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O pecado contra o Espírito Santo (07-06-2015)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 3
(9) Mas o Senhor Deus chamou o homem, e disse-lhe: “Onde estás?” (10) E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim, tive medo, porque estou nu, e ocultei-me.” (11) O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer?” (12) O homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi.” (13) O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?” “A serpente enganou-me,– respondeu ela – e eu comi.” (14) Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais e feras dos campos, andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida. (15) Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 4
(13) Animados deste espírito de fé, conforme está escrito: Eu cri, por isto falei (Sl 115,1), também nós cremos, e por isso falamos. (14) Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco. (15) E tudo isso se faz por vossa causa, para que a graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para glória de Deus. (16) É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. (17) A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas.
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 5
(1) Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 3
(20) Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.
(21) Quando os seus o souberam, saíram para o reter, pois diziam: 'Ele está fora de si.'
(22) Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: 'Ele está possuído de Beelzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios.'
(23) Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: 'Como pode Satanás expulsar a Satanás?
(24) Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar.
(25) E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer.
(26) E se Satanás se levanta contra si mesmo, está dividido e não poderá continuar, mas desaparecerá.
(27) Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhe os bens, se antes não o prender, e então saqueará sua casa.
(28) Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias,
(29) mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno.
(30) Jesus falava assim porque tinham dito: 'Ele tem um espírito imundo.'
(31) Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
(32) Ora, a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: 'Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.'
(33) Ele respondeu-lhes: 'Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?'
(34) E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: 'Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
(35) Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.'
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

10º Domingo do Tempo Comum - Como endurecer o próprio coração

No Evangelho deste Domingo, Jesus faz um alerta sobre o pecado contra o Espírito Santo, para o qual não haverá perdão. Mas, existem pecados realmente imperdoáveis? Em que consiste a "dureza do coração", tão denunciada pelas Escrituras? Como as pessoas podem chegar a esse nível de obstinação? Conheça, neste Testemunho de Fé, o caminho que conduz à impenitência final, e como fugir dele.

Padre Paulo Ricardo

Duas questões

O Evangelho de hoje apresenta-nos duas questões difíceis: o pecado contra o Espírito Santo e o os “irmãos” de Jesus.

“Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias; mas todo o que tiver blasfemado contra o espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno” (Mc 3,28-29).

O Catecismo da Igreja Católica dá a interpretação autêntica dessa passagem com as seguintes palavras: “A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo. Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna” (Cat. 1864). No fundo, o pecado contra o Espírito Santo é um endurecimento interior que não permite a pessoa se arrepender dos próprios pecados. Logicamente, sem arrependimento não há perdão! Por outro lado, é muito difícil verificar se alguém pecou contra o Espírito Santo; na prática, até o final da vida de uma pessoa não se pode saber se tal impenitência foi um pecado contra o Espírito Santo. Em efeito, uma pessoa poderia se arrepender nos últimos momentos de sua existência e ser alcançado pela salvação. Definitivamente, a resposta a essa questão – foi ou não um pecado contra o Espírito Santo? – continuará, enquanto não chega o juízo final, conhecida somente por Deus e pela pessoa em questão.

Falar sobre o pecado contra o Espírito Santo deveria nos ajudar a ver que o arrependimento dos nossos pecados é uma graça de Deus. Ao mesmo tempo essa graça só nos alcança se nós quisermos: a salvação é obra de Deus em nós, mas não sem nós. Nesse sentido, a nossa súplica poderia ser semelhante àquela que muitos sacerdotes ainda rezam antes da Santa Missa: “Concedei-nos, Senhor onipotente e misericordioso, a alegria com a paz, a emenda de vida, o tempo para fazer penitência, a graça e a consolação do Espírito Santo e a perseverança nas boas obras. Amém”.

Quanto à segunda questão, vamos ler de novo o texto do Evangelho. Alguns disseram a Jesus: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram” (Mc 3,31). Jesus teve outros irmãos? Caso a resposta fosse afirmativa, Maria teria tido outros filhos. Mas isso não pode ser!

Nesse caso, a Bíblia Ave-Maria traz uma boa explicação no seu índice doutrinal: “São indicados: Tiago, José, Judas, Simão: Mc 6,3. Não se trata, porém, de irmãos no sentido estrito, filhos dos mesmos pais. Os evangelistas afirmam que Jesus foi o filho único da Virgem Maria: Mc 6,3; Jo 19,26ss. Nem há motivo para supor que São José tivesse outros filhos de um matrimônio anterior. Por outro lado, a palavra “primo” não existe nem no hebraico nem no aramaico. Os “irmãos de Jesus” tinham outra mãe que não Maria Santíssima. São Mateus em 27,56 menciona, entre as mulheres presentes à crucificação de Cristo, Maria, mãe de Tiago e José. Essa Maria é esposa de Cléofas, conforme Jo 19,25. Provavelmente se trata de uma irmã de Maria, mãe de Jesus. Portanto, Maria e seu esposo Cléofas eram os pais de Tiago e de José. Eles tinham ainda outro filho por nome Judas, que em sua epístola se diz irmão de Tiago. Esse Tiago só pode ser filho de Cléofas, pois o outro Tiago era irmão de São João Evangelista, que era filho de Zebedeu. Resta Simão. Egesipo o dá também como filho de Cléofas. Não constam seus pais. Tenha-se em conta que Nossa Senhora é chamada “mãe de Jesus” e nunca “mãe dos irmãos de Jesus”. Se Maria tivesse outro filho, Jesus não a teria confiado a João, filho de Zebedeu. A família de Nazaré aparece apenas com três pessoas: Jesus, Maria e José. Aos doze anos, Jesus vai ao templo exclusivamente com Maria e José”. Ainda que se trate de uma exegese complexa, é válida! Maria só teve um Filho: Jesus Cristo. Ela é a Virgem-Mãe!

Pe. Françoá Costa