio-dia” e “chegou uma mulher de Samaria para tirar água”. Essa imagem evoca outros trechos do Antigo Testamento: como o ponto de encontro de Isaac e sua mulher, Rebeca [1]; de Jacó e sua esposa, Raquel [2]; e de Moisés e Sefra, filha de Raguel [3]. O poço está intimamente ligado ao amor esponsal, entre o homem e a mulher.

Lendo a passagem da samaritana a partir de um sentido místico, é possível ler Jesus que pede “Dá-me de beber” como um Esposo que sente sede das almas que desposa. Logo depois, porém, Ele revela que é Ele mesmo quem nos quer dar de beber: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. A samaritana, não compreendendo o significado profundo das palavras de Jesus, dá-lhe ocasião de explicar que o poço de água viva de que fala não é o poço de Jacó, mas Ele mesmo: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. Essa “fonte de água” na alma dos que creem no Cristo é, como explica Jesus mais adiante [4], o dom do Espírito Santo.

Neste Evangelho, existe também um paralelo muito próximo com o que acontece na Cruz. Assim como Jesus se senta próximo ao poço, pedindo de beber, pendurado no madeiro da cruz, Ele diz: “Tenho sede” [5]. E assim como, depois, Ele revela ser a fonte de que brota água viva, na Cruz, de seu lado aberto, jorram sangue e água [6]. Nessas passagens, Jesus mostra ser a rocha da verdadeira água; a de Meriba, lembrada na primeira leitura de hoje [7], era apenas uma prefiguração. Mostra também ser a fonte maravilhosa que jorra do templo, profetizada por Ezequiel [8].

Aplicando tudo isso à nossa vida, somos chamados a amar a Deus. Ele tem sede do nosso amor: seja à beira do poço, onde acontece o matrimônio místico entre Cristo e a alma esposa, seja no madeiro da Cruz, onde Ele manifesta seu amor infinito por nós e nos pede que O amemos de volta. Deus tem sede de nós, rebaixa-se de modo a necessitar-Se do nosso amor. Fá-lo porque, em Seu amor, é Ele mesmo quem quer Se dar a nós: “Se tu conhecesses o dom de Deus (...), tu mesma lhe pedirias (...) e ele te daria água viva”.

Mas, como corresponder a esse grande amor divino? Precisamos entender que só Deus pode dar-nos a virtude de amá-Lo com verdadeira caridade. Por isso, é importante que Lhe peçamos essa graça, assim como o fez a samaritana: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”.

Do mesmo modo que atendeu ao pedido daquela mulher – tanto que, de seu primeiro amor interesseiro, ela passa a reconhecer Jesus como o próprio Messias, abandonando o seu cântaro à beira do poço para anunciá-Lo [9] –, Ele atenderá o nosso pedido, fazendo-nos evoluir do amor dos principiantes – que começa com a luta sincera contra o pecado mortal, contra o “cavar cisternas fendidas” denunciado pelo profeta Jeremias [10] –, passar pelo amor dos mais adiantados – no combate ao pecado venial e às doenças espirituais, na busca de estar mais a sós com Deus e no amor ao próximo – até chegar, finalmente, ao amor dos perfeitos – no qual, como canta São João da Cruz, “sólo en amar es mi ejercicio”.

Por fim, bebendo de Cristo, brotarão de nós mesmos “rios de água viva”, pois Ele mesmo nos configurará a Si.

Deus quer o nosso amor. Amemo-Lo. O amor é o distintivo do cristão. Como fez a samaritana, tenhamos a coragem de abandonar os falsos ídolos e saciar a nossa sede na verdadeira fonte de água viva: Jesus.

Referências

  1. Cf. Gn 24, 11-14
  2. Cf. Gn 29, 1-30
  3. Cf. Ex 2, 15b-22
  4. Cf. Jo 7, 37-39
  5. Jo 19, 28
  6. Cf. Jo 19, 34
  7. Cf. Ex 17, 3-7
  8. Cf. 47, 1
  9. Cf. Jo 4, 28
  10. Cf. 2, 13

Padre Paulo Ricardo