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Eu Sou a Ressurreição e a Vida (06-04-2014)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 37
(12) Por isso, dirige-lhes o seguinte oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ó meu povo, vou abrir os vossos túmulos, eu vos farei sair deles para vos transportar à terra de Israel. (13) Sabereis então que eu é que sou o Senhor, ó meu povo, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer sair deles, (14) quando eu meter em vós o meu espírito para vos fazer voltar à vida e quando vos hei de restabelecer em vossa terra. Sabereis então que sou eu o Senhor, que o disse e o executei - oráculo do Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 8
(8) Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. (9) Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. (10) Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. (11) Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 11
(3) Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está enfermo.
(4) A estas palavras, disse-lhes Jesus: Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.
(5) Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro.
(6) Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar.
(7) Depois, disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia.
(8) Mestre, responderam eles, há pouco os judeus te queriam apedrejar, e voltas para lá?
(9) Jesus respondeu: Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
(10) Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a luz.
(11) Depois destas palavras, ele acrescentou: Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo.
(12) Disseram-lhe os seus discípulos: Senhor, se ele dorme, há de sarar.
(13) Jesus, entretanto, falara da sua morte, mas eles pensavam que falasse do sono como tal.
(14) Então Jesus lhes declarou abertamente: Lázaro morreu.
(15) Alegro-me por vossa causa, por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos a ele.
(16) A isso Tomé, chamado Dídimo, disse aos seus condiscípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele.
(17) À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro.
(18) Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios.
(19) Muitos judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão.
(20) Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa.
(21) Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
(22) Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá.
(23) Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá.
(24) Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.
(25) Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.
(26) E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?
(27) Respondeu ela: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.
(28) A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama.
(29) Apenas ela o ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele.
(30) (Pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)
(31) Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.
(32) Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
(33) Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção,
(34) perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.
(35) Jesus pôs-se a chorar.
(36) Observaram por isso os judeus: Vede como ele o amava!
(37) Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos do cego de nascença, fazer com que este não morresse?
(38) Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.
(39) Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
(40) Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.
(41) Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste.
(42) Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste.
(43) Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora!
(44) E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.
(45) Muitos dos judeus, que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros:
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

5º Domingo da Quaresma - Vem para fora!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo 11,3-7.17.20-27.33b-45)

A chave de leitura deste belíssimo Evangelho, que expressa de modo dramático o afeto, a humanidade e o amor de Jesus, são a Sua paixão, morte e ressurreição. A pedido de Marta e Maria, Jesus sai da região da Galileia e vai a Betânia, que ficava a “uns três quilômetros” (v. 18) de Jerusalém, consciente de que sobe para dar a vida, seja para Lázaro, seja para todos os homens, na morte da Cruz. Os próprios discípulos, ao ouvirem a proposta de Jesus de voltar à Judeia, respondem: “Mestre, agora há pouco os judeus queriam te apedrejar, e vais de novo para lá?” (v. 8).

Então, para compreender em profundidade a narrativa de São João, é preciso recorrer a outro trecho desse mesmo Evangelho, em que Jesus diz que “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” [1]. Em Betânia, Jesus dá a vida a Lázaro e, em troca, Ele mesmo ganha a morte.

Esse amor de amizade de Cristo manifesta-se de modo enigmático no capítulo 11 do Evangelho de São João. É verdade que Jesus se comove, como se lê nos versículos 33 e 38. No entanto, o verbo grego usado para expressar a Sua reação faz referência a uma comoção por raiva, por ira, como que a indicar o zelo de Deus pelo homem.

Ao mesmo tempo em que se comove, na síntese do versículo 35, é dito que “Jesus chorou”. Eis uma verdadeira epifania, uma revelação do coração de Deus que se comove diante da morte do ser humano. A palavra usada para expressar o choro de Jesus é o grego ἐδάκρυσεν (lê-se: edákrisen), que, diferentemente do verbo usado para expressar o choro de Maria e dos judeus (κλαίω; lê-se: klaío), faz referência a um choro comedido e sereno; a gotas de lágrima (δάκρυ; lê-se: dákri), literalmente.

Isso leva-nos a penetrar no segredo do sofrimento de Deus. Se Ele chora diante da morte física de seu amigo, sofre muito mais com a morte das almas que se afastam d’Ele pelo pecado, tornando-se de fato inimigas de Deus [2]. O Seu choro secreto é algo que nos deve fazer tomar a firme decisão de consolar o Seu coração, ferido por nossas culpas.

Com isso, não se está a dizer que Lázaro não ressuscitou. Esse milagre realmente aconteceu, mas aponta para algo mais profundo: Jesus quer dar-nos a vida eterna, como diz a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (v. 25).

No versículo 43, Jesus dirige um chamado a Lázaro a todos nós: “Lázaro, vem para fora!”. Ao contrário de seu choro comedido diante da morte, quando Deus nos chama à vida, Ele brada, com uma forte voz (φωνῇ μεγάλῃ; lê-se: foní megáli). Essa voz quer vencer a nossa surdez mortífera e chamar-nos a uma conversão mais profunda, na qual nós abandonamos o pecado não só por causa do inferno, mas porque ele ofende a Deus e fá-Lo chorar.

Vamos rezar, neste domingo, pedindo a Deus o dom da contrição perfeita. Muitas vezes, arrependemo-nos de nossos pecados por conta das penas do inferno ou pela recompensa do Céu. Neste Evangelho, Jesus convida-nos a vir para fora, sair do pecado para corresponder ao Seu amor e consolar o Seu coração, parar de ofendê-Lo por causa da lágrima secreta que Ele derrama a cada pecado que cometemos. Quantas vezes Jesus não chorou sobre o túmulo de nossa alma morta pelo pecado!

No capítulo seguinte do Evangelho de São João, Jesus senta-se à mesa com Marta, Maria e Lázaro: é a festa dos amigos que se sentam à mesa para agradá-Lo. Que beleza é ser amigo de Cristo, como o foram Marta, Maria e Lázaro! Que alegria é transformar a nossa alma em Betânia, onde Deus pode sentar-se conosco como com comensais e onde podemos, à imitação de Maria, ungir os Seus pés com um “bálsamo de nardo puro, de grande preço” [3]! Determinemo-nos, peçamos a Deus a graça da contrição perfeita e aproximemo-nos da Eucaristia, como comensais que querem consolar o coração divino.

Referências

  1. Jo 15, 13
  2. Cf. Rm 1, 30
  3. Jo 12, 3

Padre Paulo Ricardo