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Testemunhas do Cristo Morto e Ressuscitado (28-06-2015)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 12
(1) Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. (2) Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. (3) Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. (4) Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. (5) Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. (6) Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. (7) De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. (8) O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. (9) Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. (10) Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. (11) Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus. (12) Refletiu um momento e dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reunido e faziam oração.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola a Timóteo (2Tm), capítulo 4
(6) Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. (7) Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. (8) Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição. (9) Procura vir ter comigo quanto antes. (10) Demas me abandonou, por amor das coisas do século presente, e se foi para Tessalônica. Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. (11) Só Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, porque me é bem útil para o ministério. (12) Tíquico enviei-o para Éfeso. (13) Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade na casa de Carpo, e também os livros, principalmente os pergaminhos. (14) Alexandre, o ferreiro, me tratou muito mal. O Senhor há de lhe pagar pela sua conduta. (15) Tu também guarda-te dele, porque fez oposição cerrada à nossa pregação. (16) Em minha primeira defesa não houve quem me assistisse, todos me desampararam! (Que isto não seja imputado.) (17) Contudo, o Senhor me assistiu e me deu forças, para que, por meu intermédio, a boa mensagem fosse plenamente anunciada e chegasse aos ouvidos de todos os pagãos. E fui salvo das fauces do leão. (18) O Senhor me salvará de todo mal e me preservará para o seu Reino celestial. A ele a glória por toda a eternidade! Amém.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 16
(13) Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?
(14) Responderam: Uns dizem que é João Batista, outros, Elias, outros, Jeremias ou um dos profetas.
(15) Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou?
(16) Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!
(17) Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
(18) E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
(19) Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade de São Pedro e São Paulo - A Igreja é a mesma ontem, hoje e sempre

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus
(Mt 16, 13-19)

Celebrar a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo significa lembrar, sobretudo, que a Igreja é apostólica. Para nós católicos, é uma realidade fácil de aceitar que a Igreja de hoje seja a mesma de dois mil anos atrás, exatamente a mesma fundada por Deus. Para os protestantes, porém, as igrejas, com "i" minúsculo, não passam de instituições frágeis fundadas pelos homens. Cristo mesmo não teria fundado nenhuma instituição visível, deixando aos Seus seguidores esse encargo. É por isso que, para os evangélicos, não é escândalo nenhum que alguém, ao discordar do pastor de sua igreja, decida fundar outra igreja. Igrejas, em sua concepção, são realmente como um "negócio", um empreendimento que se começa e se acaba quando se bem entende.

Nós, ao contrário, cremos que a Igreja é um mistério instituído pelo próprio Senhor. Ela cresceu ao longo dos séculos como uma planta, com todas as suas dificuldades, mas tendo sempre a mesma vida divina dentro de si, graças à ação de seu Divino Fundador. Por isso, é possível dizer que a Igreja é a continuidade do corpo de Cristo na história.

Para entender como essa instituição – que aparentemente mudou tanto ao longo dos séculos – pode permanecer sendo a mesma Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16, 18), tomem-se como exemplo as nossas mães. Na sua juventude, as mulheres possuem uma aparência muito bonita, um corpo jovial e uma pele lisa e macia. Com o tempo, porém, a sua beleza física se esvai, o seu corpo vai decaindo e a sua pele começa a encher-se de rugas e estrias. Ainda que o seu aspecto exterior mude, porém, as mães permanecem as mesmas, conservam a sua identidade e os filhos continuam a amá-las ternamente. Quem quer que consiga perceber que, mesmo mudando as aparências, as pessoas não deixam de ser o que são, é capaz de compreender o conceito de substância. De fato, esse termo se refere a algo que não pode ser captado pelos sentidos, mas tão somente pela inteligência. O que a visão e os outros sentidos conseguem alcançar são apenas os acidentes das coisas. A sua substância, porém, o que lhes dá identidade, é algo invisível.

Assim acontece também com a Igreja. Hoje, quem vai ao Vaticano pode entrar em templos majestosos, como a Basílica de São Pedro, e o Papa Francisco, mesmo em sua humildade e despojamento, não ousa dispensar os seguranças de perto de si (afinal, ele, sendo o chefe visível da Igreja de Cristo, é muito visado pelos inimigos da fé). Nos primeiros anos da Igreja, porém, quem era São Pedro, senão um pescador pobre e analfabeto de Cafarnaum?

Diante dessas grandes diferenças de aparência na Igreja, os críticos dizem que não se trata da mesma instituição e que a verdadeira comunidade fundada por Cristo se perverteu no decorrer dos séculos. O erro desses detratores está em que se detêm apenas nos acidentes e realidades sensíveis da Igreja, ignorando que a sua substância, identidade e essência continuam as mesmas.

Foi a partir do filósofo alemão Friedrich Hegel († 1831) que os homens começaram a perder a noção de continuidade. Para esse pensador, a história seria uma "metamorfose ambulante", com teses, antíteses e sínteses constantes e subsequentes, sem que a realidade tivesse uma substância e uma identidade. Influenciadas por esse pensamento, as pessoas começaram a viver sem raiz e sem tradição, sempre tentando "reinventar a roda" e criar novamente o que, no fundo, elas só precisavam aceitar da "democracia dos mortos" [1] e passar adiante.

A influência dessa filosofia na Igreja tem efeitos ainda piores do que nos assuntos puramente humanos. Quando se tenta subverter, além das verdades naturais, as próprias verdades reveladas por Deus, muito maiores são o caos e a confusão que se instalam. Quem entende, todavia, que a mudança dos acidentes não altera a substância das coisas, procura preservar a Igreja, os seus ensinamentos e tudo o mais que constitui a sua essência – e, quando intenta fazer alguma reforma, não é para destruí-la, senão para preservar-lhe a vida.

É inconcebível, portanto, que se queira reformar a Igreja quebrando a sua continuidade substancial. No tempo dos Apóstolos, é verdade, não havia Concílios Ecumênicos, Catecismos ou Congregação para a Doutrina da Fé. Em essência, porém, a fé dos primeiros cristãos deve ser a mesma que todos os católicos professam, em todos os lugares da terra e em todos os tempos (quod semper, quod ubique, quod ab omnibus). No decorrer da história, a Igreja pode ir tomando maior consciência de sua identidade e de sua doutrina, mas nada disso muda o que ela foi, é e sempre será.

Em sua Primeira Carta aos Coríntios, o Apóstolo dos gentios, ao transmitir as doutrinas da Eucaristia e daRessurreição de Cristo, diz duas vezes: "Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti" (11, 23); "De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido" (15, 3). Apenas alguns anos após a ascensão de Cristo, já se dá a realidade da "tradição" (do latim tradere, que significa "entregar"): os discípulos de Cristo transmitem os Sacramentos e a Palavra, preocupando-se com serem fiéis ao que eles mesmos receberam. De fato, as expressões de São Paulo não são em vão: todos nós, como apóstolos de Cristo, devemos ser fiéis à mensagem que recebemos de nossos pais na fé. Afinal, sabemos – e cremos – que a palavra desses homens remonta ao próprio Senhor e, por isso, devem ser recebidas "não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus" (1 Ts 2, 13).

Ao celebrar São Pedro e São Paulo, essas duas colunas da Igreja, exultemos de alegria por pertencermos à "Igreja una, santa, católica e apostólica"; por pertencermos à única Igreja de Cristo, que, assim como seu Esposo, é a mesma ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8). Estejamos sempre dispostos a dar a nossa vida por essa mãe tão amorosa, a qual nos alimenta com a Palavra de Deus e com o próprio Senhor presente na Eucaristia.

Referências

  1. CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia (trad. Almiro Pisetta). São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 80: "A tradição pode ser definida como uma extensão dos direitos civis. Tradição significa dar votos à mais obscura de todas as classes, os nossos antepassados. É a democracia dos mortos. A tradição se recusa a submeter-se à pequena e arrogante oligarquia dos que simplesmente por acaso estão andando por aí."
Padre Paulo Ricardo

Testemunhas do Cristo Morto e Ressuscitado

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. – Estas palavras que o missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo. A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.

Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram. Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero. Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez se apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero.

O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho… Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar…”

Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.

Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.

Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro. Alguns loucos, dizem, deturpando totalmente a Escritura, que ela é a Grande Prostituta, a Babilônia. Nós sabemos que ela é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste. Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma. Hoje, a missão de Pedro é exercida por Bento XVI. Ao Santo Padre, nossa adesão filial, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o Papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho.

Rezemos, hoje, pelo nosso Santo Padre, Bento. Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os Santos Apóstolos derramaram o próprio sangue.

Ao Senhor, que é admirável nos seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares