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O pastor de todas as ovelhas (17-04-2016)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 13
(14) Mas eles, deixando Perge, foram para Antioquia da Pisídia. Ali entraram em dia de sábado na sinagoga, e sentaram-se. (15) Depois da leitura da lei e dos profetas, mandaram-lhes dizer os chefes da sinagoga: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo, falai-a. (16) Paulo levantou-se, fez um sinal com a mão e falou: Homens de Israel e vós que temeis a Deus, ouvi. (17) O Deus do povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou este povo no tempo em que habitava na terra do Egito, de onde os tirou com o poder de seu braço. (18) Por espaço de quarenta anos alimentou-os no deserto. (19) Destruiu sete nações na terra de Canaã e distribuiu-lhes por sorte aquela terra durante quase quatrocentos e cinqüenta anos. (20) Em seguida, lhes deu juízes até o profeta Samuel. (21) Pediram então um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim. (22) Depois, Deus o rejeitou e mandou-lhes Davi como rei, de quem deu este testemunho: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades. (23) De sua descendência, conforme a promessa, Deus fez sair para Israel o Salvador Jesus. (24) João tinha pregado, desde antes da sua vinda, o batismo do arrependimento a todo o povo de Israel. (25) Terminando a sua carreira, dizia: Eu não sou aquele que vós pensais, mas após mim virá aquele de quem não sou digno de desatar o calçado. (26) Irmãos, filhos de Abraão, e os que entre vós temem a Deus: a nós é que foi dirigida a mensagem de salvação. (27) Com efeito, os habitantes de Jerusalém e os seus magistrados não conheceram Jesus, e, sentenciando-o, cumpriram os oráculos dos profetas, que cada sábado são lidos. (28) Embora não achassem nele culpa alguma de morte, pediram a Pilatos que lhe tirasse a vida. (29) Depois de realizarem todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, puseram-no num sepulcro. (30) Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos. (31) Durante muitos dias apareceu àqueles que com ele subiram da Galiléia a Jerusalém, os quais até agora são testemunhas dele junto ao povo. (32) Nós vos anunciamos: a promessa feita a nossos pais, (33) Deus a tem cumprido diante de nós, seus filhos, suscitando Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7). (34) Que Deus o ressuscitou dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, ele o declarou desta maneira: Eu vos darei as coisas sagradas prometidas a Davi (Is 55,3). (35) E diz também noutra passagem: Não permitirás que teu Santo experimente a corrupção (Sl 15,10). (36) Ora, Davi, depois de ter servido em vida aos desígnios de Deus, morreu. Foi reunido a seus pais e experimentou a corrupção. (37) Mas aquele a quem Deus ressuscitou não experimentou a corrupção. (38) Sabei, pois, irmãos, que por ele se vos anuncia a remissão dos pecados. (39) Todo aquele que crê é justificado por ele de tudo aquilo que não pôde ser pela Lei de Moisés. (40) Cuidai, pois, que não venha sobre vós o que foi dito pelos profetas: (41) Vede, ó desprezadores, pasmai e morrei de espanto. Pois eu vou realizar uma obra em vossos dias, obra a que não creríeis, se alguém vo-la contasse (Hab 1,5). (42) Ao saírem, rogavam que lhes repetissem essas palavras no sábado seguinte. (43) Depois que a assembléia terminou, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram Paulo e Barnabé, os quais com muitas palavras os exortavam a perseverar na graça de Deus. (44) No sábado seguinte, afluiu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus. (45) Os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e puseram-se a protestar com injúrias contra o que Paulo falava. (46) Então Paulo e Barnabé disseram-lhes resolutamente: Era a vós que em primeiro lugar se devia anunciar a palavra de Deus. Mas, porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os pagãos. (47) Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te estabeleci para seres luz das nações, e levares a salvação até os confins da terra (Is 49,6). (48) Estas palavras encheram de alegria os pagãos que glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam predispostos para a vida eterna fizeram ato de fé. (49) Divulgava-se, assim, a palavra do Senhor por toda a região. (50) Mas os judeus instigaram certas mulheres religiosas da aristocracia e os principais da cidade, que excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território. (51) Estes sacudiram contra eles o pó dos seus pés, e foram a Icônio. (52) Os discípulos, por sua vez, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

Segunda Leitura:
APOCALIPSE: Apocalipse de São João (Ap), capítulo 7
(9) Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, (10) e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro. (11) E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais, prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: (12) Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém. (13) Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm? (14) Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação, lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. (15) Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono os abrigará em sua tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, (16) porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas, e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 10
(27) As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
(28) Eu llhes dou a vida eterna, elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão.
(29) Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos, e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai.
(30) Eu e o Pai somos um.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Domingo do Bom Pastor - Um duelo de vida e de morte

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 
10, 27-30)

Naquele tempo, disse Jesus: "As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.

Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um".

*

Há quem interprete a pregação de Jesus sobre o Bom Pastor, que perpassa todo o 10.º capítulo do Evangelho de São João, como um discurso meramente bucólico e pitoresco. Enquanto O ouvimos dizendo, "ninguém vai arrancá-las de minha mão" (v. 29), a nossa imaginação pode imediatamente conceber um pastor nos carregando sobre os ombros e cuidando ternamente de nós. A ilustração é verdadeira e não há problema algum em recorrer a essas imagens para ilustrar o que diz Nosso Senhor nessa passagem tão bela das Escrituras. O alcance das palavras de Cristo, entretanto, vai muito além. Ao empregar a analogia do pastor, Nosso Senhor alude a um duelo de vida e de morte (mors et vita duello, como canta a seqüência Victimae paschalis laudes), cujo ápice está justamente na Sua Paixão, Morte e Ressurreição — na Sua Páscoa.

É que, dando a vida por Suas ovelhas, Cristo Pastor dá vida a elas, e não uma vida simplesmente biológica, mas uma vida eterna. Fazendo isso, o Senhor se contrapõe às maiores ameaças do rebanho, que são os ladrões e os mercenários:

  1. "O ladrão vem só para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (Jo 10, 10). O ladrão vem de fora para matar, para levar as ovelhas à morte eterna. É imagem de Satanás e de tudo quanto ele usa de instrumento para levar as almas à morte eterna, que é o inferno. Jesus, ao contrário, vem dar vida às almas.
  2. "O mercenário, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo chegar e foge. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida (ponit animam suam) por suas ovelhas" (Jo 10, 11-12). O mercenário não é senhor das ovelhas: está dentro, mas se põe a cuidar delas apenas pelo salário. É imagem do mau pastor, que, quando vê o lobo chegar, foge, e deixa expostas as ovelhas; que prefere sacrificar a vida das ovelhas a entregar a sua.Jesus, ao contrário, vem dar a Sua vida pelas almas.

Para participarmos dessa vida que Cristo nos veio trazer entregando a própria vida, porém, é necessário que fechemos os ouvidos aos ladrões e assaltantes e estejamos atentos à Sua voz, como Ele mesmo diz: "As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem" (v. 27). Na prática, isso significa escutar o Verbo eterno e alimentar a nossa fé nele — fé sem a qual é impossível agradar a Deus (cf. Hb 11, 6). O Pai revelou o Seu grande amor por nós, mas só desfrutaremos desse amor se acreditarmos. Tudo começa, pois, pela virtude da fé.

Cabe dizer uma última palavra acerca da natureza do sacerdócio católico, neste dia em que celebramos o Bom Pastor. O padre não é um funcionário, mas um homem chamado a configurar-se a Cristo, na dupla dimensão que é apresentada no Evangelho de hoje: no sacrifício, ao entregar a própria vida pelo rebanho, e na fecundidade, ao trazer-lhe vida eterna, especialmente pela celebração dos Sacramentos.

Peçamos a Deus, neste domingo, que nos envie sacerdotes santos e humildes, os quais, imbuídos do espírito do Bom Pastor, zelem fielmente pelo rebanho, ecoando não a voz perturbadora do mundo, mas a voz verdadeira e caridosa de Cristo.

 

Padre Paulo Ricardo


O pastor de todas as ovelhas

Uma imagem muito comum neste tempo pascal é aquela do Cordeiro “de pé, como que imolado” (Ap 5,6). Este Cordeiro, eternamente diante do trono do Pai, é o Cristo no seu estado de perpétua imolação e glória, de entrega sacrifical e ao mesmo tempo vitoriosa, por nós. Mas, misteriosamente, este Cordeiro é também Pastor: “O Cordeiro que está no meio do trono será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Que imagem impressionante: um cordeiro que é pastor que dá vida às ovelhas. Pois bem, Jesus afirmou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11). Estejamos atentos: este dar a vida possui dois sentidos: primeiro: Cristo nos dá a vida porque morre por nós, por nós entrega sua vida humana: “Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,15). É, portanto, um pastor que ama profundamente o seu rebanho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Num segundo sentido, Cristo dá a vida porque transmite às ovelhas a vida divina, a vida eterna, a vida glorificada que ele recebeu do Pai na ressurreição: “Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão!” Que afirmações estupendas! Nosso Pastor, que por nós se fez Cordeiro imolado, dá-nos a vida eterna e imperecível, uma vida que nos saciará eternamente! Cristão, compreende: como é grande, como é concreta, como é verdadeira a tua esperança, como é certa a tua herança!

Esta vida, que o Cordeiro-Pastor nos prepara, é para todos, é em abundância. Isto já aparece na primeira leitura: diante da recusa dos judeus como um todo em acolher o Evangelho da salvação em Jesus, o Apóstolo volta-se para os pagãos: “Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós, judeus. Mas, como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos”. E estes, cheios do Espírito Santo, ficaram cheios de alegria. Eis! A salvação que Cristo nos trouxe, com sua morte e ressurreição, com seu mistério pascal, é plena, é total e é para todos[1]!

É com estas idéias e sentimentos no coração que devemos, agora, contemplar a estupenda imagem que o Apocalipse nos apresenta na liturgia de hoje. Toda a humanidade, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, que ninguém podia contar”… de pé, diante do trono e do Cordeiro”. Pensemos bem! É toda esta humanidade tão sofrida, de vida tão frágil, de esperança tão incerta, que é chamada a este momento tão grandioso: de pé (posição de quem venceu, de quem está vivo) diante do trono de Deus e do Cordeiro, o Cristo nosso Senhor, Aquele que venceu! Observem que nossa esperança nada tem de espírito de seita. A salvação não é para um grupinho de eleitos que excluem os demais farisaicamente! Não! Nunca! Deus quer “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Os cristãos têm o dever de olhar o mundo com amor benevolente. Nós, amados por Deus em Cristo, não podemos guardar só para nós esse amor e essa salvação: é preciso anunciá-la, comunicá-la, e com um coração bom, benévolo para com o mundo: nunca uma atitude de seita, de acusação, de fechamento! Dizer a verdade, sim; anunciar a verdade, sim; denunciar o erro e o pecado, sim; mas,com uma atitude de amor e respeito, de benignidade, como o coração do Bom Pastor, que deu a vida pelas ovelhas e quis morrer pelo rebanho!

Estes eleitos “trajavam vestes brancas” símbolos da glória, de vida, da pureza e da imortalidade; “traziam palmas na mão”, símbolo da vitória. Quem são eles? “São os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro”. Que imagem fantástica! É a multidão dos cristãos de todos os tempos, que perseveraram e vencerão no combate das tribulações desta vida… às vezes, até à morte! Pensemos: somos nós, se formos fiéis no combate do Cristo; somos nós, se perseverarmos e guardarmos a fé e a esperança no Senhor nas lutas e provações desta vida! Estejamos atentos: “lavaram e alvejaram as vestes no sangue do Cordeiro!” Sangue bendito e precioso, que lava, que purifica, que alveja! Nenhum de nós chegará diante do trono limpo por sua própria limpeza, mas sim pelo sangue do Cordeiro que é nosso pastor! “Nunca mais terão fome, nem sede. Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente”. Bendito Cordeiro, bendito Pastor, bendito Cristo-Senhor, que nos dá uma vida tão plena! Ele mesmo nos tinha prometido: “Quem vem a mim nunca mais terá fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Bendito Jesus, que é tão fiel! “E o Cordeiro, que está no meio do trono, será seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida”. Aonde nos conduzirá o Pastor? Que lugar é este, com tanta vida e tanto frescor e consolação? Escutem a Palavra: “Aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda… E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos!” Eis, irmãos, aonde o Cristo imolado e ressuscitado nos conduz: à tenda do coração do Pai, para nos aconchegar, para nos consolar, para nos enxugar as lágrimas, para nos dar a vida em abundância: “Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa!”

É por isso, caríssimos, que a Páscoa de Cristo é também nossa: sua vitória é penhor da nossa, é certeza de nossa esperança agora e plenitude um dia. Vivamos fielmente os combates do presente, deixemo-nos guiar pelo Bom Pastor, lavemos nossas vestes no sangue do Cordeiro e sejamos herdeiros da vida que ele nos prepara. Ele, bendito pelos séculos dos séculos. Amém

Dom Henrique Soares