Católicos Online

     ||  Início  ->  A conversão pelo amor e não pelo mandamento

A conversão pelo amor e não pelo mandamento (08-03-2015)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 20
(1) Então Deus pronunciou todas estas palavras: (2) “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. (3) Não terás outros deuses diante de minha face. (4) Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. (5) Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, (6) mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. (7) “Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro. (8) Lembra-te de santificar o dia de sábado. (9) Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. (10) Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. (11) Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia, e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou. (12) Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus. (13) Não matarás. (14) Não cometerás adultério. (15) Não furtarás. (16) Não levantarás falso testemunho contra teu próximo. (17) Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.”

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 1
(22) Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria, (23) mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, (24) mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus. (25) Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 2
(13) Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
(14) Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas.
(15) Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas.
(16) Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes.
(17) Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10).
(18) Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo?
(19) Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.
(20) Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!
(21) Mas ele falava do templo do seu corpo.
(22) Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.
(23) Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia.
(24) Mas Jesus mesmo não se fiava neles, porque os conhecia a todos.
(25) Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois ele bem sabia o que havia no homem.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

3º Domingo da Quaresma - Como prestar um culto agradável a Deus?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo 2, 13-25)

A narrativa da purificação do Templo – sobre a qual é possível ler um ótimo comentário na obra "Jesus de Nazaré", do Papa Bento XVI [1] – é oportuna para uma reflexão a respeito da adoração a Deus. Como prestar a Ele um culto que Lhe seja agradável?

É uma constante em todas as religiões a presença do sacrifício. Os homens sempre procuraram de alguma forma oferecer algo às suas divindades. Na religião cristã, então, onde Deus não só toma a iniciativa de amar as Suas criaturas, como é o próprio Amor, a única resposta justa a uma caridade tão grande é um amor total, um sacrifício de holocausto: "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças" (Dt 6, 5). Ainda assim, mesmo depois dessa entrega completa, sempre haverá uma dívida: de um lado, o oceano infinito do amor de Deus; do outro, a pequena gota do amor humano. O drama de todas as religiões é justamente que o ser humano, por si mesmo, não consegue amar o seu Criador devidamente.

Além disso, o holocausto, sendo uma entrega ao ponto da própria aniquilação, só podia ser feito pelo homem com vítimas simbólicas. Por isso, no Antigo Testamento, os patriarcas e sacerdotes imolavam animais, como um sinal de sua vontade de oferecer-se a Deus. As Escrituras narram, por exemplo, a passagem de Caim e Abel. "Aconteceu (...) que Caim apresentou ao Senhor frutos do solo como oferta. Abel, por sua vez, ofereceu os primeiros cordeirinhos e a gordura das ovelhas. E o Senhor olhou para Abel e sua oferta, mas não deu atenção a Caim com sua oferta" (Gn 4, 4-5). À parte a razão pela qual o Senhor preferiu o sacrifício de Abel ao de Caim, o seu exemplo prefigura a história de Cristo. De um lado, está a Sua entrega, agradável aos olhos do Pai; de outro, o sacrifício interesseiro de Anás e Caifás, que não apenas não são generosos, como têm inveja do irmão justo e decidem matá-lo.

No Evangelho deste Domingo, São João fala que, no Templo, encontravam-se "os vendedores de bois, ovelhas e pombas". A esse respeito, Santo Tomás de Aquino explica:

"O preceito dado por Deus na lei era que em certas solenidades fossem imolados ao Senhor alguns animais. De fato, para cumprir esse preceito, os que vinham de perto ao Templo conduziam seus animais consigo; àqueles que, ao contrário, vinham de longe, não valia a pena levar os animais de suas casas. Assim, como tais oblações se ofereciam para a utilidade dos sacerdotes, eles mesmos providenciaram que animais fossem vendidos no Templo, para que os que vinham de longe tivessem o que oferecer. Por isso, eles faziam suas vendas no Templo, ou melhor, no átrio do Templo." [2]

Como, porém, a moeda romana, com a efígie de César, não podia circular dentro do Templo, as pessoas se dirigiam aos cambistas, a fim de trocar o que tinham pelo dinheiro do Templo. Acontece que, nesse câmbio, os sacerdotes ganhavam muito lucro. O que era para ser ocasião de culto agradável a Deus – afinal, foi para a Sua honra que foram instituídos os sacrifícios do Antigo Testamento – tinha se tornado fonte de ganância. A casa de Deus tinha se transformado, de fato, em "uma casa de comércio". Por isso, Cristo, tomado por zelo – que é um efeito do amor [3] –, "expulsou todos do Templo, (...) espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas".

No lugar do velho sacrifício, então, Cristo institui outro. "Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei", Ele diz. E o Evangelista comenta: "Jesus estava falando do Templo do seu corpo". No lugar de touros, bodes e ovelhas, pois, é Ele mesmo quem vai se oferecer. Na Nova Aliança, Nosso Senhor é, ao mesmo tempo, a vítima –ao ser realmente assassinado por Seus algozes – e osacerdote, como Ele diz: "Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade" (Jo 10, 18). Quando os soldados vão prendê-Lo e caem por terra diante de Si (cf. Jo 18, 6), Ele demonstra o seu poder divino [4]: mesmo podendo livrar-se da mão de Seus verdugos, deixa-se conduzir como ovelha ao matadouro (cf. Is 53, 7), por amor, até a morte de cruz.

Ali, então, Ele oferece um sacrifício único. Sendo uma Pessoa Divina, apresenta a Deus um culto de que nenhum ser humano é capaz. Cumpre, assim, a profecia de Ezequiel: "Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne" (Ez 36, 26). Com efeito, em Cristo, é solucionada uma tensão já percebida pelos profetas do Antigo Testamento: eles notavam que os sacrifícios de animais eram insuficientes, mas não encontravam um coração capaz de amar a Deus. O próprio salmista canta: "Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais" (Sl 50, 18). Em Nosso Senhor, todavia, encontra-se o "coração de carne" prometido pelo Autor Sagrado. Agora, é possível oferecer um culto agradável a Deus.

Mas, como fazê-lo? É preciso que nos ofereçamos a Deus, juntamente com Nosso Senhor. No ofertório da Santa Missa – que, como sabemos, é o mesmo sacrifício de Cristo na Cruz –, a gota de água colocada pelo sacerdote dentro do cálice de vinho simboliza a nossa pequena entrega diante da entrega infinita de Cristo. Só unidos a Ele podemos prestar a Deus a adoração que Ele merece.

Os santos viveram intensamente essa realidade, chegando a repetir com São Paulo: "Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20). Configuraram-se de tal modo a Cristo, que tudo o que faziam era feito per Ipsum, et cum Ipso, et in IpsoRezo, mas não eu: é Cristo que reza em mim; amo, mas não eu: é Cristo que ama em mim; ofereço-me, mas não eu: é Cristo que Se oferece em mim.

Neste Domingo, ousemos imitar os santos e ofereçamos a Deus, "por Cristo, com Cristo e em Cristo, a (...) Deus Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre".

Referências:

  1. Jesus de Nazaré: da entrada em Jerusalém até a ressurreição. São Paulo: Planeta do Brasil, 2011. p. 23s
  2. Super Evangelium Iohannis, 2, 2
  3. Cf. Summa Theologiae, I-II, q. 28, a. 4
  4. Cf. Santo Tomás de Aquino, Super Evangelium Iohannis, 18, 1
Padre Paulo Ricardo

A conversão pelo amor e não pelo mandamento

Comecemos pela primeira leitura a nossa meditação da Palavra de Deus para este Domingo. Que nos apresenta o Livro do Êxodo? As Dez Palavras, os Mandamentos de Torah. A palavra “mandamento” tem, hoje um significado antipático. Não gostamos de mandamentos, de normas, de preceitos. No entanto, para um judeu – e também para um cristão -, os preceitos, os mandamentos do Senhor, são uma bênção, um sinal de carinho paterno de Deus, que se volta para nós e nos abre o seu coração, falando-nos da vida, mostrando-nos o caminho, iluminando a direção da nossa existência. Foi com esse sentido que o Senhor nosso Deus deu a lei, revelou os preceitos a Israel. A Lei não deveria ser vista como um feixe pesado e opressor de proibições, mas como setas que apontam para o caminho da vida e nos fazem descansar no coração de Deus. O próprio termo hebraico torah, que traduzimos por Lei, significa, na verdade instrução. Na Lei, na Instrução, Deus nos fala da vida porque deseja conviver com o seu povo. Sendo assim, os preceitos são uma bênção! O profeta Baruc afirma isso com palavras comoventes: Escuta, Israel, os mandamentos da vida; presta ouvidos, para conheceres a prudência. Por que Israel, por que te encontras na terra dos teus inimigos, envelhecendo em terra estrangeira? É porque abandonaste a fonte da Sabedoria. Ela é o livro dos preceitos de Deus, a Lei que subsiste para sempre: todos os que a ela se agarram destinam-se à vida, e todos os que a abandonam perecerão. Volta-se, Jacó, para recebê-la; caminha para o esplendor, ao encontro de sua luz! Não cedas a outrem a tua glória, nem a um povo estrangeiro os teus privilégios. Bem-aventurados somos nós, Israel, pois aquilo que agrada a Deus a nós foi revelado” (Br 3,9-10.12; 4,1-4). Eis, pois, o que são os mandamentos: uma luz, um caminho de liberdade, porque nos faz conhecer o coração de Deus e os seus sonhos para nós. Viver na Palavra de Deus, mergulhar nos seus preceitos é viver o seu sonho para nós, é ser livre, maduro e feliz. Por isso o Salmista, hoje, canta: “A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes. Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz. suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos!” E, no entanto, Israel violou a Lei de Deus, fechou-se para os preceitos do Senhor… E por quê? Porque não basta seguir um feixe de regras e normas para agradar a Deus. A Lei somente tem sentido se for vivida como uma relação de amor. Olhai bem como começa o Decálogo: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim”. Aqui está já dito tudo: por lado Deus, apaixonado, fiel, amoroso: tirou o seu povo da miséria de suas escravidões. Por outro lado, o povo: de quem ele espera um coração totalmente dedicado ao seu Deus: “Não terás outros deuses diante de mim!” É esta relação de amor que Israel quebrou, contentando-se muitas vezes com um legalismo vazio e frio.

A imagem dessa situação, vemo-la no Evangelho de hoje: o Templo, lugar do encontro de Deus com o seu povo, transformado numa espelunca, numa casa de comércio, um lugar de prostituição do coração, de idolatria É idolatria a ganância, é idolatria a impiedade, é idolatria reduzir a religião a um negócio lucrativo, é idolatria pensar que se pode manipular Deus com um dízimo, com um rito ou com um volume da Bíblia! O Senhor previne: “Eu sou o Senhor vosso Deus que não aceita suborno!”(Dt 10,17) Por isso Jesus age de modo tão violento: Fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. Disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai isso daqui! Não façais da Casa de meu Pai uma casa de comércio!’” que significa este gesto de Jesus? É uma pregação pela ação, uma ação profética, uma ação, um gesto que  vale por uma pregação. Jesus está revelando a santa ira de Deus contra o seu povo… Hoje em dia, com uma mania boboca de sermos politicamente corretos (coisa que nunca assentará num cristão), ficamos escandalizados com um Deus que se inflama de ira, com um Jesus que deveria ser mansinho, bonzinho, tolinho, aguadozinho, insossinho, e aparece, no entanto, firme, forte, radical… e irado! Esse é o Jesus de verdade: surpreendente, desconcertante! Sua ira nos previne no sentido de que não podemos brincar com Deus, não podemos fazer pouco dele! Correremos o risco de perdê-lo, de sermos rejeitados do seu coração! Em outras palavras: a conversão é uma exigência fundamental para quem deseja caminhar com Deus, sendo discípulo do Filho Jesus! Mas, os judeus, ao invés de compreenderem isso, com cinismo criticam Jesus e pedem-lhe um sinal: “Que sinal nos mostras para agir assim?” Vede bem, caríssimos: quando a infidelidade é grande, quando o nosso coração habituou-se no mal, corremos o risco de sermos tomados de tal cegueira, de tal dureza de coração, que já não vemos nem com a Luz! Jesus é a luz que brilha claramente. Sua atitude dura, recorda aos judeus o amor de Deus que foi traído, a Lei que foi deturpada, e eles ainda pedem por sinais… Jesus dá um sinal, terrível, decisivo: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”. Que significa isso? “Estais destruindo este Templo? Ele é um sinal, é um símbolo profético: ele é o lugar no qual o homem pode encontrar Deus, ele é imagem do meu corpo. Pois bem! Vós violastes a aliança, destruístes o sentido da relação com Deus: continuais, pois a destruir este Templo. Mas em três dias eu o erguerei para sempre: vai passar a imagem, virá o Templo indestrutível, o lugar onde um novo povo poderá para sempre encontrar Deus: o meu corpo morto e ressuscitado!” Eis o sinal, surpreendente, escandaloso: à infidelidade do seu povo, Deus responde entregando o seu Filho e fazendo dele o lugar da salvação e da graça, da vida e da vitória da humanidade! É o que São Paulo nos diz na segunda leitura deste hoje: “Os judeus pedem sinais, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos”. O sinal que Deus apresenta para Israel, o remédio que Deus preparou para curar a violação da Lei é o seu Filho crucificado, morto e ressuscitado!

Caríssimos, olhemos para nós, o Novo Povo de Deus, o Povo nascido da morte e ressurreição de Cristo. Não somos mais obrigados a cumprir os detalhados preceitos da Lei de Moisés mas, somos convidados a olhar o Crucificado, cujo corpo macerado é o lugar do perdão e do encontro com Deus, o lugar da nova e eterna Aliança… olhando o Crucificado, ouçamos, mais uma vez, como Israel: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair da casa da escravidão, da miséria do pecado e da morte, da escuridão de uma vida sem sentido! Eu te dei o meu filho amado! Não terás outros deuses diante de mim!” Compreendeis, irmãos? Os preceitos do Antigo Testamento passaram; não, porém, a exigência de um coração todo de Deus, um coração que o ame, um coração sem divisão! E, para nós, a exigência é ainda maior, porque Israel não tinha ainda visto até onde iria o amor de Deus; quanto a nós, sabemos: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Caríssimos em Cristo, convertamo-nos! Ergamos os olhos para o Crucificado, “Poder de Deus e Sabedoria de Deus”, e mudemos de vida! Que nossa fé não seja fingida, superficial, descomprometida; que nossa religião não seja simplesmente uma prática fria e sem desejo de real conversão ao Senhor nosso! Crer de verdade exige que nos coloquemos debaixo do preceito de amor do Senhor! Estejamos atentos à advertência final e tremenda do Evangelho de hoje: “Vendo os sinais que Jesus realizava, muitos creram no seu nome. Mas Jesus não lhes dava crédito, pois conhecia a todos… conhecia o homem por dentro”. – Ah, Senhor Jesus! Tem piedade de nós! Converte-nos a ti e, depois, olha o nosso coração convertido e dá-nos a tua salvação! Piedade, Senhor! Na tua misericórdia infinita, conduze-nos às alegrias da Páscoa! A ti a glória, Cristo-Deus, pelos séculos dos séculos! Amém.

Dom Henrique Soares da Costa