Católicos Online

     ||  Início  ->  Quaresma, Páscoa e Ressurreição

Quaresma, Páscoa e Ressurreição (06-03-2016)

Primeira Leitura:
HISTÓRICO: Livro de Josué (Js), capítulo 5
(9) O Senhor disse a Josué: Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito. E deu-se àquele lugar o nome de Gálgala, nome que subsiste ainda. (10) Os israelitas acamparam em Gálgala, e celebraram a Páscoa no décimo quarto dia do mês, pela tarde, na planície de Jericó. (11) No dia seguinte à Páscoa comeram os produtos da região, pães sem fermento e trigo tostado. (12) E o maná cessou (de cair) no dia seguinte àquele em que comeram os produtos da terra. Os israelitas não tiveram mais o maná. Naquele ano alimentaram-se da colheita da terra de Canaã.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Segunda Epístola aos Coríntios (2Cor), capítulo 5
(17) Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho, eis que tudo se fez novo! (18) Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério desta reconciliação. (19) Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. (20) Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! (21) Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornássemos justiça de Deus.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 15
(1) Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.
(2) Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!
(3) Então lhes propôs a seguinte parábola:
(4) Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
(5) E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo,
(6) e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.
(7) Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
(8) Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?
(9) E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido.
(10) Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.
(11) Disse também: Um homem tinha dois filhos.
(12) O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.
(13) Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente.
(14) Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.
(15) Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos.
(16) Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.
(17) Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome!
(18) Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti,
(19) já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.
(20) Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
(21) O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho.
(22) Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés.
(23) Trazei também um novilho gordo e matai-o, comamos e façamos uma festa.
(24) Este meu filho estava morto, e reviveu, tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.
(25) O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
(26) Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.
(27) Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.
(28) Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele.
(29) Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos.
(30) E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!
(31) Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
(32) Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu, tinha se perdido, e foi achado.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

4.º Domingo da Quaresma - O filho pródigo somos nós

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
15, 1-3.11-32)

Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. 'Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.'

Então Jesus contou-lhes esta parábola: 'Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.

Então caiu em si e disse: 'Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados'.

Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: 'Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho'. Mas o pai disse aos empregados: 'Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'. E começaram a festa.

O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: 'É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde'. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: 'Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado'. Então o pai lhe disse: 'Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado'.

*

Ao pedir ao pai que lhe dê a sua parte da herança, o filho mais novo manifesta que quer ser independente de Deus. A Vulgata Latina usa a expressão portionem substantiae, e é quase inevitável lembrar a petição do Pai Nosso a que Deus nos dê hoje o pão nosso supersubstancial (cf. Mt 6, 11: "Panem nostrum supersubstantialem da nobis hodie"). De fato, Ele nos criou para que fôssemos dependentes d'Ele, para que recebêssemos d'Ele a substância necessária para a nossa vida. Essa é a correta relação entre Criador e criatura.

Mas o filho da parábola quer tomar o lugar do pai e prover o seu próprio sustento. O pai, então, divide a herança, dá ao seu filho a porção que lhe cabe e, dias depois, este parte "para um lugar distante", onde dissipa os seus bens, é visitado pela fome e termina trabalhando para um patrão cruel, que o encarrega do cuidado dos porcos.

Santo Agostinho, comentando essa passagem das Escrituras, escreve que:

"O que se diz que ele fez depois de não muitos dias, quando reuniu tudo e partiu para uma região longínqua, é porque não muito tempo depois da instituição do gênero humano aprouve à alma, pelo livre arbítrio, carregar consigo certo poder da sua natureza e desertar de Deus, confiando em suas próprias forças — as quais ele consumia tanto mais rápido quanto mais se afastava de quem lhas tinha dado. Eis porque se chama essa vida de pródiga, uma vida que ama gastar e exibir pompas exteriores enquanto o seu interior se vai esvaziando. [...] A região longínqua é o esquecimento de Deus. A fome naquela região é a indigência da palavra da verdade; o habitante daquela cidade é algum príncipe aéreo pertencente à milícia do diabo; o seu campo é como a sua potestade; os porcos imundos são os espíritos que estão submetidos a ele; as lavagens com que cuidava dos porcos são as doutrinas estéreis do mundo, nas quais ressoam vaidosamente vários discursos e poemas em louvor dos ídolos e das fábulas dos deuses dos gentios, para deleite dos demônios. Ele desejava saciar-se dessa lavagem, queria encontrar nela algo sólido e reto, pertencente à vida bem-aventurada, mas não o podia, pelo que diz o evangelista: 'E ninguém lhe dava'." [1]

É quando já se encontra submisso a um principado dos demônios, alimentando o prazer do inferno, que o filho pródigo cai em si e se lembra de seu pai. Deus está sempre movendo interiormente o pecador a Si e chamando-o à conversão, mas sem que se encontre consigo mesma, nenhuma alma é capaz de responder-Lhe. Muitos pecadores não voltam para Deus porque estão hipnotizados por suas paixões desordenadas, que os impedem de perceber a divina brisa suave que os visita.

— Mas eu sou incapaz de sair dessa situação! — alguém pode indagar. É bem verdade que, por si mesmos, todos são incapazes de sair da miséria do pecado. Daí a necessidade da redenção e da salvação, que Cristo opera ativamente em nós. Na parábola do filho pródigo, essa intercessão acontece de modo invisível, mas, nas parábolas anteriores contadas pelo Senhor, há o pastor que sai à procura da ovelha perdida e a dona de casa que procura a moeda que perdeu. As duas figuras são imagens de Cristo e da Igreja, que correm atrás do pecador para trazer-lhe de volta à comunhão com Deus.

Em nossa vida, isso acontece de forma bem clara através do verbo interior que ecoa em nossa consciência, chamando-nos à conversão e à mudança de vida. Esse verbo, que fala aos corações dos maiores pecadores da face da terra, só pode ser ouvido por quem reduz os seus sentimentos ao silêncio. Ao falarmos com Deus, é preciso que abandonemos as vozes enganadoras da nossa carne e ouçamos a voz da fé: aquelas dizem que não prestamos, que não temos mais jeito, que seremos sempre escravos; esta, todavia, nos diz que Cristo morreu por nós, que podemos sim ser santos, que a Sua cruz nos libertou do mal de uma vez para sempre.

Se caímos na desgraça do pecado, levantemo-nos, pois, e procuremos o tribunal da reconciliação e da misericórdia de Deus. Embora estejamos chorando interiormente, há grande alegria no Céu por voltarmos definitivamente à Sua casa.

Referências

  1. Libri Quæstionum Evangeliorum, II, 33 (PL 35, 1344-1345). Cf. Santo Tomás de Aquino, Catena Aurea in Lucam, XV, 3.

 

Padre Paulo Ricardo


Quaresma, Páscoa e Ressurreição

Este Domingo hodierno, caríssimos, marca como que o início de uma segunda parte da Santa Quaresma. Primeiramente é chamado “Domingo Laetare”, isto é “Domingo Alegra-te”, porque, no Missal, a antífona de entrada traz as palavras do Profeta Isaías: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” Um tom de júbilo na sobriedade quaresmal! É que já estamos às portas “das festas que se aproximam”. A Igreja é essa Jerusalém, convidada a reunir seus filhos na alegria, pela abundância das consolações que a Páscoa nos traz! Este tom de júbilo aparece nas flores que são colocadas hoje na igreja e na cor rosa dos paramentos do celebrante.

Depois deste Domingo, o tom da Quaresma muda. A partir de amanhã, até a Semana Santa, todos os evangelhos da Missa serão de São João. Isto porque o Quarto Evangelho é, todo ele, como um processo entre os judeus e Jesus: os judeus levarão Jesus ao tribunal de Pilatos. Este condena-lo-á, mas Deus haverá de absolvê-lo e ressuscitá-lo! A partir de amanhã também, a ênfase da Palavra de Deus que ouviremos na Missa da cada dia, deixa de ser a conversão, a penitência, a oração e a esmola, para ser o Cristo no mistério de sua entrega de amor, de sua angústia, ante a paixão e morte que se aproximam.

Em todo caso, não esqueçamos: a Quaresma conduz à Páscoa. A primeira leitura da Missa no-lo recorda ao nos falar da chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de sua Páscoa!

Quanto à liturgia da Palavra, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente a Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus!

Quem é o Pai da parábola? É o Deus de Israel, o Pai de Jesus. Quem é o filho mais novo? São os pecadores e publicanos. Este filho sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão. Como ele termina? Longe do Pai, sozinho, humilhado e maltrapilho, sem poder nem mesmo comer lavagem de porcos – recordemos que, para os judeus, os porcos são animais impuros! Mas, no seu pecado, na sua loucura e na sua miséria, esse jovem é sincero e generoso: caiu em si, reconheceu que o Pai é bom (como ele nunca tinha parado para perceber), reconheceu também que era culpado, que fora ingrato… e teve coragem de voltar: confiou no amor do Pai. Cheio de humildade, ele queria ser tratado ao menos como um empregado! Esse moço tem muito a nos ensinar: a capacidade de reconhecer as próprias culpas, a maturidade de não jogar a responsabilidade nos outros, a coragem de arrepender-se, a disposição de voltar, confiando no amor do Pai! Para cada filho que volta assim, o Pai prepara uma festa (a Páscoa) e o novilho cevado (o próprio Cristo, cordeiro de Deus) e um banquete (a Eucaristia) e a melhor veste (a veste alva do Batismo, cuja graça é renovada na Reconciliação).

E o filho mais velho, quem é? São os escribas e fariseus, são os que pensam que estão em ordem com o Pai e não lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores que os demais e, por isso, merecem a salvação. O filho mais velho nunca amou de verdade o Pai: trabalhou com ele, nunca saiu do lado dele, mas fazendo conta de tudo, jamais se sentindo íntimo do Pai, de tudo foi fazendo conta para, um dia, cobrar a fatura: “Eu trabalho para ti a tantos anos, jamais desobedeci qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos” O filho nunca compreendera que tudo quanto era do Pai era seu… porque nunca amara o Pai de verdade: agia de modo legalista, exterior, fazendo conta de tudo… E, agora, rancoroso, não aceitava entrar na festa do Pai, no coração do Pai, no amor do Pai, para festejar com o Pai a vida do irmão! O Pai insiste para que entre… mas, os escribas e os fariseus não quiseram entrar na festa do Pai, que Jesus veio celebrar neste mundo…

Quem somos nós, nesta parábola? Somos o filho mais novo e somos também o mais velho! Somos, às vezes, loucos, como o mais jovem, e duros e egoístas, como o mais velho. Pedimos perdão como o mais novo, e negamos a misericórdia, como o mais velho. Queremos entrar na festa do Pai como o mais novo, e, às vezes, temos raiva da bondade de Deus para com os pecadores, como o mais velho! Convertamo-nos!

São Paulo nos ensinou na Epístola que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com ele e fez de nós, criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo pediu – e eu vos suplico também: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus!”

Alegremo-nos, pois! Cuidemos de entrar na festa do Pai, que Cristo veio trazer: peçamos perdão a Deus, demos perdão aos irmãos! “Como o Senhor vos perdoou e acolheu, perdoai e acolhei vossos irmãos!” Deixemos que Cristo nos renove, ele que é Deus bendito pelos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares