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O Destino é Cristo (15-11-2015)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Daniel (Dn), capítulo 12
(1) Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protetor dos filhos do seu povo. Será uma época de tal desolação, como jamais houve igual desde que as nações existem até aquele momento. Então, entre os filhos de teu povo, serão salvos todos aqueles que se acharem inscritos no livro. (2) Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns para uma vida eterna, outros para a ignomínia, a infâmia eterna. (3) Os que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e os que tiverem introduzido muitos (nos caminhos) da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor.

Segunda Leitura:
HEBREUS: Epístola aos Hebreus (Hb), capítulo 10
(11) Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, (12) Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus, (13) onde espera de ora em diante que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés (Sl 109,1). (14) Por uma só oblação ele realizou a perfeição definitiva daqueles que recebem a santificação. (15) É o que nos confirma o testemunho do Espírito Santo. Depois de ter dito: (16) Eis a aliança que, depois daqueles dias, farei com eles - oráculo do Senhor: imprimirei as minhas leis nos seus corações e as escreverei no seu espírito, (17) acrescenta: dos seus pecados e das suas iniqüidades já não mais me lembrarei (Jr 31,33s). (18) Ora, onde houve plena remissão dos pecados não há por que oferecer sacrifício por eles.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Marcos (Mc), capítulo 13
(24) Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor,
(25) cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas.
(26) Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória.
(27) Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.
(28) Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão.
(29) Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas.
(30) Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça.
(31) Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
(32) A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

33.º Domingo do Tempo Comum - Saber ler os sinais dos tempos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 
13, 24-32)

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: "Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas.

Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra.

Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas.
Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai".

*

As leituras deste domingo são eminentemente escatológicas, pois falam do fim dos tempos. Nesses derradeiros dias do ano litúrgico ,a Igreja escolhe o texto do Dies Irae para ser cantado durante a oração da Liturgia das Horas, lembrando a espera dos homens pelo Juiz das nações.

No Evangelho, primeiro, Jesus expõe os sinais que precederão a Sua segunda vinda: "O sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas" (v. 24-25). Esses abalos cósmicos aqui referidos – bem como os demais sinais descritos alhures – têm como finalidade, diz Santo Tomás de Aquino, preparar os corações humanos para a vinda do Juiz. Trata-se de um ato de misericórdia da parte de Deus, alertando que em breve se esgotará o tempo de Sua paciência.

De fato, o amor de Deus se manifesta, nesta vida, por meio da Sua misericórdia. "O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como alguns interpretam a demora. É que ele está usando de paciência para convosco, pois não deseja que ninguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se" (2 Pd 3, 9). No fim, porém, Ele exercerá a Sua justiça, e isso justamente por causa de Seu amor, que não pode permitir que bons e malvados se sentem indistintamente à mesa celestial, como se nada tivesse acontecido, ou como se todas as atrocidades que os maus praticaram em vida se tornassem de repente irrelevantes [1]. Não existe seriedade num amor que permite o triunfo do mal. Por isso, no fim dos tempos, uns irão para a vida eterna e outros, para o opróbrio eterno (cf. Dn 12, 2).

A tais sinais se seguirá necessariamente o fim dos tempos? São eles provas inequívocas da volta do Senhor? Evidentemente, não, afirma o Doutor Angélico. Guerras, pestes, terremotos e abalos cósmicos são realidades que acontecem desde a fundação do mundo. Tais sinais constituem, portanto, alertas para todos os homens de Igreja, de todos os tempos e lugares, para que fiquem sempre preparados, dado que, "quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai" (v. 32).

Há ainda uma outra chave de leitura para essas palavras do Senhor. Os sinais dos tempos não devem ser lidos apenas na história universal, mas na vida de cada indivíduo. De fato, quantas vezes Nosso Senhor não nos chama a cada um de nós, seja por meio de doenças e provações, seja por meio de crises e desastres! Abalando assim as nossas seguranças terrenas, Ele quer que elevemos a Ele o nosso coração, juntamente com o salmista: "Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!" (Sl 61, 3).

São Máximo, o Confessor, diz que os idiotas clamam a misericórdia de Deus o tempo inteiro, mas, quando ela se manifesta, não a reconhecem. É assim porque Deus não nos visita apenas nos bens e consolações desta vida, mas também – e principalmente, poder-se-ia dizer – nas cruzes e sofrimentos que recebemos. Todos esses são "sinais dos tempos" para cada um de nós, em particular. Afinal, pode ser que não presenciemos o fim do mundo, mas o nosso mundo pode muito bem chegar ao fim, a qualquer momento, com a nossa morte.

Jesus conclui o Evangelho dizendo: "Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça" (v. 30). Como entender as Suas palavras se, até o dia presente, ainda não se cumpriram todas as coisas que Ele prometeu? A resposta está no que os Santos Padres chamam o "tempo da Igreja". Explica Santo Tomás de Aquino:

"Alguns poderiam crer que essas coisas foram ditas em relação à destruição de Jerusalém, seja porque ela aconteceu, seja porque muitos sobreviveram até aquele tempo, de onde 'esta geração' significar os homens que viviam até então. No entanto, tudo o que está sendo dito se refere muito mais que à destruição de Jerusalém. Por isso, o que se quer dizer, ao contrário, é que todos os fiéis são uma geração, como diz o Salmo: 'Essa é a geração que procura o Senhor' (23, 6). 'Esta geração não passará', significa, pois, que a fé da Igreja não acabará até o fim do mundo, contra aqueles que dizem que ela durará só até um determinado tempo. A isso o Senhor rebate, dizendo: 'Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos' (Mt 28, 20)." [2]

Referências

  1. Cf. Papa Bento XVI, Carta Encíclica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), n. 44-46.
  2. Santo Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de São Mateus, 24, 3.
Padre Paulo Ricardo

O Destino é Cristo

Estamos no penúltimo Domingo do Ano Litúrgico. No Domingo próximo, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo encerrará este ano da Igreja. Pois bem, hoje a Palavra de Deus, nos recorda que, como o ano, também a nossa vida passa, e passa veloz… Assim, o Senhor nos convida à vigilância e nos exorta a que não percamos de vista o nosso caminho neste mundo e o destino que nos espera. Nossa vida tem um rumo, caríssimos; o mundo e a história humana têm uma direção, meus irmãos!

A nossa fé nos ensina, amados no Senhor, que toda a criação e toda a história humana caminham para um ponto final. Este fim não será simplesmente o término do caminho, mas a sua plenitude, a sua finalidade, sua bendita consumação. O universo vai evoluindo, a história vai caminhando… Onde o caminho vai dar? Com palavras e idéias figuradas, a Escritura Sagrada nos ensina que tudo terminará em Jesus, o Cristo glorioso que, por sua morte e ressurreição, tornou-se Senhor e Juiz de todas as coisas. Vede bem: a criação não vai para o nada; a história humana não caminha para o absurdo! Eis aqui o essencial, que o evangelho de hoje nos coloca com palavras impressionantes: “Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória!” Ou seja: tudo quanto existe caminha para Cristo, aquele que vem sobre as nuvens como Deus, aquele que é nosso Juiz porque, como Filho do Homem, experimentou nossa fraqueza e se ofereceu uma vez por todas em sacrifício por nós! Vede, irmãos: o nosso Salvador será também o nosso Juiz! Aquele que está à Direita do Pai e de lá virá em glória para levar à consumação todas as coisas é o mesmo que se ofereceu todo ao Pai por nós para nos santificar e nos levar à perfeição! Repito: nosso Juiz é o nosso Salvador! Quanta esperança isso nos causa, mas também quanta responsabilidade! Que faremos diante do seu amor? Que diremos àquele que por nós deu tudo, até entregar a própria vida para nossa salvação? Que amor apresentaremos a quem tanto e tanto nos amou? Pensai bem!

Hoje, a Palavra de Deus adverte: tudo estará debaixo do senhorio de Cristo! Por isso, numa linguagem de cores fortes e figuras impressionantes, Jesus diz que a criação será abalada pela sua Vinda: “O sol vai escurecer e a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas”. Que significa isso? Que toda a criação será palco dessa Revelação da glória do Senhor, toda a criação será transfigurada e alcançará a plenitude no parto de um novo céu e uma nova terra onde a glória de Deus brilhará para sempre! O Senhor afirma ainda que também a história chegará ao fim e será passada a limpo. Cristo fala disso usando a imagem da grande tribulação, isto é, as dores e contradições do tempo presente, que vão, em certo sentido se intensificando neste mundo. Por isso mesmo, a primeira leitura, do Profeta Daniel, fala em combate e em tempo de angústia… É o nosso tempo, este tempo presente, que se chama “hoje”.

Amados em Cristo, estas leituras são muito atuais e consoladoras, sobretudo nos dias atuais, quando vemos o Cristo enxovalhado, o cristianismo perseguido e desprezado, a santa Igreja católica caluniada… Pensem no Código da Vinci, pensem nas obras de arte blasfemas e sacrílegas frequentemente expostas sem nome de uma pérfida liberdade, pensem nas freiras das porcas novelas da Globo, pensem no ridículo a que os cristãos são expostos aqui e ali, com cínicas desculpas e camufladas intenções, pensem nos valores cristãos que vão sendo destruídos, nas famílias destruídas pelo divórcio, pela infidelidade, pela imoralidade, pensem nos jovens desorientados pela falta de Deus, pela negação de todas as certezas e o desprezo de todos os valores, pensem, por fim, na vida humana desrespeitada pelo aborto, pela manipulação genética, pelas imorais e inaceitáveis experiências com células-tronco embrionárias com pretextos e desculpas absolutamente imorais… Não é de hoje, caríssimos, que a Igreja sofre e que os cristãos são perseguidos, ora aberta, ora veladamente… Já no longínquo século V, Santo Agostinho afirmava que a Igreja peregrina neste tempo, avançando entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus… O perigo é a gente perder de vista o caminho, perder o sentido do nosso destino, esfriar na vigilância, perder a esperança, abandonar a fé…

Caminhamos para o Senhor, caríssimos – tende certeza disto! O mudo vai terminar no Cristo, como um rio termina no mar; a história vai encontrar o Cristo, tão certo quanto a noite encontra o dia; nossa vida estará diante do Senhor, tão garantido quanto o vigia cada manhã está diante da aurora! Por isso mesmo, é indispensável vigiar e trazer sempre no coração a bendita memória do Salvador, a firme esperança nas suas promessas, a segura certeza da sua salvação! Vede bem: na Manifestação do nosso Senhor, ele nos julgará! Na sua luz, tudo será posto às claras: se é verdade que sua Vinda é para a salvação, também é verdade que todos quantos se fecharam para ele, perderão essa salvação. Caríssimos, nosso destino é o céu, mas estejamos atentos: o inferno, a condenação eterna, a danação sem fim, o fogo que devora para sempre, são uma real possibilidade para todos nós! Haverá um Juízo de Deus em Jesus Cristo, meus amados no Senhor: “Muitos dos que dormem no pó a terra despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno. Nesse tempo, teu povo será salvo, todos os que se acharem escritos no Livro”. Caríssimos, não brinquemos de viver, não vivamos em vão, não sejamos fúteis e levianos, não corramos a toa a corrida da vida! É o nosso modo de viver agora que decidirá nosso destino para sempre! Por isso mesmo, Jesus nos previne: “Em verdade vos digo: esta geração não passará até que tudo isto aconteça!” Em outras palavras: não importa quando ele virá – ele mesmo diz: “Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” -; importa, sim, que estejamos atentos, importa que vivamos de tal modo que, quando ele vier no momento de nossa morte, estejamos prontos para comparecer diante dele e diante dele estar no último Dia, quando tudo for julgado! O juízo que nos espera é um processo: começa logo após a nossa morte, quando, em nossa alma, estaremos diante do Cristo e receberemos nossa recompensa: o céu ou o inferno! E no final dos tempos, quando Cristo se manifestar em sua glória, nosso destino também será manifestado com toda a criação e o nosso corpo, ressuscitado no fim de tudo, receberá também a mesma recompensa de nossa alma: o céu ou o inferno, de acordo com o nosso procedimento nesta vida!

Meus caros, quando a Escritura Sagrada nos fala do fim dos tempos não é para descrever como as coisas acontecerão. Isso seria impossível, pois aqui se tratam de realidades que nos ultrapassam e que já não pertencem a este nosso mundo. Portanto, palavras deste mundo não podem descrever o que pertence ao mundo que há de vir… O que a Escritura deseja é nos alertar a que vivamos na verdade, vivamos na fé, vivamos na fidelidade ao Senhor… vivamos de tal modo esta nossa vida, que possamos, de fé em fé, de esperança em esperança, alcançar a vida eterna que o Senhor nos prepara, vida que já experimentamos hoje, agora, nesta santíssima Eucaristia, sacrifício único e santo do nosso Salvador que, à Direita do Pai nos espera como Juiz e Santificador. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

D. Henrique Soares