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A Mãe de Deus (16-08-2015)

Primeira Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 11
(19) Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva.
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 12
(1) Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. (2) Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. (3) Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. (4) Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. (5) Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. (6) A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. (7) Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, (8) mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. (9) Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos. (10) Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 15
(20) Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram! (21) Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. (22) Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. (23) Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo, em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. (24) Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. (25) Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. (26) O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés. (27) Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 1
(39) Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
(40) Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
(41) Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
(42) E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
(43) Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
(44) Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
(45) Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
(46) E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
(47) meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
(48) porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
(49) porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
(50) Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
(51) Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
(52) Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
(53) Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
(54) Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
(55) conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
(56) Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora - Augusta Rainha dos céus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 1, 39-56)

Alguns teólogos contemporâneos encontram dificuldades em acreditar que "a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial" [1], como estabelece o dogma proclamado pelo Papa Pio XII, em 1º de novembro de 1950. O problema muitas vezes reside em aceitar que haja na Santíssima Virgem algo de especial, como é o fato de a sua ressurreição gloriosa ter ocorrido antes do normal.

Em resposta a essas indagações, "a Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos" [2].

Para entender esse privilégio concedido à Mãe de Deus, é preciso lançar um olhar a toda a sua vida, na qual – como ela mesmo proclama em seu Magnificat – "o Poderoso fez maravilhas" (Lc 1, 49):

  1. concebida sem pecado original, Maria Santíssima foi salva pelos méritos da paixão de Cristo antes mesmo que Ele viesse ao mundo;
  2. escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, Maria foi a primeira criatura a receber o Espírito Santo (cf. Lc 1, 35), muito antes de Pentecostes;
  3. fiel assistente do Cristo até a agonia da Cruz, "aquela que acreditou" (Lc 1, 45) foi a primeira a crer na ressurreição do Senhor, enquanto a fé de todos à sua volta sucumbia.

A vida de Nossa Senhora é realmente singular, constando de uma série de eventos únicos e irrepetíveis. Se ela foi a primeira a ser redimida, a primeira a ser ungida e a primeira a acreditar, por que seria motivo de escândalo que também ela fosse a primeira a ser glorificada pelo Altíssimo?

Na verdade, a primeira leitura deste Domingo deixa inequívoca a fé constante da Igreja na participação antecipada da Mãe de Deus na glória celeste: "Então apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. (...) E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro" ( Ap 12, 1. 5). Quem pode ser essa mulher senão Maria, a mãe de Jesus Cristo?

Assim, pois, a sua presença no Céu – atestada igualmente pelo testemunho da Sagrada Tradição [3] – deve ser para todos os cristãos motivo de confiança. Que a Virgem Santíssima – invocada pela litania como Auxilium Christianorum – nos ajude a combater o mal neste vale de lágrimas; que aquela cuja descendência foi desde o princípio armada contra as insídias do mal (cf. Gn 3, 15) possa valer-nos nas guerras e batalhas deste mundo.


No dia 13 de Janeiro de 1864, o Bem-aventurado Padre Luís-Eduardo Cestac foi subitamente atingido por um raio da luz divina. Ele viu demônios espalhados por toda a terra, causando uma imensa confusão. Ao mesmo tempo, ele teve uma visão da Virgem Maria. Nossa Senhora lhe revelou que realmente o poder dos demônios fora desencadeado em todo o mundo e que então, mais do que nunca, era necessário rezar à Rainha dos Anjos e pedir a ela que enviasse as legiões dos santos anjos para combater e derrotar os poderes do inferno.

“Minha Mãe", disse o padre, “vós sois tão bondosa, por que então não enviais por vós mesma estes anjos, sem que ninguém vos peça?"

“Não", respondeu a Santíssima Virgem, “a oração é uma condição estabelecida pelo próprio Deus para a obter esta graça."

“Então, Mãe santíssima – disse o sacerdote – ensinai-me como quereis que se vos peça!"

Foi então que o Bem-aventurado Luís-Eduardo Cestac recebeu a oração “Augusta Rainha dos céus". “Meu primeiro dever – disse ele – era apresentar esta oração a Monsenhor La Croix, bispo de Bayonne, que se dignou a aprová-la. Cumprido este dever, fiz imprimir 500.000 cópias, e providenciei que fossem distribuídas em todos os lugares. (...) Não devemos esquecer que, da primeira vez que as imprimimos, a máquina impressora chegou a quebrar duas vezes".

Esta oração foi indulgenciada pelo Papa São Pio X no dia 8 de julho de 1908. Recomenda-se que seja aprendida de cor:

Oração revelada
ao Bem-aventurado Padre Louis-Edouard Cestac
(13 de janeiro de 1864)

Auguste Reine des cieux, souveraine maîtresse des Anges,
Vous qui, dès le commencement, avez reçu de Dieu
le pouvoir et la mission d'écraser la tête de Satan,
Nous vous le demandons humblement,
Envoyez vos légions célestes pour que,
sous vos ordres, et par votre puissance,
Elles poursuivent les démons, les combattent partout,
Répriment leur audace, et les refoulent dans l'abîme.
Qui est comme Dieu?
O bonne et tendre mère,
Vous serez toujours notre Amour et notre espérance.
O Divine Mère,
Envoyez les Saints Anges pour nous défendre,
Et repoussez loin de nous le cruel ennemi.
Saints Anges et Archanges,
Défendez nous, gardez nous.


Augusta Rainha dos céus, soberana mestra dos Anjos,
Vós que, desde o princípio, recebestes de Deus
o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás,
Nós vo-lo pedimos humildemente,
Enviai vossas legiões celestes para que,
sob vossas ordens, e por vosso poder,
Elas persigam os demônios, combatendo-os por toda a parte,
Reprimindo-lhes a insolência, e lançando-os no abismo.
Quem é como Deus?
Ó Mãe de bondade e ternura,
Vós sereis sempre o nosso Amor e a nossa esperança.
Ó Mãe Divina,
Enviai os Santos Anjos para nos defenderem,
E repeli para longe de nós o cruel inimigo.
Santos Anjos e Arcanjos,
Defendei-nos e guardai-nos. Amém.

Referências

  1. Papa Pio XII, Constituição Apostólica Munificentissimus Deus (1º de novembro de 1950), n. 44: AAS 42 (1950), 770.
  2. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre algumas questões respeitantes à escatologia (17 de maio de 1979): AAS 71 (1979), 941.
  3. Cf., e.g., Tractatus de Assumptione Beatae Mariae Virginis (PL 40, 1141-1148), escrita por um autor piedoso, ainda que incerto. Santo Tomás atribui a obra em questão a Santo Agostinho (cf. S. Th., III, q. 27, a. 1).
Padre Paulo Ricardo

A Mae de Deus

Hoje celebramos a maior de todas as solenidades da Mãe de Deus: a sua Assunção gloriosa ao céu.

A oração inicial da Missa hodierna pediu: “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. A liturgia da Igreja, sempre tão sábia e tão sóbria, resumiu aqui o essencial desta solenidade santíssima. Com efeito, Deus elevou à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria! Ela, uma simples criatura, ela, tão pequena, tão humilde, foi eleva a Deus, ao céu, à plenitude em todo o seu ser, corpo e alma! Como isso é possível? Não é a morte o destino comum e final de tudo quanto vive? Isso dizem os pagãos, isso dizem os descrentes, os sábios segundo o mundo, que se conformam com a morte… Mas, nós, nós sabemos que não é assim! Nosso destino é a vida, nosso ponto final é a glória no coração de Deus: glória no corpo, glória na alma, glória em tudo que somos! Foi isso que Deus nos preparou – bendito seja ele para sempre!

Mas, como isso é possível? A Palavra de Deus deste hoje no-lo afirma, de modo admirável. Escutai, irmãos, escutai, irmãs, consolai-vos todos vós: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícia dos que morreram. Em Cristo todos reviverão, cada qual segundo uma ordem determinada; em primeiro lugar Cristo, como primícia!” Eis por que, eis como ressuscitaremos: Cristo ressuscitou! Jesus de Nazaré, caríssimos, é o Senhor! O nosso Jesus é Deus bendito e foi ressuscitado pela glória do Pai! O nosso Senhor Jesus venceu e no faz participantes da sua vitória, dando-nos o seu Espírito Santo! Credes nisso, meus caros? Neste mundo que só crê no que vê, que só leva a sério o que toca, que só dá valor ao que cai no âmbito dos sentidos, credes que Cristo está vivo e é Senhor, primícia, princípio de todos os que morrem unidos a ele? Pois bem, escutai: o Cristo que ressuscitou, que venceu, concedeu plenamente a sua vitória à sua Mãe, à Santíssima Virgem Maria, que esteve sempre unida a ele. Ela, totalmente imaculada, nunca afastou-se do filho: nem na longa espera do parto, nem na pobreza de Belém, nem na fuga para o Egito, nem no período de exílio, nem na angústia de procura-lo no Templo, nem nos anos obscuros de Nazaré, nem nos tempos dolorosos da pregação do Reino, nem no desastre da cruz, nem na solidão do sepulcro no Sábado Santo… nem mesmo após, nos dias da Igreja, quando discretamente, ela permanecia em oração com os irmãos do Senhor… Sempre imaculada, sempre perfeitamente unida ao Senhor. Assim, após a sua preciosa morte, ela foi elevada à glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou e é primícia da nossa ressurreição!

A presente solenidade é, então, primeiramente, exaltação da glória do Cristo: nele está a vida e a ressurreição; nele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do Batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando Cristo nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!”

Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada a glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou! Ela é aquela Mulher vestida do sol, que é Cristo, pisando a instabilidade deste mundo, representada pela lua inconstante, toda coroada de doze estrelas, número da Israel e da Igreja! A leitura do Apocalipse mostra-nos tudo isso; mas, termina afirmando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo!” Eis: a plenitude da Virgem é realização da obra de Cristo, da vitória de Cristo nela!

Caríssimos, quanto nos diz esta solenidade! A oração inicial, citada no início desta homilia, pedia a Deus: “Dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. Eis aqui qual deve ser o nosso modo de viver: atentos às coisas do alto, onde está Cristo, onde contemplamos a Virgem totalmente glorificada em Cristo. Caminhar neste mundo sem no prendermos a ele. Aqui somos estrangeiros, aqui estamos de passagem, aqui somos peregrinos; lá é que permaneceremos para sempre: nossa pátria é o céu, onde está Cristo, nossa vida! O grande mal do mundo atual é entreter-se com seu consumismo, com sua tecnologia, com seu bem-estar, com seu divertimento excessivo e esquecer de viver atento às coisas do alto. Mas, pior ainda, os cristãos também muitas vezes são infectados por essa doença! Nós, que deveríamos ser as testemunhas do mundo que há de vir, quantas vezes vivemos imersos, metidos somente nas ocupações deste mundo – muitos até com o pretexto de que estão trabalhando pelos irmãos e por uma sociedade melhor. Nada disso! Os pés devem estar na terra, mas o coração deve estar sempre voltado para o alto! Não esqueçamos: nosso destino é o céu, participando da glória de Cristo, da qual a Virgem Maria já participa plenamente! Aí, sim, poderemos cantar com ela e como ela: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o poderoso fez em mim maravilhas!” Seja ele bendito agora e para sempre. Amém.

D. Henrique Soares