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Batismo do Senhor (10-01-2016)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Isaías (Is), capítulo 42
(1) Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião. (2) Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. (3) Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião, não desanimará, nem desfalecerá, (4) até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra, e até que as ilhas desejem seus ensinamentos. (5) Eis o que diz o Senhor Deus que criou os céus e os desdobrou, que firmou a terra e toda a sua vegetação, que dá respiração a seus habitantes, e o sopro vital àqueles que pisam o solo: (6) Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a luz das nações, (7) para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão aqueles que vivem nas trevas.

Segunda Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 10
(34) Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, (35) mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo. (36) Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a boa nova da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos. (37) Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou. (38) Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 3
(15) Ora, como o povo estivesse na expectativa, e como todos perguntassem em seus corações se talvez João fosse o Cristo,
(16) ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias, ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo.
(17) Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível.
(18) É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.
(19) Mas Herodes, o tetrarca, repreendido por ele por causa de Herodíades, mulher de seu irmão, e por causa de todos os crimes que praticara,
(20) acrescentou a todos eles também este: encerrou João no cárcere.
(21) Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu
(22) e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba, e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado, em ti ponho minha afeição.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Festa do Batismo do Senhor - O Batismo de Cristo e o nosso batismo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 3, 15-16.21-22)

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: "Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo".

Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: "Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer".

*

Celebrar o Batismo do Senhor é ocasião oportuna para que nós renovemos o nosso próprio batismo. Qual a conexão que existe entre esses dois acontecimentos – entre São João Batista que derrama água sobre a cabeça de Cristo e o sacerdote que, um dia, nos batizou e por cujas mãos fomos introduzidos na Igreja?

A resposta está no que fez Jesus ao receber o batismo no Jordão: ali, Ele purifica as águas e, segundo Santo Tomás de Aquino, institui o novo Batismo (cf. S. Th., III, q. 66, a. 2), que mais tarde estará significado na água descendente do lado aberto de Cristo (cf. Jo 19, 34) e, por todos os tempos, será ministrado a todas as nações (cf. Mt 28, 19). O batismo de João não podia perdoar os pecados, era apenas um batismo de penitência; o Batismo de Cristo, sim, apaga os pecados, sendo, portanto, um ato extensivo da Sua paixão, instrumento que Cristo instituiu para redimir a humanidade.

Não se pode entender, porém, o que seja essa remissão, sem a infusão da graça (cf. S. Th., I-II, q. 113, a. 2). Quando uma criança é batizada, não é como se um anjo, portando uma caneta, riscasse da listinha do infante o pecado original, ou da lista de um adulto os seus pecados pessoais. O que faz os pecados serem apagados é uma realidade chamada graça santificante, que é infundida na alma batizada, convertendo-a de inimiga em amiga de Deus. Essa graça nada mais é que a comunhão com Ele, a participação na vida divina (cf. 2 Pd 1, 4), uma semente de vida eterna implantada em nossos corações.

A mínima porção de graça santificante na alma do mais pequeno recém-nascido – lembra o Doutor Angélico – é maior do que todo o universo criado: bonum gratiae unius maius est quam bonum naturae totius universi (S. Th., I-II, q. 113, a. 9). Com ela não pode conviver o pecado, que é a ofensa a Deus, pelo que não é possível que uma pessoa possua a graça e esteja, ao mesmo tempo, no pecado: ou se é amigo ou inimigo de Deus, tertium non datur. Por isso, assim como os mártires preferiram morrer a cometer um só pecado mortal, devemos também nós estar dispostos a qualquer coisa para permanecer na amizade de Deus e manter a graça santificante em nossa alma.

Mais do que isso, porém, é preciso fazer crescer e frutificar essa semente. Para tanto, são necessárias ação e oração, vida ativa e vida contemplativa, caridade e – realidades que alguns adeptos de certa "heresia da ação" procuraram cindir (cf. Menti Nostrae, n. 58), mas, que na verdade, são inseparáveis uma da outra.

Em primeiro lugar, é preciso fazer atos de amor cada vez mais intensos. Como para um atleta, cujo músculo não cresce se não for tensionado com pesos cada vez maiores, na vida da graça, quem não ama com cada vez mais fervor e generosidade vai pouco a pouco estagnando e caindo na rotina. Isso significa rezar com cada vez mais zelo a Liturgia das Horas; comungar com cada vez devoção Jesus na Eucaristia; recitar com cada vez mais atenção o Santo Terço etc. Para tanto, não se requer necessariamente que se aumente as horas de oração. Talvez isso seja necessário, mas o foco é aumentar o amor com que se fazem todas as coisas, até as mais pequenas.

Em segundo lugar, é importante rezar. O Evangelho de S. Lucas conta que foi "enquanto rezava" (v. 21) que "o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus" (v. 22). Para o Aquinate, essa verdade é extremamente significativa:

"Depois do batismo, o homem precisa da oração constante para entrar no céu; pois, mesmo que os pecados sejam perdoados pelo batismo, permanece a atração ao pecado que nos ataca interiormente, e o mundo e os demônios que nos atacam exteriormente. Por isso, claramente diz o Evangelho de Lucas que 'depois de ter sido batizado Jesus, e enquanto orava, se abriram os céus', porque a oração é necessária aos fiéis depois do batismo." (S. Th., III, q. 39, a. 5)

Assim, pois, não cresce na santidade quem não tem vida de oração, porque a oração é o ato de fé, o "cabo" que põe o homem em união com Deus e ajuda a fecundar toda a sua vida.

Cabe dizer uma última palavra com relação à heresia da ação. Não existe oposição nenhuma entre a vida ativa e a vida contemplativa, porque, na verdade, aquela não passa de uma extensão desta. Não é possível ser apóstolo de Cristo senão estando em profunda sintonia e união com Deus. Não basta dizer que "Deus nos usa" porque, falando em sentido lato, até os demônios são usados por Deus para fazer brilhar a glória dos justos, por exemplo. O que importa é que sejamos instrumentos livres e conscientes em Suas mãos, como foi a Virgem Maria, entregando toda a sua vontade à d'Ele. Só assim seremos ministros de Cristo, exercendo o nosso sacerdócio batismal e galgando rumo à estatura de Cristo.

Padre Paulo Ricardo

Batismo do Senhor

A Festa de hoje encerra o sagrado tempo do Natal: o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo!” (3,17).

Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde e doloroso!

Hoje, às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão, ele começou desde que se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte e morte de cruz.

Mas, atenção: como já dissemos, esse Jesus que é o Filho, é também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”. O Senhor Deus estará sempre com ele e ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

E Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro!

Uma última observação, muito importante: João diz: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. O batismo de João não é o sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre ele o Espírito como vida da sua vida. Então – e só então – ele, pleno do Espírito Santo que o ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Para os cristãos, não há batismo nas águas, mas somente Batismo no Espírito, simbolizado pela água (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao se fazer homem igual a nós! Mas este testemunho não é festivo, não é de oba-oba, mas um testemunho dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia!

Eis! O Menino que nasceu para nós, a Criança admirável que cresceu em sabedoria, idade e graça, submisso aos seus pais na família de Nazaré, o Deus perfeito, filho da Toda Santa Mãe de Deus, Aquele que com o brilho de sua Estrela atraiu a si todos os povos, hoje é apresentado pelo Pai: ele é o Filho querido, ele é o Servo sofredor, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, ele é o Messias, o Ungido de Deus! Acolhamo-lo na nossa existência e no nosso coração e nossa vida terá um novo sentido. Seguindo-o, chegaremos ao coração do Pai que o enviou e é Deus com ele e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares