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Homilia do Primeiro Domingo da Quaresma: As Tentações do Deserto (13/03/2011)

Primeira Leitura:
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 2
(7) O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente. (8) Ora, o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o homem que havia criado. (9) O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal.
PENTATEUCO: Livro do Gênesis (Gn), capítulo 3
(1) A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” (2) A mulher respondeu-lhe: Podemos comer do fruto das árvores do jardim. (3) Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” (4) “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! (5) Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (6) A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente. (7) Então os seus olhos abriram-se, e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si.
Segunda Leitura:
EPÍSTOLAS DE SÃO PAULO: Epístola de São Paulo aos Romanos (Rm), capítulo 5
(12) Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram... (13) De fato, até a lei o mal estava no mundo. Mas o mal não é imputado quando não há lei. (14) No entanto, desde Adão até Moisés reinou a morte, mesmo sobre aqueles que não pecaram à imitação da transgressão de Adão (o qual é figura do que havia de vir). (15) Mas, com o dom gratuito, não se dá o mesmo que com a falta. Pois se a falta de um só causou a morte de todos os outros, com muito mais razão o dom de Deus e o benefício da graça obtida por um só homem, Jesus Cristo, foram concedidos copiosamente a todos. (16) Nem aconteceu com o dom o mesmo que com as conseqüências do pecado de um só: a falta de um só teve por conseqüência um veredicto de condenação, ao passo que, depois de muitas ofensas, o dom da graça atrai um juízo de justificação. (17) Se pelo pecado de um só homem reinou a morte (por esse único homem), muito mais aqueles que receberam a abundância da graça e o dom da justiça reinarão na vida por um só, que é Jesus Cristo! (18) Portanto, como pelo pecado de um só a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida. (19) Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos.
EVANGELHOS: Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 4
(1) Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.
(2) Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.
(3) O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.
(4) Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).
(5) O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:
(6) Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito, proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).
(7) Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
(8) O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:
(9) Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.
(10) Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).
(11) Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.
(290) Homilia do Padre Paulo Ricardo:PLAYER AQUI
Quem não crê na existência do Diabo não compreende a Redenção. Com o pecado original o homem se tornou escravo de Satanás e por isto a necessidade que temos da Libertação realizada por Cristo é total. "Pois nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os espíritos malignos" (Ef 6, 12).
As Tentações
1º domingo da quaresma, 13/03/2011
Catequese Bíblico-Missionária

Os textos de hoje denunciam a omissão de viver. Adão e Eva se omitem de comer do fruto da árvore da vida e se deixam iludir pela mentira da serpente que lhes prometera a onisciência do bem e do mal. Abandonando a experiência de viver, aguçam a sua vaidade e deixam-se penetrar pela profundidade da mentira, perdendo o gosto de viver e da liberdade de existir.

Aquele que mente se identifica com Satanás, que é o "pai da mentira" (Jo 8,44) e mergulha a si próprio numa profunda e atrevida ignorância. Jesus denuncia que Satanás pode citar as palavras da Escritura como melhor lhe convém, pois conhece todas.

Jesus lhe responde com as citações das Escrituras: o Filho de Deus alimenta-se da palavra do Pai e não apenas do pão (Dt 8,3); o filho de Deus não O coloca à prova com desafios mágicos (Dt 6,16) e o Filho de Deus adora somente ao seu Pai (Dt 6,13).

Nós estaremos sempre sujeitos, na fraqueza de nossa vaidade, a sucumbir às seduç~ioes de Satanás: o poder, a ostentação e a ganância. Nestes tempos de Quaresma, somos chamados a um compromisso vital com o Espírito de Jesus e a aprofundar o que nos proclama o profeta Isaías: "É porque no dia do vosso jejum, tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. É porque ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas" (Is 58,3-4).

Somos chamados a jejuar das injustiças e da exploração que fazemos aos outros. A jejuar das mentiras e hipocrisias que cometemos a todo instante. A jesjuar desta necessidade feroz de nos impormos, pela vaidade, a todos que deveriam estar, ombro a ombro, conosmo neste deserto, sem compaixão, em que transformamos a travessia de nossas vidas.

Pe. Paulo Botas, mts