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O Tesouro Escondido (27-07-2014)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Primeiro Livro dos Reis (1Rs), capítulo 3
(5) O Senhor apareceu-lhe em sonhos em Gabaon durante a noite, e disse-lhe: Pede-me o que queres que eu te dê. (6) Salomão disse: Vós destes com liberdade vossa graça ao vosso servo Davi, meu pai, porque ele andou em vossa presença com fidelidade, na justiça e retidão de seu coração para convosco, em virtude dessa grande benevolência, destes-lhe um filho que hoje está sentado no seu trono. (7) Sois vós, portanto, ó Senhor meu Deus, que fizestes reinar o vosso servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, e não sei como me conduzir. (8) E, sem embargo, vosso servo se encontra no meio de vosso povo escolhido, um povo imenso, tão numeroso que não se pode contar, nem calcular. (9) Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal, pois sem isso, quem poderia julgar o vosso povo, um povo tão numeroso? (10) O Senhor agradou-se dessa oração, e disse a Salomão: (11) Pois que me fizeste esse pedido, e não pediste nem longa vida, nem riqueza, nem a morte de teus inimigos, mas sim inteligência para praticar a justiça, (12) vou satisfazer o teu desejo, dou-te um coração tão sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti e nem haverá depois de ti.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 8
(28) Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios. (29) Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. (30) E aos que predestinou, também os chamou, e aos que chamou, também os justificou, e aos que justificou, também os glorificou.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 13
(44) O Reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.
(45) O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
(46) Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.
(47) O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.
(48) Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta.
(49) Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos
(50) e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes.
(51) Compreendestes tudo isto? Sim, Senhor, responderam eles.
(52) Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Canção Nova: Homilia

17º Domingo do Tempo Comum - O tesouro escondido no campo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo 
Mateus (Mt 13, 44-52)

Diz Nosso Senhor, no Evangelho deste Domingo, que “o Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo”. Como interpretação para esse versículo, serve-nos de guia Santa Teresinha do Menino Jesus, que, em uma carta para sua irmã Celina, indica o “tesouro escondido no campo” como o próprio Jesus:

Minha Querida Celinazinha,

A tua carta encheu-me de consolação, o caminho que segues é um caminho real, não um caminho trilhado, mas é um atalho que foi traçado pelo próprio Jesus. A esposa dos Cânticos (cf. Ct 3, 1-4) diz que, não tendo encontrado o seu Bem-amado no seu leito, levantou-se para procurá-lo na cidade, mas foi em vão; depois de ter saído da cidade, achou Aquele que sua alma amava!... Jesus não quer que encontremos no repouso a sua adorável presença, esconde-se, envolve-se em trevas (cf. Sl 17, 12); não era deste modo que ele procedia com a multidão dos judeus, pois vemos nos evangelhos “que o povo ficava arrebatado quando Ele falava” (Lc 19, 48). Jesus encantava as almas fracas com suas divinas palavras, procurava torná-las fortes para o dia da provação... Mas como foi reduzido o número dos amigos de Nosso Senhor quando Ele se calava diante dos juízes!... (cf. Lc 23, 9) Oh! que melodia para o meu coração este silêncio de Jesus... Faz-se pobre a fim de que possamos fazer-lhe caridade, estende-nos a mão como mendigo (cf. Mt 25, 31), a fim de que, no dia radioso do juízo, quando aparecerá na sua glória, possa fazer-nos ouvir estas doces palavras: “Vinde, benditos do meu Pai, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me hospedastes; andava nu e me vestistes, estava doente e me visitastes, estava no cárcere e foste ver-me” (Mt 25, 34-36). Foi o próprio Jesus que pronunciou estas palavras, é Ele que quer o nosso amor, que o mendiga... Põe-se, por assim dizer, à nossa mercê, Ele não quer senão aquilo que lhe damos e a mais pequena coisa é preciosa aos seus divinos olhos...

[v] Minha querida Celina, regozijemo-nos pela nossa parte, é tão bonita, demos, demos a Jesus, sejamos avaras para os outros, mas pródigas para com Ele...

Jesus é um tesouro oculto (cf. Mt 13, 44), um bem inestimável que poucas almas sabem encontrar, pois ele está escondido e o mundo gosta do que brilha. Ah! se Jesus tivesse desejado mostrar-se a todas as almas com seus dons inefáveis, sem dúvida, nem uma só o teria rejeitado, mas não quer que o amemos pelos seus dons (cf. Gn 15, 1), é Ele mesmo que deve ser a nossa recompensa. Para encontrar uma coisa escondida é preciso a gente também esconder-se (cf. João da Cruz, CB, 1, 9); portanto, nossa vida deve ser um mistério, é necessário parecer-nos com Jesus, cujo rosto estava oculto... (cf. Is 53, 3) “Quereis aprender alguma coisa que vos sirva”, diz a Imitação: “Querei ser ignorados e tidos por nada” (I, 2, 3)... e em outra passagem: “Depois de ter deixado tudo, é preciso cada um se deixar a si mesmo” (II, 11, 4), embora alguém se vangloria de alguma coisa, um outro de outra coisa, ponde a vossa alegria apenas no desprezo de vós mesmos” (III, 49, 7). Como estas palavras dão paz à alma, minha Celina, tu as conheces, mas não sabes tudo aquilo que eu quereria dizer?... Jesus te ama com um amor tão grande que, se tu visses, ficarias num arrebatamento de felicidade que te faria morrer, mas não o vês e sofres...

Em breve Jesus “levantar-se-á para salvar todos os mansos e os humildes da terra”!... (cf. Sl 75, 10). [1]

“Jesus é um tesouro oculto”. Mas, se Ele está oculto, onde procurá-Lo? De acordo com São João da Cruz, Ele se esconde dentro da própria alma:

Ó alma, formosíssima entre todas as criaturas, que tanto deseja saber onde está o teu Amado para te encontrares e te unires a Ele, já te foi dito que tu mesma és o aposento onde ele mora, o refúgio e o esconderijo onde Ele se oculta.

[...] Mas também perguntas: “Então, se Aquele que a minha alma ama está em mim, porque é que não O encontro nem O sinto?” A razão disso é que Ele está escondido, e tu não te escondes para O encontrar e sentir. Quem quiser encontrar uma coisa escondida, há de penetrar escondido no lugar onde ela está escondida: ao encontrá-la, fica tão escondido como ela. Portanto, uma vez que o teu Amado é o tesouro escondido no campo de tua alma, pelo qual o sábio comerciante entregou tudo (Mt 13, 44), convirá que tu, para O encontrar, esquecidas todas as tuas coisas e alheando-te de todas as criaturas, te escondas no teu refúgio interior do espírito e, fechando atrás de ti a porta, isto é, a tua vontade a todas as coisas, ores a teu Pai em segredo (Mt 6, 6). E ficando assim escondida com Ele, senti-lo-ás no escondido, amá-lo-ás e possui-lo-ás no escondido, e escondidamente te deleitarás com Ele, mais do que aquilo que a língua e os sentidos podem alcançar. [2]

Para que nos encontremos com Jesus, é preciso que nos recolhamos interiormente. A parábola diz que o homem “vende todos os seus bens” por causa do que encontrou. Isso significa, sobretudo, renunciarmos a nós mesmos, aos nossos gostos, caprichos e vontades. Afinal, tendo descoberto esse amor que nos redimiu e salvou, não nos pertencemos mais. Se quisermos, pois, encontrar Jesus, precisamos dar tudo e dar-nos a nós mesmos, como diz Santa Teresinha: “Aimer c’est tout donner et se donner soi-même. – Amar é tudo dar; depois, dar-se a si mesmo” [3].

Como fazer isso na prática? É preciso que nos unamos a Jesus escondido, escondendo-nos junto com Ele. Santa Teresinha toma a decisão vocacional de ocultar-se no Carmelo, mas, mesmo que não sejamos chamados para a vida de clausura, é necessário que tenhamos um “quarto interior”, uma “cela” onde nos possamos esconder. Escreve Teresinha, em outra poesia:

“Vivre d’Amour, c’est vivre de ta vie, / Roi glorieux, délice des élus. / Tu vis pour moi, caché dans une hostie / Je veux pour toi me cacher,ô Jésus ! / A des amants, il faut la solitude / Un cœur à cœur qui dure nuit et jour / Ton seul regard fait ma béatitude / Je vis d’Amour !… - Viver de Amor é viver da Tua vida, / Delícia dos eleitos e glorioso Rei; / Vives por mim numa hóstia escondido, / Escondida também por Ti eu viverei! / Os amantes procuram sempre a solidão: / Coração, noite e dia, em outro coração; / Somente Teu olhar me dá felicidade: / Vivo de Amor!” [4]

Pode parecer estranho que Nosso Senhor, ao mesmo tempo em que se faz carne e habita no meio dos homens, se oculte. No entanto, Ele quer que seja assim para que O busquemos não tanto pelo desejo de recompensas, como por Ele mesmo; mais que nos amar, Ele deseja receber o nosso amor. Deus se rebaixa, torna-se de alguma forma dependente das migalhas de nosso amor, pois sabe que só assim nos tornaremos semelhantes a Ele e participaremos de Sua divindade.

Para tanto, precisamos nos convencer da necessidade da oração. Não é possível sermos cristãos sem rezar e cultivar a vida interior, sob o risco de transformarmos a religião em um farisaísmo. O que nos torna seguidores de Cristo não é um conjunto de normas ou um código de práticas exteriores, mas uma atitude interna de amor a Nosso Senhor.

Referências

  1. Santa Teresa do Menino Jesus, Carta,145, para Celina, 02/08/1893
  2. São João da Cruz, Cântico Espiritual B 1, 7. 9
  3. Poesias, 54 (Porque eu Te amo, Maria – Maio de 1897), estrofe 22
  4. Santa Teresa do Menino Jesus, Poesias, 17 (Viver de Amor, estrofe 3)

Padre Paulo Ricardo


O Reino dos Céus

Continuamos, neste hoje, a escutar Jesus falando-nos do Reino dos Céus. Saído do barco à beira-mar, chegado em casa, ele nos conta ainda três parábolas: o Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo; um homem o encontra e, cheio de alegria, vende tudo e o adquire! O Reino dos Céus é como uma pérola de grande valor; o homem vende tudo e, fascinado por sua beleza, vende tudo e a adquire… Observem, irmãos, que Jesus nos quer fazer compreender que quem encontra o Reino, sai de si! Encontra o sentido da vida, encontra aquilo por que vale a pena viver. Quem de verdade encontra o Reino, quem o experimenta, muda para sempre sua existência: vai ligeiro, vende tudo, fica cheio de alegria! Encontrar o Reino é encontrar Jesus, e encontrar Jesus de verdade é encontrar a razão de viver, o sentido da existência… é encontrar-se consigo mesmo! Quem encontra o Reino assim, se encontra, parte de si mesmo e vai viver de verdade! Quantos cristãos experimentaram isso, quantos fizeram-se loucos, pareceram loucos, por amor de Cristo! Quantos jogaram fora amores, família, projetos, bens materiais… O que os levou a isso? O que aconteceu com Santo Antão, que vendeu todos os bens e deu aos pobres e foi viver no deserto, sozinho? O que aconteceu com Francisco de Assis? O que aconteceu com a Beata Madre Teresa de Calcutá ou com a Ir. Dulce? O que aconteceu com aquele moço que largou tudo e foi ser religioso, com aquela moça sem juízo que entrou numa comunidade de vida? O que aconteceu com aquele casal, que mudou seu modo de viver, seu círculo de amizade, que deixou suas badalações? O que aconteceu com São Maximiliano Kolbe, que entregou a vida no lugar de um pai de família? Com o Bem-aventurado Anchieta, que deixou sua pátria e se embrenhou no Brasil selvagem para anunciar Cristo aos índios? O que aconteceu com todos esses? Eles descobriram o tesouro, eles encontraram uma pérola de valor imensurável, eles experimentaram a paz, a doçura, a verdade do Reino dos Céus!

Meus caros, estejamos atentos! Quem é mole nas coisas de Deus, quem é pouco generoso no seguimento de Cristo, quem sente como um fardo os apelos do Senhor, não experimentou ainda, não encontrou o tesouro, não viu a pérola de grande valor, não descobriu de verdade o Reino dos Céus! Cristãos cansados, cristãos sem entusiasmo, cristãos pouco generosos, cristãos com uma lógica igual à do mundo são cristãos que nunca – nunca! – experimentaram a paz do Reino, a beleza do Reino, a doçura do Reino, a plenitude do Reino que Jesus nos mostra e nos dá! Atentos, irmãos: pode-se ser cristão e nunca ter experimentado o Reino! Pode-se ser padre ou religioso sem nunca ter descoberto o Reino… Aí, já não há alegria, já não há entusiasmo, já não se corre, se arrasta, se rasteja! O Reino tem pressa, o Reino faz vibrar, o Reino nos impele porque descobrir o Reino e experimentar o amor de Deus em Jesus Cristo! Quantos de nós se entusiasmam com tantas coisas e são tão lerdos quando se trata do Senhor e do seu Reino… Não seríamos nós um desses?

E, no entanto, o sonho de Deus é que todos possam encontrar o seu Reino; para isso ele nos criou, para isso nos destinou. Escutemos o Apóstolo: “Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde toda eternidade, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho… E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou também os tornou justos, e aos que tornou justos também os glorificou”. Isso nos coloca diante de duas realidades, caríssimos. Primeiro: o dever que temos de anunciar o Reino a toda a humanidade! A Igreja é missionária, anunciadora do Reino dos Céus! Uma Igreja que não tenha o desejo, que não sinta a necessidade de levar Jesus aos que ainda não o conhecem, é uma Igreja morta, uma Igreja que já não experimenta a alegria de crer! Estejamos atentos: há tantos em terras distantes e tantos bem próximos de nós que não tiveram ainda a alegria do Reino dos Céus, pois que não encontraram o tesouro, na viram a pérola de grande valor! Ai de nós se não anunciarmos a esses a Boa Nova do Reino dos Céus! Nunca esqueçamos: quem encontra algo de muito bom, sente o desejo de comunicar, de partilhar, de tornar conhecido aos demais. Se em nós não há ímpeto missionário, é porque não encontramos, de verdade, a o Reino e sua alegria! Pensemos bem!

Mas, há uma segunda realidade, que precisamos levar em conta. Descobrir o Reino exige um olhar iluminado pela graça de Deus. Sozinhos, com nossas próprias forças, somos incapazes de discernir essa presença do Reino! Por isso é necessário suplicar, como Salomão, um coração para compreender: “Dá ao teu servo um coração compreensivo – um coração que escute!” No Evangelho de hoje, Jesus termina perguntando: “Compreendeste essas coisas?” – Senhor, pedimos nós, dá-nos um coração capaz de compreender! Sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo! Mostra-nos o tesouro, que é o teu Reino! Faz-nos encontrar a pérola de grande valor, pela qual vale a pena perder tudo e todo nela encontrar! Faz-nos sentir que, pelo Reino, vale a pena deixar redes, barcos, a vida perder; deixar a família e dinheiro não ter!

Concluamos, agora, com a última, das sete parábolas: O Reino dos Céus é como uma rede jogada no mar deste mundo… Ela apanha todo tipo de peixe – apanhou a mim, a você… Olhem a Igreja, olhem a nossa comunidade: há de tudo! Todo tipo de gente, todo tipo de cristão! Mas, um dia, a rede será puxada para a margem… e os peixes bons serão recolhidos nos cestos do Senhor e os peixes ruins serão lançados fora, para o fogo queimar… Eis como Jesus termina! Prevenindo-nos que é necessário decidir-se pelo Reino, que nossa vida valerá ou não a pena, terá ou não sentido dependendo de nossa atitude em relação ao Reino que ele veio anunciar…

Irmãos, irmãs! “Compreendestes tudo isso?” Que o Senhor no-lo conceda, ele que Reina para sempre. Amém.

D. Henrique Soares da Costa