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Nossa Senhora Aparecida (12-10-2014)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Livro de Ester (Est), capítulo 5
(1) Três dias depois Ester se revestiu de seus trajes reais e se apresentou na câmara interior do palácio, diante do aposento real, onde estava o rei sentado sobre seu trono, diante da porta de entrada do edifício. (2) Logo que o rei viu a rainha Ester no átrio, esta conquistou suas boas graças, de sorte que ele estendeu o cetro de ouro que tinha na mão. E Ester se aproximou para tocá-lo.
HISTÓRICO: Livro de Ester (Est), capítulo 7
(1) O rei e Amã vieram, pois, ao banquete de Ester. (2) No segundo dia, bebendo vinho, disse ainda o rei a Ester: Qual é teu pedido, rainha Ester? Será atendido. Que é que desejas? Fosse mesmo a metade de meu reino, tu obterias. (3) A rainha respondeu: Se achei graça a teus olhos, ó rei, e se ao rei lhe parecer bem, concede-me a vida, eis o meu pedido, salva meu povo, eis o meu desejo.

Segunda Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 12
(1) Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. (2) Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. (3) Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. (4) Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. (5) Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 13
(15) Foi-lhe dado, também, comunicar espírito à imagem da Fera, de modo que essa imagem se pusesse a falar e fizesse com que fosse morto todo aquele que não se prostrasse diante dela. (16) Conseguiu que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tivessem um sinal na mão direita e na fronte,
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 2
(1) Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus.
(2) Também foram convidados Jesus e os seus discípulos.
(3) Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho.
(4) Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou.
(5) Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
(6) Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.
(7) Jesus ordena-lhes: Enchei as talhas de água. Eles encheram-nas até em cima.
(8) Tirai agora , disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes. E levaram.
(9) Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo
(10) e disse-lhe: É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora.
(11) Este foi o primeiro milagre de Jesus, realizou-o em Caná da Galiléia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros:
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade de Nossa Senhora Aparecida - Maria, medianeira de todas as graças

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo 
João (Jo 2, 1-11)

Neste Domingo, celebra-se, no Brasil, a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Todas as leituras apresentam o mistério da intercessão de Maria Santíssima, culminando com o Evangelho, que narra o milagre das bodas de Caná.

No começo desta reflexão, é importante destacar que, quando se fala da mediação de Nossa Senhora, não se fala da mesma coisa que fazem os santos, quando intercedem. A intervenção de Maria possui uma peculiaridade, que está ligada ao seu papel único na obra da salvação. Desde o início, a Igreja tem consciência de que, embora seja um só o redentor do gênero humano, Jesus Cristo, essa redenção se operou com a colaboração direta da Virgem Santíssima. É por isso que, assim como São Paulo chama Jesus de “novo Adão” [1], a Igreja – por meio de padres como São Justino, Santo Inácio, Santo Irineu, Tertuliano etc. – nunca hesitou chamar Maria de “nova Eva”, pois, assim como um anjo visitou uma virgem, no Gênesis, para perder a humanidade, outro anjo visitou outra virgem, na plenitude dos tempos, para salvá-la.

Por isso, pode-se chamar Maria de “corredentora”. Assim como um fruto, ao mesmo tempo que vem de Deus, vem da árvore de que foi colhida, a redenção dos homens foi feita por Nosso Senhor, mas também por intervenção de Maria, que gerou a humanidade de Cristo.

É possível considerar a redenção sob dois aspectos: objetiva e subjetivamente. Objetivamente, Cristo morreu e derramou o Seu sangue por todos os homens, para que todos fossem salvos. Subjetivamente, como “o cálice da salvação humana (...), se não for bebido, não cura” [2], nem todos os homens de fato se salvam, não por um defeito do resgate operado por Jesus, mas pelo mau uso da liberdade humana. Na redenção objetivamente considerada, Maria Santíssima age como “corredentora”, pois, estando aos pés da Cruz, entrega o seu Filho pela salvação humana; e, subjetivamente falando, age como “medianeira de todas as graças”, já que, assim como gerou Cristo uma vez em seu ventre, é ela quem O gera para sempre nas almas. Como medianeira, a sua missão é justamente gerar os membros do Corpo Místico de Cristo. Na Cruz, Nosso Senhor entrega todos os cristãos à sua custódia, quando diz a São João: “Eis a tua mãe” [3].

Assim, absolutamente todas as graças que vêm aos homens passam pelas mãos de Maria. Foi o que Nossa Senhora das Graças revelou a Santa Catarina Labouré, em 27 de novembro de 1830, na França, quando, estendendo as suas mãos para baixo, fez sair raios delas, demonstrando a abundância de graças que irradia para todos os homens. Importa sublinhar que Nossa Senhora é medianeira não por necessidade, mas simplesmente por privilégio divino. Deus, onipotente, podia muito bem remir a humanidade de outro modo. No entanto, escolheu precisar do consentimento de uma mulher, a Virgem Maria.

De fato, várias passagens do Velho Testamento – como o trecho do livro de Ester, da primeira leitura, e o Salmo 44 – prefiguram a intermediação de Nossa Senhora na obra da salvação. No Novo Testamento, então, são inúmeros os exemplos de sua ação providencial: na Visitação [4], realiza-se o primeiro milagre da graça, quando, ao ouvir a voz de Maria, São João Batista exulta no seio de Santa Isabel, a ponto de a Tradição da Igreja dizer que, naquele momento, o santo precursor do Messias foi perdoado do pecado original; nas bodas de Caná, lembradas neste Domingo, dá-se o primeiro milagre na ordem da natureza, quando, por intercessão de Maria, Jesus transforma a água em vinho; e, por fim, em Pentecostes, quando as Escrituras dizem que os discípulos “perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres – entre elas, Maria, mãe de Jesus” [5], a oração da Virgem Santíssima é providencial para a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja.

Importa explicar, à luz da passagem do casamento de Caná, que a oração da Virgem não age para “contrariar” a vontade de Cristo. Santo Tomás de Aquino ensina que “não oramos para mudar o que foi disposto pela providência divina, mas para que façamos o que Deus dispôs para ser realizado devido à oração dos santos”; “a nossa oração não objetiva mudar aquilo que foi disposto por Deus, mas conseguir d’Ele, pelas orações, o que Ele dispôs” [6]. A oração de Nossa Senhora, de modo especial, foi escolhida por Deus para mediar todas as Suas graças. E, embora essa verdade ainda não tenha sido definida solenemente pela Igreja, todos os tratados tradicionais de mariologia e os Papas do século XX falam de Maria como “medianeira de todas as graças”. Também respaldam esse título as inúmeras manifestações de piedade e amor à Virgem por parte do povo cristão, em todo o mundo, pelo que se confirma o adágio: “lex orandi, lex credendi – a lei da oração é a lei da fé”.

Ao celebrar a solenidade da Virgem de Aparecida, queremos pedir a sua intercessão por nosso país e colocá-lo debaixo de seu manto, especialmente nestes dias de eleições. Embora a Igreja não se deva meter em política partidária, é importante recordar o discurso do Papa Bento XVI, há quatro anos atrás, no qual ele advertia que, “quando (...) os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas” [7]. Não se pode esquecer que o partido que nos governa tem feito muito, há muito tempo, pela legalização do aborto e pela destruição da família.

Que Nossa Senhora Aparecida, Imperatriz do Brasil, governe o destino de nossa nação.

Referências

  1. Cf. Rm 5, 17-18
  2. Sínodo de Quiercy, maio 853: DS 624
  3. Jo 19, 27
  4. Cf. Lc 1, 39-56
  5. At 1, 14
  6. Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 2
  7. Discurso aos bispos do Brasil, em visita “ad Limina Apostolorum”, 28 de outubro de 2010

Padre Paulo Ricardo


Solenidade de Nossa Senhora Aparecida

A Solenidade hodierna recorda a proteção da Virgem Maria, sua presença materna e consoladora, experimentada em 1773,

por três pobres pescadores, na aurora de nossa história nacional. As redes vazias dos pobres quase se romperam pela abundância de peixes, após o “aparecimento” da imagem enegrecida da Imaculada Conceição. Desde então, aquela imagenzinha humilde e feiosa recorda ao povo brasileiro a presença materna da Mãe do Senhor na nossa história e na nossa terra. Sim, hoje a festa é nossa, do povo brasileiro; hoje, por todo o território nacional, gente de todas as raças que fazem esta Nação, canta com devota gratidão: “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Salve a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!”

Esta presença materna, carinhosa, providente e atuante da Virgem Santíssima é ilustrada de modo admirável nas leituras da Palavra de Deus, que acabamos de ouvir. Primeiramente, a Virgem é evocada pela rainha Ester, que arriscou a vida para salvar o seu povo da condenação à morte. Quem não se comove com o apelo da Rainha? “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida – eis o meu pedido! – e a vida do meu povo – eis o meu desejo!” Como tais palavras cabem na boca da Mãe do Senhor! Ela, perfeita e completamente salva e redimida de todo pecado por pura graça de Deus; ela, a Agraciada! Mais que ninguém, ela pode cantar as palavras de Isaías, que o Missal coloca no início da Eucaristia deste dia: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias”. Maria Virgem, totalmente agraciada, totalmente salva por Deus, não esquece de nós, filhos que o Filho lhe deu ao pé da cruz: “Salva a vida do meu povo – eis o meu desejo!” Ela é a Mulher do Apocalipse, em luta constante contra a serpente, o antigo Inimigo, que ameaça o povo de Deus; ela é a Mulher que, em Caná, intercede pelos esposos, ensina-nos a fazer o que o Filho disser e cuida para que a água das nossas pobrezas e das nossas angústias seja transformada no vinho da alegria, fruto da ação do Espírito do Cristo ressuscitado.

A Festa de hoje recorda-nos a presença constante de Nossa Senhora na vida da Igreja, na vida do povo brasileiro e na vida de cada um de nós. Não poderia ser diferente! Foi o próprio Cristo quem lhe deu essa missão materna em relação a nós, seus discípulos amados. Recordemo-nos da cena dramática no Calvário. Jesus diz à sua Mãe, indicando o Discípulo Amado, que é cada um de nós, cada cristão, católico ou não: “Mulher, eis o teu filho!”(Jo 19,26). Não foi ela quem escolheu ser nossa Mãe. Não! Foi o Filho mesmo quem lhe deu a missão: “Eis o teu filho, os teus filhos, Virgem Maria! Tu és a Mulher do Gênesis, inimiga da serpente; tu és a Mãe dos viventes, a verdadeira Eva!” Fidelíssima à vontade do Senhor, como sempre foi, a Virgem vela por todos os cristãos; até por aqueles que não lhe têm amor e veneração, chegando mesmo a difamá-la! Mãe dos discípulos do Senhor Jesus, Mãe da Igreja, Virgem Maria! Foi esta maternidade tão amorosa, fecunda e providente que o povo brasileiro experimentou às margens do rio Paraíba do Sul, quando a imagem enegrecida da Imaculada apareceu nas redes dos pescadores. É esta maternidade que nós experimentamos continuamente em nossa vida. Quem de nós não tem uma história para contar a respeito da presença da Virgem no nosso caminho? “Filho, eis a tua Mãe!” (Jo 19,27). Não fomos nós que escolhemos Maria por Mãe. Cristo mesmo, no-la deu como aconchego materno. Na cruz, ele olhou para o Discípulo Amado, para cada um de nós, e deu-nos sua Mãe: “Filho, eis a tua Mãe!” Que generosidade, a do Senhor: deu-nos tudo, seu corpo, seu sangue, sua vida… deu-nos sua Mãe! Realmente, amou-nos até o fim (cf. Jo 13,1). Jesus olha para todo cristão – católico ou não – e indica: “Eis a tua Mãe!” E o Evangelho diz qual deve ser a atitude do discípulo ante um dom tão generoso, tão belo, tão grande: “A partir daquele momento, o discípulo a levou para sua casa” (Jo 19,27). Todo discípulo de Cristo tem o dever de acolher o dom do Senhor, o dever de levar a Mãe de Jesus – agora Mãe de cada cristão – para sua casa. Não fazê-lo é desobedecer a um preceito expresso e claro do Senhor, é privar-se de tão grande dom! Por isso, mil vezes tem razão o povo brasileiro em orgulhar-se hoje de ter Maria por Mãe. Tem razão o nosso povo de tê-la proclamado Rainha e Padroeira do Brasil!

Virgem Mãe Aparecida, Mãe de Deus e nossa! Vela pelo povo brasileiro, acolhe nosso brado filial!

Intercede com tua oração materna por nossos governantes: que sejam retos, justos, servidores do bem comum, sobretudo dos mais necessitados!

Sê consolo para quem chora, força para quem se encontra alquebrado, inspiração e encorajamento para os pobres, saúde para os enfermos e rosto maternal de Deus para todos nós! Vela pelas crianças, mantém na harmonia as famílias de nossa Pátria, vela pela paz no campo e nas cidades!

Senhora Aparecida, protege a Santa Igreja em terras brasileiras! Roga pelo clero, pelos religiosos, por todo o povo de Deus!

Ajuda-nos, Mãe de Deus-Jesus e Mãe nossa, ajuda-nos a construir um Brasil mais cristão, mais justo, mais pacífico e solidário… e que, pelas tuas preces maternas, jorre para nós o vinho bom da alegria e sejamos todos, um dia, herdeiros do Reino dos céus. Amém!

Dom Henrique Soares da Costa