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Há um Senhor no Céu (08-05-2016)

Primeira Leitura:
ATOS: Atos dos Apóstolos (At), capítulo 1
(1) Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, (2) desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). (3) E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. (4) E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca, (5) porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. (6) Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? (7) Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, (8) mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. (9) Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.. (10) Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: (11) Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola aos Efésios (Ef), capítulo 1
(17) Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele, (18) que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, (19) e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé. É o mesmo poder extraordinário que (20) ele manifestou na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, (21) acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro. (22) E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, (23) que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Lucas (Lc), capítulo 24
(46) Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia.
(47) E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
(48) Vós sois as testemunhas de tudo isso.
(49) Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai, entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.
(50) Depois os levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
(51) Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu.
(52) Depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo.
(53) E permaneciam no templo, louvando e bendizendo a Deus.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade da Ascensão do Senhor - Desapegar-se do mundo para elevar-se com Cristo

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
24, 46-53)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: "Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.

Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto".

Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.

*

As lições que extraímos do mistério da Ascensão do Senhor são três, a saber: humildade, eficácia e desapego.

Primeiro, assim como Cristo Se escondeu de Seus discípulos, inaugurando outra espécie de presença entre eles — não mais aquela sensível, senão outra mais elevada, através da fé —, também nós precisamos nos ocultar, se quisermos efetivamente ascender com Ele aos céus. Isso aponta tanto para a virtude da humildade — por meio da qual nos ocultamos à vista dos outros e procuramos unicamente o louvor de Deus — quanto para a vida de oração, como ensinou Jesus: "Tu, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido" (Mt 6, 6). Quem ama, de fato, tem necessidade de estar a sós com a pessoa amada, tratando intimamente com ela, conforme dito de Santa Teresinha do Menino Jesus: "Para os amantes é necessária a solidão" [1].

Esse escondimento é o que dá eficácia ao nosso apostolado, assim como o escondimento de Cristo nos céus foi fecundo para os Seus Apóstolos, como Ele mesmo havia anunciado: "É de vosso proveito que eu me vá" (Jo 16, 7). As nossas obras, igualmente, só terão frutos, se nos unirmos a Deus através da oração. De nada servem as preocupações e a agitação de Marta, sem o repouso "aos pés do Senhor" e a escuta da Palavra, que são a parte de Maria, "a única necessária" e a "que não lhe será tirada" (cf. Lc 10, 38-42). No seio da Igreja também, a vida contemplativa é como o coração de toda a sua atividade apostólica. É por isso que Santa Teresinha do Menino Jesus, mesmo vivendo durante toda a sua vida em uma clausura, pôde ser proclamada "padroeira das missões". Ela tinha descoberto o seu lugar "no coração da Igreja": o Amor, que dá forma a todas as obras cristãs, sejam quais forem [2].

Por fim, a última e mais importante lição que nos ensina este mistério é o desapego do mundo. Don Divo Barsotti dizia que uma folha grudada à árvore não é levada pelo vento: pode até ser agitada para lá e para cá, mas não voa. Se quisermos ascender com Jesus ao Céu, precisamos abandonar o que é terreno, romper os laços que nos prendem a este mundo e que impedem a nossa elevação espiritual. Embora a expressão "desapego" pareça muitas vezes severa, trata-se ela simplesmente de um sinônimo para "liberdade interior", já que o apego às coisas terrestres nos conduz justamente à escravidão. Desprendamo-nos, portanto, tendo diante dos olhos o desprendimento de Cristo, que é o nosso modelo.

Referências

  1. Poesias, XVII, 3. In: TERESA DO MENINO JESUS, Santa. Obras completas: escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 546.
  2. Manuscrito B, 3v. In: TERESA DO MENINO JESUS, Santa. Obras completas: escritos e últimos colóquios. São Paulo: Paulus, 2002, p. 173.

Padre Paulo Ricardo


Há um Senhor no Céu

Celebramos hoje a Ascensão do Senhor: Cristo não somente foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito

Santo, Senhor que dá a vida, mas também, neste mesmo Espírito, recebeu do Pai, como verdadeiro homem, todo o poder no céu e na terra. É este o sentido da festa de hoje. Mas, vejamo-lo por partes.

Cristo Jesus, ao ressuscitar, saiu da morte e entrou na glória do Pai. A ressurreição e a ascensão são dois momentos, dois aspectos de um único acontecimento: a glorificação do Cristo feito homem e entregue à morte. Jesus não ressuscita, passa quarenta dias aqui na terra e, somente depois, vai para o Pai. Não. Ele já ressuscita no Pai, sua páscoa é passar deste mundo, atravessando o vale da morte, para entrar no Pai, saindo da morte. O que os Atos dos Apóstolos narram na primeira leitura de hoje, não é a ida de Jesus ao Pai, mas a despedida solene de Jesus, o fim daquele período de encontros do Ressuscitado, glorificado com o Pai, com os seus logo após a ressurreição.

Então, qual a diferença entre a ressurreição e a ascensão? Na ressurreição, contemplamos o Cristo totalmente glorificado pelo Pai na força do Espírito. Toda a sua natureza humana, corpo e alma, foi divinizada, impregnada pela vida divina, que é o Espírito Santo. Jesus, agora, é um homem totalmente novo, totalmente “espirituado”, totalmente glorificado, divinizado na sua humanidade. É este o mistério da ressurreição. Mas, há mais: ao ser glorificado, ele, que é uma pessoa divina, é entronizado com todo o poder no céu e na terra: ele, ressuscitado, é constituído Senhor do universo, Senhor da história, Senhor da nossa vida. É isto que a Escritura e a Tradição querem dizer ao afirmar que ele está “sentado à direita de Deus Pai”: ele tem o mesmo poder do Pai, ele recebeu o senhorio sobre tudo. Mas, não já o tinha antes? Não! Tinha como Verbo eterno e divino; mas, agora, é o Verbo como Filho feito homem que recebe tal poder! É este o significado da ascensão. Um de nossa raça está dentro da Trindade, um de nossa raça é Senhor do céu e da terra, um de nossa raça é Senhor dos anjos, um de nossa raça está no topo de todas as coisas. É o que dirá a oração após a comunhão da Missa de hoje: “Deus eterno e todo-poderoso… fazei que nossos corações se voltem para o alto, onde está junto de vós a nossa humanidade”.

São Lucas exprime esta realidade, nos Atos dos Apóstolos, afirmando que Jesus “foi elevado ao céu” “uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo”. Não pensemos aqui numa subida espacial, como se o Senhor Jesus fosse fazer uma viagem pelo espaço sideral, de um lugar para o outro. O “subir”, aqui, tem um sentido qualitativo: subiu para uma vida superior, para uma plenitude que não é deste mundo. Ele, agora, está totalmente imerso no mundo de Deus. É este o significado da nuvem que o encobre. Ela é símbolo do Espírito que, divinizando-o completamente, coloca-o diretamente no âmbito de Deus Pai. Por isso já não podemos mais vê-lo com os olhos da carne.

Mas, a partida de Jesus não é um afastamento de nós. Ele estará, para sempre, interior e realmente, presente no coração da Igreja e de cada fiel através da potência do seu Espírito Santo. É o mistério que celebraremos no domingo próximo. Na glória, sentado à direita do Pai, ele agirá sempre como “Cabeça da Igreja, que é seu corpo”, vivificando-a, sustentando-a, e conduzindo-a sempre mais a ele, até que venha “do mesmo modo como o vistes partir”.

Para nós, a solenidade hodierna tem dois aspectos muito importantes. O primeiro, a certeza que, por mais incerta e sem sentido que muitas vezes a realidade e a nossa vida apareçam, há um Senhor no céu, há o Cristo, que tudo tem, amorosa e poderosamente, em suas mãos. Recordemos o que diz a segunda leitura: o Pai “manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro”. Não há o que temer, cristão: teu Senhor é aquele que tudo dirige, tudo conduz e tudo plenifica. Tu e o mundo em que vives, tu e a história em que caminhas, estão nas mãos daquele que se senta no trono, à direita do Pai. Finalmente, ao olhaar para o céu, contemplamos, glorioso, aquele que é nossa Cabeça, aquele de cujo Corpo somos membros. Pois bem, a sua glória é antecipação e garantia da nossa, como dizia a oração inicial da Missa: “membros do seu Corpo, somos chamados a participar da sua glória”.

Caríssimos, não tenhamos medo! Ainda que com os olhos da carne não possamos contemplar aquele que é o nosso Senhor e reina sobre tudo, sustentados pelo Espírito Santo e com os olhos da fé, temos a certeza que este mundo e nossa vida têm um sentido e são conduzidos pelo Crucificado que foi glorificado à direita do Pai. Renovemos o nosso ânimo e recordemos que o Senhor nos convida a voltar cheios de alegria, como os apóstolos, e sermos testemunhas suas em toda a terra. Sejamos fiéis ao mandato do Senhor, fortalecidos pela esperança que a festa de hoje suscita em nós. É assim que glorificaremos o Cristo, bendito para sempre. Amém.

Dom Henrique Soares