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Jesus Vem (29-11-2015)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Jeremias (Jr), capítulo 33
(14) Eis que outros dias virão. (15) E nesses dias e nesses tempos farei nascer de Davi um rebento justo que exercerá o direito e a eqüidade na terra. (16) Naqueles dias e naqueles tempos viverá Jerusalém em segurança e será chamada Javé-nossa-justiça.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 3
(12) Que o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco. (13) Que ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Tessalonicenses (1Ts), capítulo 4
(1) No mais, irmãos, aprendestes de nós a maneira como deveis proceder para agradar a Deus - e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e vos exortamos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais. (2) Pois conheceis que preceitos vos demos da parte do Senhor Jesus.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 21
(25) Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas.
(26) Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas.
(27) Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade.
(28) Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças, porque se aproxima a vossa libertação.
(29) Acrescentou ainda esta comparação: Olhai para a figueira e para as demais árvores.
(30) Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão.
(31) Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus.
(32) Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra.
(33) Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
(34) Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida, para que aquele dia não vos apanhe de improviso.
(35) Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra.
(36) Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

1.º Domingo do Advento - O “princípio e fundamento” de nossa existência

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 
21, 25-28.34-36)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas.

Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.

Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.

Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem".

*

O Evangelho deste domingo tem duas partes: a primeira (v. 25-28) fala do abalo deste mundo que passa; a segunda (v. 34-36), de como os homens devem preparar-se para a vinda de Cristo, não só no fim dos tempos, mas também no dia a dia.

No que pode ser considerado o núcleo do ensinamento dessa liturgia, Nosso Senhor adverte os Seus discípulos: "Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis (1) por causa da gula, da embriaguez (2) e das preocupações da vida" (v. 34).

A expressão grega βαρηθῶσιν, aqui traduzida como "insensíveis", está ligada mais propriamente à noção de peso, gravidade. Traz a ideia de um coração apegado à baixeza deste mundo terreno, inclinado às coisas desta vida – das quais, nessa passagem, Cristo cita duas, constituindo como que "dois estágios" de conversão: a primeira diz respeito aos prazeres da carne (κραιπάλῃ, no original); a segunda, às preocupações desta vida (μερίμναις βιωτικαῖς, no grego).

A "primeira conversão", por assim dizer, consiste em livrar-se dos pecados ligados aos sentidos. Qualquer pessoa íntegra e com o mínimo de virtudes humanas é capaz de perceber o mal em que se afundam as pessoas dependentes do álcool, viciadas em drogas ou obstinadas por sexo. Os seus maus hábitos as conduzem a uma condição pior que a dos próprios animais: estes, de fato, sendo só carne, estão satisfeitos vivendo de comer, beber e ter sexo; o ser humano, ao contrário, nunca se contenta simplesmente com prazeres carnais, porque a sua alma imortal tem sede de uma felicidade que só Deus pode preencher.

O primeiro passo de quem quer converter-se, portanto, é viver a virtude da temperança. Para isso serve a prática do jejum, vivamente recomendada neste tempo do Advento que se inicia.

Há, todavia, uma "segunda conversão", que consiste em ordenar os nossos esforços para o fim adequado. Não basta deixar as drogas, a bebida ou a prostituição, se não se entende a razão pela qual se deixa tudo isso. Não basta comportar-se bem, se se perde de vista a meta por que trabalhar. Ninguém se engane: a primeira etapa da conversão é muito importante, deixar os pecados mortais é essencial, mas não se pode ficar estacionado nisso, sob pena de que a moral cristã se transforme em um mero "moralismo" ou "código de etiqueta".

A analogia de Marta e Maria, contida no Evangelho de S. Lucas (10, 38-42), ajuda a ilustrar bem que são as "preocupações desta vida", de que devemos nos desprender. Ao cuidar da cozinha e dos afazeres da casa, Marta não está fazendo nada de ilícito, muito pelo contrário. Sua agitação, no entanto, denuncia a desordem em que se encontra a sua alma: mesmo fazendo coisas boas, ela acabou menosprezando "a melhor parte"; desligada da virtude da prudência, que ordena todas as coisas para o seu devido fim, a sua atitude tornou-se motivo de repreensão.

Daí a importância de fixar a meta, o "princípio e fundamento" de toda a nossa existência. O grande Santo Inácio de Loyola os definia assim:

"El hombre es criado para alabar, hacer reverencia y servir a Dios nuestro Señor y, mediante esto, salvar su ánima; y las otras cosas sobre la haz de la tierra son criadas para el hombre, y para que le ayuden en la prosecución del fin para que es criado. De donde se sigue, que el hombre tanto ha de usar dellas, quanto le ayudan para su fin, y tanto debe quitarse dellas, quanto para ello le impiden. – O homem é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma; e as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, para que o ajudem a conseguir o fim para que é criado. Donde se segue que o homem tanto há de usar delas quanto o ajudam para o seu fim, e tanto deve deixar-se delas, quanto disso o impedem." [1]

Que este tempo do Advento nos ajude em nossa "segunda conversão", a fim de que ordenemos todos os atos da nossa vida para o louvor, a reverência, o serviço de Deus e a salvação da nossa alma.

Referências

  1. Exercícios Espirituais, n. 23.
Padre Paulo Ricardo

Jesus Vem!

“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado!” Com a Eucaristia deste hoje estamos iniciando um novo Ano Litúrgico e também o Tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Durante este novo ano, aos domingos, escutaremos sempre trechos do Evangelho segundo Lucas. E nesta primeira Missa deste novo tempo, a Igreja, no missal, coloca as palavras do salmo 24, que foram lidas há pouco: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma”… A Igreja ergue os olhos, o coração, a alma para o Senhor, reconhecendo-se pobre, pequena e necessitada. “Confio em vós, que eu não seja envergonhado!” Estas palavras, exprimem qual deva ser nossa atitude neste santo Advento: atitude de quem se reconhece necessitado de um Salvador; de quem se sabe pequeno e incapaz de caminhar sozinho! A humanidade, sozinha, não chega à plenitude, não encontra a felicidade: precisamos que Deus venha e nos estenda a mão, que ele nos eleve e nos salve!

O Advento nos prepara para o Natal e nos faz pensar que um dia o Senhor virá em sua glória para levar à plenitude sua obra de salvação. É um tempo de vigilância, de súplica, de alegre esperança no Senhor que vem: veio em Belém, vem no mistério celebrado no Natal, virá no final dos tempos e vem a cada dia, nos grandes e pequenos momentos, nos sorrisos e nas lágrimas. A liturgia nos ajuda a viver bem este tempo com símbolos próprios desta época: a cor roxa, que significa sobriedade e vigilância; o “Glória”, que não será rezado na Missa, para recordar que estamos nos preparando para cantá-lo a plenos pulmões no Natal; a ornamentação sóbria da igreja; a coroa do Advento, que abençoamos no início desta celebração; as leituras e cânticos tão comoventes, sempre pedindo a graça da Vinda do Senhor; a memória dos personagens que nos ensinam a esperar o Messias: Isaías, João Batista, Isabel e Zacarias, José e, sobretudo, a Virgem Maria.

Neste tempo, cuidemos de meditar mais na Palavra de Deus, tanto nas leituras da Missa diária quanto no livro do Profeta Isaías. Procuremos também o sacramento da confissão. Abramos nosso coração Àquele que vem!

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No Evangelho deste domingo, o Senhor nos recorda a necessidade da vigilância: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse Dia não caia de repente sobre vós; pois esse Dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra. Portanto, ficai atentos!” Aquele cuja vinda celebraremos no Natal, cuja vinda esperamos no final dos tempos, vem a nós constantemente! Somente numa atitude de oração e vigilância, de sobriedade e de expectativa amorosa, é que poderemos reconhecê-lo e acolhê-lo. É nossa atitude agora que determinará nossa sorte quando ele vier no final dos tempos. Com uma linguagem impressionante e simbólica, Jesus quer nos dizer hoje que sua manifestação final vai co-envolver todas as coisas: a criação toda, a história humana toda e cada um de nós. Nada nem ninguém escapará do Dia do Cristo; tudo será passado a limpo pelo Filho do Homem glorioso: “Verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória”. Esta vinda será discriminatória, pois discriminará bons e maus: será manifestação da salvação para quem o acolheu… e será perdição para quem o rejeitou! Daí, a advertência séria, o apelo quase que dramático que Jesus nos faz: “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai a cabeça, porque a vossa libertação se aproxima”; ficai atentos para terdes força de escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes dep é diante do Filho do Homem!” Os sinais que o Senhor nos dá, acontecem sempre, em cada geração, como um convite insistente à vigilância.

É preciso que compreendamos que este Dia final que o Senhor nos prepara – Dia da sua Vinda, da sua Manifestação, da sua Aparição – será Dia de salvação: “Eis que virão dias em que farei cumprir as promessas de bens futuros… Naqueles dias, farei brotar de Davi a semente de justiça… e Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante”. Deus nunca pensou o mal para nós! Mas é necessário que nos abramos para o Bem que o Senhor nos prepara; este Bem é Aquele que veio em Belém, que nos vem em cada Eucaristia e que nos virá no final de tudo: “este é o nome com que será chamado: Senhor-nossa-justiça”. Este Bem é Jesus-Salvador! Por isso mesmo, na segunda leitura desta Missa, o Apóstolo nos convida a buscar a santidade aos olhos de Deus, nosso Pai, preparando-nos para “o Dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos” e nos pede insistentemente que façamos “progressos ainda maiores”.

Tomemos consciência de que nosso caminho neste mundo passa, é apenas um caminho! Por que temos tanto medo de recordar que aqui estamos de passagem e que somente lá permaneceremos para sempre? Pois bem: vivamos bem nosso Advento, vivamos bem os dias de nossa vida, à luz do Dia do Cristo que vem! Que caminhemos com os pés bem firmes neste mundo e os olhos voltados para o alto. Que nossos sentimentos sejam os do salmo da Missa de hoje: “Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!” Que nós, “acorrendo com nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos” no Dia da sua Vinda! Vem, Senhor Jesus! Amém!

D. Henrique Soares