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Santíssima Trindade (22-05-2016)

Primeira Leitura:
SAPIENCIAL: Livro dos Provérbios (Pr), capítulo 8
(22) O Senhor me criou, como primícia de suas obras, desde o princípio, antes do começo da terra. (23) Desde a eternidade fui formada, antes de suas obras dos tempos antigos. (24) Ainda não havia abismo quando fui concebida, e ainda as fontes das águas não tinham brotado. (25) Antes que assentados fossem os montes, antes dos outeiros, fui dada à luz, (26) antes que fossem feitos a terra e os campos e os primeiros elementos da poeira do mundo. (27) Quando ele preparava os céus, ali estava eu, quando traçou o horizonte na superfície do abismo, (28) quando firmou as nuvens no alto, quando dominou as fontes do abismo, (29) quando impôs regras ao mar, para que suas águas não transpusessem os limites, quando assentou os fundamentos da terra, (30) junto a ele estava eu como artífice, brincando todo o tempo diante dele, (31) brincando sobre o globo de sua terra, achando as minhas delícias junto aos filhos dos homens.

Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 5
(1) Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. (2) Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus. (3) Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, (4) a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. (5) E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São João (Jo), capítulo 16
(12) Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
(13) Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
(14) Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.
(15) Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e vo-lo anunciará.
Homilia do : Padre Paulo Ricardo
Homilia do Padre Miguel:---
Presbíteros: Ver Roteiro Homilético
Ver Homilia de Dom Henrique Soares
Ver Homilia de Mons. José Maria
Ver Homilia do Pe. Françoá Costa
Canção Nova: Homilia

Solenidade da Santíssima Trindade - A Santíssima Trindade e nossa vida interior

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas
(Lc 7,1-10)

Naquele tempo, Quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum.

Havia lá um oficial romano, que tinha um empregado a quem estimava muito e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado.

Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: "O oficial merece que lhe faças esse favor,5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga".

Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: "Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: 'Vai!', ele vai; e a outro: 'Vem!', ele vem; e ao meu empregado: 'Faze isto!', ele o faz'".

Ouvindo isto, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: "Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé". Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.

*

O dogma da Santíssima Trindade diz que Deus é um só, em três Pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Essa verdade, ainda que envolva números, não é uma "equação", nem um "teorema" matemático; tampouco se trata de um enigma cujo significado só a alguns iniciados é dado descobrir. Deus ser uno e ao mesmo tempo trino é um mistério que Ele mesmo Se dignou revelar-nos — seja através de Seu Filho único, Jesus Cristo, seja através da descida do Espírito Santo sobre os cristãos —, a fim de que participássemos verdadeiramente de Sua vida íntima e bem-aventurada. O convite que Ele faz abrange, de fato, todas as pessoas, mas é apenas aos santos — àqueles que permanecem em Cristo e em cuja alma Ele mesmo habita (cf. Jo 15, 4) — que está reservada a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pd 5, 4), a feliz visão (=visão beatífica) das três Pessoas divinas.

Esses santos — "gente de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7, 9) — não têm em comum senão a graça divina, que os transforma em verdadeiros filhos de Deus, como ensina o apóstolo São João: "A quantos acolheram a luz, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1, 12); "Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!" (1 Jo 3, 1). Essa filiação, também chamada "adotiva" (cf. Ef 1, 5), não é uma mera ficção jurídica, mas uma verdadeira configuração de semelhança:

  • São Pedro diz que, pela graça, tornamo-nos "participantes da natureza divina" (2 Pd 1, 4);
  • São João diz que os que crêem em Cristo "foram gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1, 13); e, por fim,
  • Nosso Senhor diz a Nicodemos que é necessário nascer de novo para entrar no Reino dos céus (cf. Jo 3, 3), indicando que quem vive na graça realmente nasceu para uma nova vida, uma existência sobrenatural, que não só se distingue, como transcende todas as coisas criadas — a ponto de Santo Tomás de Aquino dizer que "a graça de um só é maior que o bem natural de todo o universo" (S. Th., I-II, q. 24, a. 3, ad 2).

O mesmo apóstolo São João diz, no entanto, que, sendo desde já filhos de Deus, "nem sequer se manifestou o que seremos" (1 Jo 3, 2): além de filhos de Deus pela graça, está reservada aos que O amamos a filiação definitiva pela glória, que é a plenitude e o aperfeiçoamento desta vida divina que recebemos no sacramento do Batismo (cf. S. Th., I, q. 33, a. 3).

Todo esse desenvolvimento de nosso organismo sobrenatural é uma ação conjunta da Santíssima Trindade. Para entendê-la, basta que lancemos um olhar de fé à Cruz de Nosso Senhor: o Verbo de Deus feito carne (a 2.ª Pessoa da Trindade) Se oferece ao Pai (a 1.ª Pessoa da Trindade) e o amor com que Ele se oferece, o fogo em que se consome essa entrega sacrifical, é o Espírito Santo (a 3.ª pessoa da Trindade). Aquilo que a humanidade santíssima do Redentor fez no Calvário é o que todos os cristãos individualmente somos chamados a repetir em nossas vidas, movidos, é claro, pela graça de Deus: configurados a Cristo, filhos adotivos do Pai, nós nos entregamos igualmente a Ele, e a caridade ardente que nos santifica e nos leva à perfeição é também o Espírito Santo.

Sendo bem prático, é preciso que multipliquemos os nossos atos de fé, de humildade, de adoração e de amor:

  • de fé, fazendo com bastante frequência o sinal da cruz, não como quem repete um ritual superticioso, mas como quem invoca a graça de Deus como força para o dia a dia;
  • de humildade, como quem reconhece a própria pequenez e miséria diante da grandeza do mistério da Santíssima Trindade, que vive em nossa alma;
  • de adoração, como quem, movido de gratidão, se inclina perante Deus uno e trino, principalmente quando dá "glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo";
  • de amor, por fim, como quem responde ao infinito amor de Deus por nós, seja amando a Deus, seja amando ao próximo.

Padre Paulo Ricardo


Trindade Santíssima

É estranho celebrar com uma festa litúrgica a Santíssima Trindade, pois a Trindade Santa é celebrada em toda a vida cristã e, particularmente, em toda e cada Eucaristia. Recordemos que a Missa é glorificação da Trindade Santíssima, na qual o Filho se oferece e é por nós oferecido ao Pai no Espírito Santo, para a salvação nossa e do mundo inteiro. Mas, aproveitando a festa hodierna, façamos algumas considerações que nos ajudem na contemplação e adoração desse Mistério tão santo, que nos desvela a vida íntima do próprio Deus.

Poderíamos começar com uma pergunta provocadora: como a Igreja descobriu a Trindade? Descobriu, como duas pessoas se descobrem: revelando-se! Duas pessoas somente se conhecem de verdade se conviverem, se forem se revelando no dia-a-dia, se se amarem. Só há verdadeiro conhecimento onde há verdadeiro amor. É costume dizer-se que ninguém ama o que não conhece; pois, que seja dito também: ninguém conhece o que não ama. O amor é a forma mais profunda e completa de conhecimento! Foi, portanto, por puro amor a nós, à nossa pobre humanidade, que Deus quis dirigir-se a nós, revelar-se, convivendo conosco, abrindo-nos seu coração, dando-nos a conhecer e a experimentar seu amor… E fez isso trinitariamente! Então, desde o início, a Igreja experimentou Deus na sua vida concreta, e o experimentou trinitariamente, como Pai, como Filho e como Espírito Santo. Antes de falar sobre a Trindade, a Igreja experimentou a Trindade!

