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O Repouso dos Humildes (20-09-2015)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro da Sabedoria (Sb), capítulo 2
(12) Cerquemos o justo, porque ele nos incomoda, é contrário às nossas ações, ele nos censura por violar a lei e nos acusa de contrariar a nossa educação. (13) Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo filho do Senhor! (14) Sua existência é uma censura às nossas idéias, basta sua vista para nos importunar. (15) Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes. (16) Ele nos tem por uma moeda de mau quilate, e afasta-se de nosso caminhos como de manchas. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. (17) Vejamos, pois, se suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua morte, (18) porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adversários. (19) Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes de sua paciência. (20) Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir.

Segunda Leitura:
EPISTOLAS CATÓLICAS: Epístola de São Tiago (Tg), capítulo 3
(16) Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios. (17) A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento. (18) O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz.
EPISTOLAS CATÓLICAS: Epístola de São Tiago (Tg), capítulo 4
(1) Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? (2) Cobiçais, e não recebeis, sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais, litigais e fazeis guerra. Não obtendes, porque não pedis. (3) Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 9
(30) Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse.
(31) E ensinava os seus discípulos: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão, e ressuscitará três dias depois de sua morte.
(32) Mas não entendiam estas palavras, e tinham medo de lho perguntar.
(33) Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho?
(34) Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior.
(35) Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.
(36) E tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes:
(37) Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe, e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

25º Domingo do Tempo Comum - O repouso dos humildes

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc
 9, 30-37)

Naquele tempo, Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: "O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará".

Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: "O que discutíeis pelo caminho?"

Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior.

Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!"

Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: "Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou".

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Jesus prenuncia pela segunda vez a Sua paixão e termina novamente incompreendido. Desta vez, porém – ao contrário do domingo passado, em que Pedro repreende Nosso Senhor –, os discípulos, sem saber o que Ele dizia, ficaram com medo de falar. A prova de que não tinham entendido nada é dada no caminho, no qual eles ficam discutindo quem é o maior dentre eles.

Os discípulos estavam inquietos. O que os movia a perguntar aquilo não era apenas a sua soberba. Nos capítulos precedentes, eles viram Jesus dar o primado a São Pedro. Viram-no também ser chamado, junto com São Tiago e São João, para acompanhá-Lo ao monte Tabor no episódio da Transfiguração. Parecia bastante razoável, portanto, que perguntassem entre si quem seria o primeiro.

Nosso Senhor, de fato, sondando os seus corações, não lhes responde como se o Reino de Deus fosse uma "sociedade igualitária", sem primeiros nem últimos. Sem negar que há uma hierarquia entre os próprios eleitos, o que Ele faz é indicar o modo pelo qual se ascende em Seu reinado: "Se alguém quiser ser o primeiro (πρῶτος), que seja o último (ἔσχατος) de todos e aquele que serve (διάκονος) a todos!" (v. 35).

Com isso, Jesus ensina a Seus discípulos a virtude da humildade: não esconde deles o fato de que é "o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mt 16, 16), mas, ao mesmo tempo, revela-Se como o servo sofredor do Antigo Testamento (cf. Is 53), que escolhe livremente passar pelo fracasso da Cruz antes de entrar na Sua glória. Essa mensagem, que soava absurda para o povo de Israel e para os Seus próprios seguidores, está condensada na bela passagem da Carta de São Paulo aos Filipenses, na qual ele fala da "ἐκένωσεν" de Cristo: "Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz!" (Fl 2, 6-8).

No Reino dos céus, o caminho da glória é descendente. Quem quiser ser o primeiro, deve ser como Maria, que passou a sua vida terrena no mais profundo escondimento, a ponto de São Luís Maria Grignion de Montfort chamá-la de "Mãe escondida e secreta":

"Durante a vida, Maria permaneceu muito oculta. É por isso que o Espírito Santo e a Igreja lhe chamam Alma Mater, Mãe escondida e secreta. A sua humildade foi tão profunda, que não teve na Terra atrativo mais poderoso nem mais contínuo que o de se esconder de si mesma e de toda criatura, para que só Deus a conhecesse.

A fim de atender aos pedidos que Ela lhe fez para que a ocultasse, empobrecesse e humilhasse, aprouve a Deus ocultá-la na sua conceição e nascimento, na sua vida, mistérios, ressurreição e assunção, aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios pais não a conheciam, e os anjos perguntavam muitas vezes entre si: 'Quem é esta?' (Ct 8, 5), porque o Altíssimo lha escondia ou, se alguma coisa lhes revelava a seu respeito, infinitamente mais lhes ocultava." [1]

Como recompensa por sua grande humildade, a Virgem Santíssima foi coroada de glória: "Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1).

Outro bom exemplo dessa virtude está em Santa Teresinha do Menino Jesus, cuja memória a Igreja celebra no próximo dia 1º de outubro. Dentro do próprio carmelo, por amor a Jesus, Teresinha escolhia o último lugar, as atividades mais simples, fazendo brilhar nos afazeres ordinários do dia a dia o brilho extraordinário da caridade. A tal ponto chegou o seu escondimento que as suas próprias companheiras de hábito se espantaram com o "furacão de glória" que se seguiu à sua morte, quando a sua fama alcançou os quatro cantos do mundo. O segredo da sua santidade, ela o revela em uma carta à sua prima, Maria Guérin, a qual reproduzimos na íntegra:

"Agradece muito a Deus por todas as graças que te concede e não sejas tão ingratade as não reconheceres. Estás me parecendo uma camponesinha que um rei poderoso viesse pedir em casamento e que não ousaria aceitar, sob o pretexto de não ser bastante rica nem suficientemente educada aos costumes da corte sem refletir que seu pretendente conhece sua pobreza e sua fraqueza muito melhor do que ela mesma conhece... Maria, se tu nada és, não podes esquecer que Jesus étudo, por isso, deves perder teu pequeno nada no seu tudo infinito e não mais pensar senão nesse tudo unicamente amável... Não podes desejar tampouco ver o fruto recolhido dos teus esforços; Jesus se compraz em guardar só para Ele estes pequenso nadas que o consolam... Enganas-te, minha querida, se crês que tua pequena Teresa anda sempre com ardor no caminho da virtude, ela é fraca e muito fraca, todos os dias faz disso uma nova experiência, mas, Maria, Jesus gosta de ensinar-lhe, como a são Paulo, a ciência de glorificar-se em suas enfermidades, é esta uma grande graça e peço a Jesus para ta ensinar, pois só aí se encontra a paz e o descanso do coração, quando nos vemos tão miseráveis não queremos já olhar para nós e só olhamos para único Bem-Amado!...

Minha querida Mariazinha, por mim não conheço outro caminho para se chegar à perfeição senão o "do amor"... Amar, como nosso coração é bem feito para isso!... Às vezes, procuro uma outra palavra para exprimir o amor, mas sobre a terra de exílio, as palavras são impotentes para traduzirem todas as vibrações de uma alma, por isso, é preciso ficarmos com esta única palavra: "Amar!..."

Mas, a quem o nosso pobre coração faminto de Amor o prodigalizará?... Ah! quem é bastante grande para isso... poderia um ser humano compreendê-lo... e, sobretudo, saberia retribuí-lo?... Maria, só há um ser capaz de compreender a profundeza desta palavra: Amar!... Só o nosso Jesus sabe retribuir-nos infinitamente mais do que lhe damos...

Maria do Santíssimo Sacramento!... teu nome te indica a missão... Consolar Jesus, fazê-lo amar pelas almas... Jesus sofre de amor e é preciso saber que a doença do amor não se cura senão pelo amor!... Maria, dá todo o teu coração a Jesus, ele tem sede e fome dele, o teu coração, eis o que ele quer a ponto de, para consegui-lo, consentir em morar num reduto sujo e obscuro!... Ah! como não amar um amigo que se submete a tão extrema indigência, como ousar alegar ainda a pobreza quando Jesus se faz semelhante à sua Noiva... Era rico e fez-se pobre para unir sua pobreza à pobreza de Maria do Santíssimo Sacramento... Que mistério de amor!...

Todos os meus cumprimentos à cara Colônia.

Meu coração está sempre com Maria do Santíssimo Sacramento, o sacrário é a casa do amor onde nossas duas almas estão reclusas... Tua Irmãzinha que te pede para não ser esquecida em tuas orações.

Irmã Teresa do Menino Jesus da Sagrada Face
nov. Carm. (ind.)" [2]

O sentido da humildade consiste, portanto, segundo as palavras de Santa Teresinha, no amor a Jesus. Só assim é possível compreender o sentido profundo desta lição de Nosso Senhor: "Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou" (v. 37). Às vezes, o pequeno a quem se deve prestar auxílio é o pobre e desvalido que mora nas ruas, ou mesmo a esposa e os filhos que estão em casa. O importante, em todas as ocasiões, é enxergar o valor sacramental do próximo: devemos aproximar-nos dos outros enxergando o Outro, que é Cristo, acolhendo o irmão "em Seu nome". Só assim é possível dizer, lavando os pés de um ser humano, que se lavam as chagas do próprio Cristo, como Ele mesmo diz: "Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!" (Mt 25, 40).

Quando se acolhe o outro "em Seu nome", porém, não se recebe apenas o Filho, mas também "aquele que o enviou". Trata-se do mistério da inabitação trinitária na alma, à qual várias vezes aludiu Nosso Senhor: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada" (Jo 14, 23).

Conscientes de que a Trindade Santa mora em nossa alma (se estamos em estado de graça), abandonemo-nos humildemente em Seus braços, como aqueles humildes de que fala São Jerônimo, os quais repousam (quiescunt), ao invés de se agitarem soberbamente: "Enquanto andavam, os discípulos disputavam quem era o primeiro; Jesus, ao contrário, se sentando, ensinou a humildade. Enquanto os príncipes se agitam (laborant), os humildes repousam" [3].

Referências

  1. São Luís Maria Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 2-3.
  2. TERESA DO MENINO JESUS E DA SAGRADA FACE. Carta 109, para Maria Guérin (27-29 de julho de 1890). In: Obras Completas. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2001, pp. 426-427.
  3. São Jerônimo apud Catena Aurea in Marcum, 9, 4.
Padre Paulo Ricardo

Da Glória à Cruz

No domingo passado – deveis recordar – Jesus anunciou aos seus discípulos que ele era um Messias não de glória, mas de humildade e serviço até à morte de cruz. Ao final, triunfaria pela ressurreição. Pedro havia se escandalizado com tais palavras. Hoje, Jesus continua sua pregação. Ele ensinava a sós a seus discípulos: “’O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens e eles o matarão. Mas, três dias após, ele ressuscitará’. Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar”.

Vede, caríssimos, é a mesma atitude da semana passada. O ensinamento do Senhor tem como seu centro o Reino de Deus que viria pela sua cruz e ressurreição. Entrar no Reino é tomar com Jesus a cruz e com ele chegar à glória! Estejamos atentos: este não é apenas mais um dos muitos ensinamentos de Cristo; este é o ensinamento por excelência, a mensagem central que o Senhor veio nos revelar e mostrar com sua palavra, suas atitudes e sua própria vida. Repito: eis o que Jesus ensina: que o caminho do Reino passa pela cruz, passa pela morte e chega à plenitude da vida na ressurreição. Observai que ele ensina isso de modo insistente e prepara particularmente os discípulos para esse caminho… E, no entanto, os discípulos não compreendem a linguagem de Jesus, não compreendem sua missão, seu caminho! Esperavam um messias glorioso, cheio de poder, que resolvesse todos os problemas e reafirmasse orgulhosamente a glória terrena de Israel… Um messias na linha da teologia da prosperidade do Edir Macedo e do RR Soares. Nada mais distante de Cristo que esse tipo de coisa! Observai que, enquanto Jesus caminha adiante ensinando isso, os discípulos, seguindo-o com os pés, próximos fisicamente, estão com o coração muito longe do Senhor. No caminho, vão discutindo sobre quem deles era o maior! Jesus fala da humilhação e do serviço até à cruz; seus discípulos, nós, falamos de quem é o primeiro, o maior… Que perigo, caríssimos, pensarmos que somos cristãos, que seguimos Jesus, e estarmos com o coração bem longe do Mestre amado!

Temos nós essa tentação também? Certamente! A linguagem da cruz continua difícil, dura, inaceitável para nós. É claro que não teoricamente: persignamos-nos com a cruz, beijamos a cruz, trazemo-la pendurada ao pescoço, veneramos a cruz… Mas, o caminho da cruz se faz na vida, não na teoria! Essa cruz de Cristo está presente nas dificuldades, no convite à renúncia de nossa vontade para fazer a vontade do Senhor, na aceitação dos caminhos de Deus, na doença e na morte, nas perdas que a vida nos apresenta, nos momentos de escuridão, de silêncio do coração e de aparente ausência de Deus… Todas essas coisas nos põem à prova, como o justo provado da primeira leitura deste hoje. É a vida, são os acontecimentos, são os outros que nos provam:“Armemos ciladas aos justos… Vamos pô-lo à prova para ver sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. Jesus passou por esse caminho, fez essa experiência em total obediência à vontade do Pai. E nos convida a segui-lo no hoje, no aqui da nossa vida. Nossa tentação é a dos primeiros discípulos: um cristianismo fácil, de acordo com a mentalidade do mundo atual; um cristianismo a baixo preço – isso: que não custe o preço da cruz! Se assim for, como estaremos longe de Jesus, como não o conheceremos! Ele nos dirá: “Apartai-vos de mim! Não vos conheço!” (Mt 7,23).

Caros irmãos, ouvindo isso, talvez digamos: mas, como suportar a dureza da cruz? Como amá-la? Não é possível! É que ninguém pode amar a cruz pela própria cruz, caríssimos. Cristo amou sua cruz e a abraçou por amor total e absoluto ao Pai, por fidelidade ao Pai. Nós, também, somente poderemos compreender a linguagem da cruz e somente não nos escandalizaremos com ela se for por um amor apaixonado pelo Senhor Jesus, para segui-lo em seu caminho, para estarmos em união com ele. Eis, portanto: é o amor ao Senhor que torna a cruz aceitável e até desejável! Sem o amor ao Senhor, a cruz é destrutiva, é louca, e desumana! Com Jesus e por causa de Jesus, a cruz é árvore bendita de libertação e de vida. É o amor a Jesus que torna doce o que é amargo neste vida!

O problema é que precisamos redescobrir a experiência tão bela e doce de amar Jesus. Não se pode ser cristão sem paixão pelo Senhor, sem um amor sincero entranhado para com ele! Como se consegue isso? Estando com ele na oração, aprendendo a contemplá-lo no Evangelho, alimentando durante o dia, dia todo, sua lembrança bendita, procurando a sua graça nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, lutando pacientemente para vencer os vícios e colocar a vida, os sentimentos, os instintos e a vontade em sintonia com a vontade do Senhor Jesus… Sem esses exercícios não há amor, sem amor não há como compreender a linguagem da cruz e sem tomar a cruz com e por Jesus não há a mínima possibilidade de ser cristão! Quando vier a crise, largaremos tudo, trairemos o Senhor e terminaremos por fazer do nosso jeito, salvando a pele e fugiremos covardemente da cruz…

Então – pode ser que perguntemos – por que o Senhor quer nos fazer passar pela cruz? Por que escolheu e determinou um caminho tão difícil? Eis a resposta: porque somos egoístas, imaturos, quebrados interiormente! O pecado nos desfigurou profundamente! São Tiago traça um perfil muito realista e muito feio da nossa realidade: guerras interiores, paixões, disputas, auto-afirmação doentia, desordens e toda espécie de obras más… Quem tiver a coragem de entrar em si mesmo, quem for maduro para se olhar de frente verá em si todas essas tendências. Quantas vontades, quantas guerras interiores! Ora, isso tudo nos fecha para Deus, nos joga na idolatria do ter, do poder, do prazer, da auto-suficiência de pensar que somos deuses… É a cruz do Senhor quem nos purifica, nos corrige e nos liberta de verdade. Não há outro modo, não há outro caminho. Somente sentimentos, risos, cantorias e boa vontade não nos construiriam, não nos colocariam de verdade em comunhão com o Senhor no seu caminho. O mistério do pecado é sério demais, profundo demais para ser tratado com leviandade… “Quem quiser seu meu discípulo tome a sua cruz e siga-me” – diz o Senhor!

Caríssimos, tenhamos coragem! Na docilidade ao Espírito Santo que o Senhor nos concedeu, teremos tal união com o Senhor Jesus, que tudo poderemos e suportaremos. Foi esse o caminho dos santos de Deus de todos os tempos; é esse o caminho que agora nos cabe caminhar… Que o Senhor no-lo conceda por sua graça, ele que é Deus com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares