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Quem é Jesus Cristo? (13-09-2015)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 50
(5) (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. (6) Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba, não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. (7) Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado, enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado. (8) Aquele que me fará justiça aí está. Quem ousará atacar-me? Vamos medir-nos! Quem será meu adversário? Que se apresente! (9) O Senhor Deus vem em meu auxílio: quem ousaria condenar-me? Cairão em frangalhos como um manto velho, a traça os roerá.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Epístola de São Tiago (Tg), capítulo 2
(14) De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? (15) Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, (16) e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? (17) Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. (18) Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 8
(27) Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que eu sou?
(28) Responderam-lhe os discípulos: João Batista, outros, Elias, outros, um dos profetas.
(29) Então perguntou-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo.
(30) E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele.
(31) E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias.
(32) E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo.
(33) Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens.
(34) Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
(35) Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

24º Domingo do Tempo Comum - Para trás de mim, Satanás!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 
8, 27-35)

Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: "Quem dizem os homens que eu sou?"

Eles responderam: "Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas". Então ele perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro respondeu: "Tu és o Messias".

Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias.

Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: "Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens".

Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la".

*

Desse relato da profissão de fé de São Pedro, é omitido, por humildade do próprio Apóstolo – que se sabe ser a mente por trás do Evangelho de São Marcos –, o grande elogio que lhe faz Jesus, e que São Mateus deixou registrado em seu livro (cf. Mt 16, 17-19). Não se omite, porém, a repreensão de Nosso Senhor ao "evangelho analgésico" de Pedro, que não quer o sofrimento.

A resposta dura de Cristo – "Vai para longe de mim, Satanás!" (v. 33) – também pode ser traduzida como: "Vai para trás (ὀπίσω) de mim, Satanás!". A primeira sentença – explica São Jerônimo [1] – é dita ao próprio demônio, porquanto não lhe é possível mudar de vontade e converter-se – "para longe de mim", significa, portanto, o inferno; a segunda é dirigida a São Pedro, convidando-o a mudar de mentalidade e seguir o Cristo sofredor.

Prossegue Jesus: "Tu não pensas como Deus, e sim como os homens" (v. 33), ao que São João Crisóstomo comenta:

"Jesus quis mostrar o que o homem pode por si e o que pode pela graça de Deus: acima, pela graça de Deus, [Pedro] reconheceu a divindade de Cristo; mas, onde Deus retirou a Sua graça, apareceram a humanidade e o defeito, a ponto de ele ser chamado de Satanás." [2]

É um escândalo que Pedro, o primeiro dos Apóstolos, tenha sido tão severamente repreendido por Jesus – mais do que os próprios fariseus, a quem o máximo que se disse foi que tinham o diabo por pai (cf. Jo 8, 44). No entanto, esse episódio é importante para que enxerguemos como, abandonados às nossas próprias capacidades humanas, cairemos clamorosamente e tornar-nos-emos não somente homens frágeis, mas até mesmo satânicos. "Com Deus nós faremos proezas" (Sl59, 13), diz o salmista; com Ele, seremos capazes de atos heroicos, da altura dos grandes santos da história. Se, porém, nos deixarmos arrastar por nossos pecados, influenciar pela mentalidade mundana e seduzir por Satanás, fatalmente nos separaremos da Igreja.

Às portas do Sínodo para as Famílias e do Jubileu da Misericórdia, são muitas as pessoas, dentro do próprio clero, tentadas a ver o plano de Deus para os casais cristãos como uma espécie de fardo. Sob o pretexto de fazer misericórdia, elas querem afastar a cruz e o sofrimento para longe de si e dos seus – como fez o Apóstolo, no Evangelho deste Domingo –, terminando por substituir a verdadeira boa nova do amor e do sacrifício pelo "evangelho" do egoísmo e da comodidade.

Também hoje, todavia, assim como nos tempos apostólicos, é preciso repelir essa perigosa tentação, contra a qual o próprio Senhor alertou, quando disse à multidão: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga (ἀκολουθείτω). Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la" (v. 34-35). Não existe salvação sem sofrimento.

Mas, ao mesmo tempo, não se deve pensar que a santidade seja um ideal impossível e inalcançável, pois Jesus torna o Reino dos céus acessível a todos, através de Sua graça. Em uma recente conferência nos Estados Unidos, o Cardeal Raymond Burke "rejeitou firmemente a noção de que as pessoas seriam muito fracas para se conformar à lei de Deus sobre o matrimônio, dizendo que Nosso Senhor assegurou dar-nos toda a graça que precisamos para viver nossas existências em Sua vontade".

Não se trata de colocar-se contra o Papa Francisco, contra o Ano da Misericórdia ou contra o Sínodo dos Bispos, mas de contrapor-se a uma mentalidade mundana, que pretende pregar um Cristo sem Cruz. Embora se diga que isso é misericórdia, tal atitude acaba se revelando a maior falta de caridade que existe. Quem quer que faça uma aliança de amor com Deus, deve declarar uma guerra sem tréguas contra o seu egoísmo e contra o mal no mundo – e é disso que se trata a verdadeira caridade, a qual só existe quando um se dispõe a abraçar a Cruz e levar as almas para Deus. Se, porém, a nossa mensagem para as famílias significa simplesmente passar a mão sobre as cabeças de quem fracassou, para onde vão a dignidade e a sacralidade do Matrimônio?

Com relação às pessoas vivendo em segunda união, a postura da Igreja continua a mesma: pôr-se à procura da verdade sobre o primeiro matrimônio que elas contraíram. A atitude motus proprii – i.e., de iniciativa do próprio Pontífice – de simplificar o processo que declara a nulidade matrimonial [3] não significa usar de "mangas largas" para um malfadado "divórcio católico". A Igreja não tem poder para dissolver um casamento contraído validamente. A menos que uma investigação minuciosa comprove que determinado matrimônio nunca existiu, unir-se em novas núpcias significa incorrer no pecado do adultério. Não foi nada menos do que isso o que ensinou Nosso Senhor, quando afirmou que "quem despede sua mulher – fora o caso de união ilícita – e se casa com outra, comete adultério" (Mt 19, 9). A solução apresentada para essas pessoas é que vivam a castidade na situação em que se encontram – o que, embora soe absurdo para a sociedade moderna, sempre foi o chamado da Igreja a todos os católicos, sem exceção.

São Pedro, repreendido no Evangelho deste Domingo por não pensar "como Deus, e sim como os homens" (v. 33), anos depois entregará a sua alma a Deus no patíbulo da Cruz: ele entendeu que era preciso amar até a renúncia da própria vontade e o derramamento do próprio sangue. Também nós entenderemos isso?

Recomendação

Father Ryan Erlenbush, Did Jesus really call Peter "Satan"?. In: The New Theological Movement (26 ago. 2011).

Referências

  1. Cf. São Jerônimo apudCatena Aurea in Matthaeum, 16, 5. Para Santo Hilário, a repreensão não teria visado Pedro, mas tão somente o demônio: "Não convém – diz ele – imputar o nome de Satanás e a acusação de escândalo a Pedro, depois das grandes promessas de bem-aventurança e potestade feitas a ele."
  2. Cf. Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de São Mateus, 16, 3.
  3. Cf. Carta Apostólica Mitis Iudex Dominus Iesus (15 de agosto de 2015).
Padre Paulo Ricardo

Quem é Jesus?

O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta-nos, caríssimos, alguns dos aspectos mais essenciais da nossa fé cristã, aspectos que jamais poderemos esquecer se quisermos ser realmente fiéis a Nosso Senhor. Vejamo-los um a um:

Primeiro. A pergunta de Jesus: “Quem dizem os homens que eu sou?” Notem que as respostas são muitas: umas erradas, outras imprecisas, nenhuma satisfatória. Estejamos atentos a este fato: somente a razão humana, entregue às suas próprias forças, jamais alcançará verdadeiramente o mistério de Cristo. A verdade sobre o Senhor, sua realidade mais profunda, sua obra salvífica, o mistério de sua pessoa e de sua missão, sua absoluta necessidade para que o mundo encontre salvação, vida e paz somente podem ser compreendidos à luz da fé, isto é, daquela humilde atitude de abertura para o Senhor que nos vem ao encontro e nos fala. O homem fechado em si mesmo, preso no estreito orgulho da sua razão, jamais poderá de verdade penetrar no mistério de Cristo e experimentar a doçura de sua salvação. Quanto já se disse de Jesus; quanto se diz hoje ainda: já tentaram descrevê-lo como um simples sábio, como um homem bom e justo, como uma espécie de pacifista, como um pregador de uma moral humanista, como um revolucionário, o primeiro comunista, como um hippie, etc. Nós, cristãos, não devemos nos iludir nem nos deixar levar por tais visões do nosso Divino Salvador. Jesus é e será sempre aquilo que a Igreja sempre experimentou, testemunhou e ensinou sobre ele: o Filho eterno do Pai, Deus com o Pai e como o Pai, o Messias, o único Salvador da humanidade, através de quem e para quem tudo foi criado no céu e na terra. Qualquer afirmação sobre Jesus que seja menos que isso, não é cristã e deve ser rejeitada claramente pelos cristãos!

Segundo. Ante as opiniões do mundo, o Senhor dirige a pergunta a nós, seus discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Em cada geração, todos nós e cada um de nós devemos responder quem é Jesus. Não se trata de uma resposta somente teórica, teológica, digamos assim. Trata-se de uma resposta que deve ter sérias repercussões na nossa vida. Então: quem é Jesus para mim? Que papel desempenha na minha vida? Como me relaciono com ele? Amo-o? Procuro-o na oração, procuro de todo o meu coração viver na sua palavra? Estou disposto a construir minha existência de acordo com a sua verdade? Deixo-me julgar por ele ou eu mesmo, discretamente, procuro julgá-lo? São perguntas muito atuais, caríssimos, sobretudo hoje, quando nossa sociedade ocidental vira as costas para o Cristo, julgando-o anacrônico e ultrapassado. Agora que a nossa cultura já não considera mais Jesus como aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, mas julga que a própria razão humana, com seus humores e pretensões, é que é a Verdade e a Luz, é, mais que nunca, essencial que nós proclamemos com a vida, com a palavra e com os costumes que Jesus é realmente o nosso Senhor, o nosso critério, a nossa única Verdade!

Terceiro. Pedro respondeu quem é Jesus: “Tu és o Messias!”, isto é, “Tu és o Cristo, o Esperado de Israel, aquele que Deus prometera aos nossos Pais!” Recordai, meus caros, que na mesma passagem, em São Mateus, Jesus declara claramente: “Não foi carne nem sangue que te revelaram isto, mas o meu Pai que está nos céus” (Mt 16,15). Insisto: somente o Pai, na potência do Santo Espírito que habita em nós e na Igreja como um todo, é que pode revelar-nos quem é Jesus. A fé não é uma experiência acadêmica, não é fruto de estudos, não se resume a uma especulação teológica. Para um cristão, crer é entrar na experiência que há dois mil anos a Igreja vem fazendo na Palavra, nos sacramentos, na vida de cada dia: a experiência do Cristo Senhor, que foi morto pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa vida e justificação. Quem se coloca fora dessa fé, da fé da Igreja, já não é realmente cristão! Aqui é muito importante compreender que a nossa fé é pessoal, mas nunca individual: cremos na fé da Igreja, cremos no Cristo da Igreja, cremos como Igreja e com a Igreja. Uma outra fé, um outro Cristo seriam triste ilusão!

Quarto. O Evangelho nos surpreende com uma afirmação: “Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito”. Por quê? Porque havia o perigo de pensar nele como um messias glorioso, um messias como os sonhos dos judeus haviam fabricado: o messias do sucesso, das curas, dos shows da fé, dos palanques políticos, etc. Jesus somente afirmará de modo público que é o Messias quando estiver preso, amarrado, diante do Sumo Sacerdote. Aí já não haverá ocasião para engano. Mas, aqui a pergunta? Também nós, muitas vezes, não temos a tentação de querer um Cristo do nosso modo, sob a nossa medida, para nosso consumo? Amamos o Cristo como ele é ou o renegamos quando não faz como gostaríamos? Estamos realmente dispostos a ir com ele até o fim, crendo nele e nele nos abandonando?

Quinto. Exatamente para deixar claro que tipo de Messias ele é, Jesus começa a dizer “que o filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado; devia ser morto e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente”. Eis, caríssimos, o tipo de Messias, o tipo de Salvador, o tipo de Deus que Jesus é! Será que nos interessa? Estamos nós dispostos a seguir um Mestre assim?

Sexto. Não será a nossa a mesma atitude de Pedro, que repreende Jesus, que desejaria um mestre mais racional, mais palatável, menos radical? Não é essa a maior tentação nossa: um Cristo sem cruz, um cristianismo sem renúncia, uma vida cristã que não nos custe nada?

Sétimo. A resposta de Jesus é clara, curta e dirigida perenemente a todos nós: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem quiser perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salva-la!” O caminho é este, sem máscara, sem acordos, sem jeitinhos! Nosso Senhor nunca nos enganou; sempre disse claramente quais as condições para segui-lo…

Caríssimos, saiamos hoje daqui com estas palavras que nos incomodam, nos provocam e nos desafiam. Que ele nos conceda a graça de reconhecê-lo como nosso único Salvador, de segui-lo como nossa única Verdade e de nele viver como nossa única Vida, ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares