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Recebei o Espírito Santo! (27-04-2014)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 2
(42) Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. (43) De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações. (44) Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. (45) Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. (46) Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, (47) louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São Pedro (1Pd), capítulo 1
(3) Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, (4) para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus, (5) para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos. (6) É isto o que constitui a vossa alegria, apesar das aflições passageiras a vos serem causadas ainda por diversas provações, (7) para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar. (8) Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto, credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, (9) porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 20
(19) Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco!
(20) Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.
(21) Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
(22) Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.
(23) Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.
(24) Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
(25) Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!
(26) Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!
(27) Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.
(28) Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!
(29) Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!
(30) Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro.
(31) Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

2º Domingo da Páscoa - Recebei o Espírito Santo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
Jo 20, 19-31

Este segundo Domingo da Páscoa era conhecido, na Liturgia antiga, como Dominica in Albis, porque os que foram batizados na Vigília Pascal se apresentavam ao bispo, uma semana depois, com as suas vestes cândidas, para mostrarem que se esforçavam para viver a candura batismal.

Hoje, o Domingo da Oitava da Páscoa também é a festa da Divina Misericórdia. A celebração foi instituída pelo bem-aventurado Papa João Paulo II – a ser canonizado neste fim de semana –, por conta das revelações particulares de Nosso Senhor à religiosa polonesa Santa Faustina Kowalska. Tendo morrido cedo, com apenas 33 anos (a idade de Cristo), ela experimentou, ainda em vida, as várias purificações que recebem os místicos que se aproximam cada vez mais de Deus, além de dons sobrenaturais e dos santos estigmas. A pedido de seu confessor, Faustina escreveu um diário no qual colocou por escrito aquilo que Cristo lhe falava em Suas aparições. Em uma dessas aparições, Ele pediu que se fizesse um quadro e que fosse instituída uma festa em honra à Sua Misericórdia, pois “a falta de confiança das almas”, especialmente “a desconfiança da alma escolhida”, ofendia-Lhe muito [1].

Quando Santa Faustina morreu, alguns padres ficaram responsáveis pela propagação dessa devoção, que Jesus prometeu que se espalharia pelo mundo inteiro. Graças ao empenho do então arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, o Diário de Santa Faustina teve sua proibição retirada pela Igreja, em 1978, quase vinte anos depois de uma intervenção do Santo Ofício. No mesmo ano, providencialmente, Wojtyla foi eleito Papa João Paulo II e o reconhecimento da santidade de Faustina Kowalska andou a passos largos. Em 2000, a devoção à Divina Misericórdia foi estendida ao mundo inteiro, recebendo indulgências especiais e uma festa litúrgica, no primeiro domingo após a Páscoa.

Então, neste domingo, somos chamados a louvar a Deus por Sua infinita misericórdia. Ela é, nas palavras da própria Santa Faustina, um fruto do amor de Deus: “O amor de Deus é a flor – e a misericórdia é o fruto” [2]. Em Si mesmo, Deus é amor; mas, ao manifestar-se na história para os homens, esse amor é misericórdia. Antes da Criação, não era possível a misericórdia, porque, para existir, é necessário haver um “miserável”. É com a economia divina, portanto, que se manifesta a Sua misericórdia: na Criação, na Redenção, nos Sacramentos, no envio do Espírito Santo etc. Com razão, pode-se dizer que a misericórdia divina é uma árvore com vários galhos [3], dentre os quais se sobressai a Cruz de Nosso Senhor, fortaleza e esperança dos que padecem por Ele.

A devoção à Divina Misericórdia é importante porque nela está o coração do Evangelho. A segunda leitura da Liturgia deste domingo diz: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus” [4].

No Evangelho que cobre o arco dessa Oitava de Páscoa, Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos e sopra sobre eles o Espírito Santo. Santo Tomás, em seu comentário ao Evangelho de São João, diz que é próprio da terceira pessoa da Santíssima Trindade o perdão dos pecados. É evidente que, na economia da salvação, quem age é toda a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, na teologia, utiliza-se um recurso chamado “apropriação”. Por apropriação, é conveniente que se chame o Pai de Criador, o Filho de Redentor e o Espírito de Santificador. Também por apropriação se diz que o responsável por perdoar os pecados é o Espírito Santo, manifestação da caridade, que “supre todas as faltas” [5]:

“Uma vez que é o Espírito Santo que nos constitui amigos de Deus, é normal que seja por ele que Deus nos perdoe os pecados. Por isto o Senhor disse aos discípulos: ‘Recebei o Espírito Santo; aquele a quem perdoardes os pecados, serão perdoados’, e em São Mateus (12, 31) o perdão dos pecados é negado àqueles que blasfemam contra o Espírito Santo, porque não têm em si aquilo por que o homem pode obter o perdão dos seus pecados. Daí decorre também dizermos, do Espírito Santo, que ele nos renova, que ele nos purifica, que ele nos lava.” [6]

Todo o tempo pascal aponta para o Domingo de Pentecostes e, desde já, é possível ver que o Espírito Santo – o amor-caridade que brota do lado de Cristo – é o grande fruto da Ressurreição. No mesmo dia em que ressurge dos mortos, Jesus aparece aos Seus discípulos e sopra sobre eles o Espírito Santo, oferecendo-lhes o dom da remissão dos pecados e manifestando-lhes a Sua misericórdia.

