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Os Talentos (16-11-2014)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro dos Provérbios (Pr), capítulo 31
(10) Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. (11) Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. (12) Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. (13) Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. (14) Semelhante ao navio do mercador, manda vir seus víveres de longe. (15) Levanta-se, ainda de noite, distribui a comida à sua casa e a tarefa às suas servas. (16) Ela encontra uma terra, adquire-a. Planta uma vinha com o ganho de suas mãos. (17) Cinge os rins de fortaleza, revigora seus braços. (18) Alegra-se com o seu lucro, e sua lâmpada não se apaga durante a noite. (19) Põe a mão na roca, seus dedos manejam o fuso. (20) Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. (21) Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua família tem vestes duplas. (22) Faz para si cobertas: suas vestes são de linho fino e de púrpura. (23) Seu marido é considerado nas portas da cidade, quando se senta com os anciãos da terra. (24) Tece linha e o vende, fornece cintos ao mercador. (25) Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos, ri-se do dia de amanhã. (26) Abre a boca com sabedoria, amáveis instruções surgem de sua língua. (27) Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. (28) Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. (29) Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas. (30) A graça é falaz e a beleza é vã, a mulher inteligente é a que se deve louvar. (31) Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 5
(1) A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos. (2) Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite. (3) Quando os homens disserem: Paz e segurança!, então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão. (4) Mas vós, irmãos, não estais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. (5) Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. (6) Não durmamos, pois, como os demais. Mas vigiemos e sejamos sóbrios.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25
(14) Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.
(15) A um deu cinco talentos, a outro, dois, e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.
(16) Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles, fê-los produzir, e ganhou outros cinco.
(17) Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.
(18) Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.
(19) Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.
(20) O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos, eis aqui outros cinco que ganhei.'
(21) Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
(22) O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos, eis aqui os dois outros que lucrei.
(23) Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.
(24) Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.
(25) Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.
(26) Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.
(27) Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.
(28) Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.
(29) Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.
(30) E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores, ali haverá choro e ranger de dentes.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

33º Domingo do Tempo Comum - Servo mau e preguiçoso!

O patrão da parábola dos talentos repreende seu último empregado, que “escondeu o seu talento no chão”, como “mau e preguiçoso”. Mas, qual é a maldade desse servo? Por que é tratado com tanta severidade por seu senhor? Neste Testemunho de Fé, descubra o pecado por trás da letargia espiritual: a soberba de Lúcifer.

 

Padre Paulo Ricardo


Os Talentos

De um modo ou de outro, a Palavra do Senhor sempre nos fala da vida, nos revela o sentido, nos mostra o caminho. Hoje, o Senhor nos apresenta a existência como um punhado de talentos, de dons, de oportunidades que a providência gratuita e misteriosa de Deus

colocou em nossas mãos para que façamos frutificar. Certamente, jamais compreenderemos porque nascemos desse modo ou somos daquele outro. Podemos, no entanto, ter a certeza que o Senhor nos deu uma vida, “a cada um de acordo com a sua capacidade”. Ora, é esta vida, dom de Deus, fruto de um desígnio de amor sem fim, que cada um de nós deve responsavelmente cultivar e fazer frutificar em benefício nosso de dos irmãos. Na mulher forte e industriosa da primeira leitura, aparece um exemplo de alguém que não se contenta em passar pela vida, mas vai tecendo o fio da existência com as pequenas fidelidades de cada dia. Do mesmo modo, a segunda leitura chama-nos atenção para o fato que nos serão pedidas contas da vida, dom recebido de Deus. Daí, o conselho: “Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios”.

Caríssimos, uma das grandes tentações do mundo atual é pensar que a existência é nossa de modo absoluto, como se cada um de nós se tivesse criado a si próprio, dado a si próprio a existência. Fechados em si próprios, os homens pensam que podem ser felizes construindo a vida de seu próprio modo, à medida de suas próprias idéias e objetivos. Ilusão! A vida é dom de Deus e somente nos faz felizes se dela fizermos um diálogo amoroso com o Senhor, autor e doador de nosso ser. Mais que talentos na vida, o Senhor nos concedeu a própria vida como um precioso talento. Desenvolvê-lo e ser feliz e buscar não a nossa própria satisfação, não nossa própria medida, não nosso próprio caminho, mas fazer da existência uma busca amorosa e cheia de generosidade da vontade de Deus. Eis! Somente seremos felizes e maduros quando tivermos a capacidade de arriscar verdadeiramente nos perder, nos deixar para nos encontrar no Senhor, alicerce e fonte de nossa vida. Eis o verdadeiro investimento!

Infelizmente, a dinâmica do mundo hodierno, pagão e ateu, não no ajuda nessa direção. Há distração demais, novidade demais, produto demais a ser consumido; há preocupação demais com uma felicidade compreendida como satisfação de nossos desejos, carências e vontades. Há consciência de menos de que a vida é dom e serviço, doação e abertura para o infinito; há percepção de menos de que aqui estamos de passagem e de que lá, junto ao Senhor, é que permaneceremos para sempre. Atolamo-nos de tal modo nos afazeres da vida, no corre-corre de nossas atividades, no esforço por satisfazer nossas vontades, na busca de nossa auto-afirmação, que perdemos a capacidade de compreender realmente que somos passageiros e viandantes numa existência breve e fugaz que somente valerá a pena será vivida na verdade se for compreendida como abertura para o Senhor e, por amor a ele, abertura generosa e servidora para os outros.

Caríssimos, estejamos atentos à advertência do Apóstolo: “Vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia” O Dia é Cristo, a Luz é Cristo. Viver na luz, viver no dia é viver na perspectiva de Cristo Jesus, é valorizar o que ele valoriza e desprezar o que ele despreza. Filhos da luz, filhos do dia – eis o que deveríamos ser! Mas, com tanta freqüência nossa mente e nosso coração, nossos pensamentos e nossos afetos encontram-se entenebrecidos como o dos pagãos… Quão grave para nós, porque conhecemos a Luz, cremos no Dia que é o Cristo-Deus!

Não nos iludamos, não façamos de conta que não sabemos: todos haveremos de dar contas a Deus de nossa existência, do sentido que lhe demos, daquilo que nela construímos. Queira Deus que nossa vida seja como a do Cristo Jesus: uma verdadeira e amorosa abertura para Deus e uma abertura para os outros! Queira Deus que consigamos, iluminados pela sua Palavra, nutridos pela sua Eucaristia e animados pela oração diária, viver nossa existência na perspectiva de Deus, de tal modo que vivamos, vivamos de verdade, vivamos em abundância, vivamos uma vida que valha a pena!

Que o Senhor no-lo conceda pela sua graça. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa