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A Santa Cruz da Redenção (13-04-2014)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 50
(4) O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo, (5) (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. (6) Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba, não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. (7) Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado, enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 2
(6) Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, (7) mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. (8) E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. (9) Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, (10) para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. (11) E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 27
(11) Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: És o rei dos judeus? Sim, respondeu-lhe Jesus.
(12) Ele, porém, nada respondia às acusações dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos.
(13) Perguntou-lhe Pilatos: Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti?
(14) Mas, para grande admiração do governador, não quis responder a nenhuma acusação.
(15) Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa.
(16) Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás.
(17) Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo?
(18) (Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.)
(19) Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito.
(20) Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus.
(21) O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás!
(22) Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado!
(23) O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado!
(24) Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco!
(25) E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!
(26) Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado.
(27) Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão.
(28) Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate.
(29) Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus!
(30) Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça.
(31) Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar.
(32) Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.
(33) Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio.
(34) Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber.
(35) Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19).
(36) Sentaram-se e montaram guarda.
(37) Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus.
(38) Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda.
(39) Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam:
(40) Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!
(41) Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele:
(42) Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele!
(43) Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus!
(44) E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam.
(45) Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas.
(46) Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
(47) A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias.
(48) Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse.
(49) Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo.
(50) Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma.
(51) E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas.
(52) Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram.
(53) Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas.
(54) O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
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Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
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Canção Nova: Homilia

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Padre Paulo Ricardo


A Santa Cruz da Redenção

Para a Procissão de Ramos:

Mt 21,1-11

“Dizei à filha de Sião: ‘Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta!” – Assim, caríssimos irmãos, o nosso Jesus entra hoje em Jerusalém para sofrer sua paixão e fazer sua Páscoa deste mundo para o Pai.

Jerusalém é a cidade do Messias; nele deveria manifestar-se o Reino de Deus. O Senhor Jesus, ao entrar nela de modo solene, realiza a esperança de Israel. Por isso o povo grita: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” Hoje, com nossos ramos levados em procissão, fazemos solene memória desse acontecimento e proclamamos com nossos cânticos que Jesus é o Messias prometido! Também nós cantaremos daqui a pouco: Hosana ao Filho de Davi!

Mas, atenção! Este Messias não vem como rei potente, num majestoso cavalo de guerra, símbolo de força e poder! Ele vem num burrico, usado pelos servos nos seus duros trabalhos. Ele vem como manso e humilde servo! Eis o escândalo que Israel não suporta! Esperava-se um Messias que fosse Rei potente e Deus envia um servo humilde e frágil! Que lógica, a de Deus! E, misteriosamente, Israel não consegue compreendê-la e refutará Jesus! Mas, e nós, compreendemos de verdade essa lógica? Hoje, seguir o Cristo em procissão é estar dispostos a aceita-lo como Messias que tem como trono a cruz e como coroa os espinhos! Segui-lo pela rua é comprometer-se a segui-lo pela vida! Caso contrário, nossa liturgia não passará de um teatro vazio…

Vamos com Jesus! Aclamemos Jesus! E quando na vida, a cruz vier, a dor vier, os espinhos vierem, tomemos nas mãos os ramos que levaremos hoje para nossas casas e recordemos que nos comprometemos a seguir o Cristo até a morte e morte de cruz, para chegarmos à Páscoa da Ressurreição!

Para a Missa da Paixão:

Is 50,4-7
Sl 21
Fl 2,6-11
Mt 26,14 – 27,66

O mistério que hoje estamos celebrando – a Paixão e Morte do Senhor – e vamos celebrar de modo mais pausado e contemplativo nesses dias da Grande Semana, foi resumido de modo admirável na segunda leitura desta Eucaristia: o Filho, sendo Deus, tomou a forma de servo e fez-se obediente ao Pai por nós até a morte de cruz. E o Pai o exaltou e deu-lhe um nome acima de todo nome, para nossa salvação! Eis o mistério! Eis a salvação que nos foi dada!

Mas isso custou ao Senhor! É sempre assim: os ideais são lindos; colocá-los na vida, na carne de nossa existência, requer renúncia, lágrimas, sangue! O Filho, para nos salvar, teve que aprender como um discípulo, teve que oferecer as costas aos verdugos e o rosto às bofetadas! Que ideal tão alto; que caminho tão baixo! Que ideal tão sublime, que meios tão trágicos!

Foi assim com o nosso Jesus; é assim conosco! É na dor da carne da vida que o Senhor nos convida a participar da sua cruz e caminhar com ele para a ressurreição. Infelizmente, nós, que aqui nos sentamos à mesa com ele, tantas vezes o deixamos de lado: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato!” – Eis! É para nós esta palavra! Comemos o seu Pão ao redor deste Altar sagrado e, no entanto, o abandonamos nas horas de cruz: “Esta noite vós ficareis decepcionados por minha causa!” – Que pena! Queríamos um Messias fácil, um Messias que nos protegesse contra as intempéries da vida, que fosse bonzinho para o mundo atual. Como seria bom um Messias de acordo com o assassinato de embriões, com o aborto, com a libertinagem reinante… Mas, não! Esse Messias prefere morrer a matar, esse Messias exige que o sigamos radicalmente, esse Messias nos convida a receber a mesma rejeição que ele recebe do mundo: Minha alma está triste até à morte. Ficais aqui e vigiai comigo!”

Irmãos, que vos preparais para celebrar estes dias sagrados, não vos acovardeis, não renegueis o nosso Senhor, não o deixeis padecer sozinho, crucificado por um mundo cada vez mais infiel e ateu, um mundo que denigre o nome de Cristo e de sua Igreja católica! Cuidado, irmãos! Não é fácil, não será fácil a luta: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca!” Que nos sustente a força daquele que por nós se fez fraco! Que nos socorra a intercessão daquele que orou por Pedro para que sua fé não desfalecesse! E se, como Pedro cairmos, ao menos, como Pedro, arrependamo-nos e choremos!

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!

D. Henrique Soares da Costa