Santa Teresinha do Menino Jesus, grande devota da Divina Misericórdia, na enfermaria, alguns meses antes de morrer, confidenciou à sua irmã:

“Poderiam pensar que é porque não cometi pecados que tenho uma confiança tão grande no Bom Deus. Dizei claramente, minha Mãe, que se eu tivesse cometido todos os crimes possíveis, teria sempre a mesma confiança. Sinto que toda essa multidão de ofensas seria como gota de água lançada num braseiro ardente.” [7]

Cresçamos em confiança na misericórdia divina e lancemos a gota d’água de nossos pecados e misérias no braseiro ardente do amor de Deus.

Referências

  1. Cf. Diário, 49-50
  2. Diário, 949
  3. O pe. Reginald Garrigou-Lagrange faz essa comparação em sua obra Providence (V, 26),disponível em inglês no site da EWTN.
  4. 1 Pd 1, 3-4
  5. Pv 10, 12
  6. Santo Tomás de Aquino, Comentário sobre São João, 20, I, 4
  7. Últimos Colóquios, Caderno Amarelo, 11 de julho, 6

Padre Paulo Ricardo


Estamos ainda em pleno dia da Páscoa, “o Dia que o Senhor fez para nós” – é esta a Oitava da Santa Páscoa.

Se no dia mesmo da Ressurreição, a liturgia centrava nossa atenção no próprio Senhor ressuscitado, vencedor da morte, hoje, neste Domingo da Oitava, a atenção concentra-se nos efeitos dessa vitória formidável para nós e para toda a humanidade.

Eis! O Senhor Jesus, morto como homem, morto na sua natureza humana, foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito Santo, Senhor que dá a Vida. E agora, cheio do Espírito, Jesus nos dá esse Dom divino, esse fruto da sua Ressurreição.

Primeiro dá-lo aos seus apóstolos “ao anoitecer daquele dia, o primeiro depois do sábado”. Passou o sábado dos judeus, passou a Lei de Moisés, passou a antiga criação. E Jesus ressuscitado sopra sobre os Apóstolos o Espírito Santo, recebido do Pai na Ressurreição: “Como o Pai me enviou na potência do Espírito, também eu vos envio agora na força desse mesmo Espírito! Recebei, pois, o Espírito Santo, dado para gerar o mundo novo, o homem novo, o homem segundo a minha imagem, o homem reconciliado, na paz com Deus! Paz a vós! Os pecados serão perdoados nesse dom do meu Espírito!” Assim começa o cristianismo, assim ganha vida a Igreja: no Espírito do Ressuscitado!

Os Apóstolos agora, recebendo o Espírito, recebem a vida nova do Cristo, a vida que dura para a eternidade. Esse mesmo Espírito, nós o recebemos nas águas do Batismo e na comunhão com o Sangue do Senhor na Eucaristia. Por isso mesmo, a oração da Missa hodierna nos pede a graça de compreender melhor, isto é, de viver intensamente na vida “o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova vida e o Sangue que nos redimiu”. Em outras palavras: pela participação aos santos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia, nós recebemos continuamente o Espírito do Ressuscitado e, assim, recebemos a sua nova vida, a vida que nos renova já aqui, neste mundo, e nos dá a Vida eterna. Por isso a segunda leitura de hoje nos diz que o Pai, “em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível”, reservada a nós nos céus! A Ressurreição de Cristo é garantia da nossa, o seu Espírito, que nós recebemos, é semente e garantia de vida eterna e, por isso, é causa de alegria e força para nós, cristãos. Nós recebemos a vida eterna, nós cremos na Vida eterna, nós já vivemos tendo em nós as sementes da Vida eterna!

Mas, estejamos atentos: esta nossa fé na Ressurreição tem conseqüências concretas para nós: “Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum…” Eis: a fé na Ressurreição do Senhor, a vida vivida na Vida nova que Cristo nos concedeu, faz-nos existir de um modo novo, iluminados por uma nova regra de vida (o ensinamento dos apóstolos e seus sucessores), sustentados pela fração do Pão eucarístico e testemunhas de uma vida de comunhão, de amor fraterno, de mansidão, de coração aberto para Deus e os irmãos.

Mais uma coisa: estejamos atentos para um fato importantíssimo: a Ressurreição do Senhor não é uma fábula, não é um mito, não é uma parábola. O Senhor realmente venceu a morte, realmente entrou no Cenáculo e realmente Tomé, admirado e envergonhado, feliz pelo Senhor e triste por sua incredulidade, tocou as mãos e o lado do Senhor vivo, ressuscitado! Por isso, o cristão não se apavora diante dos reveses da vida, dos compromissos e renúncias pelo testemunho de Cristo e nem mesmo diante da morte: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação”.

D. Henrique Soares da Costa