Católicos Online

     ||  Início  ->  A Ação do Espírito Santo

A Ação do Espírito Santo (24-05-2015)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 2
(1) Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. (2) De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. (3) Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. (4) Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (5) Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. (6) Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. (7) Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? (8) Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? (9) Partos, medos, elamitas, os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, (10) a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene, peregrinos romanos, (11) judeus ou prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 12
(3) Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo. (4) Há diversidade de dons, mas um só Espírito. (5) Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. (6) Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. (7) A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. (8) A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria, a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito, (9) a outro, a fé, pelo mesmo Espírito, a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito, (10) a outro, o dom de milagres, a outro, a profecia, a outro, o discernimento dos espíritos, a outro, a variedade de línguas, a outro, por fim, a interpretação das línguas. (11) Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz. (12) Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. (13) Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres, e todos fomos impregnados do mesmo Espírito.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 20
(19) Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco!
(20) Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.
(21) Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
(22) Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.
(23) Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade de Pentecostes

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João
(Jo 20, 19-23)

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos".

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Padre Paulo Ricardo

A Ação do Espírito Santo

A Igreja conclui hoje o Tempo Pascal com a solenidade de Pentecostes. Não poderia ser diferente, pois o Espírito Santo é o fruto da paixão morte e ressurreição do Senhor Jesus. Ele morreu entregando na cruz o Espírito e, no mesmo Espírito, foi ressuscitado pelo Pai. Agora, plenificado por esse Espírito, derramou-o e derrama-o sobre a Igreja e sobre toda a criação.

Vejamos alguns aspectos da ação do Espírito.

(1) Primeiramente, por ser Espírito do Cristo, ele nos une ao Senhor Jesus, dando-nos a sua própria vida, como a cabeça dá vida ao corpo e o tronco dá vida aos ramos. É no Espírito que Cristo habita realmente em nós desde o nosso batismo, e faz crescer sua presença em nós em cada eucaristia, quando comungamos o corpo e o sangue daquele Senhor, que é pleno do Espírito. Só no Espírito podemos dizer que Cristo permanece em nós e nós permanecemos nele; só no Espírito podemos dizer que já não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós, com seus sentimentos, suas atitudes e sua entrega ao Pai. Por isso, somente no Santo Espírito nossa vida pode ser vida em Cristo, vida de santidade.

(2) Mas, o Espírito, além de agir em cada cristão, age na Comunidade como um todo, edificando a Igreja, fazendo-a sempre corpo de Cristo. Antes de tudo, ele vivifica a Igreja com a vida do Ressuscitado, incorporando sempre nela novos membros, fazendo-a crescer mais na plenitude de Cristo. Depois, ele suscita incontáveis ministérios, carismas e dons, desde os mais simples, como até aqueles mais vistosos ou mais estáveis, como os ministérios ordenados: os Bispos, padres e diáconos. É o Espírito que mantém esta variedade em harmonia e unidade, para que tudo e todos contribuam para a edificação do corpo de Cristo, que é a Igreja. Assim, é no Espírito que surge e ressurge sempre a vida religiosa, com tantos carismas diferentes, é no Espírito que os mártires testemunham Cristo até a morte, é no Espírito que se exerce a caridade, se visita os enfermos, se consola os sofredores, se aconselha, se socorre os pobres, se prega o Evangelho… enfim, é no Espírito que a Igreja vive, cresce e respira!

(3) É no Espírito que os santos sacramentos são celebrados com eficácia, pois que o Espírito é a própria energia, a própria graça, a própria força de vida e ressurreição que o Cristo recebe do Pai e derrama sobre a Igreja. Sendo assim, é no Espírito que a Igreja é continuamente edificada e renovada, até a vida eterna.

(4) É no Espírito que os cristãos podem rezar, proclamando do fundo do coração que Jesus é Senhor e que Deus é nosso Pai de verdade. Somente porque temos o Espírito recebido no batismo é que somos realmente filhos de Deus, já que recebemos o Espírito do Filho que clama em nós “Abbá” – Pai. O Espírito une a nossa oração à oração de Jesus, dando-lhe valor e eficácia e colocando-nos na vida da própria Trindade Santa. Sem o Espírito, não poderíamos chamar a Deus de Pai, sem o Espírito nossa oração não seria a de Jesus e nosso louvor, nossa adoração e nossa intercessão não estariam unidas e inseridas na própria união de Jesus com o Pai.
(5) É o Espírito quem recorda sempre à Igreja a verdade do Evangelho, conduzindo-a sempre mais adiante no conhecimento de Cristo. Por isso, assistida pelo Espírito da Verdade, a Igreja jamais pode errar na sua profissão de fé; jamais pode afastar-se da verdade católica que recebeu dos apóstolos. Assim, somente no Espírito é que cremos com fé certa na fé da Igreja!

(6) É ainda no Espírito que a Igreja, ansiosa, olha para a frente, para o futuro e, inquieta, clama que o Esposo venha logo para consumar todas as coisas. Por isso, na força do Espírito, a Igreja deverá ser sempre fiel a cada época, sem saudosismos nem medos, construindo com humildade o Reino de Deus, até que venha o seu Esposo e leve tudo à consumação. É no Espírito que os cristãos devem viver como profetas do Reino que está por vir, denunciando com doçura e vigor tudo quanto se oponha à manifestação desse Reino. No Espírito, a Igreja anunciará sempre o Evangelho, superando todo medo de falar de modo novo a constante e imutável verdade do Evangelho, que interpela, transforma e converte o coração.

(7) Mas, o Espírito não está restrito à Igreja. Ele enche, impregna e renova o universo e toda a humanidade. Onde menos esperamos, onde ainda não chegamos, lá já podemos encontrar a ação do Espírito do Senhor, que cai cristificando toda a humanidade e todas as coisas.

(8) É o Espírito que vai, com força e discrição, guiando a história humana para a plenitude de Cristo, e isto por mais que, tantas vezes, o mundo pareça perdido e sem rumo, em meio a guerras, injustiças, hipocrisias, violências, tristezas e mortes. Cabe aos cristãos, saberem discernir e interpretar os sinais dos tempos, que o Santo Espírito faz brotar por toda parte, tendo ouvidos para ouvir o que o ele diz à Igreja.

(9) Finalmente, é no Espírito, que um dia, no Dia de Cristo, quando ele, nossa vida, aparecer em glória, tudo será glorificado, a história será passada a limpo, a criação inteira será transfigurada, o pecado será destruído para sempre, a morte será vencida e nossos corpos mortais ressuscitarão, transfigurados como o corpo do Cristo Jesus ressuscitado. Então, plena do Espírito, toda criação será plenamente corpo de Cristo. O Ressuscitado será Cabeça dessa nova criação e entregará tudo ao Pai, para que o Pai, pelo Filho, no Espírito, seja tudo em todas as coisas.

É esta a nossa esperança, a nossa certeza e a plenitude da nossa salvação. É esta realidade estupenda que se iniciou com o dom do Espírito, celebrado na festa de hoje.
Só nos resta implorar novamente o que cantamos antes do “aleluia”:

“Espírito de Deus,/ enviai dos céus/ um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres,/ dai aos corações/ vossos sete dons.
Consolo que acalma,/ Hóspede da alma,/ doce Alívio, vinde!
No labor, Descanso,/ na aflição, Remanso, / no calor, Aragem.
Enchei, Luz bendita,/ Chama que crepita,/ o íntimo de nós.
Sem a Luz que acode,/ nada o homem pode,/ nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai,/ ao seco regai,/ curai o doente.
Dobrai o que é duro,/ guiai-nos no escuro, o frio aquecei.
Daí à vossa Igreja,/ que espera e deseja,/ vossos sete dons.
Dai em prêmio ao forte/ uma santa morte,/ alegria eterna./ Amém”.

Dom Henrique Soares da Costa