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O Templo da Nova Aliança (09-11-2014)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Ezequiel (Ez), capítulo 47
(1) Conduziu-me então à entrada do templo. Eis que águas jorravam de sob o limiar do edifício, em direção ao oriente (porque a fachada do templo olhava para o oriente). Essa água escorria por baixo do lado direito do templo, ao sul do altar. (2) Fez-me sair pela porta do norte e contornar o templo do lado de fora até o pórtico exterior oriental, eu vi a água brotar do lado sul. (3) O homem foi para o oriente com uma corda na mão: mediu mil côvados, a seguir fez-me passar na água, que me chegou até os tornozelos. Mediu ainda mil côvados e me fez atravessar a água, que me subiu até os joelhos. (4) Mediu de novo mil côvados e fez-me atravessar a água, que me subiu até os quadris. (5) Mediu, enfim, mil côvados, e era uma torrente que eu não podia atravessar, de tal modo as águas tinham crescido! E era preciso nadar, era um curso de água que não se podia passar (a vau). (6) Viste, filho do homem? - falou-me, e me levou ao outro lado da torrente. (7) Ora, retornando, avistei nas duas margens da torrente uma grande quantidade de árvores. (8) Essas águas, disse-me ele, dirigem-se para a parte oriental, elas descem à planície do Jordão, elas se lançarão no mar, de sorte que suas águas se tornarão mais saudáveis. (9) Em toda parte aonde chegar a corrente, todo animal que se move na água poderá viver, e haverá lá grande quantidade de peixes. Tudo o que essa água atingir se tornará são e saudável e em toda parte aonde chegar a torrente haverá vida. (10) Na praia desse mar estarão pescadores, eles estenderão suas redes desde Engadi até Engalim, e haverá aí peixes de toda espécie em abundância, como no grande mar. (11) Mas seus mangues e charcos não serão saneados, abandonados que estão ao sal. (12) Ao longo da torrente, em cada uma de suas margens, crescerão árvores frutíferas de toda espécie, e sua folhagem não murchará, e não cessarão jamais de dar frutos: todos os meses frutos novos, porque essas águas vêm do santuário. Seus frutos serão comestíveis e suas folhas servirão de remédio.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 3
(9) Nós somos operários com Deus. Vós, o campo de Deus, o edifício de Deus. (10) Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. (11) Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. (12) Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, (13) a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo, o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. (14) Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. (15) Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo. (16) Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (17) Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 2
(13) Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
(14) Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas.
(15) Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas.
(16) Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.
(17) Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10).
(18) Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?
(19) Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.
(20) Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!
(21) Mas ele falava do templo do seu corpo.
(22) Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros:
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

O Templo da Nova Aliança - Serão as paredes que fazem os cristãos?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo 
João (Jo 2, 13-22)

Neste Domingo, o calendário litúrgico propõe à Igreja universal a festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão. A igreja – que é a catedral da diocese de Roma e, portanto, sede do trono pontifício – é considerada “omnium urbis et orbis ecclesiarum mater et caput – mãe e cabeça de todas as igrejas de Roma e do mundo”.

Em 313, o imperador Constantino, além de publicar o Édito de Milão, pelo qual concedia liberdade de culto à religião cristã, introduziu uma série de mudanças nas leis romanas, tais como a proibição da morte por crucifixão, a proteção aos órfãos e às viúvas, o fim das punições aos celibatários e dos espetáculos com derramamento de sangue. Além desse enorme bem prestado à Igreja, Constantino mandou erigir uma construção para os fiéis católicos prestarem culto a Deus: a Basílica de Latrão, que foi dedicada, a 9 de novembro de 324, pelo Papa São Silvestre.

Mas, o que significa celebrar uma igreja, se Deus, como pregou o Apóstolo, “não habita em templos feitos por mão humana” [1]? A partir de Cristo, de fato, o grande templo de Deus não são mais as paredes, senão o próprio Jesus. No Evangelho deste Domingo, Nosso Senhor, em um ato de zelo pelo que Ele chama “casa de meu Pai”, expulsa os vendilhões do templo, espalha as moedas e derruba as mesas dos cambistas. Embora amasse realmente o Templo de Jerusalém e o considerasse como lugar da morada de Deus, Cristo, com este ato, realmente rompe com o Velho Testamento: lembra que os templos da Antiga Lei são apenas prefigurações. Agora, com Ele, “a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” [2]. Deus armou a Sua tenda entre os homens, no Seu Filho; Ele é o templo da Nova Aliança, como Suas próprias palavras confirmam: “‘Destruí este Templo, e em três dias o levantarei’. (...) Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo”.

