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A Família (27-12-2015)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro do Eclesiástico (Eclo), capítulo 3
(3) Pois Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles. (4) Aquele que ama a Deus o roga pelos seus pecados, acautela-se para não cometê-los no porvir. Ele é ouvido em sua prece cotidiana. (5) Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro. (6) Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração. (7) Quem honra seu pai gozará de vida longa, quem lhe obedece dará consolo à sua mãe. (8) Quem teme ao Senhor honra pai e mãe. Servirá aqueles que lhe deram a vida como a seus senhores. (9) Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, (10) a fim de que ele te dê sua bênção, e que esta permaneça em ti até o teu último dia. (11) A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces. (12) Não te glories do que desonra teu pai, pois a vergonha dele não poderia ser glória para ti, (13) pois um homem adquire glória com a honra de seu pai, e um pai sem honra é a vergonha do filho. (14) Meu filho, ajuda a velhice de teu pai, não o desgostes durante a sua vida. (15) Se seu espírito desfalecer, sê indulgente, não o desprezes porque te sentes forte, pois tua caridade para com teu pai não será esquecida, (16) e, por teres suportado os defeitos de tua mãe, ser-te-á dada uma recompensa, (17) tua casa tornar-se-á próspera na justiça. Lembrar-se-ão de ti no dia da aflição, e teus pecados dissolver-se-ão como o gelo ao sol forte.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Colossenses (Cl), capítulo 3
(12) Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. (13) Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. (14) Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. (15) Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. (16) A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. (17) Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (18) Mulheres, sede submissas a vossos maridos, porque assim convém, no Senhor. (19) Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com aspereza. (20) Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. (21) Pais, deixai de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 2
(22) Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor,
(23) conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2),
(24) e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.
(25) Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
(26) Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor.
(27) Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei,
(28) tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
(29) Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.
(30) Porque os meus olhos viram a vossa salvação
(31) que preparastes diante de todos os povos,
(32) como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.
(33) Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
(34) Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,
(35) a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
(36) Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, era de idade avançada.
(37) Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
(38) Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.
(39) Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré.
(40) O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Comentário Exegético
Ver Homilia de Mons. José Maria
Canção Nova: Homilia

Solenidade da Sagrada Família - O que é uma família?

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo são Lucas
(Lc 2, 22-40)

Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2); e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos.

Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:

"Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel".

Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. Simão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: "Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada traspassará a tua alma".

Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.

Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

*

Os ideólogos de gênero acusam os cristãos de "engessarem" a família. Eles questionam por que, afinal, deveria haver uma única configuração familiar – formada por homem, mulher e filhos –, quando começam a surgir tantos "novos modelos" de família. Na crítica à atuação dos católicos e da "bancada evangélica" no Congresso Nacional, eles chegam a insinuar que "até Jesus ficaria de fora" do conceito tradicional de família: o fato de Ele ser filho adotivo de São José faria a Sagrada Família fugir do padrão familiar "convencionado" pelos cristãos.

A verdade, porém, é que a família não deve ser matéria de convenções – como se a posição de um grupo ou de movimento pudesse mudar a essência dessa instituição –, mas de uma observação atenta e honesta da realidade.

Quem quer que se detenha a examinar a natureza, por exemplo, é capaz de enxergar, em todo o reino animal, a existência de uma complementaridade dos sexos: da união entre um macho e uma fêmea, entre um homem e uma mulher, as espécies se reproduzem e geram descendência. A isso vem a acrescentar-se um cuidado natural pela própria prole, o qual pode manifestar-se seja nos desvelos com que uma cadela cria os seus filhotes, seja numa relação duradoura entre um casal de aves [1].

Essa base biológica está presente também na espécie humana e, embora não seja tudo, é um dado particularmente importante da família. O que a ideologia de gênero faz é justamente subverter esse componente natural, como se o próprio ser humano não passasse de uma "massinha de modelar". "O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade" [2].

Por outro lado, há quem, cegado por uma antropologia naturalista, só seja capaz de enxergar o componente sexual da família, sendo incapaz de perceber a alma imortal que só o ser humano possui. É essa realidade espiritual o que torna a família um fenômeno exclusivamente humano: nela, mais do que meramente procriar, existe a nobre missão de educar. Não se deve confundir essa educação, responsável por formar o espírito, com aquele cuidado natural dos animais pela vida física de seus filhotes. Só entre os seres humanos existe a transmissão de valores e o cultivo das virtudes. Os animais, não tendo alma, são incapazes de fazer a mesma coisa.

Essa face espiritual da família é nota característica da Igreja Católica. Verdadeiramente, ela dá vida aos seus filhos. Trata-se da vida divina, superior à vida biológica, infundida por Deus nas almas pelo sacramento do Batismo e pelo absolvição dos pecados na Penitência. Além disso, pela Eucaristia e pela pregação, a mesma Igreja alimenta e educa os seus filhos, fazendo-os crescer na graça de Deus. Nosso Senhor, quando fundou a Santa Igreja, quis que ela fosse realmente uma família. Assim Ele começou com os Seus discípulos, assumindo a paternidade espiritual deles; assim fizeram os santos, sendo pai espiritual de outros tantos, até os dias de hoje. Em grande medida, é por não serem como uma família que muitas paróquias e comunidades "fracassam" em sua missão de anunciar o Evangelho.

Quando as pessoas deixam de "ser família", de fato, elas descuidam dos espírito e as suas preocupações descem todas ao nível material: se um é contrariado, já procura o divórcio; se o outro é sepultado, os filhos já brigam por causa de dinheiro. É o "raciocínio de empresa" que substitui os vínculos espirituais que sempre mantiveram de pé as famílias.

Hoje, assim como em tempos antigos, o resgate da família humana passa pela Sagrada Família – por São José, que foi verdadeiramente chefe, guardião e guia de Jesus e Maria; por Nossa Senhora, que adornou o lar de Nazaré com as suas virtudes; e pelo menino Jesus, que em tudo era submisso aos Seus pais (cf. Lc 2, 51). Ponhamos no centro de nossas vidas e de nossas casas a pessoa do Verbo encarnado, para que sejamos pouco a pouco transformados n'Ele, por Ele próprio. Se só Deus pode salvar o homem, também só Ele pode dar um jeito à família.

Referências

  1. Cf. Suma Teológica, II-II, q. 154, a. 2.
  2. Papa Bento XVI, Discurso de Natal à Cúria Romana (21 de dezembro de 2012).

 

Padre Paulo Ricardo

As Lições de Nazaré

No Domingo após o Natal celebra-se a festa da Sagrada Família Jesus, Maria e José. Deus quis manifestar-se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Pode-se dizer que hoje celebramos o verdadeiro Dia da Família!

A Palavra de Deus em (Eclo. 3, 3 – 7. 14 – 17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

São Paulo, em Cl 3, 12 – 21, enumera as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família, é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.

A Sagrada Família é proposta pela Igreja como modelo de todas as famílias cristãs: na casinha de Nazaré, Deus ocupa sempre o primeiro lugar e tudo Lhe está subordinado.

Os lares cristãos, se imitarem o da Sagrada Família de Nazaré, serão lares luminosos e alegres, porque cada membro da família se esforçará em primeiro lugar por aprimorar o seu relacionamento pessoal com o Senhor e, com espírito de sacrifício, procurará ao mesmo tempo chegar a uma convivência cada dia mais amável com todos os da casa.

A família é escola de virtudes e o lugar habitual onde devemos encontrar a Deus.

Cada lar cristão tem na Sagrada Família o seu exemplo mais cabal; nela, a família cristã pode descobrir o que deve fazer e como deve comportar-se, para a santificação e a plenitude humana de cada um dos seus membros. Diz o Papa Paulo VI: “Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa muito simples, muito humilde e muito bela manifestação do Filho de Deus entre os homens. Aqui se aprende até, talvez insensivelmente, a imitar essa vida”.

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família (como divórcio, aborto, união de pessoas do mesmo sexo) são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

O Messias quis começar a sua tarefa redentora no seio de uma família simples, normal. O lar onde nasceu foi a primeira realidade humana que Jesus santificou com a sua presença.

Hoje, de modo muito especial, pedimos à Sagrada Família por cada um dos membros da nossa família e pelo mais necessitado dentre eles.

Maria, Rainha da Família, rogai por nós!

Mons. José Maria