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Há um abismo entre o mundo e o cristianismo (10-05-2015)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 10
(25) Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo. (26) Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem! (27) E, falando com ele, entrou e achou ali muitas pessoas que se tinham reunido e disse: (28) Vós sabeis que é proibido a um judeu aproximar-se dum estrangeiro ou ir à sua casa. Todavia, Deus me mostrou que nenhum homem deve ser considerado profano ou impuro. (29) Por isso vim sem hesitar, logo que fui chamado. Pergunto, pois, por que motivo me chamastes. (30) Disse Cornélio: Faz hoje quatro dias que estava eu a orar em minha casa, à hora nona, quando se pôs diante de mim um homem com vestes resplandecentes, que disse: (31) Cornélio, a tua oração foi atendida e Deus se lembrou de tuas esmolas. (32) Envia alguém a Jope e manda vir Simão, que tem por sobrenome Pedro. Está hospedado perto do mar em casa do curtidor Simão. (33) Por isso mandei chamar-te logo e felicito-te por teres vindo. Agora, pois, eis-nos todos reunidos na presença de Deus para ouvir tudo o que Deus te ordenou de nos dizer. (34) Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, (35) mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. (36) Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. (37) Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou. (38) Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele. (39) E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro. (40) Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse, (41) não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou. (42) Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. (43) Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome. (44) Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. (45) Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos, (46) pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. (47) Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? (48) E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Primeira Epístola de São João (1Jo), capítulo 4
(7) Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. (8) Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. (9) Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. (10) Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 15
(9) Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor.
(10) Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.
(11) Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.
(12) Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.
(13) Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.
(14) Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.
(15) Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.
(16) Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.
(17) O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

6º Domingo da Páscoa - Eu vos chamo amigos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo
15, 9-17)

No Evangelho deste Domingo, Nosso Senhor deixa aos Seus discípulos o mandamento do amor: "Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei." E como amou Cristo os Seus apóstolos? Dando por eles a Sua própria vida, como diz no versículo seguinte: "Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos."

Santo Tomás de Aquino, comentando este trecho das Escrituras, esclarece que a caridade é uma amizade e trata de diferenciá-la do amor de concupiscência:

"Segundo Aristóteles, não é qualquer amor que realiza a noção de amizade, mas somente o amor de benevolência, pelo qual queremos bem a quem amamos. Se, porém, não queremos o bem daquilo que amamos e, antes, queremos para nós o bem que há neles, quando, por exemplo, dizemos amar o vinho, ou o cavalo etc., não há amor de amizade, mas um amor de concupiscência." [1]

A primeira característica do amor de amizade é, portanto, a benevolência (do latim bene volere, "querer bem"). Quando pede aos discípulos que permaneçam no Seu amor, Nosso Senhor se explica: "Eu vos disse isso, para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena". O grande bem que Deus quer para o ser humano é que ele participe da Sua alegria, no Céu. Deus mesmo não ganha absolutamente nada com essa amizade, mas, justamente porque quer o bem dos homens, manifesta-se como "um Deus ciumento" (Ex 20, 5), pedindo que eles O amem sobre todas as coisas e não tenham outros deuses diante d'Ele. O bem de que aqui se trata pode muito bem ser grafado em maiúsculas, já que, dos muitos bens que se pode desejar a uma pessoa, o maior de todos, o Bem por excelência, é a sua salvação eterna.

Quando Cristo diz, portanto: "Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei", é em vistas à salvação da alma do próximo que se deve amá-lo. O verdadeiro bem é o Céu. O verdadeiro mal é o inferno. Diante da possibilidade de nunca contemplar a face de Deus no Céu, qualquer mal desta Terra é uma trivialidade. Diante do horror que é perder a Deus eternamente, a maior tragédia deste mundo é um nada. Assim, querer o bem das pessoas é querer que elas se salvem. Se alguém deseja aprender a amar o outro, deve começar rezando pela sua salvação eterna.

A segunda característica da amizade é a beneficência (do latim bene facere, "fazer o bem"). Não basta querer bem o outro; é preciso que isso se torne algo efetivo. Como o modelo supremo é Cristo, é preciso fazer o bem como Ele fez: "Ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida pelos amigos". Nosso Senhor não ficou somente em afetos e desejos, mas operou o bem, veio do Céu como filantropo (em grego, φιλάνθρωπος), como verdadeiro amigo dos homens, entregando a Sua própria carne e derramando o Seu próprio sangue por eles.

Na Santa Missa, este único sacrifício de Cristo é celebrado nos altares do mundo inteiro, operando eficazmente pela salvação da humanidade. Quando os comunistas tomaram o poder na Rússia e a Igreja Ortodoxa foi violentamente perseguida, os agentes soviéticos também levaram consigo o Patriarca de Moscou. Perguntando se tinha algum último desejo antes de ser preso, o religioso respondeu: "Deixem-me celebrar pela última vez a divina Liturgia, com a certeza de que, por este santo sacrifício, o mundo será salvo".

Esta é a fé da Igreja: que a celebração dos Sacramentos são os sinais eficazes da graça de Deus na vida dos homens. Por isso, quando as pessoas se aproximam regularmente da Confissão e da mesa da Eucaristia, estão de fato fazendo o bem.

Mas, o começo da beneficência está na pregação da Palavra. "Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2, 4). O primeiro modo de fazer o bem às pessoas é dar a elas a fé, de preferência mostrando-lhes a vida dos santos, "caminho seguro para efetuar uma hermenêutica viva e eficaz da Palavra de Deus" [2].

Assim, colocando em primeiro lugar a e os Sacramentos, tendo em vista a salvação das almas, todos os outros bens que se desejam aos homens serão devidamente ordenados. Saúde física, longa vida, prosperidade, tranquilidade: nada, absolutamente nada, deve ser anteposto a Cristo.

Referências

  1. Suma Teológica, II-II, q. 23, a. 1; cf. também Comentário ao Evangelho de São João, 15, 4.
  2. Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Verbum Domini (30 de setembro de 2010), n. 49.
Padre Paulo Ricardo

Há um abismo entre o mundo e o cristianismo

Para bem compreender esta Palavra de Deus que acabamos de escutar, é necessário recordar o Evangelho de Domingo passado. Estamos ainda no capítulo 15 de São João: aí Jesus revelou-se como a videira verdadeira, cujo agricultor é o Pai e cujos ramos somos nós. Eis, caríssimos: estamos enxertados no Cristo morto e ressuscitado; somos ramos seus, vivendo da sua seiva que é o Espírito Santo, “Senhor que dá a vida”, Espírito de amor derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). Porque temos o Espírito do Cristo, vivemos do Cristo e, no Espírito, o próprio Cristo Jesus habita em nós e nos vivifica. Recordando essas coisas, podemos compreender o que o Senhor nos fala neste hoje. Vejamos.

“Como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”. Caríssimos em Cristo, de que amor o Senhor nos fala aqui? De um sentimento, de um afeto, de uma simpatia, de uma amizade? Não! De que amor? Escutemos São Paulo: “O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5,5). O amor de que fala Jesus é o amor-caridade, o amor de Deus, o amor que é fruto da presença do Espírito de amor, o Espírito Santo. Coloquem isso na cabeça e no coração: na Escritura, falar de amor, de glória, de presença e de poder de Deus é falar do Espírito Santo! Pois, podemos agora compreender a profunda afirmação de Jesus: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei”. Como o Pai amou o Filho? No Espírito de amor! Desde a eternidade, o Santo Espírito é o laço, o vínculo de amor que une o Pai e o Filho numa única e indissolúvel divindade. Na sua vida humana, Jesus foi sempre amado pelo Pai no Santo Espírito. Basta recordar quando o Pai derrama sobre ele o Espírito, no Jordão, exclamando: “Este é o meu Filho amado, em quem eu me comprazo” (Mt 3,17). Eis: o Pai declara o seu infinito amor pelo Filho, derramando sobre ele, feito homem, seu Espírito de amor. Jesus é o Filho amado porque nele repousa o Amor-Deus Espírito Santo! Pois bem, escutemos: “Como o Pai me amou no Espírito, eu também vos amei! Dei-vos o meu Espírito de Amor, que agora habita em vós! Permanecei no meu amor, isto é, deixai-vos guiar pelo meu Espírito, vivei no meu Espírito!” Vede, irmãos, como agora tudo tem sentido, como as palavras de Jesus são profundas! Vede como tudo isso é verdadeiro! Escutai ainda uma palavra da Escritura: “Nisto reconhecemos que permanecemos nele e ele em nós: ele nos deu o seu Espírito!” (1Jo 4,13).

E qual é o sinal de que temos e vivemos no Espírito? Que frutos esse Espírito de Amor, permanecendo em nós, nos dá? O primeiro é cumprir os mandamentos: “Se guardardes os meus mandamentos, é porque permanecereis no meu amor”. É experimentando o amor de Jesus, vivendo na doçura do seu Espírito, que podemos compreender a sabedoria dos preceitos do Evangelho e teremos a força e a doçura para cumpri-los. Como o mundo não conhece nem tem o Espírito Santo de amor, não pode compreender nem gostar dos preceitos do Senhor! Por isso esse tão grande choque entre o que a Igreja propõe em nome de Cristo para a nossa vida moral e aquilo que o mundo propõe! Aborto, eutanásia, uso de preservativos, divórcio, relações pré-matrimoniais, relações homossexuais, riqueza, prazer, etc… Caríssimos, há um abismo entre o sentir do mundo e o sentir do cristão. Somente o cristão, sustentado pelo Santo Espírito de Amor, pode compreender que os mandamentos do Senhor não são pesados, mesmo quando nos parecem difíceis! É o Espírito de Jesus que, habitando em nós, faz-nos permanecer em Jesus e ter prazer e força no cumprimento da sua santa vontade.

Mas, há ainda outro fruto, outro sinal da presença do Espírito em nós: a alegria interior, mesmo em meio a dificuldades, lutas e provações da vida. Escutai: “Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”. Onde o Espírito de Jesus ressuscitado está presente, a alegria triunfa, porque a morte, a treva, o pecado foram vencidos. Por isso mesmo, o cristão, ainda que entre provações e dificuldades, poderá sempre manter uma profunda alegria interior – a alegria pascal, fruto da presença do Santo Espírito!

Ainda um último sinal dessa doce presença do Espírito do Ressuscitado em nós: o amor fraterno. “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei!” Jesus nos amou até entregar toda a sua vida por nós, como remissão pelos nossos pecados. Pois bem, ao nos dar o seu Espírito de amor, ele nos dá as condições e a graça para amar assim, como ele. Isso é tão forte, que a segunda leitura de hoje nos desafia: “Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, porque Deus é amor. Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus”. Ainda uma vez mais, meus caros, é no Espírito de Amor que podemos nascer de Deus no Batismo, é no Espírito de Amor que podemos conhecer a Deus como Pai e a Jesus como o Filho amado! É o Espírito de Amor que nos reúne, apesar de sermos tão diferentes! Recordai-vos, caríssimos, da primeira leitura: como o Espírito, descendo sobre a família de Cornélio, que era toda pagã, fez com que Pedro, o Chefe da Igreja, aceitasse os primeiros pagãos na Comunidade cristã! Só no dom do Espírito o nosso coração pode ser aberto a todos, como o coração de Cristo!

Caríssimos, a Palavra de Deus hoje escutada já nos aponta para Pentecostes, daqui a quinze dias… Prestai atenção como o fruto da morte e ressurreição de Jesus é o Dom do seu Espírito, que permanece conosco e torna Jesus presente a nós, vivo e vivificante! Estejamos atentos, meus caros: todos temos o mesmo Espírito de amor e no amor que é esse Espírito devemos viver e dar frutos que permaneçam. A Igreja não é uma comunidade de amiguinhos simpáticos entre si; não é a reunião de pessoas interessantes e bem relacionadas! Nada disso! Somos a Comunidade reunida em nome de Cristo morto e ressuscitado, nascidos no Batismo no seu Espírito Santo, Espírito que nos faz amar a Jesus e, por Jesus, amarmo-nos uns aos outros. Assim sendo, sejamos dóceis ao Espírito, permaneçamos em Cristo e arrisquemos viver de amor. Que no-lo conceda Aquele que, à direita do Pai, deu-nos o Espírito e intercede por nós. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa