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O Absurdo da Fé! (04-05-2014)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 2
(14) Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. (15) Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. (16) Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: (17) Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. (18) Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. (19) Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça. (20) O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. (21) E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5). (22) Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis, (23) depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios. (24) Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder. (25) Pois dele diz Davi: Eu via sempre o Senhor perto de mim, pois ele está à minha direita, para que eu não seja abalado. (26) Alegrou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança, (27) pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção. (28) Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, e me encherás de alegria com a visão de tua face (Sl 15,8-11). (29) Irmãos, seja permitido dizer-vos com franqueza: do patriarca Davi dizemos que morreu e foi sepultado, e o seu sepulcro está entre nós até o dia de hoje. (30) Mas ele era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes seria colocado no seu trono. (31) É, portanto, a ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: Ele não foi abandonado na região dos mortos, e sua carne não conheceu a corrupção. (32) A este Jesus, Deus o ressuscitou: do que todos nós somos testemunhas. (33) Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São Pedro (1Pd), capítulo 1
(17) Se invocais como Pai aquele que, sem distinção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor durante o tempo da vossa peregrinação. (18) Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, (19) o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo (20) e que nos últimos tempos foi manifestado por amor de vós. (21) Por ele tendes fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem em Deus.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 24
(13) Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios.
(14) Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado.
(15) Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles.
(16) Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
(17) Perguntou-lhes, então: De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?
(18) Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?
(19) Perguntou-lhes ele: Que foi? Disseram: A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo.
(20) Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
(21) Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam.
(22) É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol,
(23) e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo.
(24) Alguns dos nossos foram ao sepulcro e acharam assim como as mulheres tinham dito, mas a ele mesmo não viram.
(25) Jesus lhes disse: Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo o que anunciaram os profetas!
(26) Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas e assim entrasse na sua glória?
(27) E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras.
(28) Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante.
(29) Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles.
(30) Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho.
(31) Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu.
(32) Diziam então um para o outro: Não se nos abrasava o coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?
(33) Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam.
(34) Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão.
(35) Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

3º Domingo da Páscoa - A luz sobrenatural da fé

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo 
segundo Lucas (Lc 24, 13-35)

O Evangelho deste domingo, que narra o episódio dos discípulos de Emaús, é muito importante para nós, que já cremos, mas temos consciência de que precisamos aumentar a nossa fé. Note-se que aqueles homens que iam para Emaús eram bons discípulos – no caminho, falam de Jesus como "um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo", e narram perfeitamente os acontecimentos relativos aos últimos dias. Tinham entrado em contato com o que era necessário para ter fé – a obra de Cristo e a Sua pregação –, mas terminaram escandalizados com a Sua morte, com o absurdo do amor de Deus escondido nessa injustiça; tinham diante de si todos os preambula fidei, mas, ao invés de crerem, se detiveram diante da Cruz.

Hoje, é possível que muitos ainda conheçam o Cristianismo de forma puramente carnal, como os discípulos de Emaús. Eles viam que havia, na história de Jesus, algo de sobrenatural, mas não creram, porque a fé não é uma dedução simples de raciocínios humanos, mas uma virtude teologal infundida por Deus no coração do homem. É claro que os raciocínios são importantes – existe na fé um aspecto racional –, mas o simples olhar à "história profana", por assim dizer, não conduz à fé. A fé é um dom sobrenatural, está além de nossa natureza. Por isso, não se pode lidar com as verdades de fé como se lida com as coisas meramente naturais. Seria como tentar carregar um tesouro de muitas toneladas com as próprias forças. Para "carregar" a verdade sobrenatural da vida de Cristo, é necessário um "guindaste" também sobrenatural: a fé. Nas palavras de Santo Tomás de Aquino:

"Quanto ao assentimento do homem às verdades da fé, podem ser apontadas duas causas. Uma o induz exteriormente, por exemplo, a visão de um milagre ou a pregação de outros homens que o impulsiona à fé. Mas esta causa não é suficiente, porque a experiência ensina que, vendo um mesmo milagre e ouvindo um mesmo pregador, uns creem e outros não. É preciso, pois, apontar outra causa que mova interiormente o homem para que preste seu assentimento às verdades da fé. Os pelagianos diziam que esta causa interior era unicamente o livre arbítrio do homem... Mas isto é completamente falso porque, como o homem, ao assentir às verdades da fé, se eleva sobre sua própria natureza, é necessário que esta elevação seja produzida por um princípio sobrenatural que a mova interiormente, que é o próprio Deus. Portanto, a fé, quanto ao seu ato principal, que é o assentimento, procede de Deus, que nos move interiormente pela graça." [1]

Portanto, a fé não vem de nós mesmos, como queriam os pelagianos. Podemos preparar todo o terreno, estudar assiduamente o Catecismo, perscrutar obras de teologia e apologética e meditar todas as Sagradas Escrituras; se Deus não intervier, não teremos a fé. O padre Reginald Garrigou-Lagrange, em um artigo a respeito da certeza sobrenatural da fé, cita as seguintes palavras de Lacordaire:

"Um convertido vos dirá: eu li, raciocinei, quis, e não consegui; mas um dia, sem que eu possa dizer como, na esquina de uma rua, ao pé da minha lareira, eu não sei, mas já não era mais o mesmo, eu tinha fé; depois li de novo, meditei, confirmei minha fé pela razão; mas o que se passou em mim no momento da convicção final é de uma natureza absolutamente diferente de tudo que havia precedido..." [2]

O que se passou com o convertido desta passagem foi ação da graça. Os seus esforços humanos não conseguiram conduzi-lo à fé, assim como a mera investigação histórica não tornou crentes os discípulos de Emaús. Só quando Jesus – depois de repreendê-los e explicar-lhes "todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele" – partiu o pão foi que caíram as escamas de seus olhos e eles reconheceram que estavam andando com o Senhor: "Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?"

Quando alguém, à procura da verdade, espera um "argumento fatal" para crer, está cometendo um grande erro, pois a fé é livre. É claro que existe, para todos, o dever moral de crer. A incredulidade, por exemplo, é um pecado terrível. E pode acontecer com pessoas que, tendo a fé, a corroem com seus hábitos imorais. No entanto, um pecado, por si mesmo, não destrói a fé na alma. Como ensina o Concílio de Trento, "por qualquer (...) pecado mortal se perde a graça (...), embora não se perca a fé" [3].

Ao encontrar-se com Jesus Eucarístico, os discípulos de Cristo saem de Emaús e voltam para Jerusalém, porque agora creem no Amor que os amou. Nesta Liturgia, também nós, ajoelhemo-nos diante da Cruz de Cristo e peçamos o dom da fé.

Referências

  1. Suma Teológica, II-II, q. 6, a. 1
  2. A certeza sobrenatural da fé | Permanência
  3. Denzinger-Hünermann, 1544

Padre Paulo Ricardo


No Tempo Pascal a Igreja vive, celebra e testemunha sua certeza, aquela convicção que a faz existir e sem a qual ela não teria sentido neste mundo: “Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele entre vós. Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue nas mãos dos ímpios e vós o matastes pregando numa cruz… Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas. Exaltado pela Direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo prometido e o derramou…” Este é o núcleo da nossa fé, o fundamento da nossa esperança, a inspiração para a nossa vida e nossa ação, isto é, para nossas atitudes concretas, nossa vida moral.

Na Liturgia da Palavra deste Domingo, o encontro de Emaús sintetiza muito bem a experiência cristã. Prestemos atenção, porque é de nós que fala o Evangelho de hoje! O que há aí? Há, primeiramente o caminho – aquele da vida: aí, os discípulos conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido com Jesus. Mas, os acontecimentos, lidos somente à nossa luz, segundo a nossa razão e os nossos critérios, são opacos, são tantas e tantas vezes, sem sentido… Por isso, no coração e no rosto daqueles dois havia tristeza e escuro; eles estavam cegos e tristes… Dominava-os o desânimo e a incerteza: esperaram tanto e, agora, só restava um túmulo vazio… Mas, à luz do Ressuscitado – quando o experimentamos vivo entre nós – tudo muda, absolutamente. Primeiro o coração arde no nosso peito. Arde com a alegria e o calor de quem vê um sentido – e um sentido de amor e de vida – para os acontecimentos da existência, mesmo os mais sombrios: “Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na glória?” Que palavras impressionantes! São as mesmas dos Atos dos Apóstolos, na primeira leitura: “Deus em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue…” Aqui, compreendamos bem: só na fé se pode penetrar o mistério e ultrapassar o absurdo! Então, com Jesus, na sua luz, os olhos nossos se abrem e reconhecemos Jesus, experimentamo-lo vivo, próximo, como Senhor, que dá orientação, sustento e sentido à nossa vida! Sentimos, então, a necessidade de conviver e compartilhar com outros que fizeram a mesma experiência, todos reunidos em torno daqueles que o Senhor constituiu como primeiras testemunhas suas – os Apóstolos e seus sucessores, os Bispos em comunhão com o Sucessor de Simão, a quem o Senhor apareceu em primeiro lugar dentre os Apóstolos. É assim que somos cristãos; é assim que somos Igreja!

Esta é, portanto, a certeza dos cristãos, a nossa certeza! Hoje somos nós as testemunhas! Hoje somos nós quem devemos pedir: “Mane nobiscum, Domine!” – “Fica conosco, Senhor!”Somente seremos cristãos de verdade se ficarmos com o Senhor que fica conosco, se o encontrarmos sempre na Palavra e no Pão eucarístico. Nunca esqueçamos: os discípulos sentiram o coração arder ao escutá-lo na Escritura e o reconheceram ao partir o Pão! Esta é a experiência dos cristãos de todos os tempos. João Paulo Magno, precisamente na sua Carta Apostólica Mane nobiscum Domine afirmava essa necessidade absoluta de Cristo, necessidade de voltar sempre a ele: “Cristo está no centro não só da história da Igreja, mas também da história da humanidade. Tudo é recapitulado nele. Cristo é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude de suas aspirações. Nele, Verbo feito carne, revelou-se realmente não só o mistério de Deus, mas também o próprio mistério do homem. Nele, o homem encontra a redenção e a plenitude!” (n. 6).

O mundo atual – e o mundo de sempre – deseja apontar outros caminhos de realização para o homem; outras possibilidades de vida… Os cristãos não se iludem! Sabemos onde está a nossa vida, sabemos onde encontrar o caminho e a verdade de nossa existência: em Cristo sempre presente na Palavra e na Eucaristia experimentadas na vida da Igreja! Repito: este é o centro da experiência cristã; e precisamente daqui brotam as exigências de coerência de nossa vida: “Fostes resgatados da vida fútil herdade de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata e o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um Cordeiro sem mancha e sem defeito. Antes da criação do mundo ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu por amor de vós!” Eis, que mistério! Antes do início do mundo o Pai nos tinha preparado este Cordeiro imolado, para que nele encontrássemos a vida e a paz! Por ele alcançamos a fé em Deus; por ele, nossa vida ganhou um novo sentido; por ele, não mais pensamos, vivemos e agimos como o mundo das trevas! E porque Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, a nossa fé e a nossa esperança estão em Deus, estão firmadas na Rocha! “Vivei, pois, respeitando a Deus durante o tempo da vossa migração neste mundo!”Vivamos para Deus e manifestemos isso pelo nosso modo de pensar, falar, agir e viver!

Irmãos! Irmãs! Não tenhais medo de colocar em Cristo toda a vossa vida e toda a vossa esperança! É ele quem nos fala agora, na Palavra, e agora mesmo, para que nossos olhos se abram e o reconheçamos, ele mesmo nos partirá o Pão. A ele a glória pelos séculos! Amém.

D. Henrique Soares da Costa