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A Ascensão do Senhor (01-06-2014)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 1
(1) Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, (2) desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). (3) E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. (4) E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca, (5) porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. (6) Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? (7) Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, (8) mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. (9) Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.. (10) Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: (11) Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 1
(17) Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele, (18) que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, (19) e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé. É o mesmo poder extraordinário que (20) ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, (21) acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro. (22) E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, (23) que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 28
(16) Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado.
(17) Quando o viram, adoraram-no, entretanto, alguns hesitavam ainda.
(18) Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
(19) Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
(20) Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

 Domingo da Ascensão do Senhor - Estarei convosco todos os dias

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus
(Mt 28,16-20)

Antes de subir aos Céus, Jesus reúne os seus discípulos na Galileia e diz-lhes: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo.”

Estas palavras de Nosso Senhor colocam-nos diante do mistério maravilhoso que é o “tempo da Igreja”, período que vai de Sua Ascensão aos céus até a Sua segunda vinda gloriosa. Mesmo tendo subido aos céus, Ele promete: “Estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”. Diante da difícil situação em que se encontra o mundo e a própria Igreja, somos tentados a perguntar: Onde está Deus? Se a Igreja é divina, por que o Senhor permite que essas coisas aconteçam? É como se a barca da Igreja estivesse naufragando e Jesus parecesse dormir [1]. No entanto, as palavras de Jesus ao final do Evangelho de São Mateus garantem-nos a Sua presença; não uma presença esporádica, mas uma união contínua, “todos os dias”. Por isso, no abismo mais profundo de nossa crise e sofrimento, tenhamos esta certeza: não estamos sozinhos, Jesus está conosco.

“Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra”. Como rezamos no Credo, “Jesus Cristo (...) está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso”. Isto deve apaziguar o nosso coração. “Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança!” [2]. Ainda que passemos por crises e sofrimentos, Cristo está conosco “com bastão e com cajado”, isto é, com toda a Sua autoridade. E se Ele permite que nos venham provações e tempestades, é porque Ele quer a santificação dos justos. Ele, que passou pela Cruz, “pelo vale tenebroso”, quer que nós respondamos ao Seu amor, com generosidade e abnegação.

“Ide e fazei discípulos meus todos os povos”, diz Jesus. De que modo? Primeiro, “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”; e, segundo, “ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei”. Então, antes de qualquer coisa, para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, é necessário que cultivemos uma vida sacramental intensa, por meio da Confissão e Comunhão frequentes. Em segundo lugar, o coração de discípulo também deve ser um coração missionário: se deixarmos de pregar o Evangelho, deixaremos de ser cristãos. A Igreja é missionária, não por uma questão de “marketing”, para aumentar o número de fiéis. Ainda que, absurdamente, ninguém se convertesse com a pregação do Evangelho, valeria a pena anunciá-lo do alto dos telhados, porque, com isso, estaríamos amando a Cristo.

Aproximando-se a solenidade de Pentecostes, Jesus pede a Seus discípulos que não deixem Jerusalém. Os apóstolos obedecem e permanecem com Maria para implorar a Deus o grande dom do Espírito Santo. Do mesmo modo, é necessário que nós, aproveitando a novena que a Igreja propõe aos fiéis nesses dias, imploremos com ardor o Espírito Santo, para que nos conceda as graças atuais de que precisamos para amar de verdade ao Senhor. O amor que está dentro de nós pelo estado de graça deve passar da potência ao ato. Isto só é possível com o auxílio divino.

É claro que, com o Batismo, os dons do Espírito Santo estão em nós. Para que sejam ativos, no entanto, é necessária a graça de Deus. Os sete dons do Espírito – desde a sabedoria até o temor de Deus – são como velas de um navio: sem o vento a soprar sobre elas, não produzem nenhum efeito.

Por isso, é importante rezar, ter verdadeiramente uma vida de oração. Que a nossa oração seja humilde – não nos podemos aproximar de Deus como alguém a exigir algo num balcão de bar, todos somos mendigos da Sua graça –, confiante – pois Ele prometeu que nos daria Sua graça, se lhe pedíssemos -, perseverante - Deus demora não porque não nos ama, mas porque quer ver crescer em nós o desejo das coisas santas, que só aumenta com a demora - e atenta. Peçamos ao Espírito Santo que sopre as velas do nosso coração e nos ajude a enfrentar esta tempestade que faz balançar a nave da Igreja. Joelhos no chão, coração confiante e olhos fixos na Virgem Santíssima: ela nos auxilia a rezar.

Referências

  1. Cf. Mt 8, 24
  2. Sl 22, 4

 

Padre Paulo Ricardo


Estamos ainda nos dias pascais, nas alegrias da Ressurreição do Senhor. A Solenidade que hoje celebramos – a Ascensão – e aquela do Domingo próximo – Pentecostes – são ainda dimensões, aspectos do mistério da Páscoa: ressurreição, subida ao céu e dom do Espírito são três aspectos do mesmo mistério. Celebramo-lo num arco de cinqüenta dias porque, enquanto o Senhor Jesus deixou este nosso tempo, feito de ontens, de hojes e de amanhãs, nós continuamos presos às horas, dias, meses e anos deste mundo…

Eis: Jesus ressuscita no Pai; não ressuscita para depois ir ao seu Deus e Pai! Ressuscitar é, precisamente, sair da morte, entrando na vida plena, que é o Pai. (Nunca esqueçamos: o Pai é nossa Vida, o Pai é nosso Céu! Também o foi e o é para Jesus)! Isso aparece claro em alguns textos dos próprios evangelhos. Em Lc 24,44, Jesus ressuscitado, conversando, com seus apóstolos e sendo tocado por eles, diz claramente que com eles não está mais: “São estas as palavras que eu vos falei quando estava convosco…” No próprio Evangelho deste hoje, o Senhor, aparecendo aos seus sobre o monte, dá a entender que já está no céu: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra!” Vede: ele já recebeu tal autoridade, também no Céu! Ele, durante quarenta dias apareceu aos seus, mas já não estava entre os seus! Seu novo modo de permanecer conosco é na potência do seu Espírito, também fruto da sua ressurreição e da entrada no Pai…

Se é assim, qual o sentido desta Solene Ascensão do Senhor? Eis o seu significado, tão importante para nós e para a nossa salvação: na Ressurreição, Jesus foi glorificado na sua pessoa, isto é, em si mesmo. Na Ascensão, aparece o que sua Ressurreição significa para nós, o que o Cristo se torna em relação a nós. Em primeiro lugar, a Ascensão marca o fim daquele período de encontros que o Ressuscitado teve com seus discípulos para fortalecer-lhes a fé e explicar-lhes a missão. É, portanto, uma despedida! Como já foi dito, a partir desse momento o Senhor estará com os seus e poderá ser por eles percebido de uma forma nova: na potência do seu Espírito Santo, presente na força da Palavra anunciada e nos sacramentos da Igreja. É assim que a Ascensão abre caminho para o Pentecostes, quando o Espírito, de um modo visível e barulhento, marca a inauguração da missão da Igreja, que é testemunhar e anunciar o Senhor, tornando-o presente nos gestos sacramentais.

Segundo: a Ascensão nos revela aquilo que aconteceu no Céu com Jesus e que, na terra, somente pela fé podemos saber e crer, isto é, sua glorificação como Senhor do Céu e da terra, Senhor da história humana e da Igreja. Ele ressuscitou e subiu ao Céu para tudo recapitular e de tudo ser a Cabeça, fonte de vida e salvação! São Paulo nos disse na segunda leitura que “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos e fê-lo sentar-se à sua direita nos céus. Ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, Cabeça da Igreja, que é o seu corpo…” É assim que hoje, cheios de alegria, proclamamos Jesus ressuscitado como Cabeça de toda a criação, Cabeça da humanidade toda, Cabeça e sentido da história humana. E tudo isso ele o é enquanto Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo! Isso significa que toda a criação caminha para ele e nele será um dia glorificada; que toda história somente nele encontra a direção e o sentido profundo; e que a Igreja participa, de modo indissolúvel, da sua obra universal de salvação! Se toda salvação neste mundo somente pode vir através de Cristo, vem desse Cristo que é, inseparavelmente, Cabeça da Igreja. Assim, podemos e devemos dizer que sem o ministério da Igreja não há salvação possível! Isso mesmo: fora da Igreja não há salvação, porque ela é o Corpo do Cristo, sua Cabeça e único Salvador. Em outras palavras: todo ser humano de boa vontade e consciência reta pode salvar-se, mas pode-o somente porque Cristo, Cabeça da Igreja, morreu e ressuscitou e está à Direita do Pai em favor de toda a humanidade e age através da Igreja em benfício de todo ser humano, até de quem não crê nele!

Em terceiro lugar, glorificado, o Senhor é nosso Juiz! Para ele caminham a história humana e as nossas histórias. Somente ele pode ver nosso caminho neste mundo com seu sentido profundo, somente ele nos julgará, porque, à Direita do Pai, somente ele abarca toda a história com o seu Espírito e desvela seu sentido pleno; somente nele nossos pobres dias podem encontrar o Dia sem fim, o Dia pleno da glória eterna! Quarto: desaparecendo de nossa vista humana, ele nos dá o seu Espírito, inaugurando um novo modo de estar presente entre nós, mais profundo e eficaz: agora ele nos é interior, age em nós pela energia do seu Espírito Santo: “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo!” – Essa promessa não é palavra vazia; é, sim, uma impressionante realidade! E é nesse Espírito que ele consola a Igreja e a guia na missão  pelas estradas do mundo. Em quinto lugar, sua presença na glória, à Direita do Pai, o constitui para sempre como nosso Intercessor, como diz o Autor da Epístola aos Hebreus: “Cristo entrou no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor!” (9,24). Eis como é grande a nossa certeza, como é profunda a nossa esperança, como é certo o nosso camiho: temos um Irmão nosso, um de nossa raça à Direita do Pai, intercedendo por nós!

Caríssimos, a hodierna Solenidade é também nossa festa e motivo de alegria para nós! Aquele que hoje sentou-se à Direita do Pai é o Filho eterno feito homem, é um de nós! Que coisa impressionante: hoje, a nossa humanidade foi colocada acima dos Anjos! Aquele que, como Deus, foi colocado no presépio e no sepulcro, hoje, como homem, foi colocado acima dos anjos, à Direita do próprio Pai! Ora, alegremo-nos: onde já está o Cristo, nossa Cabeça, estaremos um dia todos nós, membros do seu Corpo! Era isso que rezava a oração inicial da Missa de hoje: “Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é a nossa vitória: membros do seu corpo, somos chamados a participar da sua glória!” E a oração que faremos após a comunhão dirá claramente que junto do Pai já se encontra a nossa humanidade, no Cristo glorificado.

Irmãos e irmãs! Elevemos o olhar para o céu: à Direita do Pai, Deus como o Pai, encontra-se o homem Jesus, nosso irmão, um de nossa raça… Ele é o objetivo para o qual se dirigem a nossa existência e a historia humana, ele é o nosso Juiz, ele é o nosso Intercessor! Que nossa vida, neste mundo que passa, seja cheia do gosto da eternidade, porque nele, nossa esperança é certíssima! Não temamos: aquele que está no céu faz-se ouvir nas Escrituras e se nos dá em comunhão na Eucaristia para que o experimentemos, o anunciemos e o testemunhemos, até sermos plenamente unidos a ele quando aparecer em sua glória e entregar o Reino a Deus seu Pai. “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje; ele o será por toda a eternidade” (Hb 13,8). Amém.

D. Henrique Soares da Costa