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Jesus é o Messias! (31-01-2016)

Primeira Leitura:
PROFETAS MAIORES: Livro de Jeremias (Jr), capítulo 1
(4) Foi-me dirigida nestes termos a palavra do Senhor: (5) Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia, antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações. (6) E eu respondi: Ah! Senhor JAVÉ, eu nem sei falar, pois que sou apenas uma criança. (7) Replicou porém o Senhor: Não digas: Sou apenas uma criança: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que eu te ordenar. (8) Não deverás temê-los porque estarei contigo para livrar-te - oráculo do Senhor. (9) E o Senhor, estendendo em seguida a sua mão, tocou-me na boca. E assim me falou: Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios. (10) Vê: dou-te hoje poder sobre as nações e sobre os reinos para arrancares e demolires, para arruinares e destruíres, para edificares e plantares. (11) Nestes termos foi-me dirigida a palavra do Senhor: Que vês, Jeremias? E eu respondi: Vejo um ramo de amendoeira. (12) Viste bem, disse-me o Senhor, porque velo sobre minha palavra para que se cumpra. (13) Pela segunda vez dirigiu-se a mim a palavra do Senhor, e assim falou: Que estás vendo? Vejo, respondi, uma caldeira fervente cujo vapor toma a direção norte-sul. (14) Disse-me o Senhor: É do norte que vai transbordar a desgraça sobre todos os habitantes da terra. (15) Pois vou convocar todos os povos dos reinos do norte - oráculo do Senhor. Eles virão, e cada um estabelecerá seu sólio diante das portas de Jerusalém, em torno de suas muralhas, e de todas as cidades de Judá. (16) Eu os condenarei pelos males que cometeram, por me haverem abandonado, ofertando incenso a outros deuses e adorando a obra de suas mãos. (17) Tu, porém, cinge-te com o teu cinto e levanta-te para dizer-lhes tudo quanto te ordenar. Não temas a presença deles, senão eu te aterrorizarei à vista deles, (18) quanto a mim, desde hoje, faço de ti uma fortaleza, coluna de ferro e muro de bronze, (erguido) diante de toda nação, diante dos reis de Judá e seus chefes, diante de seus sacerdotes e de todo o povo da nação. (19) Eles te combaterão mas não conseguirão vencer-te, porque estou contigo, para livrar-te - oráculo do Senhor.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 12
(31) Aspirai aos dons superiores. E agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos.
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Primeira Epístola aos Coríntios (1Cor), capítulo 13
(1) Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. (2) Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. (3) Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! (4) A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. (5) Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. (6) Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. (7) Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (8) A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. (9) A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. (10) Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. (11) Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. (12) Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. (13) Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.
ASS EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 4
(21) Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir.
(22) Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?
(23) Então lhes disse: Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo, todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria.
(24) E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria.
(25) Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra,
(26) mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia.
(27) Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã.
(28) A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga.
(29) Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade, e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo.
(30) Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

4.º Domingo do Tempo Comum - Não sejamos como os nazarenos!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
4, 21-30)

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: "Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir".

Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: "Não é este o filho de José?"

Jesus, porém, disse: "Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum".

E acrescentou: "Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.

E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio".

Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

*

Diante da pregação de Cristo, o povo tem uma dupla reação. Primeiro, eles "davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca" (v. 22). Ao fim do Evangelho, no entanto, a fúria se apossou de todos na sinagoga, e eles "levantaram-se e o expulsaram da cidade", levando-o ao alto de um monte "com a intenção de lançá-lo no precipício" (v. 29). São os próprios nazarenos quem tramam contra Jesus, homens de Sua própria terra, que conheciam a Sua história e a Sua família. Por que eles fizeram isso?

A resposta – apontam os Santos Padres da Igreja, ao interpretarem essa passagem do Evangelho – está na inveja que eles sentiam de Cristo. O mesmo pecado que comete a serpente com Adão e Eva (cf. Gn 3, 1-5), que faz Caim matar o seu irmão Abel (cf. Gn 4, 2-8), que leva os filhos de Jacó venderem o seu irmão José (cf. Gn 37, 12-28), torna a própria terra em que nasceu o Salvador indigna de acolher as Suas obras (cf. Catena Aurea in Lucam, 4, 5). Os nazarenos não podem suportar que aquelas palavras "cheias de graça" sejam pronunciadas pelo "filho de José", pelo filho do carpinteiro. A princípio, eles estão apenas escandalizados e entristecidos com o bem alheio (inveja afetiva). Vendo, porém, revelados os sentimentos de seus corações, e tomados pela ira, eles se lançam sobre Jesus, decididos a matá-Lo (inveja efetiva). O projeto dos nazarenos se frustra, mas depois é efetivamente levado a cabo, quando os sacerdotes e os chefes do povo entregam Nosso Senhor às autoridades romanas, para ser crucificado.

Mas o que dá origem a todo esse ódio fratricida dos próprios conterrâneos de Cristo? Qual é, por assim dizer, a psicologia da inveja?

É do próprio Satanás o primeiro pecado de inveja de que se tem conhecimento. Além desse, como lembra o Doutor Angélico, os anjos rebeldes só podem cometer outro pecado, que é o da soberba – e é justamente dele que surge a inveja, essa tristeza que se experimenta em relação ao bem do próximo. Quando vê que os seres humanos serão agraciados com aquilo que ele, por soberba, havia perdido; quando vê outras criaturas recebendo o seu antigo posto de excelência, Lúcifer é tomado de tristeza e decide arrastar também o homem ao seu crime. Daí o Autor Sagrado dizer que "foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na os que são do seu partido" (Sb 2, 24).

Foi também por soberba que pecaram os invejosos filhos de Israel, quando venderam o seu irmão José a alguns viandantes. Eles não podiam suportar os sonhos que José recebia, sonhos que realçavam a excelência dele e colocavam-no em uma posição superior em relação a todos os membros de sua família. O que eles não sabiam é que o bem de José redundaria, como se comprovou tempos depois, em instrumento de salvação para eles próprios. O invejoso, que vê com maus olhos o bem alheio, não consegue enxergar que a bênção do outro, na verdade, é uma grande fonte de misericórdia também para ele. É o que nos ensina a analogia que faz São Paulo, quando compara a Igreja a um "corpo místico": o bem de um só membro resulta em benefício de todos os outros; o mal de um só membro é prejuízo para todo o corpo (cf. 1 Cor 12, 12-26).

Essa verdade está na essência dos bens espirituais, cuja lógica é totalmente oposta aos bens e riquezas deste mundo. Os bens materiais, de fato, são as maiores fontes de disputas e desavenças entre os homens, já que não podem ser possuídos ao mesmo tempo por muitos. A propriedade de um é simultaneamente a necessidade de outro e, quando se transfere algo a alguém, é inevitável que se perca aquilo que se doa. Os bens da alma, ao contrário, quanto mais se dão, mais se ganham. Quem dá Deus a outrem, enriquece-se; quem, ao contrário, deseja a condenação eterna a alguém, é o primeiro a perder a graça divina. É o que ensina Santo Tomás de Aquino, quando resume que "os bens espirituais podem ser possuídos ao mesmo tempo por muitos, não, porém, os bens corporais" (S. Th., III, q. 23, a. 1, ad 3).

O tratamento da inveja passa, portanto, pela cura do olhar. Quem tem o Céu sempre diante de si está sempre alegre com o bem do próximo, porque sabe que, no fundo, a herança celeste não diminui com o aumento do número de herdeiros. Diante das bênçãos com que são agraciados os nossos irmãos de caminhada, não sejamos como os nazarenos, mas imitemos os Santos em sua vivência da caridade, caridade na qual não há nenhuma sombra de inveja (cf. 1 Cor 13, 4).

Padre Paulo Ricardo

Jesus é o Messias!

Se procurarmos uma idéia que dê unidade as leituras da Missa de hoje, encontraremos a fé. Comecemos pelo Evangelho. Após ler o trecho do rolo de Isaías, “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu… para levar a Boa Nova aos pobres e proclamar o Ano da graça do Senhor”, Jesus afirma, cheio de autoridade: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. É uma afirmação ousada. Somente quando o Messias viesse tal Escritura seria cumprida. Jesus, portanto, apresenta-se como o Messias. E o encanto de seu ensinamento dá testemunho de que ele é verdadeiro… Mas, infelizmente, crer não é fácil… sobretudo quando Deus nos visita de modo humildade, corriqueiro, nas coisas pequenas e banais. E, assim, os nazarenos se escandalizam com Jesus: “Não é este o filho de José?” Como pode alguém nosso, alguém tão do nosso meio ser o Messias? Como pode Deus se manifestar por este, que cresceu e viveu entre nós? Santo de casa não faz milagre! Gostamos do excepcional, da novidade, do exótico! O quanto é necessário sermos abertos para discernir a Palavra e o apelo do Senhor naqueles que nos são enviados e convivem conosco! O quanto precisamos aprender que Deus não é somente Deus de longe, mas também Deus de perto! A mesma experiência o profeta Jeremias fizera antes de Jesus. E o Senhor ordena que seu profeta fale e que não tenha medo, ainda que seja incompreendido e rejeitado pelo seu povo e seus parentes: “Não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. Eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze… Eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque estou contigo para defender-te!

Por um lado, o Senhor exige fé e confiança absoluta daqueles que ele envia, de seus profetas; por outro lado, espera daqueles aos quais o profeta é enviado, espera do seu povo, a capacidade de discernir, de acolher, de crer! E quantas vezes não cremos: pensamos que Deus se calou, que não mais se manifesta, não mais nos dirige a Palavra. E, no entanto, o Senhor nos interpela por seus profetas, por aqueles que , tantas vezes, são na Comunidade e na vida uma palavra de Deus para nós! Caso não sejamos abertos à Palavra, corremos o risco de perdê-la. É o que Jesus recorda aos nazarenos: a viúva pagã de Sarepta e o leproso Naamã, também ele pagão, foram mais abençoados que as viúvas e os leprosos de Israel, porque foram abertos… Os nazarenos sentiram-se ofendidos porque Jesus insinuou que eles não tinham fé e não sabiam discernir nele Aquele que o Pai enviara… e terminam por expulsar Jesus de sua cidade. É dramático: a falta de fé fez os nazarenos expulsarem o Messias, o Enviado de Deus. A falta de fé e discernimento, a cegueira do coração, a dureza e o fechamento para as novidades de Deus, podem fazer o mesmo conosco: expulsar do coração e da vida aqueles que nos trazem a Palavra do Senhor e sua vontade a nosso respeito.

Mas, por sua vez, aqueles que são testemunhas do Senhor e ministros do Evangelho, devem estar preparados para a possibilidade de serem rejeitados. Somente os falsos pregadores, os malditos vendedores do Evangelho, os missionários de televisão, é que pregam uma adesão a Jesus fácil e que resolve nossos problemas. Na verdade, seguir o Cristo nos amadurece e nos faz, muitas vezes, enfrentar problemas e contradições. Qualquer um que queira colocar-se a serviço do Senhor, deve preparar-se para tal contradição: “Meu filho, se te ofereceres para servir o Senhor, prepara-te para a prova. Endireita teu coração e sê constante… Tudo o que te acontecer, aceita-o, e nas vicissitudes que te humilharem, sê paciente” (Eclo 2,1.4). Como Jesus e os profetas que vieram antes dele, o serviço e a fidelidade ao Evangelho nos colocam em dificuldades e provações! É a dor do Reino de Deus!

A mesma visão de fé que faz distinguir os profetas do Senhor, também nos abre os olhos para reconhecer nos outros irmãos de verdade, irmãos no Senhor, e amá-los de todo o coração. É este o verdadeiro dom, o maior carisma de que fala São Paulo na segunda leitura. Aí, o Apóstolo não fala de um amor-sentimento, amor-simpatia, amor-amizade, mas do amor-caridade, o amor de Deus, que é o Espírito Santo derramado em nossos corações, amor que é capaz de dar a vida… amor como aquele do Cristo que nos amou primeiro e amou-nos até o fim! É este amor, que nasce da raiz do amor a Deus, da abertura para Deus, da intimidade com Deus, que dá sentido a todas as coisas. E sem ele, nada tem sentido para o Reino de Deus… nem a fé! Em última análise, quem salva não é a fé, mas o amor que dá vida e sabor à fé! E o amor a Deus, que desabrocha no amor aos irmãos, é concreto, tem que ser concreto: pode ser visto na paciência, na benignidade, na generosidade, na humildade, na gratuidade, na mansidão, na retidão, na verdade… E São Paulo recorda que um amor assim é coisa de adultos na fé. Quem não ama é imaturo na fé, é criança que pensa e age como criança! Só o amor nos amadurece, só o amor nos faz ver os outros e a vida com os olhos de Deus

Eis, então, de modo resumido, o desafio, o convite da Palavra de Deus hoje: (1) uma fé, uma capacidade de acolher o Senhor, de tal modo que reconheçamos que ele vem a nós na palavra e no testemunho de tantos irmãos e irmãs que conosco convivem; (2) uma fé capaz de suportar com paciência e alegria os reveses da missão que Deus nos confiou e (3) uma fé capaz de desabrochar em amor aos irmãos; amor provado e revelado em atitudes concretas.
Creiamos: somos a Igreja, Comunidade do Senhor Jesus, continuamente vivificada e orientada pelo seu Espírito de amor! Arrisquemos crer; arrisquemos viver de amor… e experimentaremos a doçura do Senhor e a alegria de viver como irmãos.

Dom Henrique Soares