Ora, se é Cristo o templo da Nova Aliança, por que celebrar a dedicação de uma igreja em Roma? Porque as igrejas cristãs não pretendem reproduzir o Templo de Jerusalém, dos judeus, mas a “nova Jerusalém”, descrita no Apocalipse de São João [3]. Diferentemente dos templos judaicos, em que os únicos a entrarem na construção eram os sacerdotes e o resto do povo deveria ficar do lado de fora, as basílicas cristãs pretendiam ser uma réplica da cidade de Deus, um lugar para os cristãos se reunirem, tratarem de negócios e resolverem problemas jurídicos, como em uma praça pública. O templo passava a ser morada de Deus porque aí habitava o Seu povo, que, por sua vez, são membros do Corpo Místico de Cristo.

A presença divina nos templos cristãos também é notável nos sacrários, onde se encontra Nosso Senhor, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. No Santíssimo Sacramento, com efeito, está a presença de Cristo por excelência.

Quanto à Basílica de Latrão, há uma história muito bela, ocorrida dentro de suas paredes, que mostra a sua importância para a Igreja, de modo especial nos primeiros séculos da fé cristã. Trata-se da conversão de Vitorino, narrada por Santo Agostinho, em suas Confissões:

“Esse erudito ancião, profundo conhecedor de todas as ciências liberais, leitor e crítico de tantos livros de filosofia, fora mestres de muitos nobres senadores. O prestígio de seu magistério lhe valera uma estátua no foro romano, que ele aceitara (coisa que os cidadãos desse mundo têm em grande conta). Até aquela idade avançada, havia adorado os ídolos, participando de cultos sacrílegos, de que participava quase toda a nobreza romana da época que inspirava ao povo sua devoção por Osíris, por ‘toda sorte de monstros divinizados, pelo labrador Anúbis’, monstros que outrora ‘pegaram em armas contra Netuno, Vênus e Minerva’, e a quem, vencidos, a própria Roma dirigia súplicas, esse velho Vitorino, que durante tantos anos havia defendido esses deuses com sua terrível eloquência, não se envergonhou de se tornar servo de teu Cristo e criança de tuas águas, dobrando o pescoço ao jugo da humildade, e dobrando sua fronte ante o opróbrio da cruz.”

“Senhor, Senhor, que inclinaste os céus e o desceste, que tocaste os montes e estes fumegaram, de que modo te insinuaste naquele coração?”

“Segundo contou-me Simpliciano, Vitorino lia as Escrituras e investigava e esquadrinhava com grande curiosidade toda a literatura cristã, e confiava a Simpliciano, não em público, mas muito em segredo e familiarmente: ‘Sabes que já sou cristão?’ Ao que respondia aquele: ‘Não hei de acreditar, nem te contarei entre os cristãos enquanto não te vir na Igreja de Cristo’. Mas ele ria e dizia: ‘Serão pois as paredes que fazem os cristãos?’ E isto, de que já era cristão, o dizia muitas vezes, contestando-lhe Simpliciano outras tantas vezes com a mesma resposta, opondo-lhe sempre Vitorino o gracejo das paredes.”

“Vitorino receava desgostar a seus amigos, os soberbos adoradores dos demônios, julgando que estes, de alto de sua babilônica dignidade, como cedros do Líbano, ainda não abatidos pelo Senhor, fariam cair sobre ele suas pesadas inimizades.”

“Mas depois que hauriu forças nas leituras e orações, temeu ser renegado por Cristo diante de seus anjos, se tivesse medo de o confessar diante dos homens. Sentiu-se réu de um grande crime por se envergonhar dos mistérios de humildade de teu Verbo, não se envergonhando do culto sacrílego de demônios soberbos, que ele próprio aceitara como soberbo imitador; envergonhou-se da vaidade, e enrubesceu diante da verdade. De repente, disse a Simpliciano, segundo este mesmo contava: ‘Vamos à Igreja; quero me tornar cristão’. Simpliciano, não cabendo em si de alegria, foi com ele. Recebidos os primeiros sacramentos da religião, não muito depois, deu seu nome para receber o batismo que renegara, causando admiração em Roma e alegria na Igreja. Viram-no os soberbos, e se iraram; rangiam os dentes e se consumiam de raiva. Mas teu servo havia posto no Senhor Deus sua esperança, e não tinha mais olhos para as vaidades e as enganosas loucuras.”

“Enfim, chegou a hora da profissão de fé. Em Roma, os que se preparam para receber tua graça, pronunciam de um lugar elevado, diante dos fiéis, fórmulas consagradas aprendidas de cor. Os presbíteros, dizia-me Simpliciano, propuseram a Vitorino que recitasse a profissão de fé em segredo, como era costume fazer com os que poderiam se perturbar pela timidez. Mas ele preferiu confessar sua salvação na presença da plebe santa, uma vez que nenhuma salvação havia na retórica que ensinara publicamente. Quanto menos, pois, devia temer diante de tua mansa grei pronunciar tua palavra, ele que não havia temido as turbas insanas em seus discursos!”

“Assim, logo que subiu à tribuna para dar testemunho da sua fé, em uníssono, conforme o iam conhecendo, todos repetiram seu nome como num aplauso – e quem ali não o conhecia? – e um grito reprimido, saiu da boca de todos os que se alegravam: ‘Vitorino! Vitorino!’ Ao verem-no, se puseram a gritar de júbilo, mas logo emudeceram pelo desejo de ouvi-lo. Vitorino pronunciou sua profissão de verdadeira fé com grande firmeza, e todos queriam raptá-lo para dentro de seus corações. E realmente o fizeram: seu amor e alegria eram as mãos que o arrebatavam.” [4]

Enfim, não são as paredes de uma basílica que fazem a Igreja, mas a profissão de fé no Cristo, profissão de Vitorino e profissão de centenas de Papas ao longo dos séculos. É esse o testemunho que edifica a Igreja, desde São Pedro [5] até hoje.

Referências

  1. At 17, 24
  2. Jo 1, 14
  3. Cf. Ap 21; 22, 1-5
  4. Confissões, VIII, 2
  5. Cf. Mt 16, 17-18

Padre Paulo Ricardo


A Basílica de Latrão

Quando uma festa litúrgica em honra do Cristo ocorre no Domingo, ela se torna solenidade. É o caso de hoje: a Dedicação da Basílica do Latrão, Catedral do Papa, Bispo de Roma. No século IV o Imperador Constantino deu este grande edifício ao Papa são Silvestre I, que o consagrou, dedicando-o a Deus como Catedral de Roma. A nova Catedral foi dedicada ao divino Salvador e, mais tarde, também aos santos João Batista e João Evangelista. Como se localiza numa antiga chácara da nobre família romana dos Laterani, foi chamada popularmente de São João do Latrão. Pois bem, a presente solenidade traz-nos è mente e ao coração três aspectos da nossa fé.

Primeiro. Todo templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo: ele, no seu corpo ressuscitado, é o verdadeiro templo, do qual o Templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei… Mas Jesus estava falando do templo do seu corpo”. É do corpo ressuscitado do Senhor, verdadeiro templo, que brota a água da vida, a água, que é símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo… Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio crescerá toda espécie de árvores frutíferas… que servirão de alimento e suas folhas serão remédio”. A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito do Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que nele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância! Por tudo isso, veneramos e respeitamos nossos templos: eles são imagem do próprio corpo ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, toda igreja mais importante – as paroquiais e, sobretudo, as catedrais -, são dedicadas a Deus, como Cristo, que foi todo consagrado ao Pai.

Segundo. A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!” Nossos templos são chamados de “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Irmãos, a Igreja somos nós, a Igreja é cada um de nós, chamados a assumir nossa parte na edificação do Reino de Deus. Na Igreja, não somos espectadores; somos atores, somos participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo Batismo, que nos fez membros do Corpo de Cristo e, em cada Eucaristia, vamos nos tornando sempre mais corpo de Cristo, até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!

Terceiro. A Basílica do Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da Cidade e do mundo”. Compreendamos! A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside à todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as Igrejas da terra. Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna da máxima beatitude, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”… O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro. Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Francisco. Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja. Num mundo tão complexo, com tantas idéias, opiniões e modas, num cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade, sem nenhum enraizamento na Tradição Apostólica, difundindo-se pela força do dinheiro e a conivência dos meios de comunicação, ávidos de lucro, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados – num mundo assim, reafirmemos nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e seu Bispo, a quem o Cristo entregou de modo particular as chaves do Reino e deu a missão de confirmar na fé os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estar naquela comunhão que Cristo sonhou para a sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.

Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa