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Não vos deixarei órfãos (25-05-2014)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 8
(5) Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo. (6) A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia. (7) Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos. (8) Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria. (9) Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samaria, e fazia-se passar por um grande personagem. (10) Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande. (11) Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas. (12) Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo. (13) Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos. (14) Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. (15) Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, (16) visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus. (17) Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São Pedro (1Pd), capítulo 3
(15) Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito. (16) Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo. (17) Aliás, é melhor padecer, se Deus assim o quiser, por fazer o bem do que por fazer o mal. (18) Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 14
(15) Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
(16) E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.
(17) É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
(18) Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.
(19) Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.
(20) Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
(21) Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

6º Domingo da Páscoa - Não vos deixarei órfãos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo 14,15-21)

Na esteira do Evangelho do último domingo, Jesus responde à solidão de Seus discípulos com uma promessa maravilhosa: “Não vos deixarei órfãos”. Mas, como se dará isto?

Antes de partirmos ao Evangelho, é preciso colocar uma verdade de fé: Quando nós somos batizados e estamos em estado de graça, Deus habita em nosso coração, a Trindade inteira. E isso é comprovado pelas palavras de Jesus. Ele não apenas fala que “o Espírito da Verdade (...) estará dentro de vós” – realidade confirmada também por São Paulo [1] –, mas, como cremos que as três pessoas divinas nunca se separam – o que, na teologia, chamamos de pericorese –, com o Espírito Santo vêm à alma o Filho e o Pai. É o que Jesus diz mais adiante: “Eu virei a vós. (...) Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.” E ainda: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” [2]. Enfim, “quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” [3].

Então, se nós permanecemos na caridade, Deus habita em nós. Mas, isso não é suficiente. Quando estamos na graça divina, é como se recebêssemos um organismo espiritual, cuja ação mais extraordinária é amar a Deus de todo o coração. No entanto, se ficamos como uma pessoa que dorme, inerte, ou como um carro parado, sem funcionar, de nada adianta. Não basta possuir a vida da graça, é preciso colocá-la em ato. E, para isto, urge pedir a Deus, na oração, uma coisa chamada “graça atual”.

O amor é uma virtude sobrenatural. Portanto, ela está acima de nossa natureza. Não está em nosso poder ou em nossa capacidade amar. Para que sejamos capazes do sobrenatural, precisamos de duas coisas: um organismo espiritual – que é a vida da graça – e as graças atuais, graças que nenhum santo, sequer a Virgem Santíssima, mereceu. Para recebê-las, é preciso pedir a Deus, com humildade, confiança e perseverança: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto” [4].

Portanto, cultivemos com afinco a vida de oração, conscientes de que não pedimos a Deus sozinhos, Jesus está pedindo conosco: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.”

Referências

  1. Cf. 1 Cor 3, 16-17; 6, 19
  2. Jo 14, 23
  3. 1 Jo 4, 16
  4. Mt 7, 7

Padre Paulo Ricardo


Nestes dias pascais em honra do Ressuscitado, contemplamos e experimentamos nos santos mistérios não somente a sua ressurreição e ascensão, como também dom do seu Espírito Santo em pentecostes. Pois bem, caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus que escutamos nesta liturgia do VI Domingo da Páscoa coloca-nos precisamente neste clima. Com um coração fiel e recolhido, contemplemos o mistério que o Evangelho de hoje nos revela! Meditemos nas palavras do Senhor Jesus:

“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós! Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis!” São palavras estupendas, cheias de promessa e de vitória… Mas, será que são verdadeiras? Como pode ser verdade tudo isso? Uma coisa é certa: o Senhor não mente jamais! E ele nos garante: Eu virei a vós! Eu vivo! Vós vivereis! Mas, como se dá tal experiência? Como podemos realmente experimentar tal realidade estupenda em nossa vida e na vida da Igreja? Eis a resposta, única possível: somente no Espírito Santo que o Ressuscitado nos deu ao derramá-lo sobre nós após a ressurreição. Vejamos:

“Eu virei a vós!” Na potência do Santo Espírito, Cristo realmente permanece no coração de sua Igreja, primeiro pela Palavra, pregada na potência do Espírito, como Filipe, na primeira leitura, que, anunciando o Cristo, realizava curas e exorcismos e, sobretudo, tocava os corações! Uma Palavra que realmente toca os corações e coloca os ouvintes diante do Cristo vivo e atuante. Mas, conjuntamente com a Palavra, os sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia. Em cada sacramento é o próprio Espírito do Ressuscitado quem age, conformando-nos ao Cristo Jesus, unindo-nos a ele, fazendo-nos experimentar sua vida e sua força. Pelo Batismo, mergulhados no Espírito do Ressuscitado, realmente nascemos para uma nova vida, como nova criatura; pela Eucaristia, seu Corpo e Sangue plenos do Espírito, entramos na comunhão mais plena que se possa ter neste mundo com o Senhor: ele em nós e nós nele, num só Espírito Santo que ele nos doa!

“Vós me vereis!” Porque o Santo Espírito do Senhor Jesus habita em nossos corações, nós experimentamos Jesus em nós como uma Presença real e atuante e, com toda a certeza, proclamamos que Jesus é o Senhor, como diz São Paulo: “Ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo” (1Cor 12,3). Porque vivemos no Espírito, experimentamos todos os dias Jesus como Alguém vivo e presente na nossa vida, em outras palavras: vemos Jesus; vemo-lo de verdade!

“Eu vivo!” Sabemos que o Senhor está vivo: “morto na sua existência humana, recebeu nova vida pelo Espírito Santo”. Sabemos com toda a certeza da fé que Cristo é o Vivente para sempre, o Vencedor da Morte!

“Vós vivereis”. O Senhor Jesus não somente está vivo, totalmente transfigurado pela ação potente do Espírito que o Pai derramou sobre ele… Vivo na potência do Espírito, ele nos dá esse mesmo Espírito em cada sacramento. Assim, sobretudo no Batismo e na Eucaristia, tornam-se verdadeiras as palavras do Senhor: “Vós vivereis!”, isto é: recebendo meu Espírito, nele vivendo, tereis a minha vida mesma! Vivereis porque meu Espírito“permanece junto de vós e estará dentro de vós!”

Então, caríssimos, palavras de profunda intensidade e de profunda verdade! Num mundo da propaganda, da ilusão, dos simples sentimentalismos, essas palavras do Senhor são uma concreta e impressionante realidade. Mas, escutemos ainda o Senhor: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós!” É na oração, na prática piedosa dos sacramentos, na celebração ungida e piedosa da Eucaristia que experimentamos essas coisas! Aqui não é só a inteligência, aqui não basta a razão, aqui não são suficientes os nossos esforços! É na fé profunda de uma vida de união com o Senhor, na força do Espírito Santo que experimentamos isso que Jesus disse: ele está no Pai, no Espírito ele e o Pai são uma só coisa. Mas, tem mais: experimentamos que nós estamos nele, nele enxertados como os ramos na videira, nele incorporados como os membros do corpo unidos à Cabeça! Repito: é nos sacramentos que essa experiência maravilhosa torna-se realidade concreta. Um cristianismo que tivesse somente a Palavra de Deus, sem valorizar os sete sacramentos – sobretudo o Batismo e a Eucaristia -, seria um cristianismos mutilado, deficiente, anêmico, não condizente com a fé do Novo Testamento e a Tradição constante da Igreja! Irmãos e irmãs, atenção para a nossa vida sacramental!

Ora, é esta comunhão misteriosa e real com o Senhor no Espírito, que nos faz amar Jesus e viver Jesus com toda seriedade de nossa vida. É cristão de modo pleno quem experimenta o Senhor Jesus vivo e íntimo em sua vida e celebra tal união, tal cumplicidade de amor, nos sacramentos! Aí sim, as exigências do Senhor, seus mandamentos, não nos parecem pesados, não nos são pesados, não são um fardo exterior que suportamos porque é o jeito. Quem vive a experiência desse Jesus presente e doce no Espírito derramado em nós, experimenta que cumprir os preceitos do Senhor é uma exigência doce, porque é exigência de amor e, portanto, libertadora, pois nos tira de nós mesmos e nos faz respirar um ar novo, o ar do Espírito do Ressuscitado, o Homem Novo!

Mas, quem pode fazer tal experiência? Somente quem vive de modo dócil ao Espírito Consolador, que nos consola mesmo nos desafios mais duros. Somente viverá o cristianismo com um dom e não como um peso quem vive na consolação do Espírito, que é também Espírito de Verdade, pois nos faz mergulhar na gozo da Verdade que é Jesus. Ora, o mundo jamais poderá experimentar esse Espírito! Jamais poderá experimentar o Evangelho como consolação, jamais poderá experimentar e ver que Jesus está vivo e é doce e suave vida para a nossa vida! Por isso mesmo, o mundo jamais poderá compreender as exigências do Evangelho: aborto, casamento gay, assassinato de embriões com fins pseudo-científicos, assassinato de embriões anencéfalos, eutanásia… Como o mundo poderá compreender as exigências do Evangelho se não conhece o Cristo? “O mundo não mais me verá!”Nunca nos esqueçamos disso! Ai dos Boffs e dos Bettos da vida, que pensam que a Igreja deve correr atrás do mundo! Este não é capaz de receber, de acolher o Evangelho porque – diz Jesus – não vê nem conhece o Espírito Paráclito! Mas, vós, cristãos, “o conheceis porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós!”Irmãos, como nosso Senhor é claro, como é verdadeiro, como nos preveniu!

É essa experiência viva de Jesus no Espírito que nos dá a força cheia de entusiasmo na pregação como Filipe, na primeira leitura. Dá-nos também a coragem e o discernimento para dar ao mundo “a razão da nossa esperança”, santificando o Senhor Jesus em nossos corações, isto é, pregando Jesus primeiro com a coerência da nossa fé na vida concreta e, depois, com respeito pelos que não crêem como nós, mas com a firmeza de quem sabe no que acredita! Dá-nos, enfim, a graça de participar da cruz do Senhor, ele que “morreu uma vez por todas, por causa dos nossos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus”. Assim, com ele morreremos para uma vida velha e ressuscitaremos no Espírito para uma vida nova. Eis! Esta será sempre a grande novidade cristã, o centro, o núcleo de a nossa identidade e nossa força! Nunca esqueçamos disso! Vamos! Sigamos o Senhor! Abramo-nos ao seu Espírito!

D. Henrique Soares da Costa