Primeiramente, o Senhor Deus incutiu no coração do povo de Israel e da própria Igreja que ele é um só: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é um só!” Um porque não pode haver outro ao seu lado, Um porque não pode ser multiplicado, Um porque não pode ser dividido e Um porque deve ser o único horizonte, o único apoio, a única rocha de nossa existência: ele, o Senhor Deus, é o único absoluto, o único que é, sem princípio e sem fim, sem mudança e sem limite! Jamais poderemos imaginar tal grandeza, tal plenitude, tal suficiência de si mesmo! Deus É – e basta! Tudo o mais apenas existe porque vem dele, daquele que É! Mas, ele não é um Deus frio: sempre apresentou-se ao povo de Israel como um Deus amante, um Deus de misericórdia e compaixão, um Deus que não sossega enquanto não levar à plenitude da vida as suas criaturas. Por isso, com paciência e bondade, conduziu o seu povo de Israel, formando-o, educando-o, orientando-o e prometendo um futuro de bênção e plenitude, de eternidade e abundância de dons, que se concretizaria com um personagem que ele enviaria: o Messias, seu Ungido.

Esse Messias prometido, nós, cristãos, o reconhecemos em Jesus, nosso Senhor. Ele é o enviado de Deus, do Deus único, Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, Deus do povo de Israel. A esse Deus tão grande e tão santo, Jesus chamava de Abbá – Papai: o meu Papai! A si mesmo, Jesus se chamava “o Filho” – Filho único, unigênito de Deus, Filho Amado! Mais ainda: o próprio Jesus, que veio para nós e por amor de nós, agiu neste mundo, em nosso favor, com uma autoridade que ultrapassava de longe a autoridade de um simples ser humano: ele agia como o próprio Deus. Não só interpretava a Lei de Moisés, como também a modificou e a ultrapassou; perdoava os pecados, exigia um amor e uma obediência absolutos à sua pessoa… amor que somente Deus pode exigir. Jesus se revelava igual ao Pai, absolutamente unido a ele: “Eu e o Pai somos uma coisa só! Quem me vê, vê o Pai. Eu estou no Pai e o Pai está em mim”. Após a ressurreição, a Igreja compreendeu, impressionada, maravilhada: Jesus não somente é o enviado daquele Deus a quem chamava de “Pai”, mas ele é igual ao Pai: ele é Deus como o Pai, é eterno como o Pai, é o Filho amado pelo Pai desde toda a eternidade. Então, o Deus de Israel é Pai, Pai eterno, Pai eternamente, que eternamente gera no amor o Filho amado. Por amor, ele nos enviou este Filho: “Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado. Anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos, a liberdade, aos tristes, a alegria”. E para realizar o plano de amor do Pai, “entregou-se à morte e, ressuscitando dos mortos, venceu a morte e renovou a vida”.

Mas, há ainda mais: o Filho, ressuscitado e glorificado, derramou sobre seus discípulos o Espírito Santo, que é o próprio Amor que o liga ao Pai. Este Espírito de Amor não é uma coisa, não é simplesmente uma força, não é algo: é Alguém, é o Amor que une o Pai e o Filho, e agora é, na Igreja de Cristo, o Paráclito-Consolador, Aquele que dá testemunho de Jesus morto e ressuscitado, Aquele que vivifica e orienta a Igreja, Aquele que renova em Cristo todas as coisas. Ele é o Dom que o Filho ressuscitado recebeu do Pai e derramou sobre a Igreja, para santificar todas as coisas. Este Espírito permanece no nosso meio na Palavra e nos sacramentos; este Espírito conserva a Igreja unida na mesma fé e na mesma caridade fraterna, este Espírito é a Força divina, a Energia criadora que nos ressuscitará, como ressuscitou o Filho Jesus para a glória do Pai.

É assim que a Igreja confessa um só Deus, imutável, indivisível, perfeito, eterno, absolutamente um só. Mas confessa e experimenta igualmente que este Deus único é real e verdadeiramente Pai, Filho e Espírito Santo, numa Trindade de amor perfeito e perfeitíssima Unidade. A oração inicial da Missa de hoje, exprime este Mistério: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade, que é o Filho, e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”.

Continuemos, então, a nossa Eucaristia, na qual torna-se presente sobre o Altar a oferta do Filho que, por nós, entregou-se ao Pai num Espírito eterno.

Ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito, Trindade santa a consubstancial, a glória e o louvor pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares