Católicos Online

     ||  Início  ->  Alegrai-vos!

Alegrai-vos! (13-12-2015)

Primeira Leitura:
PROFETAS MENORES: Livro de Sofonias (Sf), capítulo 3
(14) Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém! (15) O Senhor revogou a sentença pronunciada contra ti, e afastou o teu inimigo. O rei de Israel, que é o Senhor, está no meio de ti, não conhecerás mais a desgraça. (16) Naquele dia, dir-se-á em Jerusalém: Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços! (17) O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito (18) como num dia de festa. Suprimirei os que te feriram, tirarei a vergonha que pesa sobre ti.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Filipenses (Fl), capítulo 4
(4) Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! (5) Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. (6) Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. (7) E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 3
(10) Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer?
(11) Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo.
(12) Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
(13) Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado.
(14) Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.
(15) Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo,
(16) ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias, ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
(17) Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.
(18) É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

3.º Domingo do Advento - A alegria de estar na graça de Deus

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3, 10-18)

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João: "Que devemos fazer?" João respondia: "Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!" Foram também para o batismo cobradores de impostos, e perguntaram a João: "Mestre, que devemos fazer?"

João respondeu: "Não cobreis mais do que foi estabelecido". Havia também soldados que perguntavam: "E nós, que devemos fazer?"

João respondia: "Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!"

O povo estava na expectativa e todos perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: "Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga".

E ainda de muitos outros modos, João anunciava ao povo a Boa Nova.

*

"Eu vos batizo com água, mas virá aquele que (...) vos batizará no Espírito Santo e no fogo" (v. 16). Diferentemente do batismo de João Batista, que preparava as almas para a chegada de Cristo, o sacramento instituído por Nosso Senhor verdadeiramente confere a graça santificante [1], transformando aqueles que o recebem em filhos de Deus.

É justamente essa filiação a grande fonte da alegria cristã, tema da liturgia deste domingo. "Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém!", diz a Primeira Leitura (Sf 3, 14); "Gaudete in Domino semper. Iterum dico: Gaudete! – Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos", diz a Segunda (Fl 4, 4).

Para compreender exatamente o que significa "alegrar-se no Senhor", todavia, é preciso entender a íntima ligação que há entre a alegria e o amor, pois é justamente desta paixão que nasce aquela outra. Alegra-se quem entra em posse do objeto que ama, e este, por sua vez, determina o tipo de amor que se tem: quem se afeiçoa ao que é terreno e passageiro, terá uma alegria terrestre e efêmera; quem, ao contrário, ama Aquele que é eterno e imperecível, terá uma alegria celeste e permanente. Nosso Senhor aludiu a essas verdades quando disse aos Seus discípulos: "Permanecei no meu amor. (...) Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa" (Jo 15, 9.11).

Para permanecer no amor de Cristo, porém, é preciso guardar os Mandamentos. "Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (Jo 15, 10), diz Jesus. Isso significa converter-se, mudar de vida, purificar-se dos próprios pecados.

A esse processo doloroso de passagem da morte para a vida, comparado pelo Evangelho a um parto (cf. Jo 16, 21), segue-se outra batalha também intensa, que é a luta por conservar-se na graça de Deus. De fato, quando uma pessoa se arrepende de seus pecados e se reconcilia com Ele, a Trindade habita dentro de sua alma, amando-a com amor de amizade (cf. Jo 15, 15). Essa inabitação divina é uma realidade extraordinária, a qual todo cristão deve estar disposto a morrer para guardar, pois constitui o sentido de sua felicidade neste mundo – felicidade que, embora não seja plena, já é um antegozo do Céu. Esse "tesouro escondido" da vida cristã é comparado por Tertuliano a "uma lâmpada que ilumina o ambiente": "Quem olha de fora só vê o fogo, mas lá dentro está o óleo da unção".

Neste Advento, abasteçamos as nossas lâmpadas com o óleo da graça divina e tenhamos sempre acesa em nosso coração a chama do divino amor, o único fogo que conduz à alegria e à glória do Céu.

Referências

  1. Cf. Suma Teológica, III, q. 38, a. 3.
Padre Paulo Ricardo

Alegrai-vos!

“Gaudete in Domino semper: iterum dico vobis, gaudete. Dominus enim prope est”. O tom da liturgia deste terceiro domingo do Advento é a alegria. A cor rosácea, usada como opção ao roxo, sinaliza para esta exultação que perpassa toda a liturgia hodierna. “Alegrai-vos!” – diz São Paulo na segunda leitura; “Canta de alegria, rejubila, alegra-te e exulta de todo o coração” – convida o Profeta Sofonias na primeira; “Exultai cantando alegres” – exorta o Salmo de meditação.

Mas, qual o motivo de tamanha alegria? Para um cristão, para alguém responsável, e realmente consciente, é possível alegrar-se, quando há tanta dor no mundo, tanto fracasso, tristeza, solidão e morte? Alegrar-se num mundo assim, não seria uma insuportável falta de solidariedade, uma falta de compaixão para com quem sofre e geme? E, no entanto, a Palavra santa insiste: Alegrai-vos! Mas, “alegrai-vos sempre no Senhor!” Eis o modo de alegrar-se, no Senhor, porque ele pode sustentar nossa existência, ele pode dar sentido às nossas dores e nos consolar depois da pena! E a Palavra santa prossegue: “Alegrai-vos: o Senhor está perto”. O motivo da nossa alegria é a certeza que Deus não nos abandonou, a convicção que ele é um Deus presente e que no seu Filho Jesus, ele veio pessoalmente ao nosso encontro. Então, irmãos, alegrai-vos, pois ainda que haja tantas realidades dolorosas e sombrias, o Senhor está perto com seu amor, sua misericórdia, sua salvação. E o nome dessa salvação é Jesus!

Já no Antigo Testamento, Deus consolava o seu povo, sustentava-lhe a esperança, prometia-lhe uma bênção no futuro. Ele mesmo haveria de ser essa bênção, um Deus no meio de sua gente, um Deus próximo: “O rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva!” Israel nunca poderia imaginar que essas palavras haveriam de cumprir-se ao pé da letra. Como Deus poderia vir habitar pessoalmente no meio do seu povo, se ele é o Infinito, Santo e abarca tudo quanto existe no céu e na terra? Para nós, cristãos, no entanto, de modo maravilhoso, esta promessa cumpriu-se em Jesus: ele é o Deus-conosco, Deus entre nós, Deus para nós, Deus como nós: com nosso semblante e com nossos gestos! Ninguém poderia imaginar algo assim! A surpresa foi tanta, é tanta, que Santo Irineu exclamava, a respeito de Cristo: “Ele trouxe toda a novidade quando se trouxe a si mesmo!” Por isso São Paulo nos convida a que nos alegremos no Senhor; não em qualquer alegria! Somente no Senhor que se dá a nós, a nossa alegria pode ser autêntica, porque brota da certeza que não estamos sós, que o pecado e a morte foram vencidos!

Alegrai-vos, pois, mas na alegria de saber que, mesmo com tanta dor e sofrimento no mundo, o amor e a graça de Deus triunfam em Jesus Cristo. Alegremo-nos porque o Senhor está próximo: ele está próximo o seu Natal, ele está próximo no nosso cotidiano, ele está próximo na sua Vinda final… próximo, porque é urgente que nos decidamos por ele, que o acolhamos, que lhe abramos as portas do coração!

Por isso, ao lado da alegria, o evangelho de hoje, ao apresentar-nos o ministério de João Batista, coloca-nos uma questão fundamental: “Que devemos fazer?” – é a questão de levar a sério o Cristo que vem; a questão de abrir espaço para ele na nossa vida, a questão de decidir-se realmente por ele! Como devemos viver para acolher sua vinda no dia-a-dia, para bem celebrar o seu Natal, para estar diante dele quando vier na sua glória? Que devemos fazer? A resposta somente pode ser uma: convertei-vos, abri vosso coração para que o Rei da glória possa entrar! Entrar no vosso modo de viver, entrar nas vossas opções, entrar no vosso coração, entrar em todas as dimensões da vossa existência! Não recebais em vão a graça de Deus, o dom do Cristo que nos vem sempre! Não torneis inútil a salvação que Cristo vos concedeu.

É importante observar o apelo de João, o Batista, precursor do Messias. A cada grupo de pessoas que perguntavam o que fazer, o Batista responde de modo muito concreto, indicando uma direção a partir do modo de vida e da atividade de quem perguntava… e sempre relacionando com o respeito e o amor aos outros: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; quem tiver comida, faça o mesmo; não cobreis mais que o estabelecido; não tomeis à força dinheiro de ninguém; não façais falsa acusação”.

Ainda hoje este é o critério para acolher Jesus: um coração em disposto à conversão… e uma conversão que passe pelo relacionamento com os irmãos, sobretudo os mais necessitados.

Pois bem: “alegrai-vos no Senhor!” Que vossa alegria no Senhor que vem, vos faça bondosos para com todos, sem excluir ninguém, pois o Senhor a todos nos acolheu! Que vossa alegria no Senhor vos faça serenos ante os problemas e desafios do mundo e da vida! Que vossa alegria no Senhor guarde vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus!

É isto que nos é pedido neste santo Advento! É esta a condição para um Natal verdadeiramente cristão, verdadeiramente no Senhor!

Ó Santo Emanuel, tu que assumiste nossa humana condição, tu que não te envergonhaste de ser um de nós, um como nós, um conosco, acolhe nossa súplica, alegra o nosso coração com a alegria da tua chegada… a mesma que alegrou a Virgem, a José, a João no ventre materno… a mesma que fez Isabel exultar e Zacarias cantar… a mesma que alegrou os pastores e o magos…

Santo Emanuel, que nossa alegria esteja numa vida vivida na tua presença, fazendo a tua vontade, cumprindo o teu mandamento!

Vem, Senhor Jesus, que precisamos de ti! Vem e renova o nosso coração e o coração do mundo… até a tua Vinda na glória. Amém.Sf 3,14-18a

D. Henrique Soares