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Eu Sou o Pão da Vida! (02-08-2015)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Êxodo (Ex), capítulo 16
(2) Toda a assembléia dos israelitas pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão no deserto. (3) Disseram-lhes: “Oxalá tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito, quando nos assentávamos diante das panelas de carne e tínhamos pão em abundância! Vós nos conduzistes a este deserto, para matardes de fome toda esta multidão.” (4) O Senhor disse a Moisés: “Vou fazer chover pão do alto do céu. Sairá o povo e colherá diariamente a porção de cada dia. Pô-lo-ei desse modo à prova, para ver se andará ou não segundo minhas ordens. (5) No sexto dia, quando prepararem o que tiverem ajuntado haverá o dobro do que recolhem cada dia.” (6) Moisés e Aarão disseram a todos os israelitas: “Esta tarde, sabereis que foi o Senhor quem vos tirou do Egito, (7) e amanhã pela manhã vereis a sua glória, porque ele ouviu as vossas murmurações contra ele. Nós, porém, quem somos nós para que murmureis contra nós?” (8) Moisés disse: “Isso acontecerá quando o Senhor vos der, esta tarde, carne para comerdes e, amanhã pela manhã, pão em abundância, porque ele ouviu as murmurações que proferistes contra ele. Nós, porém, quem somos? Não é contra nós que murmurastes, mas contra o Senhor.” (9) Moisés disse a Aarão: “Dize a toda a assembléia dos israelitas: apresentai-vos diante do Senhor, porque ele ouviu vossas murmurações”. (10) Enquanto Aarão falava a toda a assembléia dos israelitas, olharam para o deserto e eis que apareceu na nuvem a glória do Senhor! (11) E o Senhor disse a Moisés: (12) “Ouvi as murmurações dos israelitas. Dize-lhes: esta tarde, antes que escureça, comereis carne e, amanhã de manhã, vos fartareis de pão, e sabereis que sou o Senhor, vosso Deus”. (13) À tarde, com efeito, subiram codornizes (do horizonte) e cobriram o acampamento, e, no dia seguinte pela manhã, havia uma camada de orvalho em torno de todo o acampamento. (14) E, tendo evaporado esse orvalho, eis que sobre a superfície do deserto estava uma coisa miúda, granulosa, miúda como a geada sobre a terra! (15) Vendo isso, disseram os filhos de Israel uns aos outros: “Que é isso?”, pois não sabiam o que era. Moisés disse-lhes: “Este é o pão que o Senhor vos manda para comer.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 4
(17) Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívolas. (18) Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. (19) Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza. (20) Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, (21) se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. (22) Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. (23) Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, (24) e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 6
(24) E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura.
(25) Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui?
(26) Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos.
(27) Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal.
(28) Perguntaram-lhe: Que faremos para praticar as obras de Deus?
(29) Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.
(30) Perguntaram eles: Que milagre fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Qual é a tua obra?
(31) Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito: Deu-lhes de comer o pão vindo do céu (Sl 77,24).
(32) Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu,
(33) porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo.
(34) Disseram-lhe: Senhor, dá-nos sempre deste pão!
(35) Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

18º Domingo do Tempo Comum - Preparação para a Comunhão

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 6, 24-35)

O diálogo entre Nosso Senhor e o povo, no Evangelho deste Domingo, parece-se muito com aquele travado por Cristo com Satanás, no deserto. De fato, assim como o tentador provoca Jesus, dizendo: "Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães" (Mt 4, 3), ou ainda, "joga-te daqui abaixo!" (Mt 4, 6), a multidão põe à prova o Divino Mestre: "Que sinal realizas – eles perguntam –, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes?" (v. 30).

A isso o Senhor responde desmascarando as suas reais intenções: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos" (v. 26). Ou seja, a turba que seguia o Senhor não estava propriamente atrás d'Ele, mas do que Ele poderia oferecer a ela. Isso indica como as pessoas podem, em seu egoísmo, procurar Jesus de forma errada, preterindo "o Reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6, 33) e se servindo da religião para cuidar de si e dos próprios negócios. Na expressão de Santo Agostinho, "os bons usam do mundo para gozarem de Deus; os maus, ao contrário, querem usar de Deus para gozarem do mundo" [3]. Pode ser que, de fato, muitas pessoas vão à igreja, rezem e comunguem, mas façam todas essas coisas pelos motivos errados, não procurando Jesus para servi-Lo, mas para se servirem d'Ele.

Como mudar essa disposição interior e preparar-se adequadamente para ir ao encontro do Senhor no Santíssimo Sacramento da Eucaristia?

Cabe considerar, antes de qualquer coisa, que quem Se oferece a todos os fiéis na mesa eucarística é o mesmo Jesus, em toda a Sua plenitude. Se algumas pessoas aproveitam mais a Comunhão que outras, a razão disso não deve ser procurada em Deus, senão na diferente disposição interior com que as pessoas O recebem. Na analogia do Doctor Mysticus:

"Se o raio de sol vier refletir-se sobre um vidro manchado ou embaciado, não poderá fazê-lo brilhar, nem o transformará em sua luz de modo total, como faria se o vidro estivesse limpo e isento de qualquer mancha; este só resplandecerá na proporção de sua pureza e limpidez. O defeito não é do raio, mas do vidro; porque, se o vidro estivesse perfeitamente límpido e puro, seria de tal modo iluminado e transformado pelo raio que pareceria o mesmo raio, e daria a mesma luz." [4]

Ao limpar os vidros de nossas almas, a primeira coisa a ser feita é livrar-se das faltas mortais, as quais impedem a própria Comunhão sacramental (cf. 1 Cor 11, 27-29). Para atingir a perfeição, contudo, isso não é o suficiente. É compreensível que uma pessoa no início de sua caminhada eclesial se preocupe em combater os males maiores, não dando tanta atenção às pequenas coisas, mas de quem já está há mais tempo perto do Senhor é esperado um maior cuidado, por exemplo, em (i) evitar e desapegar-se dos pecados veniais – como a maledicência, o uso de palavras sujas e maliciosas, as pequenas vaidades e sensualidades etc. Quem não tiver esse cuidado – diz São João da Cruz – "inutilmente pretenderá chegar à perfeita união com Deus" [5].

Nesse processo de purificação, também é importante (ii) lutar contra as próprias imperfeições. Quem quer ser santo não se deve limitar a fazer o obrigatório, oferecendo ao Senhor apenas o seu "salário mínimo". Para progredir na caridade, é preciso ir além, cumprindo as funções do próprio estado de vida com esmero e perfeição. Uma pessoa que assiste à Missa dominical inteira, por exemplo, está "em dia" com os mandamentos de Deus e da Igreja; se, além disso, ela se preocupa em chegar algum tempo antes à igreja, fazer oração e meditar com ardor e devoção o mistério que vai receber, a sua Comunhão certamente será diferente e produzirá mais frutos.

Mas, por que é necessária a meditação? Porque, como escreve Santo Tomás de Aquino, comentando a afirmação de Cristo: "Eu sou o pão da vida" (v. 35), "a palavra da sabedoria é o alimento especial da mente, pois esta é por ela sustentada" [6]. A devoção nada mais é que uma determinação da vontade de amar a servir a Deus. Ora, para que a vontade se determine, é preciso que a auxilie a inteligência – cujo objeto próprio é a verdade divina. Alimentado pela Palavra, então, o entendimento age sobre a vontade, que se propõe à caridade.

Um bom guia de meditação para receber a Sagrada Eucaristia é o opúsculo Mensis Eucharisticus("Mês Eucarístico"), o qual propõe três etapas para uma oração frutuosa, i.e., considerar:

  1. Quis venit? (Quem vem?)
  2. Ad quem venit? (A quem vem?)
  3. Ad quid venit? (Para quê vem?)

Primeiro, é preciso meditar a respeito de Quem está na Santíssima Eucaristia. A cada dia, o livreto de meditação propõe um aspecto da pessoa de Jesus: um dia, a Sua realeza; em outro, o Seu magistério; noutro, a Sua amizade etc., pois é só considerando a grandeza e a majestade d'Aquele que vem que se pode comungar com fruto. Como canta o Doutor Angélico em seu Adoro te devote, "in cruce latébat sola Déitas, / at hic latet simul et humánitas – na Cruz estava oculta só a divindade, / mas aqui se esconde também a humanidade". Por isso, esse Divino Sacramento exige a virtude da.

Segundo, importa que quem vai comungar considere a si mesmo e a sua miséria, pondo em práticaa virtude da humildade, como Maria Santíssima, que, diante de Deus, não se reconhecia senão como escrava: "Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum – Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38).

Terceiro, vale meditar a obra de justificação que Deus quer realizar em quem O recebe, exercitandoa virtude da confiança. Deus vem aos homens para perdoar as suas dívidas, curar a sua cegueira e surdez, firmar uma relação de amizade com eles etc.

Em resumo, para comungar bem, é preciso ter fome e sede do Santíssimo Sacramento, pois, como conclui o Evangelho, "quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede" (v. 35). O jejum eucarístico pedido pela Igreja para comungar procura despertar nas pessoas justamente essa fome física, a qual, por sua vez, aponta para a sede espiritual que todos devem ter para receber com ardor a Santa Comunhão.

Recomendações

LERCARI, Saviero. Mensis eucharisticus, hoc est praeparationes, aspirationes et gratiarum actiones pro sumptione SS. Eucharistiae, per singulos mensis dies distributae. Paris: Association Catholique du Sacré Coeur, 1828.

Mensis Eucharisticus – Mês Eucarístico (Edições CNBB).

Referências

  1. Enchiridion Indulgentiarum (trad. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). 3. ed., 1986, p. 31.
  2. Ibid., p. 9.
  3. Sobre a Cidade de Deus, XV, 7 (PL 41, 444).
  4. São João da Cruz, Subida do Monte Carmelo, II, 5, 6.
  5. Ibid., I, 11, 2.
  6. Comentário ao Evangelho de São João, VI, 4, n. 914.
Padre Paulo Ricardo

Eu Sou o Pão da Vida!

Caríssimos em Cristo, no Domingo passado, deixamos o Senhor Jesus orando a sós no monte, após ter multiplicado os pães e despedido a multidão. Está no capítulo VI de São João: do monte, Jesus atravessa o mar da Galileia, caminhando sobre as águas. Ao chegar do outro lado, lá esta o povo a sua espera… Sigamos, as palavras do Senhor nesta perícope, pois elas nos falam de vida, falam-nos do Cristo nosso Deus!

Primeiramente, Cristo censura duramente o povo: procuram-no – como tantos hoje em dia – não porque viram o sinal que ele realizou! Mas, que sinal? Fez o povo sentar-se na relva, como o Pastor do Salmo 22 faz a ovelha descansar em verdes pastagens; prepara uma mesa para o fiel, multiplicando-lhe os pães, como Moisés no deserto… Ante tudo isto, amados em Cristo, o povo ainda pensou em Jesus como sendo o Profeta que Moisés prometera (cf. Dt ); mas, infelizmente, não passou disso. Daí a repreensão do Senhor: aqueles lá o procuravam simplesmente porque comeram pão, como hoje tantos o procuram para ganhar benefícios – e, assim, são enganados pelos charlatões de plantão! A prova de que o povo não compreendeu o sinal, é que ainda vai perguntar no Evangelho de hoje: “Que sinal realizas? Que obra fazes?” Como estes, lá com Jesus, se parecem conosco, tantas vezes cegos para os sinais do Senhor na nossa vida!

Observai, irmão! Notai como os judeus não conseguem compreender que o que Jesus quer deles é a fé na sua pessoa e na sua missão! Vede como eles pensam que podem agradar ao Senhor simplesmente com um fazer exterior, sem compromisso de amor que brota do coração: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” Fazer! De nós, Jesus quer muito mais do que um simples fazer! Eis a resposta do nosso Salvador: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou!” Resposta admirável: tua obra, cristão, já não é cumprir a Lei de Moisés; também não é fazer e fazer coisas, mas crer e amar a Jesus! Daí sim, tudo decorre, e também tuas boas obras, feitas por amor a Jesus e na fé em Jesus, serão aceitas pelo Senhor!

Diante da palavra do Cristo, os judeus duros de compreender, pedem a Jesus outro sinal! Não compreenderam o que ele fizera! E ainda citam Moisés, como que dizendo: Tu nos deste pão agora; Moisés nos deu o maná por quarenta anos! Aí, o nosso Salvador faz três revelações surpreendentes e consoladoras! Ei-las:

Primeiro: Aquele maná dado por Moisés não é o pão que vem do céu. É pão terreno mesmo, dado por Deus; pão que mata a fome do corpo, mas não enche de paz o coração; pão que alimenta esta vida, mas não dá a Vida divina, a Vida que dura para sempre! Aquele maná do deserto era apenas pálida imagem de um outro maná, de um outro pão que o Pai daria mais tarde.

E aqui vem a segunda revelação, surpreendente, consoladora: agora o Pai está dando o verdadeiro maná, o verdadeiro Pão do céu, que dá a vida divina ao mundo: Moisés não deu (no passado); meu Pai vos dá (agora, no presente)! Os judeus ficam perplexos, admirados; e pedem: Dá-nos desse pão! Pão que alimenta a fome de vida, de paz, de sentido, de eternidade!

Jesus faz, então, a terceira e desconcertante revelação: “Eu sou o Pão da vida!” Pronto: o pão verdadeiro é uma Pessoa, é ele mesmo! Os pães que ele multiplicara eram imagem dele mesmo, que se nos dá, que nos alimenta, que nos enche de vida: “Eu sou o Pão da vida! O Pão que desce do céu e dá a vida ao mundo! Quem vem a mim nunca mais terá fome de vida e de sentido de existência; quem crê em mim nunca mais terá sede no seu coração!”

Eis, meus caros! Corramos para Jesus! Seja ele nosso alimento! E dele nos alimentando, sejamos nele, novas criaturas, despojando-nos do homem velho, deixando o velho modo de pensar, que conduz não à Vida, mas ao nada, como diz o Apóstolo na segunda leitura! Se nos alimentamos de Cristo, se bebemos de sua santa palavra, como poderemos pensar como o mundo, agir como o mundo, viver como o mundo? Como ainda poderíamos consentir nas velhas paixões que nos escravizam?

Que alimentando-nos de Jesus, Pão bendito de nossa vida, nós atravessemos o deserto desta vida não como o povo de Israel, que murmurou e descreu, mas como verdadeiros cristãos, renovados pelo Senhor, despojados da velhice do pecado e saciados de vida eterna, vida que é o Cristo nosso Deus, bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares